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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O feminismo e a dona-de-casa


Camille Paglia, sempre polemista, considera que o movimento feminista do Ocidente marginaliza as mulheres que valorizam a maternidade e definem o cuidar dos filhos e do marido como missão central na vida. Em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo (FSP)[1], esta feminista odiada pelas feministas (como diz o autor do artigo), manifesta a sua convicção de que o movimento perdeu a sintonia com o desejo da maioria das mulheres, ao defender a valorização da carreira em detrimento da maternidade. No seu entender, ao invés da veneração e atribuição do lugar mais alto à “mulher de carreira”, feminismo deveria ser sobre “mulheres terem oportunidade de avançar, não serem abusadas e terem direito de auto-subsistência económica para não depender de um parente homem”[2]. O autor do artigo lembra-nos que a escritora é considerada uma das principais teóricas do pós-feminismo e mantém-se sempre no centro da polémica, como ilustram, por exemplo, as constantes reacções ao seu livro “Personas Sexuais”, de 1990. Camille Paglia vê a emancipação da mulher moderna como produto da cultura capitalista ocidental, num momento particular em que, por causa da Revolução Industrial e do trabalho fora de casa, as mulheres se livram do controlo do marido, do pai ou do irmão. A escritora receia ver as feministas ocidentais destruir valores e tradições de culturas locais por não conseguirem lidar com a centralidade da maternidade para a maioria das mulheres do mundo.
Afinal, a centralidade da reflexão pós-feminista ainda não é dos pares maternidade/paternidade; mães/pais; mulheres/homens de carreira. Que dizer, então, dos unos, dos bi, dos homo e, enfim, dos múltiplos?

[1] Uirá Machado, “Para Paglia, feminismo erra ao excluir dona-de-casa”, Folha de São Paulo, domingo, 21 de Outubro de 2007.
[2] p.A26.