sábado, 31 de maio de 2008

Novos papismos, ou as charadas da ASAE

(c) cartoon de GoRRo, 2008

O Maio de 67

O mês Maio de 1967 foi marcado por uma enorme contestação nas ruas, contra o poder francês, na época de De Gaulle. Não em Paris, mas nas Antilhas Francesas, em particular em Pointre-à-Pitre, na Guadeloupe. As razões do protesto eram um misto de reivindicações políticas relacionadas com a autonomia, de reivindicações laborais em particular dos trabalhadores da construção e de revolta contra vários episódios de discriminação racial. As Antilhas francesas eram e são constituídas por uma população quase totalmente negra ou mestiça, descendente de escravos. Mas eram na época recorrentes práticas dignas do Apatheid. Contrariamente ao que se passou em França em 1968, os manifestantes Guadeloupeanos tiveram direito a repressão com fogo real, e intervenção do exército. Houve vários mortos.

Fica aqui o segundo episódio, de oito (todos disponíveis no Dailymotion), de um documentário sobre o Maio de 67 (Mé de 67, em crioulo)


sexta-feira, 30 de maio de 2008

É oficial: A virgindade é uma qualidade humana essencial numa noiva

É a crisi, ah pois é!

(c) cartoon de GoRRo, 2008

MEMORANDO (para os portugueses distraídos):
»a nova ementa dos Santos Populares: sushizada e sangria de sakê
»o novo santo popular, S. Jaiminho, casa o pêxe com a gasosa

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Feira da Ladra alternativa

Mais inf. no blogue oficial.

40 anos do “Tropicália ou Panis Et Circensis”





exatos 40 anos nascia o que poderíamos chamar de Manifesto Tropicalista. O “Tropicália ou Panis Et Circensis” foi gravado sob a efervescência de Maio'68 e se opôs frontalmente à retórica conservadora e nacionalista dos produtores culturais tupiniquins. Foi um disco emblemático, rico em critica social e de costumes da época. Queiram ou não, foi a Tropicália que propôs uma ruptura estética e comportamental. Musicalmente, soube como mesclar a contracultura dos anos de 1960 com as vanguardas artísticas mais radicais, como a antropofagia” do Modernismo Brasileiro (década de 1920) e a Poesia Concreta (década de 1950). Com uma linguagem bem alegórica, não teve o menor pudor em valer-se de várias vertentes e estilos musicais. "Tropicália ou Panis Et Circensis" foi a obra-prima que marcou definitivamente a MPB, diga-se.

Criada pelo artista plástico Rubens Gerchman (1942 – 2008) e com a fotografia de Oliver Perroy , a capa do Tropicália foi uma paródia da capa do “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band” ( Beatles) com pitadas tropicalistas. Na foto aparecem Tomvestido com terno e segurando uma maleta, o penico como xícara nas mãos de Rogério Duprat, Gilberto Gil “fantasiado" de sgt. pepper, a saia e o penteado caipira de Gal Costa, o retrato de formatura do curso normal de Capinan, a seriedade dos “palhaços” Os Mutantes, a boina de Torquato Neto e Caetano Veloso segurando o retrato de Nara Leão. A contracapa traz um texto de um suposto roteiro cinematográfico escrito por Caetano Veloso, onde as personagens são os próprios tropicalistas travando um diálogo caótico e irreverente, que mistura Celly Campelo, Pixinguinha, Jefferson’s Airplane, a "the apple boutique” (a loja dos Beatles) e João Gilberto.

Depois do lançamento do disco, Caetano Veloso se apresenta em São Paulo, em setembro, no 3° Festival Internacional da Canção (FIC) com a cançãoProibido Proibir”. O uso de guitarras elétricas não agrada o público, que responde com uma forte vaia e lança tomates no palco. O cantor reage com um inflamado e emocionado discurso. Depois disso, em 27 de dezembro, ele e Gilberto Gil são expulsos do Brasil. Eram dias de chumbo da ditadura militar e o fim da Tropicália.

Ouça aqui a integra do discurso de Caetano Veloso.

As músicas do disco: os arranjos são de Rogério Duprat com produção de Manuel Berembeim.

01- Miserere Nóbis (Gilberto Gil/Capinan) Gilberto Gil
02- Coração Materno (Vicente Celestino) Caetano Veloso
03- Panis Et Circensis (Gilberto Gil/Caetano Veloso) Os Mutantes
04- Lindonéia (Caetano Veloso) Nara Leão
05- Parque Industrial (Tom ) Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Os Mutantes
06- Geléia Geral (Gilberto Gil/Torquato Neto) Gilberto Gil
07- Baby (Caetano Veloso) Gal Costa e Caetano Veloso
08- Três Caravelas (A. Algueiró Jr./G. Moreau/ Versão João de Barro) Caetano e Gilberto Gil
09- Enquanto Seu Lobo Não Vem (Caetano Veloso) Caetano Veloso
10- Mamãe, Coragem (Caetano Veloso/Torquato Neto) Gal Costa
11- Bat Macumba (Gilberto Gil/Caetano Veloso) Gilberto Gil
12- Hino ao Senhor do Bonfim (João Antonio Wanderley) Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Da Especulação, e outros demónios

Pergunta João Miranda: O que é a especulação?. Vindo de quem vem a pergunta faz todo o sentido. Que uma empresa suba o preço da gasolina para além do aumento dos custos, e conserte preços, aproveitando o contexto económico para aumentar os seus lucros, nada tem de anormal. Que "investidores" aproveitem a circunstância de os agricultores precisarem de liquidez e comprem hoje as colheitas futuras para depois as venderem com margens de lucros astronómicas nada tem de chocante. Que isso cause a crise alimentar é apenas natural. Que por isso hoje pessoas morram em tumultos da fome, e amanhã morram de fome sem força para causar tumultos, é inevitável. Em tudo isto João Miranda não vislumbra sombra de Especulação, essa entidade abstracta, indefinível, etérea. É apenas o mercado a funcionar, em toda a sua bondade. O problema é esse, é precisamente esse.

