segunda-feira, 25 de março de 2013

É oficial, Chipre é de facto o primeiro país a sair do Euro.

...pelo menos é o que argumenta Paul Krugman (entre outros). Sinceramente, com cinco países em dezassete sob intervenção da Troika em três anos (e mais alguns em lista de espera) ainda acha que o Euro se vai aguentar? Eu também não.

sábado, 23 de março de 2013

João Honrado (1929-2013), o alentejano do MUD-Juvenil

Faleceu ontem um dos últimos membros mais destacados do MUD-Juvenil. Foi preso pela polícia política em 1947, na leva que também levou Mário Soares, Júlio Pomar, José Magalhães Godinho e outros para Caxias.
Seria preso novamente em 1949 e 1962, desta última havendo eco do seu discurso de resistência.
Foi um dos principais arautos da sobrevivência do Diário do Alentejo no início da década de 1980, jornal regional de referência.
Na imagem: reprodução de desenho de Júlio Pomar, feito na prisão a 11/V/1947.

Óscar Lopes (1917-2013): uma história literária inovadora e marcante

É um dos grandes pensadores portugueses que se vai, mas ainda não é o último humanista, calma. Felizmente, ainda há muitos por cá. Foi um ensaísta influente, sem esconder a sua essência: pensador marxista. Para si, tão importante quanto a literatura era a sua intervenção cívica antifascista. A História da literatura portuguesa, lançada em 1953, vai ficar como marco. A seu respeito, vale a pena ler os depoimentos de Carlos Reis, de António Guerreiro e de Isabel Pires de Lima.
Dele respigo uma reflexão premonitória sobre a Europa, com quase 15 anos:
«Como é que vê o futuro da Europa?
A vida está ser decidida por um grupo muito pequeno de pessoas. O Parlamento Europeu tem muita pouca expressão. Todo o problema europeu está na maneira como se constrói». (in Público, 8/VIII/1999)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Governo belga denuncia 'dumping social' na Alemanha: é bom saber-se tudo sobre o modelo que alguns querem impingir à Europa, para se poder optar em consciência

Le ministre de l’Economie Johan Vande Lanotte et la ministre de l’Emploi Monica De Coninck ont décidé de porter plainte devant la Commission européenne contre les autorités allemandes afin de faire cesser le dumping social dans ce pays. (in jornal belga Le Soir, 19/III/2013)
Nb: informação em português aqui.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ó sff, um novo amanhecer aqui para o sr. do canto!

Depois da 'solução' do Eurogrupo para o Chipre, em violação da regra decidida pela própria UE de não taxar depósitos abaixo de 100 mil euros, só resta uma saída, e não é só para o caso português. Isto se, porventura, tiverem ainda um pingo de decência. Se não tiverem, o que é o mais provável, terão que ser empurrados. Espero que por via da convergência de esforços, de programas alternativos e de eleições bem expressivas.
Nb: imagem retirada daqui.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Francisco, o 'amâricano': mudar alguma coisa para tudo ficar na mesma?

É o que parece ter sucedido com este veloz fumo branco que saiu de chaminé vaticana. A um bispo gerado em solo 'amâricano', positivo em termos de des-eurocentrização e do apoio a perseguidos pela ditadura militar argentina (apesar do seu alegado envolvimento em casos denunciados por jornalistas e grupos de defesa dos direitos humanos: cf. aqui e aqui), contrapõe-se o perfil ortodoxo em termos 'fracturantes' (ivg, casamento igualitário) e, last but not the least, uns costados já vergados por 76 velinhas. Mas, então, espera aí: não se disse que a resignação de Bento XVI era devido também ao cansaço? O 'novo' tem a mesma idade... Nova solução de transição ou um sopro renovador, ainda que não extensível às questões fracturantes?
Nb: este post foi corrigido na parte relativa ao seu passado na ditadura militar e na pergunta final.

