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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Twitter big brother

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Tanta compreensão está bastante ao lado da questão...

Não é só o desemprego, sr. Bernanke, é mesmo o tipo de política: «Presidente da Reserva Federal diz compreender manifestantes anti-Wall Street», por AFP e Isabel Gorjão Santos.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

As revoluções do momento: Líbia, Barhein e Iémen

E outras se seguirão, é quase certo (esperemos que sem a violência oficial do caso líbio).
Estamos a assistir a algo de muito especial na história mundial. Pela sua génese, pela sua extensão (do Magrebe ao Próximo Oriente), pela sua duração, pelo seu impacto plural, a um tempo político, social, económico, cultural. E, last but not the least, pelo avançar do laicismo, num quadro em que ainda se agitam os fantasmas do fundamentalismo islâmico, sem base alguma, como se pode colher da opinião dos arabistas.
Este é um impacto que não se fica só pela arábia mas que contagia actores sociais de paragens distantes, alguns bem inesperados, como a ocupação do parlamento de Wisconsin (EUA) pelos sindicatos.
A propósito da Líbia, as chancelarias ocidentais têm reagido com muita apreensão, por este ser o 4.º produtor africano de petróleo (a seguir à Nigéria, Angola e Argélia, salvo erro). O surto do preço dos combustíveis fósseis serve como prova* dos perigos dum prolongamento da violência líbia (p.e., caindo numa demorada guerra civil, o cenário mais temido). Mas as ditas chancelarias ocidentais também têm a sua quota-parte de culpa no cartório. Porque foram cúmplices destes regimes até ao máximo do grotesco, como nas recepções aos ditadores árabes, cheias de segurança, mordomias e silêncios, ou na excessiva proximidade aos mesmos (vd. caso Michèle Alliot-Marie). Deviam ter tido mais cuidado, ter instado a mais reformas políticas. Agora parece que é tarde, o que não veio pela porta da frente está o povo a arrancar a ferros, pela porta dos fundos.
Parece que é tarde mas não é; ainda podem tomar medidas: pressionar para o congelamento de contas desses figurões e a restituição dos fundos aos tesouros nacionais; estabelecer acordos conjuntos sobre recepção de imigrantes árabes; dar mais força à Turquia para servir de mediador nos conflitos; dar mais poder à ONU para promover reformas pró-democracia onde as ditaduras duram há tempo demais. E para aprofundar a democracia em todo o mundo. Pois só mais democracia trará mais esperança e segurança a todos.
*Embora seja estancada dentro de 2 semanas, por colocação de mais petróleo no mercado por parte da Arábia Saudita. Além disso, as convulsões podem ter efeitos diversos: no caso egípcio, a redução da laboração fabril e nos transportes possibilitou aumentar a sua quota de exportação de petróleo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Wikileaks e a ironia da História.

O Wikileaks não faz mais, afinal, do que pôr em prática a transparência diplomática que defendiam os "Pais Fundadores" dos Estados Unidos da América. Sim, Washington, Franklin e companhia proposeram instaurar uma diplomacia nova transparente, digna de uma Democracia, por oposição ao segredo diplomático que achavam ser coisa de monarquia europeia. Consideravam mesmo que as tramoias feitas no segredo das embaixadas eram a causa dos confiltos que devastavam a Europa. Nas palavras de Benjamin Franklin "Nunca assinar em segredo algo de que se viesse a envergonhar quando fosse tornado público". Vale a pena ler o artigo de opinião de Aurélian Colson, no Le Monde.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O caso WikiLeaks

Muito se tem falado do caso WikiLeaks, despoletado pela perseguição política e/ou policial movida pelo governo dos EUA ao seu líder, Julian Assange. Seja qual for a nossa opinião sobre a 'cruzada' deste, a verdade é que é obra um tipo disponibilizar o acesso a 250 mil páginas na Internet sem ter nada a ver com sexo e, no fim, ainda ser suspeito de crime de «sexo-surpresa». Dá para acreditar em tamanha ironia e confusão? Com uma agente secreta?! Não se terão enganado na designação?

