«Um vinho para testar a marca Salazar», por Graça Barbosa Ribeiro
«No mínimo, é de mau gosto, no máximo um insulto às vítimas do Estado Novo»: opinião de Filipe Ribeiro de Menezes, o historiador em voga do jornal Público
«Um vinho para testar a marca Salazar», por Graça Barbosa Ribeiro
«No mínimo, é de mau gosto, no máximo um insulto às vítimas do Estado Novo»: opinião de Filipe Ribeiro de Menezes, o historiador em voga do jornal Público
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Daniel Melo
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22:21
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Labels: Câmara Municipal de Santa Comba Dão, neo-realismos, Salazar, vinhos de colheita tardia

Tenho o raro privilégio de ser citado por Manuel Loff, numa recensão que ele faz da biografia do Salazar de Ribeiro de Meneses na Análise Social, por uma frase que nunca escrevi numa recensão minha que foi publicada há meses no Público ! E logo na primeira frase do texto. Loff dá-me a paternidade do título dado à entrevista de Ribeiro Meneses feita por Maria José Oliveira.
Não vejo bem porquê tenho esta sorte e porquê o autor quer que eu tenha escrito isto. Parece-me que o Manuel Loff dá-me intenções que não penso ter. Dando-me uma frase que nunca escrevi, Loff pode assim pôr-me, parece, no réu dos culpados que participaram na, e vou citar sem tentar enganar-me, "tão boa aceitação" que obteve o livro do Ribeiro de Meneses. Bem relendo o meu texto, não me revejo nisto, mas isto pode ser debatido com verdadeiras citações.
E que não me parece oportuno iniciar um debate fazendo escrever coisas à pessoas que nunca as escreveram.
Apesar de esta falta de rigor (o que é sempre problemático para os historiadores), aqui está a continuação de um debate que deverá continuar.
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Victor
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13:05
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Labels: Manuel Loff, Ribeiro de Meneses, Salazar
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Daniel Melo
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Labels: Câmara Municipal de Santa Comba Dão, ditaduras, memória colectiva, mitomanias, neo-realismos, política municipal, políticas da memória, Salazar
Novos achados quase-arqueológicos vêm comprovar aquilo que já se sabia: a bulimia papelusca do ditador Oliveira Salazar. O homem podia ser poupadinho nas despesas e em arrebanhar dinheiro em proveito próprio, mas não foi nada poupadinho no respeitante ao consumo de papel. Eu que o diga, que já estive meses imerso em papelada, bicharada e pó estimuladas pela sua mania de tudo controlar e ordenar em resmas A4. A4 e não só: do papelusco minúsculo ao dossier extra-large o cromo pintalgou os tamanhos todos do papel para escrita.
Desta feita, foram recuperadas pela Torre do Tombo c. de 100 caixas com documentação da eufemística Presidência do Conselho de Ministros (PCM), referentes ao período entre 1938 e 1957. O Público exulta à moda de Indiana Jones: "É um dos mais importantes achados dos últimos anos". Resta dizer que, quanto aos arquivos da PCM e Oliveira Salazar (uma distrinça um tanto ou quanto bizantina durante a ditadura, mas enfim), já há mais duma década que estão acessíveis ao público alguns milhares de caixas. Ainda é cedo para se saber o que poderão revelar as ressuscitadas carcaças poeirentas que já não se saiba, mas é sempre bom haver alguém que diga que vão mudar a face da nossa história. É que isto anda tão mortiço...
Seja como for, ainda bem que esta documentação vai ser tratada e que a sua disponibilização pública está já marcada para este Verão.
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Daniel Melo
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23:30
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Labels: acesso aos documentos, arquivos, História, humor, media, Salazar, silêncios da História
O novo Museu dos Coches tornou-se no caso do ano na Cultura, por 2 razões interligadas: a ausência duma política cultural com visão e o laxismo na gestão do erário público.
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Daniel Melo
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Labels: cartoon, cartoonista GoRRo, Cavaco Silva, humor, José Sócrates, mitomanias, museologia, polémicas, política cultural, Portugal, Salazar, Santana Lopes, terceiro sector
Ao entardecer, inaugura-se a exposição «Caprichos e desastres» do grande cartoonista e artista plástico João Abel Manta, no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa. A mostra, com mais de 90 peças, retrata o "Portugal pitoresco" e o "Portugal assombrado" dos anos 60 a 80, segundo revelou o seu comissário, João Paulo Cotrim (vd. aqui e aqui). Cotrim, entretanto, editou o livro João Abel Manta - caprichos e desastres (vd. tb. aqui).
