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segunda-feira, 14 de março de 2011

Precariedade e confusões

A ideia de Vicente Jorge Silva da precariedade como condição da liberdade (ver aqui) é uma ideia confusa de uma mente confusa. A liberdade pode implicar precariedade. Mas a diferença entre precariedade voluntária e precariedade involuntária é a mesma entre não comer porque se está de jejum ou a fazer uma greve de fome e não comer porque não se tem dinheiro. Não é o mesmo uma pessoa largar um emprego porque quer «partir para outra» ou ser despedida.
A ideia de uma «geração rasca», porque um tipo decidiu mostrar o rabo numa manifestação de estudantes, foi outra ideia confusa de Vicente Jorge Silva. Quando Durão Barroso era um jovem alegadamente revolucionário e roubou móveis da Faculdade de Direito de Lisboa, ninguém se lembrou de chamar «geração ladra» à geração do actual Presidente da Comissão Europeia.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Por trabalho condigno, por uma sociedade decente

Os objectivos deste protesto não são, como os moralistas de serviço afirmam, o querer eternizar «privilégios» idênticos aos da geração passada (dos funcionários públicos, supõe-se).São apenas o justo desejo de acesso a um emprego e a luta por oportunidades mínimas de inserção social.
Depois dos apelos cândidos à participação da juventude, depois de tanto serem acusados de indiferença e alienação, agora que os jovens querem dizer «presente!»tornam-se motivo de displicência ou de sermões moralistas da parte daqueles que, na mesma idade, queriam «o impossível». 
Já não estamos perante uma «geração rasca», mas talvez perante o prenúncio de algo mais promissor. Algo que pode retomar (em novos moldes) aquilo que no Maio de 68 foi quebrado: a aliança entre a irreverência crítica da juventude estudantil e a revolta de uma força de trabalho precária, sem direitos e cansada de não ter voz.
Elísio Estanque,
nb: ilustração de gui castro felga.

terça-feira, 8 de março de 2011

Ainda mal apareceram e já começam a fazer estragos

Vale a pena pôr aqui a notícia toda, é pequena e esclarecedora, e sim, fazem bem em querer também falar, em 1968 era o estudante Alberto Martins (hoje ministro) que interrompia um ministro de Salazar na Universidade de Coimbra e sabemos como a liberdade de expressão e o pluralismo continuam a ser bens valiosos e insubstituíveis:
«Jovens acabam expulsos da sala
Movimento Geração à Rasca interrompe discurso de Sócrates
 
Perto de uma dezena de jovens do movimento Geração à Rasca manifestou-se hoje em Viseu, quando o secretário-geral do PS, José Sócrates, discursava sobre a sua moção política ao congresso do partido.
José Sócrates apenas tinha tido tempo para fazer os agradecimentos quando os jovens, munidos de um megafone, começaram a dizer: “Chegou a hora de a geração à rasca falar, isto é pacífico, só queremos falar”.
Os jovens foram colocados na rua pela segurança, queixando-se de terem sido agredidos.
“Eu fiz questão de dizer que era pacífico, mas fomos corridos a empurrões e houve uma rapariga que levou um pontapé”, lamentou aos jornalistas Paulo Agante, do movimento, que agendou para sábado uma manifestação anti-Governo».
nb: imagem de gui castro felga.

Quem tem vergonha de se saber a verdade sobre os falsos recibos verdes?

«PCP garante que censos vão esconder falsos recibos verdes», por Sofia Rodrigues

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ainda só se anuncia e já causa urticária

Porque será? Não andaram todos a falar duma canção dos Deolinda como porta-estandarte duma «geração» sacrificada? Então, agora não se queixem. Não venham dizer que o apelo está mal feito, que o anúncio é inaceitavelmente apolítico, como se só os políticos do estrado pudessem fazer jogo táctico. Honra ao Vicente Jorge Silva, pelo menos não o podem acusar de falta de frontalidade: «A liberdade paga-se com a precariedade». Depois do insulto gratuito sobre a «geração rasca», uma ode ao cinismo. Continuamos, portanto, num registo de vaudeville, que vai bem com a personagem e terá decerto o seu auditório gratificador.

Detalhes do evento na página no facebook do Protesto da Geração À Rasca e em «Manifestação a 12 de Março. Adesão ao protesto da “geração à rasca” já ultrapassa as 20 mil pessoas».

PS: ressalvar que a CGTP organiza outra manif, uma semana depois.

Adenda: agora também há quem diga não gostar da letra dos Deolinda, mas com argumentos de taberna (a ler neste post irónico).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Trabalho descartável, tendência lusa

«Portugal é o terceiro país da Europa com mais contratos a termo», por Ana Rute Silva