Mudando de agulha, que aquela blague é inspirada no Governo Sombra, a situação descarrilou para uma polémica informação secreta vs. liberdade de expressão, quando apenas se devia ter fixado no debate sobre os limites da primeira.

Anterior revelação sobre as guerras do Iraque e Afeganistão pareceu-me mais relevante, pois revelou nódoas graves que, em vez de serem limpas, tinham sido tapadas (houve ainda outras divulgações úteis, como a de descarga de lixo tóxico na costa africana). No presente caso, a maioria da documentação é rebarbativa, ou seja, permite aceder a um perspectiva crua duma diplomacia bem crua como é a dos EUA: nada de novo, portanto. Felizmente que isso não é tudo. Além da conversa de chancelaria (pontuada por declarações desbragadas de diplomatas), há algumas revelações úteis: violações de direitos humanos, ambientais e de soberania doutros países, uma lista de locais importantes para a segurança nacional dos EUA que inclui sítios intrigantes como uma fábrica de penincilina algures num país nórdico (terei lido bem?), documentos sobre jogo sujo de multinacionais, entre outras coisas que podem ser pontuais mas ajudam a desocultar pressões e manobras indevidas. Uma forma de travar o livre curso destas passa necessariamente pela ameaça da opinião pública poder vir a saber e isso poder servir para condenação/ penalização, simbólica, jurídica ou outra. Sejam quais forem as reservas, é inegável que parte destas fugas de informação servem para fazer serviço público, para todo o mundo.

Infelizmente a coisa não se fica por aqui. Assange e a WikiLeaks não têm só um lado positivo. Comecemos por um excesso de Assange: diz que faz jornalismo livre. É falso: quem faz jornalismo são os jornais de referência que aceitaram tratar a informação em bruto que aquele lhes fornece (The Guardian, El País, New York Times, Le Monde, Der Spiegel), sem esquecerem a salvaguarda da segurança de pessoas, assim dando crédito à informação divulgada.

Mas o principal erro de Assange e da WikiLeaks é defenderem a transparência absoluta, aparentemente apenas para os países democráticos (EUA à cabeça), pois as suas fontes nunca são de ditaduras. Ora, essa transparência absoluta, a realizar-se, acabaria com qualquer diplomacia, com qualquer negociação. É uma ingenuidade. E acaba por ter um efeito boomerangue, incentivando a redobrados cuidados com os segredos diplomáticos. Nos países democráticos, não nos outros, aparentemente sem interesse para a WikiLeaks.

Aos ataques dos EUA e de opinion makers, respondem os defensores de Assange e da transparência absoluta com hacktivism, petições, protestos na rua e, brevemente, com novos sites de revelação de segredos políticos, como o OpeanLeaks. Moda passageira ou tendência para ficar?

Dos vários textos que li sobre o tema, destaco quatro, os de Vítor Malheiros, Miguel Gaspar, Eduardo Cintra Torres e Jorge Almeida Fernandes, ainda que não concorde com tudo o que cada um diz. Aliás, a minha perspectiva é uma certa combinação desses olhares.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Afinal, também Portugal esteve sob ameaça

«EUA tinham planos para invadir os Açores em 1975», por Nuno Simas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Quando a democracia fomenta ditaduras

Milhares de documentos confirmam apoio dos EUA ao golpe de Pinochet
O Museu da Memória em Santiago do Chile acaba de receber 20.000 documentos que trazem novas informações sobre o envolvimento dos EUA no golpe que deu início à ditadura de Pinochet.
os documentos serão um contributo para os processos judiciais sobre violações de direitos humanos na ditadura que se prolongou até 1990 e em que foram mortos mais de 3000 opositores.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Por fim, uma euro-manif

Há muito esperada, a euro-manifestação ocorrerá esta quarta-feira, sob o lema «Não à austeridade, prioridade ao emprego e ao crescimento». É promovida pelo European Trade Union Confederation e pelos 50 sindicatos nacionais nela filiados, que representam 30 países. A principal manif será em Bruxelas, havendo depois dezenas de manifs nos países destes sindicatos. Em Portugal, decorrerão no Porto e em Lisboa, por iniciativa da CGTP.