Anistia Internacional condena 60 anos de fracasso em direitos humanos.

Ou seja: mudam as moscas, mas a merda é a mesma.

"Injustiça, desigualdade e impunidade são

as marcas do mundo de hoje. Os governos devem

agir agora para diminuir a distância que separa suas

promessas de seu desempenho”. Leia aqui os casos

específicos de Brasil e Portugal.

Mais...

Em novo artigo no Granma, Fidel Castro responde a críticas de Obama


O senador Barack Obama (aqui o quadro geral das primárias democratas), no seu discurso na Fundação Cubano-Americana (Miami) sobre América Latina, falou do Brasil, da Venezuela e da Colômbia, mas o seu foco principal foi uma dura crítica ao governo cubano, que foi prontamente rechaçada por Fidel Castro. Em um novo artigo publicado no Granma, intitulado “A política cínica do império”, o ex-presidente de Cuba responde a Obama, dizendo que não sente "rancor" em relação ao pré-candidato democrata à presidência norte-americana, mas que não teme "criticá-lo". Disse também que "não seria honesto" de sua parte "guardar silêncio depois do discurso de Obama". Leia aqui a integra do artigo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

OLÉ!


segunda-feira, 26 de maio de 2008

My blueberry nights

A cada filme, Wong Kar Wai constrói um itinerário sentimental para as suas personagens e transporta-nos ao longo da jornada. Aí, reside uma das suas grandes qualidades que, juntamente, com a prodigiosa fotografia do cenário urbano e a envolvência da banda sonora, constituem a sua marca autoral.
Em My blueberry nights é fácil reconhecer Wong Kar Wai, mesmo nos E.U.A. e sem o «exotismo» asiático, lá está a cartografia: o trágico Sul, com David Strathairn a funcionar como o duplo perfeito do seu galã chinês Tony Leung Chiu Wai; o Oeste empreendedor, aqui Natalie Portman no seu melhor papel e com outro toque remissivo para a peruca de Chungking Express; e a acolhedora realidade da Grande Cidade, por oposição ao espaço americano quase mítico, e onde o realizador se sente «em casa» (e nós, clientes habituais daquele café).
E a história de amor, desta vez, tão suave, em que a habitual crispação e sensação de impossiblidade dá lugar à doçura, como se a protagonista (Norah Jones), livre das «obrigações» de femme fatale ou de «espartilhos» sufocantes conseguisse arranjar um espaço de entrega. Ao rapaz (Jude Law), Wong Kar Wai concede tempo e disponiblidade, dádiva rara no realizador/argumentista.
O resultado é um belíssimo happy end, ideal para dias amargos de chuva.
P.S. - O Peão já aqui falou deste filme.

Adventures in illegal art (ou de como ter os U2 à perna e continuar na boa)

Nb: mais info aqui.

Eric Drexler fala sobre nanotecnologia com transmissão pela Internet

No próximo dia 30, o cientista e engenheiro norte-americano K. Eric Drexler vai realizar três palestras sobre nanotecnologia para o público brasileiro, em São Paulo. Drexler foi o primeiro a produzir uma tese de doutorado em nanotecnologia no mundo, em 1991, pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts . O investigador estuda tecnologias emergentes e suas conseqüências para o futuro. O evento também poderá ser assistido pela Internet. Mais informações aqui.

OBS. Clique na imagem para vê-la ampliada.

domingo, 25 de maio de 2008

Arranja-me um emprego...

nb. Recebido por email, clique na imagem para ampliar.



sábado, 24 de maio de 2008

Foi você que disse liberdade de expressão?

Em França a Sátira política (pelo menos se estampada em T-shirts) dá direito a processo em tribunal, e Sarkozy constitui-se como parte civil. Esperemos que ao menos os juízes tenham juízo.

2ª conferência

Ver informação detalhada aqui



sexta-feira, 23 de maio de 2008

alkantara festival, ou o novo teatro político

Começou ontem o alkantara festival, que se estenderá até 8 de Junho. Este ano, o evento apresenta-se sob o signo do teatro político, sinal dos tempos (a este propósito, a introdução ao programa pelo seu mentor, Mark Deputer, é muito estimulante), agora abordando novos problemas, com grande diversidade de linguagens, propostas e proveniências (sim, é verdade, o mundo já não se reduz ao «Ocidente»...).
Em 17 dias, Lisboa receberá 26 espectáculos, em 78 sessões, de artistas oriundos de Portugal, Austrália, Índia, Turquia, Nova Zelândia, República Democrática do Congo, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Suíça, EUA, Alemanha, Argentina, República Checa, Brasil, Líbano, França, Argélia e Colômbia.
Decorrerá em 17 teatros e espaços (Auditório Carlos Paredes, Castelo de São Jorge, Centro Cultural de Belém, Culturgest, Espaço Alkantara, Espaço Land, Hospital Miguel Bombarda, Museu da Electricidade/Central Tejo, Museu do Oriente, Palácio Nacional da Ajuda, Maria Matos Teatro Municipal, São Luiz Teatro Municipal, Politécnica e Teatro Meridional).
O programa da RTP2 Câmara Clara dedicou-lhe a sua última sessão (a qual pode ser vista na Internet aqui).

