domingo, 31 de agosto de 2008

Um candidata a Vice-Presidente que não sabe o que um Vice-Presidente faz na vida


Nesta entrevista, há poucos meses, questionada sobre a possibilidade de ser candidata a Vice-Presidente dos EUA - como vice de McCain - Sarah Palin, governadora do Alaska, disse que antes de discutir o assunto teria que saber o que faz um Vice-Presidente durante um dia de trabalho. Hoje é mesmo candidata a Vice-Presidente ao lado de McCain. Talvez alguém lhe tenha explicado entretanto o que faz um Vice-Presidente dos EUA.
Vídeo descoberto no Rue89, numa peça onde se argumenta que a escolha de Sarah Palin não será assim tão boa ideia para McCain.

Sombras, nada mais. Foi o que restou de Michael Jackson.

Michael Jackson completou 50 anos nesta última sexta-feira, sem luzes e aplausos frenéticos de seus dias de glória. De “Rei do Pop” de há alguns anos, o que restou do cantor norte-americano foram apenas sombras do passado, decadência e um rosto completamente desfigurado e bizarro. Na imagem acima, uma recriação digital (à esquerda) de como seria o seu rosto hoje se tivesse envelhecido naturalmente. Nas debaixo, a transformação sofrida ao longo do tempo. Fonte.







sábado, 30 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (XVII)

Nunca mais se ouvirá uma profecia credível. As apostas flutuarão. O metal não: será canonizado e a esquerda e a direita juntar-se-ão e baterão palmas.
GoRRo

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Sarah Palin é vice de McCain. Quem?

Em uma escolha surpreendente e numa cartada de bom jogador, o republicano John McCain aqueceu a sua campanha ao escolher a governadora do Alasca, Sarah Palin (uma ilustre desconhecida), como a sua vice-presidente. Com essa decisão, ele passa a idéia de ser favorável à diversidade, pois uma chapa “puro-sangue” (composta somente por homens brancos) seria demasiadamente conservadora nesta altura. Melhor: com isso, ele tentará atrair os votos das mulheres, principalmente as que se sentem órfãs de Hillary Clinton. Sem dúvida, essa escolha dará novo fôlego à campanha republicana.

Vozes

Pode ouvir-se aqui emissões de rádio (France-Culture, France Q para os intimos) dedicadas à Moçambique. São cinco documentários radiofónicos, com vozes do passado e do presente. Há também documentários sobre outros países africanos.

Da balda aquática, glu, glu, glu

Em Agosto, meio Portugal vai a banhos, o outro meio avia-se em terra. Com isso, os serviços públicos ficam a meio gás (cof, cof, é um eufemismo, bem sei).
Para os que ficam, por ex. em Lisboa, este mês tem um encanto especial. Pode-se andar à vontade, tanto de carro como nos transportes públicos e nas ruas; os restaurantes, cafés e bares estão à nossa disposição, mais calmos e sem esperas; há via aberta para ir às praias circundantes. É o momento ideal para tratar de burocracias e assuntos pendentes.
Mas como não há bela sem senão, muito coisa entrava. Por isso, não é debalde nem de balde que vos venho falar, mas sim duma balda aquática que confirmei em Lisboa. Para quem gosta de natação e não quer derreter o seu cacau, restam-lhe as piscinas municipais, um equipamento qualificante. Aqui chegados começa a encrenca: é que ninguém sabe quais estão abertas, de facto. O site da CML diz uma coisa, in loco é outra (para certos casos), e depois há os 'imprevistos' (cof, cof, novo eufemismo). E o que são os 'imprevistos'? É, por exemplo, ir a uma piscina que deveria estar a funcionar (Vale Fundão, Chelas, hoje) e constatar in loco que tinha um problema (na água? a resposta foi vaga), problema esse que durava há dias mas omitido no site e sem ser do conhecimento dos funcionários das outras piscinas (Ameixoeira, por ex.). Ademais, a do Rego tem os duches só com água quente (uma só torneira) no Verão, diz que já foi chamado «o técnico», será que teve um achaque súbito? Mistérios...
Já em 2006 houve bronca, na altura denunciada pelos actuais vereadores Helena Roseta e Sá Fernandes (sobre isso escrevi aqui). Resta agora esperar que Sá Fernandes resolva este tipo de problemas, i.e., que o site seja diariamente actualizado, que haja duches 'normais' no Rego, que todas as pisicinas tenham os horários das restantes afixados e transmitam às restantes informação quando não estiverem a funcionar em condições. É pedir de mais?
Nb: imagem da piscina municipal mais bonita, pelo interior e pelas vistas (é a de Vale Fundão).

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (XVI)

Os ai-podes da nova geração trazem uma pílula do dia seguinte.

GoRRo

Sai o Barack Obama romântico, entra o Barack Obama estadista

Ao contrário do que tem feito depois que ganhou destaque na cena política americana e mundial, Obama abandonou a retórica emotiva e idealista. Seu discurso de ontem foi mais pragmático e com propostas concretas, para a surpresa de seu rival republicano que não se cansa de acusá-lo de ser apenas um “pop star” da política, um orador muito hábil, porém muito vago quanto aos reais problemas dos Estados Unidos. Sob os quase 75 mil olhares hipnotizados reunidos no Estádio Invesco Field, em Denver, ontem o romântico Barack Obama deu lugar ao estadista Barack Obama. Aqui a íntegra de seu discurso.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

I have a dream today

Faz hoje 45 anos que Martin Luther King proferiu um dos discursos mais famosos de todos os tempos, "I have a Dream" .

"... I have a dream today.

I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together..."




Trovas do Bandalha - apostas e profecias (XV)

Haverá workshops de carjacking no outlet offshore. O take-away terá tendência a self-service.
GoRRo

Quem foi o perigoso esquerdista radical que disse uma barbaridade destas?

"Num contexto onde, desde há vários anos, os salários progridem muito mais devagar que os rendimentos do capital, não é de todo anormal que os rendimentos do capital sejam tributados para revalorizar o trabalho dos mais desprotegidos. Se há dinheiro no cimo, também tem que haver dinheiro em baixo."

Dou-vos uma pista, citação na sua versão original é em francês:
"Dans un contexte où, depuis plusieurs années, les salaires progressent beaucoup moins vite que les revenus du capital, il n'est pas anormal que les revenus du capital soient mis à contribution pour revaloriser le travail des plus démunis. S'il y a de l'argent pour le haut, il doit aussi y avoir de l'argent pour le bas."

Eh oui, foi Nicolas Sarkozy, em defesa do seu novo plano de pagar as políticas sociais com a tributação dos rendimentos do capital. É lindo ver Sarkozy render-se desta maneira à política de esquerda, e, diria mesmo, à retórica da esquerda. Só é pena (para ele) esta medida desiludir profundamente aqueles que até aqui mais apoiram Sarkozy, a direita liberal. Um a um vai perdendo todos os sectores do seu prórpio eleitorado. Mas isso é problema dele. Acho muito bem esta viragem à esquerda.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (XIV)

Uma lipo-aspiração será feita à mão. Os implantes darão «vouchers-tattoo».