Após a crise financeira de 2008, o Banco Central Europeu (BCE) passou a emprestar dinheiro aos bancos a taxas reduzidas, os quais por sua vez inflaccionaram as taxas para os empréstimos de que os Estados nacionais necessitam para sair da crise. É um círculo vicioso, que nem nos EUA ocorre, pois aqui apenas há um banco coordenador (o federal), que, por sua vez, é responsável pela contenção da inflacção e pelo crescimento, enquanto na UE o BCE apenas se preocupa com a inflacção e os défices nacionais. Estas são duas das razões porque a crise está a ser tão grave na Europa. E, por muito que se mude na regulação e conexos, falta mexer nesta parte nevrálgica.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Supervisão financeira, bem precisamos dela

Depois dos EUA, a União Europeia vai, por fim, avançar na supervisão financeira, que é como quem diz «casa roubada, trancas na porta» (vd. «Eurodeputados dão luz verde à reforma do sistema de supervisão financeira»).
Mas há outras frentes conexas onde também se estão dando passos indispensáveis: «UE ataca produtos financeiros altamente especulativos», por Isabel Arriaga e Cunha.
Para um balanço comparativo vd. estes 2 artigos dum dossiê recente: «Reformas da supervisão chegam dois anos depois da queda do Lehman», por Ana Brito; e «As novas regras após o Lehman».

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quem perdeu o quê?

Países mais ricos vão baixar o défice para metade até 2013

Europa derrota a América na questão do défice, mas os dois blocos perderam na questão das taxas à banca

terça-feira, 4 de maio de 2010

O pior powerpoint de sempre:


Da praga do powerpoint à estratégia de guerra dos EUA no Afeganistão também tinha dado um bom título. Parece mentira mas é verdade, é mesmo um documento oficial, e, segundo o general que o apresentou, está aí a chave para a vitória...

Que mais dizer? Boa sorte para a charada?

Nb: via Vento Sueste, por sua vez via Flip Chart Fairy Tales e New York Times.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A ficção made in EUA como antecipação da mundividência mundial (ou Gramsci e Althusser reactualizados por Paulo Varela Gomes)

nos anos 1960 e 1970, já se sabia nessas redes comunicacionais, muito antes de se saber na realidade, que o comunismo era o Mal absoluto, os Estados Unidos o melhor país do mundo e o modo de vida americano o nec plus ultra.
De facto, estas redes não se limitam a reflectir a realidade: fazem-na acontecer, propõem um mundo.
Resta saber se Gramsci combina a 100% com Althusser (parece-me que o peso da conjuntura e do contingente é bem maior em Gramsci), e se a fixação na ficção não será excessivo num mundo onde em que os comportamentos de relevantes segmentos sociais se guiam pela crescente multiplicação e combinação entre diferentes media e tipos de mensagens: tlm, sms, twitter, internet, blogues, sites, redes sociais, e, claro, tv, cinema, rádio, video, músicas etc..
Isto para dizer que se recomenda a leitura da crónica «Exagero?», de Paulo Varela Gomes (Público, 20/III, p.3-P2).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A regulação lá vai avançando, mais ao largo...

... bem longe, porque por aqui a ordem é não fazer 'ondas', nunca se sabe que retaliação fará o interesse poderoso afectado.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quando as fugas de informação servem para denunciar crimes contra a própria liberdade de informação também há quem discorde

Vídeo secreto mostra pilotos dos EUA a disparar contra fotógrafo da Reuters

«O Pentágono deverá agora aumentar a pressão para tentar impedir material classificado de ser divulgado no site, que já descreveu como uma ameaça à segurança nacional.