Memórias da autoconstrução

João Baía lança hoje o seu livro SAAL e autoconstrução em Coimbra - memórias dos moradores do Bairro da Relvinha 1954-1976, versão revista da sua tese de mestrado. A apresentação cabe à historiadora Luísa Tiago de Oliveira, especialista em História oral, e ao cineasta João Dias, autor de documentário sobre a autoconstrução no Porto. O local é a livraria Pó dos Livros, em Lisboa, pelas 18h. Mais info aqui.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Meia derrota

Por muita simpatia que me possa suscitar, este tipo de discurso de Boaventura Sousa Santos é meia derrota. Se queremos, à esquerda, uma sociedade decente (mais igualitária, mais justa), e diametralmente oposta à que nos é imposta actualmente, temos que saber responder à questão: "como é que vamos pagar por essa sociedade decente?". E a boa notícia é que respostas não faltam. Por que raio estar a pôr-se à margem do debate económico? Sim, este discurso "a vida está acima da dívida" é apenas a recusar o debate económico por razões morais e ideológicas, é enfiar a cabeça na areia tipo avestruz. Isto é um tiro no pé, porque se há coisa que esta crise mostra é que a política actual é, para além de injusta e iníqua, MÁ POLÍTICA ECONÓMICA. A produtividade baixa (recessão), a dívida aumenta (ao contrário dos objectivos anunciados), e o desemprego dispara. A esquerda tem que pôr o debate económico no centro do debate político. As políticas económicas que deviam ser da esquerda já nos tiraram de crises como esta (New Deal, Marshal Plan, etc...). Há bons economistas de esquerda com propostas para sair desta crise, Paul Krugman, Joe Stiglitz (os dois são Nobel), Yanis Varoufakis, etc... A esquerda devia recuperar essas propostas e pô-las no centro do debate em vez de divagar em diletantismos estéreis.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O povo é quem mais ordena

Sábado próximo, as ruas de Portugal e arredores voltarão a transbordar, de rios de gente aspirando a um país melhor, mais justo e solidário. O convite vem dum novo movimento social em que muitos se revêem e que já deixou marca. Fica aqui a parte inicial do convite:
Um grupo de pessoas convoca um processo de mobilização e manifestação contra a troika e a austeridade para o próximo dia 2 de Março.
Em Setembro, Outubro e Novembro [de 2012] enchemos as ruas mostrando claramente que o povo está contra as medidas austeritárias e destruidoras impostas pelo governo e seus aliados do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu – a troika.
 Derrotadas as alterações à TSU, logo apareceram novas medidas ainda mais gravosas. O OE para 2013 e as novas propostas do FMI, congeminadas com o governo, disparam certeiramente contra os direitos do trabalho, contra os serviços públicos, contra a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, contra a Cultura, contra tudo o que é nosso por direito, e acertam no coração de cada um e cada uma de nós. Por todo o lado, crescem o desemprego e a precariedade, a emigração, as privatizações selvagens, a venda a saldo de empresas públicas, enquanto se reduz o custo do trabalho.

 Não aguentamos mais o roubo e a agressão (continuar a ler).
Haverá desfiles em dezenas de cidades portuguesas, e ainda em cidades europeias (Barcelona, Paris, Londres) e americanas, como Boston. Mais informações e textos de subscritores da iniciativa no site oficial do movimento.

Calem-se os agoirentos, já há governo em Itália: Berlusconi será ministro da justiça...

... em mais uma missão de sacrifício em prol do país! Por seu turno, Bossi será ministro do desporto e agricultura. Temos ou não temos patriotas? Está visto, os maledicentes podem arrumar as botas.

Grândola, a tua vontade

Tem feito caminho a tese de que «Grândola, vila morena» não pode ser usada em democracia, pois foi feita em tempo de ditadura e só aí faz sentido. Dã?
Quem diz estas coisas já parou um instante para matutar no que disse? Já leram a letra? Essa canção de José Afonso é uma canção de intervenção e, como qualquer canção desse género, pode ser usada em qualquer contexto. Sendo uma canção de intervenção ligada umbilicalmente à oposição de esquerda à ditadura salazarista é compreensível que a oposição de esquerda actual que se reconhece nesse legado de luta se sinta no direito (e, para muitos, no dever ético) de a usar.
É que, para muitos portugueses, cada vez mais, este governo perdeu a sua legitimidade político-social (que não eleitoral) para governar em seu nome, e querem que o governo sai ou substitua as suas políticas de austeritarismo assimétrico por políticas de desenvolvimento e justiça social.