GoRRo

Igreja exige que Playboy tire o terço de Carol Castro

A atriz Carol Castro causou uma grande polêmica em Terras Tupiniquins ao posar como veio a este mundo para a revista Playboy. Vestida por apenas um corpete transparente, ela segura um terço na mão. Resultado: a foto foi proibida pela Justiça. A censura foi solicitada numa ação conjunta, movida por um tal Instituto Juventude Pela Vida (ah, meninada sapeca, hein!?) e por um tal padre identificado apenas como Lodi. Como perguntar não dói, como foi que esse tal padre descobriu a tal foto da moçoila? É a Igreja e seus mistérios.

"No way. No how. No McCain"

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Vitória em toda a linha

Os Jogos Olímpicos foram um sucesso em todos as frentes para a ditadura chinesa. De boicotes nem se ouviu falar (o que até acho bem...). De protestos, de direitos humanos e do Tibete tampouco houve notícia (o que já me parece mal). Angela Merkel, entre outros, não foram à cerimónia de abertura, o que foi um bonito gesto, mas depressa passou ao esquecimento.
As medalhas de ouro, essas ficaram em casa, a R. P. da China deixou a concorrência a léguas. A organização parece ter sido impecável (afinal os chineses também percebem de logística, para lá das execuções em massa). Para cúmulo, daqueles fenómenos olímpicos que só aparecem uma vez por década, tipo Mark Spitz ou Carl Lewis, tivemos (pelo menos) dois - Michael Phelps e Usain Bolt - para compensar a pobreza dos últimos tempos, e garantir que os jogos de Pequim terão o seu lugar de destaque na história.
Acho que ninguém duvida que a motivação da R. P. da China de organizar estes jogos foi política (não é preciso debater este ponto pois não?). Tal como foi política a decisão de atribuir à R. P. da China a organização destes jogos. E a R. P. da China investiu a sério nesta organização, para aproveitar a oportunidade tão gentilmente concedida. Aproveitaram, e aproveitaram bem. Agora aturem-nos!


Nota - A ilustração é da Amnistia Internacional

Extrema-direita checa paga bilhete aéreo a ciganos. Mas só de ida.

O Partido Nacional checo, de extrema-direita, dará gratuitamente passagens de avião aos membros da comunidade cigana para deixarem a República Checa, mas só na condição de que não retornem ao país antes de 2010. “O Partido Nacional comunica à comunidade cigana estabelecida na República Checa que está disposto a apoiar financeiramente a saída de todos e cada um dos ciganos do país”, diz o comunicado. Mais...

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (XIII)

A boa-tarde chegará às vinte e uma horas. A meia-noite será às três. Haverá madrugadas no primeiro domingo de cada mês e no último sábado do décimo terceiro mês.
GoRRo

O Grupo Arte e Ciência no Palco apresenta uma peça sobre o físico norte-americano Richard Feynman (1918 – 1988), Nobel de Física, em 1965, e o pai da nanotecnologia. Além de cientista, Feynman se dedicou à pintura e atuou como ator e percussionista em vários espetáculos musicais no teatro universitário. Esteve duas vezes no Brasil e em uma delas desfilou na Escola de Samba “Os Farsantes de Copacabana”, onde tocou frigideira. “E agora, Sr. Feynman” foi escrita pelo norte-americano Peter Parnell e foi encenada na Broadway e em Los Angeles (2001 e 2002) com o título original “Q.E.D”, uma referência à eletrodinâmica quântica. O espetáculo é uma comédia/drama (leia sinopse e ficha técnica aqui) e acontecerá nesta próxima quinta-feira, às 21 horas, no Teatro da PUC Consolação-São Paulo. Os ingressos custam 10 e 5 reais e as reservas podem ser feitas pelos fones (11) 3081. 8865 ou 5575.8368.

Controvérsia Olímpica

Na apresentação oficial em Pequim dos Jogos Olímpicos de Londres, o Visit Britain passou um vídeo promocional sobre a cultura da cidade em que aparecia o retrato da infanticida inglesa Myra Hindley, uma obra de Marcus Harvey. O quadro faz parte do espólio da Tate Modern e foi um dos objectos mais controversos da polémica e fenomenal Sensation. A inclusão desta obra no vídeo tem dado que falar, sobretudo numa altura em que a nação se interroga se poderá/deverá igualar o espectáculo que vimos em Pequim. Acho que não pode, não tem e não deve igualar coisa alguma, por razões óbvias. Quanto ao escândalo que o vídeo está a causar... é debatível e isso é que fundamentalmente constrasta com a olímpica prestação chinesa. Londres é uma cidade com uma cultura vibrante, controversa e revigorante onde a censura não tem lugar. Mas o vídeo foi entretanto "censurado". E isso é preocupante. Censurar um vídeo que exibe arte provocadora ofende o espírito da cidade e é má publicidade.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sérvios erguem monumento para Bob Marley, pela paz e tolerância

Um monumento em memória a Bob Marley.
Foi assim que o pequeno povoado de
Banatski Sokolac, na Sérvia, resolveu
promover a paz e a tolerância na região
dos Bálcãs. A estátua, que mede quase
2 metros de altura, mostra Marley com
sua guitarra, seu gorro "rasta" e
o punho direito apontado para o céu.
Em tempos de guerras, nada pode ser
mais lógico do que essa homenagem.

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (XII)

Numa tardinha de lua média, uma velha de pouca idade terá dois trigémeos falsos: um cego, um surdo, um paralítico. Serão ministros das obras públicas, da cultura e da defesa.
GoRRo