Criado em 2006, o Wikileaks tem por missão promover a transparência dos governos, instituições e empresas. É alimentado através de fugas de informação (leak, na gíria dos media), principalmente por fontes anónimas. Já tinha divulgado relatórios militares classificados sobre armas, unidades militares e estratégia de combate.
»

Ver video «Collateral murder», que tem este site específico.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Resta saber se Obama ficará nos anais só pelo lado bom

... a ponderar com os balanços de perdas e ganhos desta mesma reforma (vd. «A reforma da saúde nos EUA»), das guerras no Iraque e Afeganistão, etc.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Capitalismo, uma história mal contada

É caixa-de-óculos, gordalhufo, usa jeans xxl e tem um andar desajeitado. Além disso, fala sobre coisas chatas como trabalho, dignidade, justiça social, desigualdades, etc.. Um cromo destes só pode ser um incómodo, claro.

Capitalism: a love story é o seu último filme. A recepção foi desigual, indiferente à adesão nos cinemas, urbi et orbi. Por mim, considero-o o melhor filme que vi em 2009, mais, um dos melhores de sempre.

Vou tentar explicar porquê. Um dos pontos mais fortes do documentário (sim, porque é um documentário, se virmos o género sem espartilhos tecnicisto-formais) é o ponto onde começa: Flint, berço do cineasta e satélite da todo-poderosa General Motors, que se torna cidade-fantasma mal esta sai de lá, por razões meramente economicistas. Foi por aí que Michael Moore começou a sua carreira, com Roger & me (sendo Roger o presidente da GM a quem ele nunca consegue chegar à fala), um documentário cru sobre a devastação da sua cidade-natal, assim qualquer coisa como uma cidade do tamanho de Aveiro. No presente Capitalism, vemos o pai de Moore a confessar-nos que, enquanto operário dessa multinacional nos idos de 50-70, o ambiente de trabalho era bom, tinha férias pagas, automóvel, casa, qualidade de vida, etc.. Hoje, tudo isso está em risco para esse e outros grupos sociais...

Para Moore, criado no ideal norte-americano, de terra de oportunidades para todos, de prosperidade (ainda que desigual), a actual situação de descalabro financeiro-económico, de engodo, de desigualdades extremas, é um autêntico pesadelo. É esta a tese central do filme: também ele, um tipo de esquerda, acreditou que a América era uma terra de esperança, e agora apercebe-se de que tinha acreditado numa mera encenação, numa grande ilusão. A crise financeira e económico-social recente é apenas um apropriado locus do dia: o problema é bem mais fundo. Wall Street e os seus interesses comandam as vidas de todos nós, prejudicando-nos; pior, eles manobram os próprios representantes do povo para beneficiar interesses privados, em detrimento do interesse público.

Além disso, o filme tem momentos inesperadamente dolorosos, mesmo para o mais impedernido dos cépticos, como o caso dos seguros sobre a morte de empregados de empresas (sim, o dinheiro do seguro de morte apenas revertia para essas empresas, @s viúv@s ficavam a ver navios).

sábado, 31 de outubro de 2009

Claro que é apenas um pequeno passo insignificante (dirão os cínicos)

Administração Obama acaba com a interdição de portadores do HIV entrarem nos EUA (concluindo um processo iniciado pela administração Bush).

Como diz o próprio Obama, essa interdição há 22 anos, foi "baseada mais no medo do que em factos".


sábado, 17 de outubro de 2009

Importa-se de repetir? - parte II

Só em jeito de adenda ao post anterior: Beth Humphrey e Terence McKay - a quem um juiz do Lousiana negou o casamento por serem um casal "inter-racial" - casaram-se mesmo. Bastou irem pedir a outra freguesia (literalmente, foram pedir a uma outra juíza de uma vila vizinha, e esta aceitou casa-los). Entretanto Beth e Terence apresentaram queixa contra Keith Bardwell, o primeiro juíz que lhes tinha negado o casamento.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Importa-se de repetir?