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Daniel Melo
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Labels: agenda cultural, antifascismo, artes plásticas, cartoon, cartoonista João Abel Manta, Cultura, democracia, exposição, humor, João Paulo Cotrim, livros, Portugal, revolução, Salazar
Na próxima 3.ª feira, pelas 18h30, realiza-se um colóquio sobre o livro «A oposição católica ao Estado Novo (1958-1974)», tendo como participantes Fernando Rosas, Guilherme d'Oliveira Martins e o autor da obra, João Miguel Almeida.
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Daniel Melo
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14:41
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Labels: agenda cultural, antifascismo, João Miguel Almeida, livro A oposição católica ao Estado Novo (1958-1974), livros, resistência, Salazar
Está a decorrer, neste mês, uma homenagem ao arquitecto, pintor, ilustrador e cartoonista João Abel Manta. A iniciativa é da responsabilidade da Humorgrafe (Osvaldo Macedo de Sousa) e do BDjornal (J. Machado-Dias / Clara Botelho) e visa reconhecer a sua obra artística. Para o efeito, a Humorgrafe e a BDjornal lançaram um concurso de caricaturas e ilustrações, dirigido a cartoonistas, banda-desenhistas e ilustradores, a incluir numa exposição e catálogo de tributo àquele que é considerado um dos grandes cartoonistas portugueses de sempre.
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Daniel Melo
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Labels: cartoonista João Abel Manta, Cultura, revolução, Salazar
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Daniel Melo
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16:45
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Labels: Estado social, governo, política de desenvolvimento, política económica, política financeira, Salazar, títulos/status
Sem querer entrar em polémica com o Victor, eu acho que as teses do Arroja sobre as razões do crescimento económico do Estado Novo até são pouco arrojadas. É que não basta dizer que havia uma "grande abertura da economia [do regime] ao exterior" (ponto 9 do decálogo). É preciso acrescentar a gestão liberal que o regime sempre fez dos mercados com que estabeleceu, digamos assim, relações comerciais privilegiadas, como era o caso de Angola ou Moçambique. É que, se não se acrescenta isto, a natureza da abertura da economia do regime de que Arroja fala fica completamente sem se perceber .
Noto a mesma falta de rigor no ponto 5. A expressão "padrões muito elevados no sistema de educação", se lida apressadamente por um leitor mais maldoso, pode fazer pensar que o autor se estava a referir aos padrões elevados de analfabetismo da população em geral. E não está: como todos sabemos, ele estava só a pensar nas boas famílias.
No mesmo ponto, é incompreensível a ausência de uma referência à política de mobilidade e internacionalização dos professores portugueses promovida pelo regime. Quantos foram os professores dos liceus e das universidades que foram, então, gentilmente convidados a combater o seu imobilismo provinciano e a sair para o estrangeiro? Se não se diz isto, o argumento de Arroja, que é bom e é subtil, resulta incompleto.
Por fim, parece-me que falta ao decálogo um 11° ponto fundamental (mas deixaria de ser um decálogo se Arroja o incluísse, pelo que aqui tem desculpa a falta de arrojo): então e a prudente política de informação desenvolvida pelo regime de Salazar? Uma política que como é sabido, foi marcada por uma tal determinação em servir o interesse nacional que, e apenas quando tal se revelava estritamente necessário, chegava ao ponto de silenciar as vozes da imprensa e da oposição? O senhor Arroja talvez respondesse a isto que a política de informação do Estado Novo nada tem a ver com o seu crescimento económico. Talvez. Mas aqui deveria entrar um argumento contra-factual: imagine-se o Estado Novo sem a política de informação coerente que adoptou (eu sei que é difícil, mas tente-se, em benefício do argumento). Haveria o perigo de as sábias políticas económicas do regime serem discutidas democraticamente, o que, possivelmente (mas eu de economia não percebo nada), seria prejudicial ao crescimento económico. Mais grave ainda seriam os efeitos sobre a memória do regime salazarista: o professor Arroja, por exemplo, que aparentemente só guardou a visão do regime que vem nos manuais de leitura da Terceira Classe, talvez ficasse a saber um pouco mais sobre o assunto.