domingo, 24 de agosto de 2008

A magnífica aventura do Reino de Redonda

Para quem acha piada às peculiares relações entre cultura, mercado e media, vale a pena ler este texto de Javier Marías (El País-«Babelia»).
Além de escritor prestigiado, Marías é também editor da singular Reino de Redonda. É sobre essa experiência que se debruça, abordando tópicos interessantes. Fala de como os media mainstream dedicam obsessivamente as suas folhas (e só prestam atenção) aos best sellers (com a excepção do «Babelia», onde escreve, hélas… mas é um dos melhores suplementos literários existentes). Desespera por constatar que até um Prémio literário com um jurado internacional de notáveis é esmagado pela mesma assimétrica atenção mediática. Em jeito de desafio, revela dados sobre as vendas dos livros do seu catálogo, assunto tabu para a maioria dos restantes editores. Etc..
É um olhar de ironia picante, com muito humor. Deixo-vos aqui em baixo um cheirinho. O resto pode ler-se aqui ou no blogue dele, que segue aí no cartaz.
~
"El Cultural de El Mundo, por ejemplo, no se ha dignado -cuesta creer que no haya deliberación- sacar reseña de ninguno de ellos, a lo largo de ocho años. El único suplemento que les suele hacer caso es Babelia, tal vez por la proximidad de mi firma, domingo tras domingo, en El País Semanal (sea como sea, gracias mil). Los demás acostumbran a ser rácanos. Habituado a no incurrir en el mal gusto de solicitar críticas y atención para las obras que publico como autor, me cuesta hacerlo para las que saco como editor, y empiezo a pensar que si uno no da la lata, llama, promociona, ruega, amenaza e insiste, mal lo tiene para que su catálogo suscite interés en los medios especializados. Da lo mismo que uno lance a las librerías rescates fundamentales de autores fundamentales (Isak Dinesen, Conrad, Hardy, Yeats, Sir Thomas Browne, el Capitán Alonso de Contreras o el gran Sir Steven Runciman) o que suelte textos interesantísimos desconocidos en español (Viaje de Londres a Génova de Baretti, los cuentos de Vernon Lee o los recuerdos del fusilero Harris que combatió en la Guerra de la Independencia). Si uno no hace relaciones públicas ni pide favores, será difícil que alguien, en las redacciones, se moleste ni en echarles un vistazo".
~
"Todos los volúmenes, eso sí, llevan su prólogo o presentación: algunos míos -qué remedio-, otros de gente afectuosa como Mendoza, Savater, Pérez-Reverte, Antony Beevor, Rodríguez Rivero o el Profesor Rico -bueno, éste aún me lo ha de escribir. Todos ellos forman parte del jurado del Premio Reino de Redonda, que concede cada año a un escritor o cineasta extranjeros la editorial, añadiéndose déficit, para variar. Pese a que son también miembros del jurado George Steiner, Almodóvar, Coetzee, Rohmer, Alice Munro, William Boyd, Ashbery, a veces Coppola, Villena, Magris, Sir John Elliott, Lobo Antunes o Gimferrer, la cosmopolita prensa española apenas si se hace eco de él, mientras llena páginas con cualquier merienda de negros de cualquier editorial poderosa o institución oficial".

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (XI)

Mudarão as moscas, aumentarão as vespas.

GoRRo

Frases olímpicas

“Sempre que salto, salto para o infinito.”

Nelson Évora, medalha de ouro no salto triplo.

*

"Agora tenho de sair e tomar uma cerveja."

(Matt Emmons, atirador dos Estados Unidos, saindo para afogar as mágoas depois de ter "queimado" o tiro que poderia ter lhe dado o ouro em sua segunda Olimpíada).

*

"Eu acordo às 11, fico por ali, vejo TV, então almoço (alguns nuggets) e então volto mesmo para meu quarto e durmo mais 3 horas. Volto, como mais nuggets, e então vou para a pista."

(Usain Bolt, velocista da Jamaica, explicando o que está por trás de sua preparação para a final dos 100m, que venceu com um recorde mundial).

*

"Com tantas pessoas dizendo que não poderia ser feito, tudo o que se precisa é imaginação."

(Michael Phelps, nadador dos Estados Unidos, sobre os inéditos 8 ouros em uma Olimpíada).

*

"Se você quer se suicidar, é problema seu. Mas você não tem o direito de assassinar seu país. É tão triste que a garota dourada dos Jogos de Atenas tenha sido pega no doping..."

(Minos Kyriakou, chefe do Cimitê Olímpico Grego, sobre a campeã dos 400m sobre barreiras pega no antidoping).

sábado, 23 de agosto de 2008

Reconhecimentos devidos

Aqui fica uma lembrança da honesta participação olímpica portuguesa, em jeito de reconhecimento e como recusa do chorrilho de críticas despropositadas com que os trauliteiros tugas investem regularmente o espaço público (e nada mais tenho a acrescentar, o essencial vem no post do André Belo, links incluídos).
E, já agora, Gustavo Lima, não desistas de dar corda a esse talento de andar no mar alto sem ter que pagar bilhete da Transtejo.

Fonte: A Bola (vá lá, ainda há jornais desportivos indígenas que, de vez em quando, não destacam só o futebolês). Pois, porque o Record insistiu em manter como manchete o inenarrável folhetim xaroposo à volta dos futebolistas da Liga nativa...

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (X)

As férias grandes fugirão de casa dos pais.

GoRRo

Espírito olímpico

O taekwondista de Cuba, Angel Valodia Matos, não aceitou ser desclassificado da disputa pela medalha de bronze e não teve qualquer dúvida: tirou o protetor de cabeça (talvez pra ficar em igualdade de condições), girou o corpo, apoiou a perna direita no chão e, num belo golpe de rara plasticidade, lançou o pé esquerdo na direção da cabeça do árbitro... e vuuupt. Mas errou o golpe, provando mais uma vez que não era merecedor da vitória nessas coisas de lutas marciais.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (IX)

As tropas voltarão a casa - penhorada.

GoRRo

"Eletric Ladyland", uma fantástica viagem ao mundo do wah-wah










Jimi Hendrix é considerado por muitos o maior guitarrista de todos os tempos e por alguns o deus da guitarra. Da minha parte, digo que há certo exagero em ambas as afirmações. Nem deus, nem o maior. Mesmo porque os deuses não existem. Segundo, porque é muito relativo e de certa forma perigoso afirmar que fulano é melhor guitarrista que beltrano num universo tão vasto e passional como é a música pop. Hendrix foi acima de tudo um grande observador. Com Frank Zappa aprendeu tirar todos os efeitos do pedal de wah-wah. Também se inspirou em Pete Townshend (The Who) na utilização magistral da distorção, feedback e outros recursos eletrônicos, que somados às suas raízes no blues, no soul e no R&B deu um toque inovador ao rock e influenciou muitos outros guitarristas de sua geração. E de aluno passou rapaidamente a grande mestre. Um gênio? Talvez. Mas com certeza um mago eclético das 6 cordas, dos botões e pedais, que fez a sua última viagem ainda muito cedo.

Em "Eletric Ladyland", álbum duplo que completa 40 anos este ano, Hendrix consolidou-se também como produtor e diretor. Lançado em setembro de 1968, este foi o seu terceiro disco (os anteriores foram “Are You Experienced?” e “Axis: Bold as Love”, ambos produzidos em estúdio em 1967, e o último foi “Band of Gypsys”, gravado ao vivo em 1970). Ao assumir o controle total da produção e direção dos trabalhos em estúdio, ele se livra da pressão de seus produtores anteriores, que só visavam engordar as suas contas bancárias com resultados imediatos. Tanto que as músicas foram gravadas e regravadas até a exaustão. Sem as amarras de mercado e livre pra voar, Hendrix solta toda a sua imaginação técnica e faz dos wah-wahs, microfonias e distorções uma verdadeira “brincadeira” lisérgica, capaz de nos provocar sensações de puro encanto. Se música é percepção, Hendrix é música.

