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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Portugal na corrida ao Nobel da Física 2011

Este ano Portugal será um forte candidato ao prémio Nobel da Física! 
Depois da descoberta do átomo, do neutrão, do protão e do electrão, acabou de ser descoberto o Pelintrão.
E como se caracteriza o Pelintrão?
O pelintrão é um tuga sem massa e sem energia, mas que suporta qualquer carga! 

(anónimo ou talvez não)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Um eterno candidato ganha finalmente o Nobel

Para quem quiser saber mais:

> entrevista do escritor ao jornalista Carlos Vaz Marques

> perfil da obra pelo escritor colombiano Héctor Abad Faciolince.

Do grafite ao grafeno: ele há coisas fabulosas que o Nobel ajuda a revelar

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ainda Saramago

Muito se escreveu a pretexto do passamento de Saramago. Do que li, destaco a lúcida reflexão de Manuel Gusmão e o dossiê do Público, do qual li com gosto as evocações de Carlos Reis, Mário de Carvalho, Luiz Schwarcz (aqui se podem ler outros depoimentos), Urbano Tavares Rodrigues e Mia Couto. Fiquei estarrecido com o texto de Eduardo Lourenço, onde a projecção do próprio pretende impor uma pseudo-redenção final de Saramago como saída para a sua desilusão utópica, em gritante contraste com o sentido constante da intervenção cívica e literária do autor.
Sobre a ausência de altas figuras do Estado das cerimónias fúnebres do único Prémio Nobel da Literatura português, apenas reiterar as críticas oportunamente feitas a essa conduta, apesar dos dois dias de luto nacional. A situação é agravada quanto ao Presidente da República, Cavaco Silva, que teria necessariamente que estar lá enquanto representante de todos os portugueses numa ocasião simbólica por excelência.
O Vaticano, este Vaticano, primou novamente pela arrogância e deselegância; nb: já o comunicado do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Igreja católica portuguesa tem um tom bem diverso, que só pode ser elogiado pela sensibilidade e esforço de reflexão que representa: «Igreja enaltece “grande criador da língua portuguesa” mas lamenta “balizamentos ideológicos”».
Nb: na imagem, cartoon inspirado no quadro Des glaneuses (1857), de Jean-François Millet.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um Nobel para os vírus transmitidos sexualmente, e outro para as proteínas fluorescentes

Como todos os anos o princípio de Outubro é a época dos Nobel. Os Nobel da Medicina e da Química deste ano merecem um comentário especial. O prémio da Medicina e Fisiologia foi mesmo para descobertas mais relevantes para a Medicina, do que para a Fisiologia/Biologia (fenómeno cada vez mais raro). Harald zur Hausen ganhou metade do prémio por ter descoberto que o Câncro do Colo do Útero é causado por um vírus. A ideia de que um câncro poderia ser causado por vírus era, à época, completamente contra todos os dogmas. Hoje existem vacinas contra este tipo de câncro, um dos que mais afecta as mulheres. Um Nobel bem merecido portanto. A outra metade do prémio foi partilhada por Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi por terem descoberto o vírus causador SIDA. Para além de ter sido, obviamente, uma descoberta fundamental para a compreensão da SIDA é também o resultado de uma das mais azedas competições na história recente da Ciência. O americano Robert Gallo descobriu também, de forma independente de Montagnier (consoante as versões) o mesmo vírus. Para os detractores de Gallo era literalmente o mesmo vírus. Gallo foi acusado de o isolar a partir de uma amostra produzida por Montagnier (ou seja, uma espécie de roubo). A contenda só foi resolvida com a intervenção dos presidentes americano e francês à época, Regan e Mitterand. E o vírus foi então baptizado HIV (Montagnier e Gallo tinham dado cada um um nome diferente). A não a atribuição do Nobel a Robert Gallo diz bem da opinião do comité Nobel, e seguramente da maioria da comunidade científica, sobre quem realmente descobriu o vírus da SIDA.

Já o prémio Nobel da Química deste ano foi para uma descoberta de uma enorme importância para a Biologia. Não é a primeira vez que o Nobel da Química vai para descobertas na área da Biologia, e faz sentido porque há determinadas descobertas que tanto podem ser consideradas como Biologia ou Bioquímica. Neste caso foi a proteína verde fluorescente (GFP - Green Fluorescente Protein), que é uma ferramenta utilizada quotidianamente por milhares de investigadores em Biologia, mas o seu estudo e desenvolvimento é essencialmente Bioquímico. A GFP permite por exemplo ver ao microscópio como um determinado componente da célula se comporta, mantendo essa célula viva. Há outras utilizações, mas esta é de longe a mais frequente. A escolha dos três galardoados é bastante interessante, e pedagógica, pelas diferentes contribuições de cada um deles. Osamu Shimomura recebeu o prémio por ter sido o primeiro investigador a isolar a GFP. Reparou que a medusa Aequorea victoria era fluorescente em determinadas circunstâncias, e percebeu que identificar o componente fluorescente podia ser interessante. Roger Y. Tsien recebeu o prémio pelo seu trabalho sobre a compreensão da "mecânica" própria GFP, como é que esta proteína fluoresce. Esse trabalho permitiu desenvolver, por engenharia genética, outras variantes da GFP. Finalmente Martin Chalfie recebe o prémio por ter desenvolvido ferramentas com utilidade prática na investigação utilizando a GFP. Chalfie, trabalhando com o nemátode C. elegans, criou bichos que expressam GFP, em especial nos neurónios, porque é o seu tema de investigação (ver aqui). Foi graças a esses trabalhos que filmes como este aqui em baixo se tornaram possíveis. Pode ver-se (para quem tiver um computador que suporte o Quick Time) a primeira divisão celular do embrião de C. elegans. O filme começa com a fertilização, vê-se os cromossomas maternos e paternos juntarem-se, e formarem um só núcleo. Depois dá-se a divisão propriamente dita, em que os cromossomas são repartidos igualmente pelas duas novas células que se formam. Vê-se também o fuso que divide os cromossomas entre as células. Tanto os cromossomas como o fuso são visíveis graças à GFP. O vídeo foi realizado no laboratório de Iain Mattaj



P.S. - Não percebo muito de Economia, mas parece que o Nobel foi atribuído a um confesso neo-Keynesiano. Essa também tem graça.