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O céu é o limite

Arjun N. Murtiz, analista da Goldman Sachs previu em 2005 que o barril do petróleo chegaria aos 105 dólares por barril. Mais do que pessimista era uma previsão catastrofista, o barril estava então a 57 dólares. No entanto a previsão era de que se chegaria aos 105 dólares em 2009, estamos em 2008 e o preço é de 135 dólares (quando comecei a escrever pensava estar ainda nos 130, sabe-se lá o preço quando leitor ler este post). O mesmo Murtiz prevê agora que o petróleo chegue aos 150 (está só a 15 dólares) ou mesmo 200 dólares, nos próximos 6 meses a dois anos. Pessimista?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Joseph Losey & The Servant

Speaking about The Servant, Losey declared: ‘For me the film is only a film about servility, servility of the master, servility of the servant and servility in the attitude of all sorts of people in different classes and positions […] It is a society of fear, and the reaction in the face of fear is in the majority of cases not resistance and combat, but servility, and servility is a state of mind’ (Prèsence du Cinèma, no. 20, March 1964)
In Gilles Deleuze, Cinema 1: The Movement Image, London, New York: Continuum, 2005, p. 236 (note 14).

terça-feira, 20 de maio de 2008

Com a presença do super-peão Zèd!

Vem expressamente de Paris para Lisboa, largar um fruto do seu suor. Não é uma cegonha desorientada. Não é mais um futebolista para clubes ansiosos. É, sim, o super-peão Zèd!!!
Ele irá animar a malta na 1.ª Conferência do divã, sobre ciência e sociedade. O encontro terá ainda a presença de Maria Eduarda Gonçalves e de Filipe Moura (dos blogues vizinhos O avesso do avesso e Cinco dias, onde também aborda questões científicas), sendo moderado pela Ana Delicado. Como diria La Palisse, não é todos os dias... Lá vos esperamos, então!
[nb: para quem não conseguir ler a imagem, segue em baixo o texto de apresentação]
1.ª Conferência do divã - Ciência e sociedade num mundo globalizado
21 de Maio, 18h, Livraria Pó dos Livros (Lx., Av. Marquês de Tomar, 89A)

Nas sociedades contemporâneas, a ciência ganhou um novo relevo, tanto na detecção como na resolução de vários problemas globais. Questões como os riscos ambientais, as novas doenças e epidemias, a crise dos recursos energéticos, os dilemas éticos da tecnologia, o desenvolvimento sustentável e a reformulação das políticas públicas impuseram aos cientistas novos desafios. Como é que os cientistas se têm organizado para responderem a estes desafios? Como é que têm incorporado as necessidades e as reivindicações da sociedade no seu trabalho? Como têm comunicado com o público e divulgado o seu conhecimento? E a sociedade, como é que tem acolhido o seu contributo? E como se adaptaram as políticas científicas à nova situação? Estas são algumas das questões que propomos para debate, partindo dos seguintes capítulos do livro A globalização no divã: «Do tubo de ensaio à Nature: a ciência e a globalização» (Ana Delicado); «As novas formas de eugenismo: a genética entre o orgulho e o preconceito» (José Eduardo Gomes); e «Não mais estaremos sozinhos: a globalização do controlo» (Catarina Fróis).

moderadora:
Ana Delicado, socióloga, co-autora do livro A globalização no divã

intervenientes:
Maria Eduarda Gonçalves, docente e investigadora no ISCTE
Filipe Moura, docente no Instituto Politécnico de Leiria e investigador no Instituto de Telecomunicações, autor do blogue O avesso do avesso e colaborador do blogue Cinco dias
José Eduardo Gomes, biólogo, investigador de pós-doutoramento em França, co-autor do livro A globalização no divã e do blogue Peão
*
Este evento é patrocinado pela Livraria Pó dos Livros, editora tinta-da-china e jornal Le Monde Diplomatique - ed. portuguesa. Sobre as restantes conferências (a 27 de Maio e 3 de Junho) vd. aqui.

“Chorões”, portugueses preferem sexo a futebol. Já os suecos e os espanhóis são uns eternos apaixonados... Pelo jogo de futebol (?!).

Pesquisas divulgadas pelo britânico Centro de Investigação de Assuntos Sociais (SIRC, em inglês) indicam que 6 de cada 10 europeus preferem ver um jogo de futebol a ter relações sexuais. Realizada em 18 países do continente, a sondagem indica que a Suécia é onde os homens são mais apaixonados pelo futebol, pois 95% dos entrevistados responderam que nunca ou quase nunca trocariam um jogo de futebol por uma relação sexual. Tudo bem que há quem acredite que a sensação de um gol é a mesma de um orgasmo. Mas assim é demais.

Na honrosa segunda posição (olé!), vêm os espanhóis: 72% não tiveram vergonha de admitir que entre o futebol e manter relações sexuais, preferem ver os jogos mesmo que seja pela televisão. Ay, madresita! Do outro lado da moeda vêm os tugas, pois apenas 17% deles admitiram trocar sexo por um jogo de futebol. Um golaço!

A sondagem também avaliou o comportamento do torcedor na hora do gol e do resultado final de sua equipe. Nada mais nada menos de 88% afirmaram que abraçaram ou beijaram a um desconhecido durante um evento esportivo, enquanto 66% admiram chorar habitualmente nas derrotas ou vitórias de sua equipe do coração. Os portugueses são também os maischorões”. 80% confessaram que verteram lágrimas e mais lágrimas por culpa do futebol. Os lusitanos são seguidos no ranking dos “chorõespor belgas, alemães e ingleses. No caso português, será o fraco desempenho do Benfica nesta temporada o responsável por tantas lágrimas assim derramadas?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Parar de fumar como um turco

Também em italiano, "fumar como um turco" é a expressão proverbial para fumar muito.