Além de seu repertório fantástico, "Eletric Ladyland" causou uma grande polêmica pela ousadia de sua capa original: uma foto de belas mulheres nuas. Recusada pela gravadora, ela foi substituída por uma imagem de seu rosto. Há também quem afirme que este disco inspirou Miles Davis em “Bitches Brew”.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

I am everyone

Por estas bandas, andar de carro está longe de ser cool... As campanhas para abandonarmos o "popó" são muitas e agora até o meu filho de 7 anos decidiu que eu tenho de aderir com convicção às duas rodas! Por razões várias, sou uma ciclista mesmo inexperiente e ele anda literalmente a dar-me lições. E eu lá vou atrás dele, meio divertida, meio a desequilibrar-me, prestes a matar-me...
Sou mesmo má aluna, mas ando secretamente a sonhar com uma volta ao mundo... A giríssima campanha publicitária da Orange "I am everyone", com o ciclista escocês Mark Beaumont, não podia vir mais a propósito!

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (VIII)

A gripe das aves matará o lince. O dinossauro constipar-se-á.

GoRRo

“Em nome da Mãe, da Filha e da Espírito Santo...”

Em nome da Mãe, da Filha e da Espírito Santo. Deusa nossa, proteja a nós, cristãs (…). Mãe nossa que estais nos céus…” As teólogas feministas nos propõem inverter, subverter a linguagem de gênero da liturgia católica. Pensam que, de tanto representar o Altíssimo com imagens masculinas e de excluir a mulher dos estamentos do poder religioso, das hierarquias católicas acabam por “violar a imagem de Deus nas mulheres”, apagando a parte feminina do Supremo Criador.

“A ordenação de mulheres é o primeiro passo para recomeçar a comunidade de iguais que Jesus queria. A Igreja se empobrece clamorosamente pela carência de uma contribuição feminina mais plena e responsável”, diz a freira María José Arana, doutora em História e autora do livro Mulheres sacerdotes, por que não?

Mais...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O rio, a cidade...

Há sítios em Londres que absolutamente adoro... ontem fui a um deles. Chego à estação de Embankment e começo a ficar feliz. Tem duas entradas, uma em frente à outra, fica-se no meio e olha-se para qualquer uma delas e a cidade está ali. Gosto de virar para Victoria Embankment e atravessar o rio devagar. Do outro lado está a pérola que é South Bank. Ontem, logo à chegada, vi que a Foyles tinha posto relva artificial cá fora e umas espreguiçadeiras às riscas encarnadas a contrastar com o cimento e com o Verão chuvoso. Lá dentro descobri umas edições novas e giríssimas da Virago que celebra os 30 anos da Virago Modern Classics. Andei por ali a surpreender-me e a sorrir e depois fui ao National Theatre ver "Her Naked Skin". A peça é excelente, a sala enorme estava a abarrotar, no intervalo bebia-se vinho e fumava-se na varanda com vista para aquilo tudo. Enfim, há sítios em Londres que absolutamente adoro!

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (VII)

A Miss Portugal chamar-se-á Vanilsson.

GoRRo

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Puritanismo católico

A reacção megalómana à prestação dos atletas portugueses nos jogos olímpicos foi bem apanhada pelo Daniel Oliveira e pelo Pedro Sales. Eu acrescentaria dois outros vícios: a falta de compaixão pelo fracasso dos atletas, essa virtude moral que devíamos ter herdado do catolicismo; e o puritanismo dos comentadores —"com os meus impostos!?'—, de repente todos transformados em guardiães da moralidade fiscal (o que, num país que não investe no desporto e tem níveis elevados de evasão fiscal, dá realmente vontade de rir).

Esta parte do puritanismo, para quem se interessa por história das mentalidades tugas, intriga um bocado, e é até angustiante. Todo este rigorismo moral de onde vem? É o resultado devastador da acção da direita opinioneira? Dos Joões Mirandas deste país? E o que é feito da boa e velha e plástica moral católica, pecando e logo em seguida perdoando? E do desmazelo, que António José Saraiva, já no fim da sua vida, considerava uma característica essencial do português? Já nos envergonhamos do desmazelo em vez de nos rirmos dele?

Mas, pensando melhor, não se acaba com uma cultura multissecular de um dia para o outro. Vou dar uma de Esteves Cardoso: este neopuritanismo à portuguesa é tipicamente português. Não é mais do que uma radicalização do "vão trabalhar, malandros!". Grande rigor moral, sim, mas para os outros. É o velho manguito do costume, mas desta vez feito em casa, às três da tarde, ainda de pijama, entre um zapping e um clique, afagando o redondinho da barriga, vociferando contra os atletas que caíram no amadorismo de confessar que gostam de dormir de manhã.

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (VI)

A santa mesquita da misericórdia distribuirá champanhe pelos pobres.
Os pobres beberão por copos de plástico na praia de chinelo.
GoRRo

Assim como aconteceu com Spitz, há 36 anos, Phelps se tornou o novo deus do olimpo. Até a pose de ambos na “Sports Illustrated” é a mesma.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (V)

Os grandes subirão às distritais penisulares.

GoRRo

Choque de civilizações

Começa logo no Aeoroporto (de nome impronunciável), dizem-nos após a aterrisagem que é um aeroporto silencioso, não há avisos sonoros e quem quiser informações que se dirija aos balcões. Um nada irreal um aeroporto silencioso, a decoração IKEA omnipresente, o asseio e a simplicidade das indicações passam despercebidas. O cartão multibanco põe-se de pernas para o ar, mas isso não interessa nada. Depois um autocarro leva-nos directo ao nosso destino, mesmo sem perceber uma palavra do idioma autóctone, com o zelo do condutor e o desfilar das paragens no painel das informações, seria difícil enganar-se na paragem. Ao descer do autocarro há umas pequenas obras que obrigam os peões a fazer um desvio, dar uma volta e passar de baixo duma ponte para ir dar ao outro lado da avenida e tomar a via pedonal. Há um simpático senhor de barbas brancas, quiça oriundo da Lapónia, que buzina na sua carrinha Volvo do outro lado da avenida e aponta com o indicador o caminho a seguir, não vão os estrangeiros enganar-se e perder-se. Relatos não confirmados dão conta de que o atencioso senhor das barbas brancas deu mesmo meia volta, passou debaixo da ponte e veio verificar que os estrangeiros encontraram o caminho.
Entretanto passeamos por uma cidade com transito calmo, não se vê condutores agressivos, as buzinadelas são raras, todas as passadeiras têm pavimento diferenciado e sinalização sonora para cegos, os circuitos para ciclistas estão impecavelmente sinalizados e organizados (e cheios de ciclistas, quase como em Paris). Dâ-mo-nos conta que a estação central de comboios é no mesmo edifício que a estação central dos autocarros, que tem ligação directa ao aeroporto (comboio expresso) e onde ainda se podem comprar bilhetes para as ligações de barco para os países vizinhos. Que raio de ideia esta de não obrigar os passageiros a atravessar a cidade toda para mudar de um transporte para outro... E os pobres?!?! Onde estão os pobres, que ainda os não. Aliás os autóctones parecem-me todos burgueses. Não seria magnífico um país só de burguses? Mas o problema deve ser meu, não procurei no sítio certo. Diziam-me que o sistema assistencialista deles estava em falência, há mais de trinta anos que está em falência, nem imagino o que era antes de ter falido.
Sinceramente as diferenças civilizacionais são demasiado profundas, não sei se aguento muito mais tempo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (IV)

O rei casará com o valete.

