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sábado, 15 de setembro de 2007

Lisboa também é chinesa

A comissária municipal para a Baixa/Chiado, Maria José Nogueira Pinto, avançou a ideia de se impor uma quota de lojas chinesas na Baixa Pombalina e de se equacionar uma «Chinatown» noutra zona de Lisboa.
Discordo da ex-vereadora do CDS-PP na capital, entretanto convidada pelo actual presidente de Câmara, António Costa, para dirigir o projecto de revitalização da Baixa-Chiado.
As medidas propostas parecem-me descabidas e contrariam uma das virtudes de Lisboa: tornou-se uma capital cosmopolita, cujo espaço público é partilhado e apropriado por pessoas de diferentes proveniências, sem a segregação ostensiva verificada noutras paragens. Casas comerciais com proprietários, empregados e produtos de diferentes origens encontram-se relativamente disseminadas pelos vários bairros da capital, da Baixa ao Lumiar e do Oriente a Belém.
Impedir o livre estabelecimento na Baixa/Chiado de lojas chinesas contraria princípios básicos de liberdade, de convivência social, de livre iniciativa e de livre concorrência (cá está uma posição de direita muito pouco liberal!). A CML faria melhor se promovesse a habitação para jovens na Baixa... Esta sim, seria uma medida sensata para ajudar a revitalizar o centro histórico de Lisboa, criando mais emprego e comércio, seja o chamado comércio tradicional ou outro...
Querer confinar o comércio de origem chinesa numa zona da cidade é remeter esse comércio para o domínio do exótico, quando ele faz parte integrante da vida da cidade. Além disso, é impor politicamente um modelo no qual os cidadãos lisboetas, mais ou menos recentes, não se revêem.