Caiu mais um bastião dos fumadores (ou vai ardendo, devagarinho, consumindo-se, como um cigarro, ou uma velha casa de madeira do centro de Istanbul): foi aprovada uma restritiva lei anti-tabaco na Turquia.

Esqueci-me de dizer, neste post aqui, que vi há pouco tempo, no aeroporto de Istanbul, grupinhos de suecos a beber uma caneca de cerveja (cada um) e a fumar como turcos às 10 para as sete da manhã. Lourinhos dos paísesinhos proibidinhos do tabaquinho contentinhos por estarem enfim num país civilizado -- a Turquia --, onde se pode fumar em qualquer lado.

Podia.

In bocca al lupo

In bocca al lupo (na boca do lobo) é a maneira de, em italiano, não se desejar boa sorte.

sábado, 17 de maio de 2008

Fotos divulgadas pelo Instituto La Hoover (Universidade de Stanford) sobre o bombardeio atômico de Hiroshima podem não ser autênticas

Parece-me que as fotos distribuídas pelo Instituto La Hoover, da Universidade de Stanford, e por mim aqui postadas , não correspondem ao bombardeio atômico de Hiroshima. Segundo garantem alguns investigadores japoneses, as imagens foram feitas durante o terremoto de Kanto, em 1923. Devido a essas suspeitas, o Instituto La Hoover retirou as fotos de seu site para novas averiguações . Assim, também retiro do ar as imagens aqui divulgadas e agradeço a Dario Silva pelo alerta contido em seu comentário do referido post.

Negativland em Lisboa

Sabeis quantos fusos horários tinha a ex-União Soviética? Não? Também não faz mal. Ninguém é perfeito. Mas se quiserdes saber podeis ir aqui averiguar. O vídeo é do Miguel Soares, tal como o cartaz em cima. Sim, porque não é todos os dias que tipos como estes vêm cá a Portugal.
A propósito, vale a pena espreitar a página dos Negativland, bem como esta informação sobre os pressupostos artísticos do grupo.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

George Walker Bush ataca Barack Obama em Israel (oh, dúvida cruel)

A senhora Clinton ganhou ontem mais um aliado na sua doentia obsessão de se tornar presidenta: todo o poderio bélico de George Walker Bush. Ao discursar no Knesset (Parlamento) israelense para celebrar os 60 anos da criação do Estado de Israel, Bush disparou contra o senador Barack Obama, que defende o diálogo e a negociação com países considerados inimigos dos EUA, como o Irã, a Síria e Cuba, chamando-o de um "apaziguador". Segundo Bush, essa promessa seria uma tentativa de “fazer acordos com nazistas”. Com isso, o presidente leva pra fora das fronteiras americanas a campanha eleitoral. As declarações de Bush me parecem bem sintomáticas e me levam, entre tantas, a mais uma dúvida crucial. Será que os republicanos se inspirarão em Hillary para atacar Obama em novembro? Bem, pelo visto a tática eleitoral de destruição pessoal de ambos não difere em nada.

Aqui o quadro atualizado das primárias democratas (faltam apenas cinco estados).

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Novas do medronho!

Novas, novíssimas, em jeito de novas sugestões e de informação histórica.
Mão amiga (embora anónima) chamou-me a atenção para a existência dum erro no meu post sobre esse néctar dos deuses que é a aguardente de medronho (vd. aqui).

Na lista de marcas que vendem este gostoso digestivo, coloquei a SILVAPA como empresa do Algarve quando é, isso sim, da Beira Baixa. Tendo eu uma costela beirã a coisa ficou um pouco embaraçosa...
Por outro lado, fiquei satisfeito por saber que já há duas boas aguardentes de medronho beirãs, uma da Serra da Estrela e esta de Oleiros, que até será mais barata do que as algarvias... ah, e a embalagem é elegante, com uns traços em tons assim a puxar aqui para o blogue...
Esta aguardente do concelho de Oleiros, mais concretamente da Madeirã, existe desde meados do século XIX e era então o valor central da terra:
Segunda novidade: outra mão, ainda mais amiga, ofereceu-me uma garrafa da marca Mourinha (da Serra do Caldeirão), muito macia e apetecível. Tem um rótulo amarelo torrado, com uma pequena gravura duma casa rústica, com caminho e árvores à volta. A garrafa, esverdeada, é ao jeito daquelas pequenas garrafas de uísque, muito práticas para transportar. Também foi aditada na revisão do post antigo.
Bem sei que não é domingo, mas não consegui esperar mais para vos dar estas boas novas!

Dar o exemplo

A expressão «dar o exemplo», esta semana tão utilizada a propósito do Primeiro-Ministro-Fumador, provoca-me um terrível complexo de inferioridade. Há, neste conceito, alguma coisa entre o paternalista e o juízo moral que me perturba. É como se os meus comportamentos e escolhas ficassem dependentes dos governantes, dos meus superiores ou até do colega do lado. Se por hipótese, o meu chefe começar a chegar atrasado, eu começo a prolongar a minha hora de almoço; se o vizinho ouvir rádio aos berros de manhã, eu aumento o volume da televisão à noite, incapaz de estabelecer, por mim própria, a regras do cumprimento profissional ou da adequada vizinhança. E se, pelo contrário, o Primeiro-Ministro-Fumador deixar de o ser, eu, animadíssima pelo seu bom exemplo, abandonarei, também, o vício. Tudo isto numa cadeia exemplar infinita que a todos vai infantilizando.
No caso em questão, mais não houve que incumprimento da lei por parte de alguém que, pelo menos desde o «Inglês Técnico» se considera a viver em estado de excepção. E se houve infracção, existe a respectiva multa.
Agora exemplo? Eu, pelo menos, não espero exemplos de ninguém e muito menos do Eng. Sócrates.

