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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Blanc ou Royal? Cobardia ou maquiavelismo? Só falta algumas horas para saber.

François Bayrou, à l'issue du duel télévisé : "Je ne voterai pas pour Sarkozy"

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Só pode ser coincidência...

O dia de hoje (quinta) tem sido uma sequência de acontecimentos "bizarros" a propósito do debate entre Ségolène Royal e François Bayrou. Royal, num acto que me parece de grande inteligência e democraticidade, propôs um debate público com Bayrou. Um debate para discutir o posicionamento do terceiro candidato mais votado na primeira volta. Esse debate pode servir para establecer pontes entre os dois, eventualmente um apoio de Bayrou, com o mérito de ser feito de forma aberta e transparente, e não nas costas dos eleitores. Há acordo entre Bayrou e Royal para o debate, e aí começam as coisas esquisitas. Primeiro Royal propôs um encontro sexta-feira, por ocasião de um forum com a imprensa regional, Bayrou aceitou, é o sindicato da imprensa regional que recusa o debate. Ségolène Royal e Bayrou chegam novamente a acordo para um debate na televisão, sábado no Canal +, mas é a direcção do Canal + quem anula o debate, por indicação do Conselho Superior do Audiovisual. Estranha esta situação em que os intervenientes estão de acordo para que se faça o debate e são os media quem impede que ele se realize. Obviamente que é a Sarkozy que este debate não interessa nada. Não é de agora que Sarkozy tem uma grande inluência nos media, e do lado dos socialistas já surgiram acusações de pressões sobre os media para que não haja debate Royal - Bayrou. Se isso é verdade é um tiro no pé (digo eu...), ou então estariamos numa situação muito grave para uma democracia se o debate acabasse por não se realizar.

Adenda: O Conselho Superior do Audiovisual negou ter dado qualquer indicação ao Canal + para que o debate não se realizasse, a inteira responsabilidade é do próprio Canal +. Entretanto há de novo acordo entre Bayrou e Royal, e um outro canal de televisão para um debate sábado à tarde, vamos a ver se se mantém...

Um bocadinho...

de terrorismo...

Três indicadores positivos

1. Depois das sondagens de domingo relativas aos resultados da segunda volta darem a entender que Sarkozy detinha uma vantagem apreciável (o score variava entre os 54% e os 56%), uma sondagem mais recente aponta para a diferença mínima 51%-49%. Credível ou não, valha-nos pelo menos o seu valor performativo, dado que permite à campanha de Ségolène ganhar mais confiança face um cenário, para já, e segundo estes valores, ainda bastante em aberto.

2. Sarkozy recusou um debate público com Bayrou. É difícil perceber exactamente o que explica esta recusa, mas é possível que Sarkozy temesse que ficassem à vista de todos diferenças entre os dois candidatos, e é provável que existam indicações credíveis de que Bayrou não lhe estenderia a passadeira vermelha. Na TV, isso poderia ser letal. Para mais, a justificação de Sarkozy para a recusa é torcida:

"Dans une compétition de football, il y a une finale entre le numéro un et le numéro deux" et "le numéro trois, il fait autre chose, mais il n'est pas dans la finale", a-t-il expliqué. "Dans l'urne, il n'y aura pas de bulletin de M. Bayrou", a tenu a rappeler M. Sarkozy.

Sarkozy esquece-se que o senhor que não vai estar no boletim de voto pode decidir a eleição.

Entretanto, Bayrou já aceitou encontrar-se nesta sexta-feira com Ségolène, e pretende que o encontro seja transmitido na televisão.

3. Sarkozy e outras personalidades do UMP já vieram criticar Bayrou por não ter dado indicação de voto. Isto pode querer dizer que Sarkozy e os seus temem - eventualmente apoiados em sondagens a que só eles terão acesso - que, sem indicação explícita de Bayrou para o apoio ao candidato da UMP, os votantes no candidato centrista virem à esquerda.

terça-feira, 24 de abril de 2007

E se ganhar Sarkozy?...

