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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A formação contínua e o papel da UNESCO

Ainda vemos a educação de adultos como uma utopia

(Adama Ouane, director do Instituto para a Aprendizagem ao Longo da Vida da UNESCO, entrevistado por Bárbara Wong).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O segredo das boas escolas

Qual é o segredo das boas escolas?
Ter bons directores, bons professores, uma boa relação com a comunidade. Os professores é que são o sistema educativo e não o Ministério da Educação. É senso comum. Aceitamos a diversidade nos restaurantes, na arquitectura, na música. Em todo o lado procuramos a diversidade, por que não na escola? Queremos que estas sejam todas iguais, mas não são máquinas, são organismos vivos.
Se tratamos os alunos como se não fossem indivíduos, com talentos reconhecidos, eles não podem interessar-se pela escola. O sistema educativo mata a criatividade das crianças. Os políticos não compreendem e acham que a solução está em normalizar tudo.

Não sabem que não resulta?
Não está a resultar, os alunos continuam a abandonar a escola. É preciso regressar às origens, a uma educação mais pessoal, mais comprometida, onde se criam oportunidades para as pessoas desenvolverem os seus talentos, seja na matemática ou a tocar violoncelo. A experiência diz-me que se descobrirmos uma coisa em que somos bons, conseguimos ser melhor em todas as outras em que somos menos bons.
Aposta nas artes e criatividade, contra os maus exemplos
As artes têm muito pouco peso nos currículos e eu fiz campanha, em toda a Europa, a favor da criatividade. Quando Tony Blair foi eleito, a tónica era "Mais educação, mais educação". Mas quando chegou ao Governo, as políticas que levou a cabo foi: mais exames, mais inspecção, mais avaliação, pagar aos professores conforme os seus resultados... Nas escolas, cresceu um clima de medo entre os professores. Não defendo que não deve haver metas, mas sempre defendi que deveria haver uma estratégia para desenvolver a criatividade. Foi criada uma comissão para estabelecer uma política nacional sobre criatividade.
Nos EUA há mais testes, mais avaliação dos professores, as escolas são penalizadas se não conseguirem os resultados esperados, há rankings que desmoralizam os professores e os directores. O que é que se ganha com isso? Fala-se de eficiência para a educação como para a indústria automóvel e não se pode aplicar esse conceito nas escolas. Tem sido um desastre e em Portugal provavelmente também.
Ken Robinson, entrevistado por Bárbara Wong,
a propósito do lançamento do seu livro O elemento

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Novas do «Portugal tecnológico»

«Escola premiada pela Microsoft fechou», por Natália Faria e Bárbara Wong

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mais novas sobre movimentos cívicos

«Foi revogado o regime de excepção da Parque Escolar», por Tiago Mota Saraiva

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Novas de Lisboa

Agora que a rentrée assentou arraiais, há várias novidades em Lisboa, umas boas, outras más.
Nas boas, está a assunção, pela vereadora Helena Roseta, de pastas da habitação, designadamente a resolução do mau estado do mercado habitacional na cidade, com c. 60 mil prédios devolutos imobilizados e em degradação. Segundo um estudo da EPUL, destes só 10% necessitam de obras de vulto (vd. aqui, Público, 20/IX, p. 21). Para resolver o problema habitacional, a EPUL propõe um seguro de renda para senhorios, que lhes daria confiança no arrendamento, sendo esta uma das razões para o não arrendamento de parte destas casas. Sugere ainda o alargamento dos programas de reabilitação (RECRIA) aos fogos devolutos, com coordenação desta empresa municipal e obrigatoriedade do seu arrendamento posterior, de preferência para jovens e idosos. São excelentes ideias, só se espera que não tardam a ser efectivadas.
No lado das más notícias, está a trapalhada da não candidatura a apoios europeus para a melhoria das escolas públicas, devido à não entrega dum parecer obrigatório. Sendo esta a área prioritária da actual governação, não se compreende como foi possível tal desleixo. Talvez por ter sido em Agosto explique alguma coisa… Quando não há planeamento atempado pode dar nisto.
Mas há casos que nem com planeamento blindado a coisa sai bem. É o caso do terreno municipal cedido à AECOPS (Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas) para a construção da sua sede, que o vendeu 10 vezes mais caro a particulares (vd. aqui). Esta associação deixou de estar interessada no terreno, mas não no dinheiro. Os planos directores aprovaram aquela excepção, por ser para uma associação com serviço prestado num sector económico importante (argumento do antigo presidente Krus Abecasis), e agora fica a questão: pode-se vender um terreno a terceiros quando ele foi cedido para um certo fim e, por isso, contemplado com um regime de excepção? Só há uma forma de resolver esta complicada questão da cedência de terrenos/ imóveis municipais a associações (que já criou as célebres confusões com os terrenos para certos clubes de futebol): é criar regulamentos específicos bem feitos.
Para amanhã, deixo-vos uma notícia lamentável, que envolve a capital e o governo central.
ADENDA: entretanto, soube-se que a CML irá criar uma bolsa de arrendamento com regulamento (privilegiando os jovens) para os fogos em sua posse, c. de 2 mil, pondo cobro à discriccionariedade que antes reinava e que deu já origem a um caso polémico envolvendo a anterior vereação. É mais uma boa notícia, e prova como os regulamentos são importantes para a transparência de procedimentos, pedra basilar da democracia.