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andre
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Labels: crescimento económico, Salazar, vida noutros planetas

Esse post da Cláudia relembrou-me um debate que há nesse blogue. Um estranho liberal (porque escrever num blogue liberal e repetir a propaganda do SNI parece-me paradoxal…mas aqui não é o problema e os defensores do dogma liberal já restabeleceram a ordem) iniciou uma série de posts sobre os presumidos sucessos económicos do Estado Novo. Nem vale a pena repetir o que outros já escreveram, tirando as bases desse discurso pseudo-histórico. Só fico por uma parte do racioncínio que, parece-me mas posso enganar-me, não foi discutida : a probidade e a eficácia dos servidores de Estado naquele período (Os factores 2, 3 e 4 do « novo » decálogo do Estado Novo 2. Em parte como resultado deste exemplo, uma cultura prevalecente na sociedade em que o cumprimento dos contratos (por vezes baseados na mera palavra dada) e, geralmente de todos os compromissos, se tornava uma questão de honra pessoal. 3. Funcionamento exemplar das instituições do Estado, como a justiça e a administração fiscal. 4. Elevado sentido de Estado por parte das pessoas que serviam o Estado quer nos postos da governação quer nos principais postos da administração pública. Tratava-se, em geral, de pessoas com elevado espírito público, que visavam servir o Estado e a comunidade, e não servirem-se do Estado e da comunidade - e que frequentemente o faziam com sacrifício dos seus próprios interesses pessoais).
Se o Estado Novo inspirou confiança a alguém foi aos médios e grandes proprietários rurais, aos industriais, aos comerciantes, aos financeiros, etc., etc. A grande maioria da população, ela, viveu no medo, na desconfiança e na vontade de escapar ao Estado e aos seus protegidos (fugindo por exemplo clandestinamente para França). Donde vinha a confiança dos primeiros ? Eles podiam quebrar os contratos como queriam, deixar de pagar os empregados e, melhor, impor a inexistência de contratos deixando os assalariados (rurais ou industriais) sem protecção. Sem sindicatos, com operários reprimidos à menor desobediência, com um sistema corporativa que era uma fraude como escreveu Philippe Schmitter, com tribunais do trabalho defendendo o patronato, é verdade que os empresários podiam ter confiança no Estado. Isso não há dúvida. E com a repressão do movimento operário, sem sindicatos, com salários que aumentavam menos depressa que a produtividade dos trabalhadores (a não ser no fim dos anos 60 quando o patronato, por culpa da emigração, teve que aumentar os salários), e sem Estado Providência, o tal sucesso económico do Estado Novo não é nada de extraordinário. Eficiência económica é juntar crescimento da riqueza, democracia e bem-estar para toda a população, como aconteceu no mesmo período além-Pireneus.
Quanto à dita eficiência e exemplaridade dos servidores do Estado no regime salazarista é um mito tão falso como as proezas do Stakhanov. Com uma censura que cortava qualquer artigo que apontava uma mais pequena disfunção da administração pública (por exemplo no livro do João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha há o caso de um desastre de avião que foi censurado, isso podia ser uma fonte de desprestígio para o Estado), com uma polícia política que podia perseguir qualquer pessoa que pudesse levar à cabo uma investigação crítica sobre a administração pública, essa inefiência não era conhecida do público que só podia ler uma narrativa distorcida da situação portuguesa. Mas estudos, nomeadamente aqueles baseados em arquivos públicos ou trabalhos de antropologia, mostram como o Estado Salazarista era inefiente, lento, cheio de corrupção (como se poder ler nos trabalhos do Howard Wiarda ou do José Cutileiro).
E essa ineficácia não era uma anomalia. Era uma das chaves do poder de Salazar. Salazar não precisava dum Estado eficiente, dum sistema que funcionava correctamente. Pelo contrário. O que ele queria era manter-se no poder. E isso passava pela existência de fracções antagonistas que, combatendo-se umas contra as outras, pediam a arbitragem do presidente do Conselho que ficava assim no centro do sistema e tornava-se indispensável. Quantos ministérios ou organismos não mantinham guerrilhas administrativas e burocráticas inúteis que se traduziram por inacção, superposições de competências e, por consequência, despesas acrescidas. Quantos ministérios ou organismos preferiram não fazer nada e resolver alguns problemas para não mudar as suas rotinas burocráticas. Quantos funcionários não se serviram das posições que ocupavam para ganhar uns (muitos) tostões à custa dos Portugueses que tinham que preencher toneladas de impressos burocráticos ?
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Victor
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15:08
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Labels: administração pública, Salazar
A respeito dum lamentável concurso na tv pública que anda por aí a dar que falar (infelizmente muito à boca pequena, como é hábito luso), aconselho a leitura deste post da Cláudia Castelo e um olhar por esta caricatura sanitária do Zé Dalmeida. Quanto a concursatas e outras farsas lamentáveis estamos conversados.
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Daniel Melo
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00:02
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Labels: ditaduras, revisionismos, Salazar, variedades