Última hora: eu fumo, apesar de pouco

Tenho uma declaração a fazer aos Portugueses: já fumei (muito e durante bastante tempo). Já deixei de fumar (até ao dia em que vi duas miúdas giras a fumar numa esplanada e decidi cravar-lhes um cigarro só para meter conversa). Agora fumo outra vez (mas muito menos do que dantes, embora já há algum tempo).

Nunca fumei num avião, a não ser talvez uma vez há muitos anos (quando fumava muito e ainda não era proibido). Já viajei num comboio para a Lapónia onde havia um cubículo para fumadores de 8m2 que parecia a entrada duma chaminé inglesa e onde a roupa que entrava saía directamente para um incinerador. Já apertei a mão a um primeiro-ministro que não fumava, e sinceramente não gostei.

Já vi bastantes pessoas com ar de quem bem gostaria de transgredir a proibição de fumar no avião. Já vi médicos a dizer que não se deve beber nem uma gota de álcool durante a gravidez enquanto fumavam o 16° cigarro da noite. E uma vez já quase que provoquei um acidente de automóvel no próprio carro que estava a conduzir porque me tinha esquecido de que já não fumava e, enquanto atirava mentalmente fora o cigarro pela janela, me apercebi que a janela estava fechada. Durante dez ou quinze segundos dramáticos, imaginei que o tapete do carro (era altamente inflamável) estava a arder debaixo dos meus pés.

É desde então que considero que um fumador reprimido é perigoso para a saúde.

Tenho dito.

Edward N. Lorenz (1917-2008)

Morreu recentemente Edward Lorenz, o pai da Teoria do Caos. Matemático, trabalhou em Meteorologia no exército, durante a II Guerra, e continuou na sua carreira académica. Foi ele quem primeiro percebeu que o comportamento da atmosfera pode ser modelizado por equações deterministas, e ainda assim ser irregular e aparentemente (apenas aparentemente aleatório). E, talvez mais importante ainda, percebeu que uma pequena diferença nas condições iniciais pode resultar numa enorme diferença a longo prazo. Foi Lorenz quem cunhou a metáfora do bater de asas da borboleta (numa conferência que deu em 1972 com o título "Does the flap of a butterfly's wings in Brazil set off a tornado in Texas?").
Se há um livro que influenciou a minha maneira de ver a Ciência (e o Mundo) foi o "Chaos", de James Gleick (editado em português pela Gradiva, há muitos anos), que aconselho vivamente a qualquer pessoa, cientista ou não. Acontece que o que Lorenz descobriu para a atmosfera é válido para um sem número de ciências, virtualmente todas. O número da fenómenos que são regidos pelas equações não lineares, as que modelizam fenómenos intrinsecamente caóticos, é incontável. Percebi há muito que quando tentamos abordar uma questão (científica) com um pouco mais de realismo, e profundidade, abandonando os cómodos modelo simplistas, as conclusões são sempre, ou quase sempre, contra-intuitivas, dificilmente se foge ao caos. A mensagem de tudo isto é muito banal, e anda nas bocas de toda a gente, na teoria, mas quando se chega à prática todos esquecem: A realidade é bem mais complexa do que à primeira vista pode parecer ao nosso espírito simplista.

Nota: Obituário de Edward Lorenz, na Nature (para assinantes)

Personnage méditant sur la folie

terça-feira, 13 de maio de 2008

Robert Rauschenberg (1925 – 2008)



O pintor Robert Rauschenberg, o “pai” da pop art e um dos principais representantes da arte contemporânea na gringolândia, morreu ontem aos 82 anos. Na década de 1960, Rauschenberg começou a fazer pinturas em silk-screen e depois lançou-se num período de projetos que incluíam arte performática, coreografia, design de sets de filmagem e combinações de arte e tecnologia.



Imagens:
À esquerda - Bed. 1955. Combine painting: óleo e lápis sobre almofadas e colcha, em suporte
de madeira (191.1 x 80 x 20.3).

À direita - Signs. 1970. Pôster: colagem com imagens de Martin Luther King, guerra do
Vietnã, Janis Joplin, Robert Kennedy e de distúrbios civis da década de 1960.