Outra ideia estapafúrdia é a de que as pessoas que a cantam estão a censurar quem quer falar. Como disse? Esta é bem torcida: não e não! Depois dos manifestantes cantarem, quem quer falar pode fazê-lo, tem é que aguentar um bocadinho (sendo pago com o dinheiro dos contribuintes, não há-de ser essa espera que nos há-de fazer mossa na bolsa). Todos temos direito à liberdade de expressão, certo? Então? Sobre esta questão vale a pena ler este excelente texto de Viriato Soromenho Marques chamando a atenção aos condoídos com o personagem Relvas para o deve e haver das feitorias do mesmo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Afinal não é oferta de emprego, são só vias ínvias de traficar contratos para imigrantes?!

«Fábrica de plásticos procura Nobel da química. Salário mínimo garantido», por Daniel Oliveira

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Portugal, um país cheio de classe

Na próxima sexta-feira, Manuel Carvalho da Silva e Rui Tavares apresentarão em Lisboa um oportuno livro, Portugal, uma sociedade de classes – polarização social e vulnerabilidade, edição conjunta do Le Monde diplomatique e das Edições 70 (será no espaço CES–Lisboa, Picoas Plaza, R. do Viriato, 13 lj 117/118, pelas 18h; convite aqui).
O livro foi organizado por Renato Miguel do Carmo e conta com 10 contributos de outros tantos autores.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Immanuel Wallerstein em Lisboa (ou o tempo que o capitalismo leva a definhar)

É já amanhã que o sociólogo Immanuel Wallerstein vem conferenciar ao Portugal em coma sobre a «Crise e reconfigurações no âmbito do Sistema-Mundo» (Fundação Calouste Gulbenkian, auditório 2, 18h30-20h30).
Haverá emissão em directo da conferência via internet (aceder em http://live.fccn.pt/fcg/, para utilizadores do sistema operativo Windows; ou em rtsp://wms.fccn.pt/fcg, para sistemas operativos baseados em Linux).

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Boa safra eleitoral: Merkel com nova derrota e Israel sem 'onda' bélica

Saiu-lhes o tiro pela culatra e é bem feito.
Merkel esperava manter o predomínio político-partidário no influente e populoso lander da Baixa Saxónia, só que o 'volteface' da realidade transferiu a maioria para o bloco de centro-esquerda e, melhor ainda, retirou-lhe a maioria nas duas câmaras. Agora, pode ser vetada e alvo de contra-medidas legislativas. Aumenta a pressão sobre os seus desmandos e a sua alardeada renovação presidencial.
Quanto a Israel, também os media mais preguiçosos davam 'onda' de direita, a cavalgar o belicismo anti-palestiniano. Afinal, o novo parlamento ficou equilibrado e o actual líder belicoso estará a sentir um amargo de boca: «Sondagens dão vitória a Netanyahu, partido de centro-esquerda Yesh Atid surpreende».

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Porque um país precisa de educação pública decente...

... vem aí nova Manif Nacional de Professores, a 26 de Janeiro, no Marquês de Pombal- Lx, 15h.
E porque a acção cívica e política em prol duma educação decente não se deve resumir às manifestações, por muito importantes que estas sejam, aconselho a leitura deste post de João Tilly, porque tem propostas merecedoras de reflexão.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A sociedade civil «crítica, exigente e madura» que eles andam a escutar...

Piou cá para fora esta manhã que o governo decidiu 'reservar' o acesso ao seu encontro de abertura à «sociedade civil». Caiu logo um coro de críticas, sem fundamento nem tino, como diria o VPV. Nós adiantamo-nos ao inefável VPV e mostramos na imagem como tudo decorre sob normalidade.

Afinal de contas, qual é a composição da dívida pública portuguesa?

Essa resposta será dada no próximo sábado, no I Encontro Nacional da Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida, que decorrerá no Instituto Franco Português, em Lisboa.
Entretanto, está já disponível uma entrevista a um dos membros desta plataforma, o economista Nuno Teles.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Estamos metidos no faroeste...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Paulo Rocha (1935-2012): mestre do cinema novo


Só por Verdes anos (1963) e Mudar de vida (1966) já teria valido uma carreira. Mas houve mais. Um mestre para muitos cineastas, apesar da sua notória discrição.
Na imagem, reprodução de frame do filme Verdes anos, da parte introdutória do mesmo. O campo às portas do Areeiro, uma das portas da cidade de Lisboa, capital do império. Com música de Carlos Paredes e argumento do cineasta e de Nuno Bragança. Filme completo aqui.
Apresentação do belíssimo Mudar de vida, com depoimento de Paulo Rocha, aqui.