GoRRo

E porque Vanessa Fernandes corre às 3h de 2.ª...

cartoon de GoRRo (c) 2008




sábado, 16 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (III)

Dom Sebastião finalmente chegará em low cost mas terá um acidente na terceira pista da reserva de Alcochete.
GoRRo

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Fernando Lugo deve fortalecer a centro-esquerda sul-americana

Com 93% de popularidade, o ex-bispo da Igreja Católica Fernando Lugo tomou posse hoje como presidente do Paraguai e pôs fim a mais de 60 anos ininterruptos de governo do direitista Partido Colorado nesse país.

Como seguidor da Teologia da Libertação e considerando a falta de clareza de suas propostas políticas durante a sua campanha eleitoral, Lugo deverá implementar um governo tipicamente de centro-esquerda, a exemplo do que já acontece com brasileiro Lula da Silva, a chilena Michele Bachelet, a argentina Cristina Kirchner e o uruguaio Tabaré Vázquez.

A previsão também é de que ele mantenha um relacionamento de certa forma cauteloso com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e seu par boliviano, Evo Morales. Se aliará a eles, é lógico, quando isso lhe for conveniente politicamente, como é o caso de Rafael Correa, do Esquador. Conforme prometera, Lugo tomou posse vestindo camisa, mas sem terno nem gravata, e calçando sandálias franciscanas.

O Magalhofa, apoteose do choque tolológico

No culminar do Choque tolológico, da Quadratura interactiva e Cia. ilimt.ª, chegou a hora do Magalhofa!!!
Depois do seu carro e cachorro chipados, é agora a vez dos pequenotes também subirem à etapa tolológica, com o novo Magalhofa. Agora sim, toda a sua família entrou na nova Era, devidamente chipada e digitalizada.
Bem sei, o quadro está incompleto. Há que falar doutros membros da família. Pois é. Então aqui vai: já tínhamos a ovelha transviada da família com pulseira electrónica, o teenager com o Cartão Jovem, o caloiro com outro cartão chipado e o vôvô com o Centro de Saúde virtual.
Esta nova aventura de Zé Socas vem assim consagrar os novos tempos tolológicos. Longa vida, então, para o Grande Zé Socas e a sua odisseia interminável!
PS: o cartoon de GoRRo sugere a consulta deste video homónimo, 100% riso português.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (II)

Quando a procura igualar a oferta dar-se-á um orgasmo simultâneo; surgirá uma onda de água com sabor a limão e o chão abrir-se-á como um folhado de carne.
GoRRo

A vergonhosa imagem da Itália de Berlusconi

Esta é a imagem de uma jovem nigeriana jogada no chão de uma cela, em Parma, após ser presa durante uma operação contra prostituição e imigração. Mais.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Trovas do Bandalha - apostas e profecias (I)

Quando a eutanásia for imposta pela UE, Portugal será o primeiro a ir-se.
GoRRo

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Um empate com sabor de derrota. E a Bolívia continua dividida.

Ao contrário do que se imagina, o referendo revogatório realizado no último domingo e que confirmou a continuidade do presidente Evo Morales e de 8 dos 9 governadores do país, não servirá para a reconciliação e pacificação do país andino, como esperam alguns. Independentemente dos números, esse resultado mostrou que a Bolívia continua dividida entre pobres e ricos. Entre a esquerda e a asquerosa direita xenófoba e golpista, contrária a qualquer mudança nas relações sociais e econômicas.

Se de um lado, Morales e seu vice-presidente, Álvaro García, foram ratificados no poder, com mais de 60 % votos, por outro, os governadores direitistas de oposição da chamada Meia Lua, principalmente os departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija - responsável por mais de 80% do PIB nacional - também se sentem fortalecidos, pois tiveram o mesmo êxito e continuarão com suas exigências de maior autonomia em relação ao governo central, postura que poderá levar o país a uma desintegração, separando o lado rico do lado miserável.

Se o ocidente boliviano (o lado mais pobre) permitiu a Morales superar os 54% que obteve na eleição presidencial de 2005, o oriente (o lado mais rico) devolveu na mesma moeda e sai dessa disputa com força suficiente pra endurecer o “diálogo” frente ao poder central, dificultando qualquer tentativa de unidade nacional. Sob uma ótica política, o que aconteceu na Bolívia foi um resultado com desdobramentos ainda imprevisíveis e talvez catastróficos para o pais e região. Em outras palavras: se Morales ganhou nova legitimidade para governar, os seus opositores mais ferrenhos também saem desse referendo com força suficiente para impedí-lo que presida um país de unidade nacional. A rigor, um empate que deixa tudo como está.

A "construção" da Grande Muralha Verde para deter invasão do Saara

Finalmente, depois de três anos de preparativos e discussões, Senegal sai na frente e já começou a “construção” da Grande Muralha Verde. Promovido pela Comunidade dos Estados Sahelo-Sarianos (CEN-SAD) , pela União Africana (UA) e pela União Eropéia, esta iniciativa visa conter o rápido avanço do Deserto do Saara e deverá abranger uma área de 7.000 km de comprimento por 15 km de largura entre Dakar (Oceano Atlântico) e Djibuti (mar Vermelho), passando por vários outros países da África Central. Além da arborização, o projeto também prevê a criação de 5.000 tanques de água, que atravessará o continente de leste a oeste.

Agora, só espero que esta seja de fato uma realidade e não mais uma miragem como tantas outras em África.

Leia aqui artigo de Wangari Maathai (Prêmio Nobel da Paz em 2004) sobre o tema.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Isaac Hayes (1942 – 2008)

domingo, 10 de agosto de 2008

Depois da prova de tiro, russa e georgiana se beijam no pódio

Terminada a cerimônia de entrega de medalhas, a russa Natalia Paderina (prata) e a georgiana Nino Salukvadze (bronze) trocaram beijos e ficaram de braços dados para posar para os fotógrafos . Por ironia do destino, a prova em questão foi a de pistola de ar 10 metros. Aliás, as competições com artefatos bélicos deveriam ser banidas dos Jogos Olímpicos. Creio que essas provas vão contra o chamado “espírito olímpico”. Se é que ele existe.