Chamem-me optimista

A classificação de Portugal no Euro 2008 é tão fácil de prever como uma progressão aritmética. É pura lógica, não tem nada que saber. Senão vejamos:

- Euro 96 - Portugal eliminado nos quartos-de-final
- Euro 2000 - Portugal eliminado nas meias-finais
- Euro 2004 - Portugal finalista vencido
- Euro 2008 - Portugal campeão europeu

(Des) composição

(De) composição

Composição II

Composição I

domingo, 11 de maio de 2008

Mal posso esperar



Emir Kusturica realizou um documentário sobre Maradona. A banda sonora é de Manu Chao. A estreia é para breve.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

E para completar o quadro, um toque de revisionismo histórico

Segundo Sarkozy, ontem nas comemorações do 8 Maio, o fim da II Guerra na Europa, afrimou que "A verdadeira França não estava em Vichy". Ficamos a saber portanto que Pétain não era verdadeiramente francês (se calhar era austríaco). A polícia francesa também não teve nada que ver com a deportação de judeus, como por exemplos no Vel' d'Hiv a 16 e 17 de Julho de 1942 (deve ter sido o exército regular prussiano). As forças afectas ao regime de Vichy que combateram activamente a resistência também não eram franceses (eram talvez alemães). E já agora quem é que transformou num massacre os festejos da vitória na II Guerra, a 8 de Maio de 1945 em Sétif e Guelma, na Argélia?
De facto só faltava a Sarkozy um ligeiro toque de estalinismo para completar o quadro.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Um ano e uma nova forma de fazer jornalismo

Fez esta semana um ano que nasceu um novo projecto jornalístico em França. Numa altura em que a imprensa escrita está em retracção, para não dizer crise, um grupo de jornalistas na maioria vindos do Libération lançou um jornal exclusivamente on line e de acesso inteiramente gratuito. O jornal/site informativo (chamem-lhe o que quiserem) segue uma lógica muito influenciada pelo fenómeno blogosférico, nomeadamente no que toca à forte participação dos leitores na elaboração dos conteúdos. Isto sem beliscar minimamente a qualidade do trabalho jornalístico. Os resultados ultrapassaram de longe as expectativas mais optimistas: um milhão de visitantes únicos por mês, uns quantos scoops ao longo do ano, e tronou-se rapidamente uma referência citada por outros jornais. Pessoalmente, descobri-o através do Peão, e é-me indispensável (já o linkei várias vezes). O Rue 89 festeja o seu primeiro aniversário

E este? (podem chamar-lhe um Figo)


A Vallera e o Victor fizeram vir à tona a minha veia patriótica, que apenas está autorizada a expressar-se no futebol. Este foi um dos melhores jogos que já vi. Também pelas circunstâncias. Estava eu à época num local distante e recôndito onde os jogos do Europeu, em directo, passavam às 11h da manhã. Pior, era preciso ter assinatura de uns canais de satélite extravagantes, que apenas alguns lunáticos tinham. Conclusão acabei a ver o jogo em casa de um inglês, com mais uns 20 ou 30 ingleses. Portugueses éramos dois (o que perfazia o total da população tuga local). Foi lindo.

We own the night


Tenho, para mim, uma lista de inícios de livros, mas sobretudo de filmes. O início de We own the night ao som de Blondie, para todos os efeitos, êxito dos 80's, acabou de entrar nessa categoria de favoritos.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Não houve um Maio de 68, houve uma data deles

Depois de me armar em engraçadinho e lançar aqui uma provocação, lá tenho que vir aqui com a rábula do "não estava a falar a sério, era só uma provocação" (embora estivesse a falar a sério). As réplicas que tive à minha provocação, na caixa dos comentários, e em posts, deram boa resposta à minha questão "o que fez o Maio de 68 de importante para a esquerda?". Devo dizer em minha defesa (ou em busca de lenha para me queimar) que conheço muito pouco do Maio de 68, ou pelo menos, não tanto quanto gostaria.

Houve muitos Maios de 68, e por vezes concorrentes ou mesmo contraditórios. Como diz a Maria João Pires "Nem só de Maio e de França se fez 68. Em resposta à minha provocação Joana Lopes escreveu um excelente post, retenho a influência que o Maio de 68 teve em Portugal, ainda antes do 25 de Abril (era ainda a época marcelista e da Guerra Colonial). Retenho também a dimensão pessoal, afectiva mesmo, de quem viveu o Maio de 68, e fez aí uma parte importante da sua formação política. Rui Bebiano fala também desta dimensão, e não pensem que desvalorizo ou subestimo essa dimensão. Mais, respeito profundamente.

No entanto, eu referia-me, e refiro-me, ao caso francês. Pequeno truque de retórica, falar apenas de uma parte da questão. Mas mesmo no caso francês houve muitos Maios de 68. Houve o da Sorbonne e de Cohn-Bendit (ainda hoje uma figura muito interessante), que me parece, por acaso, ter sido bastante bem sucedido. Tenho a sensação que se fala pouco do quanto a França de De Gaulle vivia, em questões de costumes, segundo uma moral completamente anacrónica. Enquanto os jovens Anglo-Saxónicos andavam numa de "Sex, drugs and Rock&Roll", em França as raparigas não podiam usar mini-saias. A revolta da Sorbonne surge, em grande parte, como uma luta por mais liberdades sexuais e de costumes. O estudantes queriam afinal uma modernidade que lhes passava ao lado. E as mudanças em termos de costumes vieram rapidamente.

Depois houve o Maio de 68 político, o da esquerda, especialmente de comunistas e sindicalistas. Mais uma vez por reacção à figura opressiva e sufocante de De Gaulle (um reaccionário autoritário na linha de outros que a França já produziu, tais que le Roi Soleil ou o Bonaparte). Era uma esquerda cujo peso político não correspondia à força que representavam na sociedade francesa, por força do sistema eleitoral forjado por De Gaulle para a V República. O Maio de 68 surgiu como a oportunidade de sair para a rua e demonstrar o real peso da esquerda. Ocorreram greves e ocupações de fábricas. Nem sempre estes movimentos e os estudantes estavam em sintonia. Na minha opinião este Maio de 68 falhou. O objectivo era, ou devia ter sido, o da construção de um projecto político mobilizador, capaz de criar uma força eleitoral com possibilidade de chegar ao poder. Alguns acordos assinados por sindicatos com concessões do poder em favor dos trabalhadores acaba por ser apenas um prémio de consolação. Em vez de um projecto mobilizador surgiu uma fragmentação da esquerda, que ainda hoje fala de diversidade mas não sabe viver com ela (o que me faz lembrar o primeiro post que escrevi no Peão).