Um juíz do Louisiana recusa casamentos a casais inter-raciais. E - surpresa das surpresas - o dito cujo juíz diz que não é racista, que até tem montes de amigos negros, e que até concordam com ele. Ele acha simplesmente que os casais inter-raciais não duram muito tempo. E mais, os filhos desses casais sofrem muito por serem mestiços, porque não são aceites nem pela sociedade branca nem pela sociedade negra (de caminho ficamos a saber que na cabeça desta gente há uma sociedade branca e outra negra). Mas esperem lá, o presidente dos EUA não é filho de um casal inter-racial?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cameron Todd Willingham

Imagine-se o pior dos pesadelos possíveis, por exemplo: um homem não só vê a sua casa arder com as suas três filhas dentro, num incêndio acidental, sem poder salvá-las, como ainda por cima vê-se acusado de fogo posto e homicídio voluntário, para acabar condenado à morte e executado. Será possível? Se o homem for pobre e desempregado, sem dinheiro para advogados, se tiver no cadastro uns pequenos furtos quando era jovem, se tiver uma relação turbulenta e por vezes violenta com a mulher, e se tudo isto se passar no Texas, sim é possível. Foi o que aconteceu com Cameron Todd Willingham. A sua casa ardeu com as suas três filhas dentro nas vésperas de Natal de 1991, e foi executado em Fevereiro de 2004. O New Yorker faz no seu último número uma excelente reportagem sobre o caso de Willingham, em que se demonstra nomeadamente que as perícias que os polícias supostamente especialistas em fogo posto que investigaram o caso não tinham a mínima preparação técnica-científica para o fazer. Essas perícias foram a base fundamental da acusação (para além delas a acusação tinha apenas elementos circunstanciais também desmentidos, e o testemunho de um companheiro de cela nada credível a quem Willingham teria supostamente confessado o crime). A análise que os peritos fizeram dos indícios do incêndio baseou-se numa série de convicções pessoais e folclore que eram correntes entre os polícias "especialistas" em incêndios, mas que nada tinham de científicos. Vale a pena em especial ler a parte em que se fala os incêndio de Lime Street em Jacksonville Florida (pág 13 e 14), em que Gerald Wayne Lewis foi acusado de fogo posto num caso em tudo semelhante ao de Willingham; a acusação baseava-se nos mesmíssimos argumentos dos "especialistas". Numa tentativa de provar que a versão dos factos de Lewis era inconsistente, e que apenas um fogo posto poderia explicar os indícios encontrados nos escombros da casa ardida, a acusação decidiu reconstituir o incêndio numa casa vizinha à de Lewis, virtualmente idêntica, e que estava destinada a ser demolida. O resultado foi a abolição de Lewis, e a prova de que as tais crenças e folclore dos peritos de incêndios da polícia eram destituídos de qualquer base científica ou sequer racional (a esse respeito pode ainda ver-se o vídeo abaixo). Um pequeno pormenor: o incêndio de Lime Street deu-se mais de um ano antes do incêndio da casa de Willingham. Se é grave condenar um inocente com base em pseudo-ciência, mais grave ainda é se a condenação ocorre depois de se demonstrar que essa pseudo-ciência é caduca.
As dúvidas sobre o caso de Willingham ganharam a atenção da imprensa logo em 2004, o Chicago Tribune publicou então uma reportagem em que a julgamento era desacreditado. Desde então pelo menos nove (verdadeiros) especialistas em questões de incêndios reviram os indícios no caso de Willingham. Segundo estes, não é sequer uma questão dos indícios serem insuficientes para provar que Willingham era culpado, eles provam que ele era inocente. Em 2005 o estado do Texas constituiu uma comissão para analisar os erros no caso de Willingham; Craig Beyler, um dos especialistas em incêndios, elaborou para essa comissão um relatório que foi entregue recentemente. Segundo Beyler os investigadores no caso de Willingham não tinham bases científicas para concluir que o incêndio era fogo posto, ignoraram evidências que contradiziam as suas teorias, não tinham compreensão da dinâmica do fogo (em particular do fenómeno de "flashover"), basearam-se em folclore desacreditado, e nunca conseguiram eliminar a hipótese do fogo ser acidental. Ainda segundo Beyler a abordagem dos peritos parece negar qualquer racionalidade, sendo mais parecido misticismo e psiquismo; a investigação violou não apenas os padrões de investigação actuais, mas mesmo os da época (pag. 16).

Nota: Na foto Willingham com a sua filha mais velha, Amber.