Mais prémios para o vinho português

No mês passado, decorreu a 25.ª edição da maior feira mundial de vinhos, a International Wine Challenge, em Londres. Foram vários os vinhos portugueses premiados: os tintos Quinta do Portal Grande Reserva 2006, o Quinta da Fonte do Ouro Reserva 2005, o Cortes de Cima Touriga Nacional 2005, entre 10 eleitos.
Contudo, quem fez mais barulho teve mais sucesso... Refiro-me ao marketing da Portucel Soporcel, que conseguiu fazer passar, junto dos media mainstream (Público de hoje, p13-P2; Blue Wine; etc.), a sua medalha de bronze (para o tinto Herdade de Espirra - Palmela DOC, colheita de 2005*) como sendo o melhor registo luso. Sucede que houve vários vinhos portugueses melhor colocados, como se pode constatar nesta lista oficial, na qual só entram os vinhos com troféu - acima das medalhas de bronze, prata e ouro está o troféu, que é a 3.ª e última ronda de provas cegas (vd. aqui e aqui). Bem sabemos que os vinhos de Terras do Sado (ou Palmela) até já têm direito a região junto deste certame, e que têm sido bastas vezes elogiados nesta rubrica do Peão (ex.), mas convém não exagerar... (quem quiser saber todos os eleitos portugueses neste certame ao longo dos anos pode ir aqui).
Para o Peão ficar com o registo histórico completo deste ano, há que complementar este e 2 posts anteriores (um meu, outro do Manolo) com a informação de que também o vinho duriense Quinta Nova Grande Reserva 2005 foi eleito o Melhor Tinto do Velho Mundo na 12.ª edição da Expovinis Brasil (considerado o maior certame da América Latina), isto em Abril passado (vd. aqui ou em Público, 10/V, p. 13; lista aqui).
Mas, atenção, neste ano houve muitos mais prémios! Foram distinguidos ainda o Moscatel Reserva 2000 da Quinta do Portal, o branco Régia Colheita 2006 e os tintos Borges Douro Reserva 2004, Valle Pradinhos Reserva 2004, Covela, Incógnito, Touriga Nacional e Cortes de Cima (estes 3 da Cortes de Cima), Quinta do Couquinho DOC Tinto Reserva e Colheita 2005. Para mais informação remetemos o leitor interessado para a lista específica da revista Blue Wine.
*Ainda em Inglaterra, o mesmo tinto obteve a medalha Comended no Decanter World Wine Awards. A cereja no bolo foi a chegada do Espirra ao mercado brasileiro (vd. aqui; por cá já fora premiado em 2007). O enólogo responsável é Rui Reguinga.

sábado, 9 de agosto de 2008

Ativista do Team Darfur conduz a bandeira dos Estados Unidos

O atleta Lopez Lomong, refugiado sudanês, não foi escolhido por acaso pra ser o porta-bandeira da delegação norte americana, na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Com certeza, esta foi uma alfinetada carregada de conotação política. A China é alvo de protestos pelo mundo por dar suporte e vender armas ao Sudão, governado por uma ditadura genocida. Lomong não é um atleta de ponta (é somente a terceira marca nos 1.500m na equipe dos EUA) e tampouco um ídolo nacional pra justificar essa iniciativa. Antes da abertura dos Jogos, Lomong já tinha criticado o governo chinês por apoiar o Sudão e por cancelar o visto do ativista americano pró-Darfur, Joey Cheek, um dos fundadores do Team Darfur, grupo internacional de atletas comprometidos com a causa da região sudanesa, ao qual Lomong é ligado.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Negócios da China

Começaram os jogos olímpicos. Aqui chegados, já se percebeu que é verdade aquilo que muitos temiam e diziam: a concessão dos jogos à China foi um contrato leonino para dois, o Comité Olímpico e o regime chinês. Havia promessas de melhoria da situação dos direitos humanos, mas ninguém em lado nenhum com poder e vontade de levantar um dedo para exigir da China que os cumprisse. É por este tipo de omissões que ninguém acredita nas palavras que os políticos "do sistema" dizem. É moeda sem valor, a que ninguém dá crédito. Para que não me caia esta imoralidade para o lado do cinismo, o meu lado mais imoderado queria deixar aqui umas afirmações:

1. em relação à cerimónia de abertura, a única dirigente europeia que mostrou "cojones" foi a Merkel, ao deixar claro desde Março que não comparecia. O Sarkozinho foi o fanfarrão do costume — deixou pairar durante uns meses a possibilidade de não ir a Pequim e depois lá foi, cedendo em tudo. Pariu um ratinho.

2. o senhor Rogge, do Comité Olímpico Internacional, é tão vendido aos interesses que rodeiam os jogos que dá pena. A sua mensagem ética é clara: "atletas, estejam vocês à altura do espírito olímpico, porque nós...".

3. A ideologia que rodeia os jogos - "One world, one dream", harmonia entre os povos, etc - é um achado de propaganda para encher de aromas de harmonia o mundo exterior e esconder a desarmonia do mundo interior na sociedade chinesa.

(Mas será que funciona? Para isso é preciso esperar pelo fim dos jogos e perceber se a imagem da China no mundo vai sair realmente ilesa da contestação global)

4. É especialmente difícil ser jornalista desportivo e ter um mínimo de consciência moral nestas circunstâncias. Em geral os jornalistas desportivos são totalmente cegos em relação ao usos políticos do desporto, mas neste caso parece impossível conseguir escapar à questão. A não ser talvez usando a denegação, como fizeram hoje os jornalistas franceses do Eurosport. O que eles diziam hoje durante a cerimónia de abertura era mais ou menos isto: "agora chega de nos chatearem com questões de ética. Vamos aos jogos!". É um novo conceito de Trégua Olímpica. Em vez de ser, como na Antiguidade, um momento de interrupção de hostilidades entre sociedades guerreiras, passa a ser um momento de amnésia da má-consciência.

5. No 5 Dias, Paulo Pinto escreve sobre o etnocentrismo do olhar ocidental sobre a China e de como estes jogos são uma espécie de resposta da China a esse olhar.

(Seriam assim uma espécie de "vingança do chinês", um "negócio da China", expressões etnocêntricas da língua portuguesa que ganham aqui um novo sentido.)

6. Quando se está de fora, qual é a melhor forma de lutar contra o autoritarismo de um regime que tem uma parte do povo do seu lado? As questões éticas que a luta contra o uso político dos jogos olímpicos colocam são complicadas, como o prova a apropriação do argumento do relativismo cultural — "vocês não nos compreendem" — pelos media chineses.

(comecei imoderado e acabei intelectualizado — hábitos...)

E assim começam os Jogos Olímpicos de Pequim 2008...
