E talvez até no plano político o Maio de 68 tenha tido algumas (tímidas) consequências positivas. Apesar da vitória eleitoral, a quente, em Junho de 68, o Gaullismo tinha os dias contados. Veio primeiro Pompidou, da mesma família política de De Gaulle, em 1969. Mas em 1974 os franceses escolheram, talvez não por acaso, o mais jovem presidente da V República, um político com ares de modernidade e fama de competência tecnocrática, Valéry Giscard d'Estaing. Ainda assim, um presidente de centro-direita, embora uma ruptura com o Gaullismo. Foi na presidência de Giscard d'Estaing que Simone Veil legalizou o aborto. Consequências do Maio de 68?

E no entanto sinto ainda uma estranha necessidade justificar a minha provocação. Só pelas respostas que tive valeu a pena. Talvez por ser um iconoclasta tímido, não gosto de comemorações. Parece-me que o Maio de 68 corre um sério risco de mistificação, se calhar já aconteceu, é porventura inevitável. Comemorando as imagens, ou melhor, APENAS as imagens, o Maio de 68 reduz-se aos seus ícones, e esquece-se o conteúdo. Pessoalmente, por belos que fossem os cartazes, e eram, as razões que tinham por trás são mais importantes. E a mistificação trás os risco da satisfação com a revolta. A revolta era, é sempre, um meio para atingir um fim, e não um fim em si mesma. Alguns fins foram alcançados, outros, muitos, não. É bom que não nos contentemos com a revolta pelo simples facto de nos termos revoltado. Não esqueçamos os objectivos que não foram conseguidos, que ainda perseguimos. Mas, claro, celebre-se aquilo que foi conseguido. Eu não estava lá, não consegui nada, conseguiram-no vocês. Eu agradeço-vos!

JVP





Jogo memorável do campeonato português de futebol em 1994. Sporting-Benfica (3-6).
Aqui o golo de João Pinto, para mim, um dos melhores pugilistas de sempre. Tudo em português!

Gheorge Hagi


Jogo memorável do mundial de futebol de 1994. Argentina-Roménia (2-3).
Aqui o golo de Hagi, para mim, um dos melhores jogadores de sempre. Tudo em romeno!

Will.i.am recebe "Oscar da internet" por vídeo em apoio a Obama




O produtor musical e líder do grupo Black Eyed Peas, Will.i.am , foi um dos principais vencedores do "Webby Awards", considerado o Oscar da internet. Will.i.am recebeu um dos prêmios pelo vídeo produzido a partir do discurso de Obama (Yes, We Can). O projeto contou com a direção de Jesse Dylan (filho do Bob) e com a participação vários famaosos. Entre eles, Common, Scarlett Johansson, Tatyana Ali, John Legend, Kate Walsh, John Legend, Herbie Hancock, Adam Rodriguez, Amber Valetta, Eric Balfour, Aisha Tyler, Nicole Scherzinger e Nick Cannon.

Será quealgo de podre no reino da Dinamarca?

Obama vence na Carolina do Norte por larga margem e Clinton em Indiana por uma apertada diferença. Com mais esta vitória, o senador negro amplia para 166 delegados a sua vantagem, quando restam pouco mais de 200 em disputa. Mesmo assim, a ex-primeira dama não joga a toalha. Ou ela acredita em milagre oualgo de podre no reino da Dinamarca. Fico com a segunda hipótese. Aqui o quadro completo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Todo o horror atômico de Hiroshima em 10 atos

agora foi divulgada uma série de 10 fotografias sobre o bombardeio atômico em Hiroshima (06/08/1945). As fotos foram encontradas por Robert L. Capp, um militar norte-americano, dentro de uma cova nos arredores da cidade. Capp doou as imagens em 1998 com a condição de que fossem divulgadas somente este ano. Além de devastar toda a cidade, o ataque a Hiroshima matou mais de 120.000 pessoas e fez outros 70.000 feridos, numa população de aproximadamente 450.000. E tudo em um único ato de poucos segundos. Caso tenhas nervos de aço, veja aqui toda a série.


Adendo:

As fotos aqui postadas foram retiradas do ar , pois estão sob suspeita de não serem autênticas.

Lançamento do divã (ou anúncio de auto-promoção)

Lançamento no próximo dia 9 na livraria Pó dos Livros (Av. Marquês de Tomar 89A), pelas 18h30. Com a apresentação (confirmada) de Rui Tavares e João Bernardo.

NÃO FALTEM!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Great deeds, indeed

Jake and Dinos Chapman
Great Deeds Against the Dead, 1994

Das obras de Goya ressalta uma capacidade expositiva e carnal que é, para mim, uma das suas características mais interessantes. O que só podia acabar por ter uma leitura pós-moderna. Jake and Dinos Chapman fizeram-no, não sem algum escândalo e acusações de vazio criativo. Mas os cadáveres silicónicos dos irmãos Chapman continuam a relembrar a violência sem idealismo 179 anos depois (ver posts do Manolo e do André).

Grande façanha! Com mortos!

