...amava-os tanto que até fizeram uma revolta republicana, há precisamente 117 anos. Assaltaram o antigo edifício da Câmara Municipal do Porto ao som da Portuguesa, subiram à sua varanda e saudaram a população que entretanto aí se tinha juntado. De seguida, foram suavemente reprimidos: alguém lhes terá feito saber, de forma civilizada como é apanágio das monarquias liberais (tradução: com canhoada, prisões e fecho de centros republicanos), que nestas reinava a ordem perfeita, com breves acidentes de percurso devidos à insanidade de uns quantos lunáticos, mas sempre no bom caminho - raramente duvidando e nunca se enganando.Como esta intentona não saiu vitoriosa, os malandros voltaram a reincidir, em 1908 e em 1910. Tiveram o desplante de se insurgir, entre outras coisas, contra um decreto do ditador João Franco (colocado no poder pelo mimoso D. Carlos I) que lhe conferia poderes de excepção, permitindo-lhe perseguir, prender e deportar (sem processo judicial) qualquer pessoa suspeita de republicanismo activo ou de mera insubmissão ao regime e ao governo. E não é que, da última vez, conseguiram vencer, co'a breca? Pior, desfizeram-se dos monarcas, que tanto carinho e rebuçados dispensavam ao povoléu, parece impossível. Pobres e mal agradecidos, é o que é.
Mais informações sobre este dia venturoso nos blogues Largo da Memória e Ponte Europa, e no site República e Laicidade.
PS: afinal, parece que já não há fanfarra do Exército nas novas festas monárquicas (vd. aqui). Salvem-se as peles e as lantejoulas, ao menos isso...
PS-II: o PR, esse não muda de rumo e foi inaugurar uma estátua do D. Carlos I-homem-dos-oceanos/da-pintura/benfeitor-incompreendido, lá para os lados da linha, com as tias e tios da marina. Aproveitem o Aníbal, enfiem-lhe um escafandro e enviem-no para o alto mar, que ele tem sempre o rumo certo.