Mais de 1.000 tibetanos foram detidos quando tentavam protestar em frente à sede do departamento de vistos da Embaixada da China, em Katmandu, no Nepal, onde vivem cerca de 20 mil tibetanos. O governo nepalês proibiu quisquer protestos antichineses e também os jornais do país não reportam as manifestações temendo represália governamantal. Como é sabido, a China é um importante aliado do Nepal, fornecendo ajuda econômica e militar. Com os anéis olímpicos no pescoço, manifestantes pró-Tibete também fazeram protesto em frente à sede da Comissão Européia, em Bruxelas. Em Hong Kong (foto à esquerda), os protestos são pela liberdade de expressão na China. Os movimentos aconteceram momentos antes do início da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e correm boa parte do mundo. Mais aqui e aqui.

Mascotes olímpicos de Pequim 2008, o lado meigo da China

São cinco os mascotes dos Jogos de Pequim (os cinco fuwa). Fuwa significa “crianças de boa sorte”, em mandarim. Três deles são meninos (Jingjing, Huanhuan e Yingying) e dois, meninas (Beibei e Nini). Seus nomes juntos formam a frase "Bei Jing Huan Ying Ni", em mandarim, ou seja: “Pequim lhes deseja boas-vindas"(*).

BEIBEI (o peixe azul) – Simboliza a prosperidade e a abundância. É conhecido por ser delicado e puro. Representa os esportes aquáticos.

JINGJING (o urso panda preto) – É a fonte de alegria e felicidade. Simboliza o relacionamento harmônico entre o homem e a natureza. Representa os esportes de força.

HUANHUAN (a chama vermelha olímpica) - Representa a paixão pelo esporte em geral e sua competitividade. Representa os esportes com bola.

YINGYING (o antílope amarelo) - Representa a amplitude das terras chinesas e a saúde. Tem muita agilidade e é vigoroso nos esportes de campo.

NINI (a andorinha verde) – As suas asas simbolizam o céu infinito e espalham a boa sorte aos desportistas. Representa os esportes ginásticos.

(*) Manifesto - A organização "Sports for Peace" enviou ao presidente da China, Hu Jintao, um manifesto de apoio à libertação do Tibete e em defesa dos direitos humanos com assinaturas de 118 atletas. Aqui, a relação.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

As fabulosas olimpíadas do sr. Otto

Como prometido em post anterior, aqui vai mais um filme de animação de um dos melhores especialistas da actualidade, Bruno Bozzetto. Trata-se de «Mr. Otto in Olympics», e é também ele imperdível, embora sejam só desgraças (enfim, um contraponto ideal para a performance perfeita dos atletas profissionais). Além de estar bem adaptado à quadra.

Chávez fala de sua diarréia aos venezuelanos. Esta é a América Latrina.

Na última edição de seu programa de televisão "Alô Presidente!", exibido neste domingo, o presidente venezuelano Hugo Chávez descreveu em rede nacional a ocasião em que sofreu com problemas intestinais durante um evento oficial.
Mais...


quarta-feira, 6 de agosto de 2008

6 de agosto de 1945, às 8h15: 63 anos da "rosa" de Hiroshima


Nb: A canção "A Rosa de Hiroshima" foi composta, em 1973, por Vinícius de Moraes (letra) e Gerson Conrad (música) e interpretada pelos Secos & Molhados (Ney Matogrosso)

Aquilo que faltava para um Verão perfeito!

Continuando o post de domingo, há coisas inestimáveis em que por vezes reparamos demasiado tarde...
Sim, sim. Como naqueles momentos em que convidamos alguém especial para um jantar romântico em casa, queremos servir aquele vinho branco ou champagne eleitos mas descobrimos em cima da hora que a bebida não está fresca. Ganda azari, num é?
Agora, acabaram-se os contratempos! Chegaram as «mini-boules gelées», «las bolitas heladas», ou, mais prosaicamente, «as bolinhas de gelo»!! Estas simpáticas bolitas contendo água destilada têm um invólucro de plástico, arrefecendo a sua bebida sem deixar sair a água. Incrível, não é?
Tudo graças ao desvelo desta inestimável empresa. Mais sobre esta invenção inesquecível aqui.
Fantástico, Mike! Tchim-tchim!!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O admirável mundo novo...

... afinal é mais cómico do que Aldous Huxley pensava.

Ver mais aqui.

BBC vai pra Pequim ao embalo da música e animação do Gorillaz

Damon Albarn (ex-vocalista do Blur e atual Gorillaz) e Jamie Hewlett (criador da Tank Girl e responsável pelo visual do grupo virtual) são os criadores do vídeo que a BBC veiculará durante a sua cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Inspirado no milenar conto chinês "Monkey, Journey to the West", o incrível vídeo mistura animações 2D com 3D e narra a aventura de um macaco e de dois amigos enfrentando monstros e outros desafios para conseguirem chegar ao Estádio Nacional da China. Para vencer os obstáculos, vários esportes são praticados pelos personagens.

“Monkey, Journey to the West"” é uma ópera circense toda cantada em mandarim e já foi apresentada no Royal Opera House, em Londres. Mas, até o momento, não há anúncio da data oficial de lançamento do álbum, que foi gravado em Londres e Pequim. O disco tem 22 faixas, com a participação de aproximadamente 130 músicos europeus e chineses, incluindo coro chinês e uma orquestra. Mesmo sem conhecer este trabalho, tenho certeza que dessa dupla só vem o que há de melhor e é imperdível. Veja aqui o vídeo produzido pela BBC.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Pato à Pequim está livre de doping. Mas somente ele.

Não só a poluição de Pequim preocupa as autoridades chinesas (leia-se PCC). Para mascarar esse problema, retocaram a maquiagem de toda a cidade, dando-lhe uma aparência limpa e colorida ao replantarem gramados e flores capazes de resistir à alta concentração de dióxido de carbono e enxofre por pelo menos 3 meses. Além do “cuidado” ambiental, o governo pequinês também se preocupa com o cardápio que será servido durante os Jogos Olímpicos. Temendo por manifestações de entidades internacionais de proteção aos animais, baniu de todos os restaurantes a carne de cachorro, uma iguaria apreciada por muitos chineses. Por enquanto, esse fiel amigo terá a sua vida prolongada por mais alguns dias. Se de fato o sorriso do cão está na cauda e ao abaná-la ele expressa uma gama de sentimentos e emoções, esses simpáticos bichinhos estão agora radiantes de felicidade. Outra coisa que me está a chamar a atenção é o controle antidoping que o governo chinês vem fazendo. Não. Não se trata de doping esportivo. Nesse sentido, como se suspeita, os chineses não são assim tão zelosos. Para mostrar aos atletas estrangeiros que temem ingerir carne animal com medo de possíveis esteróides, os restaurantes da capital chinesa especializados no famoso Pato à Pequim (para quem tem pachorra culunária, vai aqui uma receita do dito cujo) estão criando verdadeiros controles antidoping para esses bípedes plumosos. Isso porque patos não têm lá grandes aptidões atléticas.