Image and video hosting by TinyPic Francisco Goya, Grande hazaña con muertos. Prueba de estado. Desastre 39, 1810-1815
Estampa sobre papel, 21 x 30 cm
Berlim, Kupferstichkabinett, Staatliche Museen zu Berlin

No passado dia 3 de Maio, precisamente 200 anos depois dos acontecimentos que motivaram os célebres quadros de Francisco Goya e este post do Manolo, eu estive no Prado a ver a exposição de que ele fala (eu e mais 17775 italianos, 12651 franceses, 1749 brasileiros e 785 portugueses).

Não me sinto minimamente competente para falar de Goya. Mas impressionaram-me muitas coisas, em grande e em pequeno formato. Além dos imponentes quadros sobre a revolta e os fusilamentos de 2 e 3 de Maio, os esboços e as gravuras sobre os "Desastres da guerra" são notáveis, sobretudo se vistos em conjunto, pela acumulação de imagens de crueldade. Tocam no núcleo da guerra — a violência.

Também me parece que Goya é o melhor antídoto contra uma visão nacionalista estreita das revoltas ibéricas contra as invasões napoleónicas. O que Goya denunciou foi a espiral da guerra, a ferocidade, sem especial distinção entre franceses e espanhóis. E também me palpita que se podia acrescentar ingleses e portugueses, para a mesma guerra. Infelizmente, não houve nenhum Goya em Portugal. Mas o Goya espanhol, felizmente, é de nós todos.

Maio de 68 em película

Começa hoje, no Instituto Franco-Português, o ciclo de cinema dedicado ao Maio de 68. O filme de abertura é «Loin du Vietnam», do colectivo SLON. A acompanhar, como prato de jantar, temos «L'imagination prend le pouvoir». A restante programação pode ser consultada aqui.

domingo, 4 de maio de 2008

Pequena provocação, au passage

Estamos em Maio, e comemoramos os 40° aniversário do de 68. Parece que há um grande consenso à equerda que o Maio de 68 foi muito importante, e tal. Pode até ser verdade, mas se há coisa que mas faz cominhão são os consensos. A Maria João (a.k.a. shyznogud) começou já há uns tempos, a Joana Lopes também fala do assunto, agora é o Daniel Oliveira, e até mesmo o Peão Manolo já postou. Há ciclos de conferências e tudo. Correndo o risco de ser comparado ao Vasco Pulido Valente, e por arrastamento aos Monty Python, deixo aqui a pergunta: o que é que o Maio de 68 fez de importante e duradouro para a esquerda?

O Maio de 68 foi um acontecimento que teve lugar em França, mais precisamente em Paris, mais precisamente no Quartier Latin, mais precisamente nas ruas ali à volta da Sorbonne. Durou um mês, mês e pouco. Foi espacialmente e temporalmente tão limitado e fala-se ainda hoje tanto. Será que é pelas grandes manifs? Fui procurar, e de facto a maior manif de sempre jamais realizada em França (diz que) foi em Maio de 68, a 30 de Maio mais precisamente. Hélas foi uma manif de direita, nos Champs Elysées, contra o estudantes que manifestavam no Quartier Latin (ver vídeo). Terá sido uma grande vitória política? Em Junho de 68, na sequência dos acontecimentos de Maio, de Gaulle convocou eleições que se saldaram por uma vitória clara da direita, subindo largamente a votação em relação às eleições anteriores. Terá sido uma vitória política a longo prazo? O único presidente francês de esquerda, depois de 68, foi François Mitterand, que não é propriamente o preferido dos soixantehuitards, enquanto que presidentes de direita foram cinco. Quanto aos governos o panorama não foi muito diferente. Terá sido o nascimento de um novo projecto político? Um não, uma data deles, a fragmentação da esquerda, sobretudo à esquerda do PSF, começou com o Maio de 68, com fenómenos tipo Arletre Laguiler e similares, e continua até hoje. Entre outras proezas conseguiram levar Le Pen à segunda volta das presidenciais de 2002 (curiosamente a Frente Nacional só é fundada em 1972). Terá sido o nascimento de uma nova consciência política? Talvez a daquela esquerda que não gosta do poder, que esperam fazer oposição até que os governos de direita (eleitos) ponham em prática uma política de esquerda. Até Sarkozy na campanha eleitoral do ano passado culpou a geração do Maio de 68 pelos males da França (espantoso, já que a dita geração nunca esteve no poder) e conseguiu ainda assim ganhar as eleições.

P.S. - Por favor não me digam que foi uma vitória moral, que se conseguiu chamar a atenção, que foi giro, etc...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O 2 de Maio e Goya em tempos de guerra e guerilha

Hoje faz 200 anos que o madrilenho se levantou contra os invasores franceses e deu início à Guerra da Independência. Armados apenas com navalhas e paus, os cidadãos de Madrid atacaram as poderosas tropas napoleônicas que reagiram com brutalidade. A repressão foi impiedosa. Mas as execuções sumárias, a pilhagem, as violações impostas pelo exército francês não impediram a revolta de se estender por todo o país até 1814, quando a Espanha se libertou do julgo estrangeiro. Foi desse tipo de reação que surgiu a expressão guerrilla (pequena guerra, em castelhano) para qualificar os ataques de surpresa de combatentes ocultos que deixavam pouca oportunidade aos grupos de soldados isolados. Para comemorar este bicentenário, o Museu do Prado realiza a exposiçãoGoya em Tempos de Guerra . A mostra traz cerca de 200 obras produzidas pelo artista entre 1794 e 1819 – período no qual o pintor viveu atormentado por doenças e pelas recordações da invasão napoleônica. Além desta exposição, Arturo Pérez-Reverte realiza no Canal Isabel II a mostra “Un pueblo, una nación”.

Nb: Imagem: "Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808", de Goya.