sábado, 8 de março de 2008

Cuidado com certos editorialistas

Hoje foi um dia histórico para o movimento sindical português e para a luta laboral de uma classe socioprofissional: os PROFESSORES. Quase dois terços estiveram no Terreiro do Paço. É impressionante! Estive lá e vi professores de todas as cores políticas e, sobretudo, ouvi gente a assumir que esta tinha sido a sua primeira manifestação da vida. Este movimento ultrapassa largamente a influência e a representação dos sindicatos.
Muito se tem escrito nestes últimos dias sobre educação. Toda a gente lançou opiniões, editoriais, ‘bitaites’… Por exemplo, dois directores de jornais de referência não se inibiram de debitar uma série de disparates representativos de uma concepção que aponta para o desmantelamento da escola pública: José Manuel Fernandes do Público propõe que se utilize a medida dos rankings dos exames nacionais para avaliar directamente os professores; já Henrique Monteiro do Expresso propõe que os professores sejam avaliados directamente por um futuro gestor de escola. Estas e outras declarações para além de extraordinárias são, sobretudo, preocupantes: porque se apropriam desta conjuntura de crise para anunciar o falhanço da escola pública, salientando que esta se deve transformar numa espécie de empresa que gere empregados (os profs) e clientes (os alunos). Para estes a culpa dos maus resultados do sistema tem um nome: a maldita pedagogia. Penso que os professores deveriam pensar muito bem nas consequências da pós-manifestação. Se embarcarem num discurso que enfatiza a crise, o mal-estar, a ineficácia do sistema, correm o risco de legitimarem perspectivas como estas.
Desde há muito que digo que um dos problemas deste Ministério não tem sido os princípios que defende mas a forma como os regulamenta, descurando, muitas vezes, o que à partida parecem ser meros pequenos pormenores. O que se conclui de toda este processo é que os detalhes valem tanto como os princípios. O exercício da política não pode menosprezar o impacto das pequenas coisas na vida das pessoas. O acumular de desentendimentos, frustrações, desmotivações, cansaços, etc., propicia um ambiente de permanente conflitualidade. O caso da avaliação é sintomático. O princípio da observação de aulas é excelente: porque põe a pedagogia e a competência científica no centro da actividade educativa. Mas a sua concretização é perversa porque entre outros aspectos: a) põe professores que actualmente são titulares (não por mérito mas por mera passagem administrativa) a avaliar a competência de outros professores; b) relaciona directamente a avaliação dos profs (e a sua consequentemente progressão na carreira) com os resultados obtidos pelos alunos. Um bom princípio transforma-se assim numa política geradora de novas e profundas injustiças.
De qualquer modo, é precisamente em nome dos princípios que os professores deverão ter o discernimento adequado para perceber quem é que está mais próximo das suas reivindicações enquanto defensores da escola pública: não serão certamente os interesses que certos editorialistas embandeiram.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Faltar Levas: o novo super-herói das escolinhas lusas

Agora que a algazarra já passou, e o tiro relativamente corrigido (trata-se de dar uma derradeira oportunidade aos alunos faltosos, faltando apenas saber a posição da avaliação contínua), nada como nos determos nesta pérola de Antero. Quem quiser seguir o folhetim terá que ir ao blogue Anterozóide, especializado no 'humor educativo', mas não só..
Cartoon de Antero

domingo, 16 de setembro de 2007

O salão nobre não sabe nadar, iô!