Quando o feitiço se vira contra o feiticeiro...

O novo filme de animação da Pixar, «Wall.E», está prestes a chegar às salas de cinema de cá (a estreia será a 14 deste mês).
Enquanto se espera, nada como ver uma fabulosa curta metragem da mesma produtora, «Presto», envolvendo um mágico de bigodinho maroto e o seu coelho esfomeado e engenhoso...
Nb: a descoberta do «Presto» foi feita no blogue «O de Conduta».



domingo, 3 de agosto de 2008

Acampar é preciso...


Acampar em Inglaterra é um risco por causa do tempo, mas arriscámos e valeu a pena. Ficámos num parque simples, a duas horas de Londres, pequeno e sem pretensões, rodeado de colinas, ao pé de uma praia bonita chamada Dancing Ledge. Decidimos viver ao ritmo da natureza, quase sem relógio, desligámos os telemóveis, não comprámos jornais, não ouvimos rádio. Dormíamos quando ficava de noite, ao som de grilos e chuviscos. Fizemos caminhadas esplêndidas em lugares imensos e despovoados por falésias várias com vistas bonitas, as crianças procuraram fósseis e deliciaram-se a ver ruínas, andaram quilómetros, fizeram amigos, esqueceram televisões e computadores e desfrutaram de uma liberdade inédita. Os campistas conversavam uns com os outros num espírito de comuna delicioso, as casas de banho enchiam-se de graúdos e miúdos a lavarem os dentes e a tagarelarem em pijama. Adorei o ambiente simpático e descontraído, vagamente de aldeia com as pessoas sentadas em frente às tendas ao fim do dia com umas luzinhas a brilhar e o cheiro de comidas simples e bacon no ar. Respirámos mesmo e voltámos refeitos! Digo-vos, acampar é giro! Além de barato! E ecológico!

Anúncio do anúncio, ou a urgência nos dias que correm

Rendo-me, não aguento mais!
As sucessivas reportagens do suplemento «Fugas» do Público dedicadas às iguarias e refrescantes tiraram-me do sério. Eu, que julgava que um jornal aristocrata como este não se debruçava sobre assuntos da arraia-miúda, comecei recentemente a ver desaparecer o meu tema de escrita numa cadência semanal. Ele foram os cogumelos (desses já tinha falado aqui), os caracóis (ó suprema baixeza sulista!), os petiscos (embora envergonhadamente associados às «tapas»), os sumos de fruta e flores 'aztecas' (uau, que exótico), eu sei lá que mais safadezas de pôr água na boca.
Não resisti mais.
Por isso, decidi, hoje mesmo, que o próximo tema já não mo roubariam. Primeira regra: não disse nada a ninguém - nunca xi xabe. Segundo: escrevi logo, e não estive preocupado com as regras do acordo ortográfico. Por isso, saiu isto, mas vale a pena. A urgência da estação merece tal naco. Nunca um post foi tão apropriado. Ora prossigam...
É assim:
(to be continued)

Viver e aprender

Outro dia, a pretexto de já não sei bem o quê, lá fui novamente jantar ao "Le P'tit Canon" (nova morada: 36, rue Legendre, XVII arrondissement, Paris). Desta vez o grupo era maior. Vá-se lá saber porquê calhou-se a responsabilidade de escolher o vinho. Quer dizer, pensavam eles. Eu já sabia que a responsabilidade ia cair no Christian (patrão do P'tit Canon), cuja competência em matéria de vinhos só tem rival na simpatia da sócia, Isabelle. Eu ainda tentei, só por questão de manter as aparências:

(diálogo original em francês, traduzido livremente, assim mo permita a memória vaga dos acontecimentos, para português, correndo um pequeno risco de ser levemente romanceada - os links de hipertexto não constam do diálgo original)

(eu) - Então..., pode ser o Madiran.
(e ele) - Madiran, lamento mas não temos, ainda vem a caminho.
(e eu) - Ah bom?
(e ele) - Sim, mas temos um Saint-Chinian que é uma maravilha, é mesmo melhor que o Madiran.
(e eu armado em entendido) - Ah bom? E isso que cepagem é que é?
(e ele, com paciência) - É principalmente Mourvèdre, com um pouco de Syrah.
(e eu) - Ah, e tal, Mourvèdre não conheço. [e lá se foi a aura de entendido] Venha o Saint-Chiniant.
- seis garrafas mais tarde -
(eu) - Era mais uma garrafa do Saint-Chinian, svp.
(e ele) - Saint-Chinian acabou-se, vocês beberam a última garrafa*.
(e eu) - Ah bom?
(e ele) - Sim, mas tenho uma garrafa de Côtes du Marmandais, da propriedade Château de Beaulieau, 1995. É uma maravilha, digamos que é já uma divisão acima do Saint-Chinian [ou seja, estávamos já na luta pela Liga dos Campeões].
(e eu) - Côtes du Marmandais?
(e ele) - Sim é ali entre o Languedoc e Bordeaux.
(e eu) - Venha o Côtes du Marmandais.

E de momento não consigo fazer uma avaliação dos vinhos mais exacta do que o que se pode depreender do post, mais algum trabalho de campo será necessário para esse efeito. Excepto que o facto de "Côtes de Marmandais" se encontrar entre o Languedoc e Bordeaux, é muito mais, mas muito mais do que uma simples circunstância geográfica. Do que me lembro o "Château de Beaulieu" é um excelente vinho porque sem ser nem Languedoc nem Bordeaux, consegue ser Bordeaux e Languedoc ao mesmo tempo.

* É a primeira vez, de que me lembre, que consigo tal proeza.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Como é que se pode dar uma queca a pensar no Papa?

É fácil, basta ser-se católico convicto e, ainda assim, usar-se o preservativo. Ou, na versão ortodoxa light, achar que se pode fazer uma interrupção na operação antes do fogo-de-artifício. E por aí fora...
O título glosa um dos gagues da comédia teatral «Coçar onde é preciso», de José Pedro Gomes, ontem transmitida pela RTP1.
Não tive a oportunidade de ver a peça em 2005, quando correu os palcos do país, mas ela mantém toda a frescura. O texto ajuda, pois é 'intemporal': tudo gira em torno do que é ser "portuga". Desde as burocracias na Loja do Cidadão, passando pelos mirones, as tabuletas, o amor e a velhice.
A mim, fez-me lembrar alguns momentos desse inesquecível «O que diz Molero», também interpretado por José Pedro Gomes, além do António Feio.
Foram 90 minutos de deleite por um grande one man show. Tomara que regresse com outra peça assim.
PS: aqui fica mais informação numa reportagem de 2005.