Começaram os gestos de cortesia de Sarkozy e Ségolène para com Bayrou, que pensa já nos trunfos que pode garantir nas eleições legislativas. Se contar o passado histórico das formações políticas e o seu "interesse partidário", é provável que Bayrou apoie Sarkozy; se contar o seu sentido de dedicação à causa pública, Bayrou devia apoiar Ségolène. Tudo porque é altamente duvidoso que Sarkozy consiga fazer alguma mudança de fundo num país como a França. Não é a questão da "liberalização" que ele promete ou deseja - mais ou menos explicitamente - ser "boa" ou "má". Nesta altura do campeonato, com a "balkanização" dos estatutos profissionais, dos contratos laborais, das regulações dos diversos mercados, uma liberalização bem feita, de acordo com critérios transparentes, não traria grandes males. A questão não é tanto essa. O problema é que reformar um país como a França não é como reformar, por exemplo, o Reino Unido, como fez Thatcher há quase 30 anos. O nível de potencial conflitualidade social, o poder de veto de diferentes parceiros sociais e o grau de stickiness das instituições é tal que só uma abordagem negociada é que permitiria fazer reformas bem feitas. É improvável que Sarkozy consiga ter capacidade negocial para enfrentar as resistências previstas, e é improvável que os "resistentes" queiram negociar com Sarkozy. Prepara-se para ficar tudo na mais ou menos na mesma, sujeito à lógica do sinuoso muddling through, não apenas por mais 5, mas eventualmente por mais 10 anos, dado que, tradicionalmente, quem cumpre o primeiro mandato, acaba por estar em vantagem para ser reeleito (vide Mitterrand e Chirac).
A única coisa positiva seria talvez o impacto no PSF de mais uma travessia do deserto; talvez o partido fosse capaz de se refundar, iniciar um debate político com os seus congéneres europeus, pensar do início alguns princípios - como levar a sério o princípio da redistribuição e da defesa dos mais fracos e preocupar-se menos com a classe média-alta, esse tal grupo de "explorados" que está entre os 25% mais ricos e que vê qualquer medida que mexa nos seus bolsos como um ataque "neoliberal". O PSF gosta de se ver na vanguarda, mas na verdade muitos dos princípios que defende, mais ou menos implicitamente estatistas, já deviam ter dado lugar a uma estratégia social-democrata - nos países nórdicos que os socialistas franceses gostam de elogiar (mas sem grande convicção: é sempre numa lógica de dizer que o modelo americano não é "único") isso já aconteceu há mais de meio século. A lógica não devia ser "resistir" ao capitalismo (através do Estado: o que leva a proteger uns e deixar os outros de fora, precisamente os mesmos que pagam a protecção dos primeiros...), mas melhor compreendê-lo para o melhor "instrumentalizar", com o objectivo de cumprir os objectivos de crescer economicamente e reduzir as desigualdades. É que, hoje, a França não está a fazer nem uma coisa nem outra.

sexta-feira, 23 de março de 2007

E por falar em vazio de ideias

Debatia-se há pouco tempo aqui no Peão a falta de ideias, no caso do governo português, e chegou-se ao consenso - pareceu-me - que o problema não era tanto o vazio de ideias, mas ausência de debate. Parece-me agora que em França, com François Bayrou - a tal supresa das sondagens que entretanto deixou de o ser - estamos perante um genuino vazio de ideias. Continua a não se conhecer a Bayrou um programa político digno desse nome, das poucas vezes que apresenta propostas concretas é uma cravo outra na ferradura. Tentando apresentar-se como centrista tenta agradar ao mesmo tempo à direita e à esquerda, ao patornato e aos trabalhadores. Mas a melhor maneira de se manter ao centro é não se comprometer nem com a direita nem com a esquerda, não se comprometer com nada nem com ninguém e dizer apenas vacuidades agradáveis ao ouvido. Por exemplo quando Jacques Chirac anunciou que não se recandidatava François Bayrou foi convidado para estar em directo no telejornal para uma reacção à decisão de Chirac. Quando interpelado sobre o seu próprio programa político Bayrou começa por dizer que "Não gosta de política de geometria variável" e continuou por ali a fora a dizendo defende a coerência, e mais, que está na vida política por valores e princípios. A jornalista não achou pertinente perguntar-lhe que valores e princípios eram esses, mas se o tivesse feito advinha-se que teria seguramente evocado os princípios da democracia e da república francesa. Outro qualquer candidato teria dito a mesma coisa e ficariamos sem saber em que é François Bayrou diferente dos outros, antes assim. Mais recentemente na sua visita ao forum dos estudantes Bayrou avançou com a ideia de criar um ministério específico para lidar com as expectativas da sociedade francesa, é uma excelente maneira de não apresentar as suas propostas para ir de encontro a essas expectativas, mas fico na intrigado sobre qual seria o nome a dar a esse ministério; Ministéria das Expectativas da Socidade Francesa?, Ministério da Escuta dos Anseios da Sociedade Francesa?, ou Minisitério do Diz-me o Que Queres Mas De Momento Não Tenho Nenhuma Proposta Concreta Para Resolver o Teu Problema Mas Vou Pensar no Teu Caso? Seria realmente uma inovação no sistema político.
Pessoalmente também acho que a intenção de voto em François Bayrou é volátil, aliás nas ultimas sondagens já começou a descer (pelo menos nas sondagens de quatro institutos: IFOP, IPSOS, BVA e CSA - ver no excelente site de sondagens do Le Monde). Parece-me perfeitamente natural que os eleitores indecisos neste momento confundam ainda Bayrou com a sua indecisão, tem tudo a ver. Mais ainda quando as há uma forte polarização das duas principais candidaturas, Nicolas Sarkozy à direita e Ségolène Royal à esquerda, abre-se caminho para indecisos ao centro. Mas é natural que conforme diminuirem os indecisos de diminua também a votação em Bayrou. Por outro lado, se por ventura François Bayrou passa à segunda volta, seja com Nicolas Sarkozy seja com Ségolène Royal, provavelmente ganha, é a vantagem de estar ao centro.

P.S. - E é bom não esquecer que a UDF, partido de Bayrou, na Assembleia tem apoiado sitematicamente o governo da maioria de direita, na prática a UDF de centrista tem muito pouco.

sábado, 10 de março de 2007

Isto ainda vai acabar mal

François Bayrou est pour la première fois à égalité avec Ségolène Royal en terme d'intentions de vote au premier tour de la présidentielle avec 23 %, selon un sondage Ifop-Fiducial pour Le Journal du Dimanche à paraître le 11 mars et réalisé les 8 et 9 mars. Les candidats centriste et socialiste sont toutefois précédés par Nicolas Sarkozy qui reste en tête des intentions de vote à 28 %.