A Escola de Música do Conservatório Nacional, situada no lisboeta Bairro Alto, tem o seu salão nobre em avançado estado de degradação. Neste salão, inaugurado em 1881, já tocaram alguns dos melhores músicos portugueses, como Luís de Freitas Branco, Vianna da Mota, António Rosado, Artur Pizarro, Nuno Vieira de Almeida, entre outros. A sua excelente acústica tem sido elogiada por músicos e cantores estrangeiros. O salão foi já classificado pelo IPPAR, no entanto, as obras que foram anunciadas num Diário da República de 15/XII/2005 ainda não foram sequer iniciadas! Se não fosse triste dava um bom policial...
Sobre o assunto foi enviada uma carta aberta às ministras da Educação e Cultura, publicada este domingo no jornal Público, por iniciativa do Fórum Cidadania Lisboa e de cidadãos a título individual, incluindo este vosso peão. Chama-se "Salvem o salão nobre do Conservatório Nacional" e vale a pena ler (deixo aqui o link directo para o texto, via blogue Cidadania Lx). Quanto mais apoio tiver este alerta tanto melhor. Algumas imagens do estado actual podem ser vistas no fórum de debate do site do Fórum Cidadania Lisboa (vd. aqui).
Fala-se tanto em revitalizar Lisboa, reabilitar, etc. e tal, porque não começar pelo mais óbvio? A CML também podia ajudar, indagando em que pé estão as coisas (eu sei que é uma pergunta retórica, pois já se percebeu que não estão em pé nenhum, mas, enfim, sempre dá para começar a conversa...).
Nb: para mais informações vd. tb. este post do Cidadania Lx e os blogues valkirio e Guilhermina Suggia (deste foi retirada a 1.ª imagem; a 2.ª é do site Meloteca).

terça-feira, 27 de março de 2007

Os meios, os fins e as consequências (esperadas) da mudança no paradigma de políticas educativas





Tradução de um quadro retirado de:

Despite the Odds: The Contentious Politics of Education Reform, de Merilee Serrill Grindle (2004, Princeton University Press, p.6)

quarta-feira, 7 de março de 2007

Reinventar a roda

Há uns dias envolvi-me numa saudável e frontal polémica com o Renato sobre a "sociedade de conhecimento", o modelo de desenvolvimento para Portugal, a atitude da esquerda e da crítica em geral, entre outras coisas importantes. Sem querer voltar a este debate - que terá seguramente rounds futuros -, uma das coisas que disse numa caixa de comentários é que era importante que - mas isto não era uma crítica pessoal nem particularmente dirigida ao Renato -, quando as pessoas ultrapassavam a fase de simplesmente criticar para destruir e passam à saudável (direi mesmo: adulta) fase de pensar e/ou propor políticas e medidas alternativas, procurassem saber se aquilo que propõem por vezes como supostamente revolucionário não está já pensado, tematizado, escrito, e muitas vezes a (tentar) ser posto em prática. Não basta fazer críticas construtivas e exequíveis; é preciso que elas sejam informadas. É que muitas das coisas que as pessoas com genuína vontade de participar e intervir dizem podem ser já do domínio comum das políticas pensadas - e por vezes até em fase de implementação.

Este comentário vem a propósito do relatório que o Conselho Nacional da Educação entregou ontem na Assembleia da República e que dá conta do debate nacional sobre Educação, que decorreu pelo país e na internet entre Maio de 2006 e Janeiro de 2007. Os jornais de hoje estão cheios de informações sobre isto, por isso vou directamente ao que quero dizer: tirando algumas medidas interessantes que não fazem parte das neste momento das prioridades da actuação governativa (como por exemplo a de necessidade de valorizar mais a "educação primeira", a que vai dos 0 aos 3 anos, o que me parece uma ideia importante, dado que é nos primeiros anos de vida que as desigualdades cognitivas entre as crianças - e absolutamente decisivas no seu futuro desempenho escolar - começam, invisivelmente, a emergir), a maioria das coisas que é dita e proposta faz parte dos objectivos delineados e das medidas em curso pelo Ministério da Educação. O relatório, claro está, que se pretende independente e rigoroso, não tem que ser porta-voz do Governo. Mas a verdade é que as propostas surgem - num tom repetido pela imprensa - como se ninguém se tivesse lembrado delas antes, ou como se não houvesse, neste preciso momento, um Ministério a procurar colocar em prática inúmeras ideias ali avançadas. Em nenhum momento do relatório é dito que "a proposta X ou Y está a procurar ser implementada". É como se para além do "debate nacional da educação", não existissem medidas concretas cuja implantação começou em 2005.
Se virmos bem, isto acontece inúmeras vezes no debate político em Portugal - e representa um gasto de energias inútil, sobretudo quando a proliferação de propostas repetidas - mas nunca assumida como tais - é comparada com a ausência de avaliação justa e rigorosa - que não seja baseada no achismo ("ora eu acho que...") do costume - das medidas colocadas em prática.