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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

É sexta-feira (emprego bom já)

Eles enterram o País o povo aguenta
Mas qualquer dia a bolha rebenta
De boca em boca nas redes sociais
Ouvem-se verdades que não vêm nos jornais

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Tributos a José Afonso, 25 anos depois



Zeca: 25 anos depois

Organização: Associação José Afonso. Apresentação Helder Costa.
Ver cartaz.
Lisboa, Academia Santo Amaro (R da Academia Recreativa,de Santo Amaro 9, Alcântara), 21h.

Sessão de evocação de Zeca Afonso pelo 25º aniversário do seu desaparecimento

Por Viriato Teles, jornalista e escritor.
Lisboa, Biblioteca-Museu República e Resistência, 18h.

Tributo a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira

Ver programa.
Braga, Theatro Circo, 21h30.

domingo, 24 de abril de 2011

Mega-documentário sobre Zeca Afonso na RTP1

É já um acontecimento a exibição de «Maior que o Pensamento», documentário de Joaquim Vieira sobre o cantautor José Afonso. Tem 3 episódios, que serão mostrados a partir desta noite e nas duas noites seguintes.

Mais informação na página da RTP e na crónica de Nuno Pacheco, no P2 de sexta-feira no Público (infelizmente, este último texto só está acessível para assinantes).

terça-feira, 8 de março de 2011

Nós queremos que as pessoas acordem e não se resignem

Quem acha que os Homens da Luta não são música de intervenção tem que ouvir esta excelente entrevista ao vocalista e mentor Gel/ Nuno Duarte.

Já agora, boa viagem à Alemanha e aproveitai para pregar uma valente partida à imperatriz Merkel! Seria ouro sobre azul.

Ah, e bom Carnaval para todos!

domingo, 6 de março de 2011

«Contra a reacção», marchar na Eurovisão!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tour-de-force de Fausto no Festival Música e Revolução

«Fausto: a cantiga ainda é uma arma», por João Pedro Barros

domingo, 2 de maio de 2010

Grupo de Acção Cultural: a música da revolução

Há alguns meses que queria escrever sobre este grupo que juntou parte dos melhores músicos dos anos 70, com José Mário Branco à cabeça, num projecto de composição e canto colectivo no período revolucionário. Agora surgiu o pretexto ideal: a publicação em 4 cd's da discografia (quase) completa, i.e., abrangendo os 4 lp's saídos entre 1974 e 1978: «A cantiga é uma arma», «Pois, canté!», «Vira bom» e «Ronda da alegria!!» (chancela da i play). Toda a informação sobre esta edição atribulada mas de grande oportunidade musical aqui. E digo oportunidade dado o contexto actual de recuperação da memória de tempos cidadãos (incluso nos concertos Três Cantos) e porque as novas gerações estavam sem acesso a essas músicas, uma vez que só existia edição em vinil (e umas quantas audições fanhosas no youtube, como esta, esta e esta).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Um trio memorável

Foi memorável a série de 4 concertos que juntou Fausto, Sérgio Godinho e José Mário Branco em Lisboa e Porto no outono passado. Por várias razões: a projecção dos artistas e sua diversidade de estilos; a riqueza da selecção do repertório (combinando músicas de que cada um gostava, de si e dos outros dois, com inéditos individuais ou em parceria, além de José Afonso); a qualidade das letras, músicas e arranjos; a valia do alargado conjunto de músicos acompanhantes; o caloroso público intergeracional (pese a maior presença de cinquentões e sexagenários); a raridade deste tipo de encontro, após os momentos de comunhão revolucionária de 1974/5 (mas também do exílio parisiense, no caso de SG e JMB). E, last but not least, a pertinência da música de intervenção e da sua articulação com baladas e outras canções.
Por tudo isto, a adesão foi imediata e maciça: os concertos lotaram com antecedência; o duplo cd tornou-se, num ápice, disco de ouro e líder de vendas; a caixa cd+dvd segue de vento em popa, etc.. O registo dum desses «Três cantos» foi recentemente divulgado na RTP1, seguido do documentário Faz tudo parte, de André Godinho. Aquele permitiu perceber melhor as letras, certos detalhes, enquanto este último deu lugar às opiniões, memórias e imagens bem antigas dos cantautores.
Por tudo isto, faço votos para que os 3 se voltem a juntar. Se assim for, que em Lisboa seja noutra sala, no Coliseu, por ex.. Estive no 2.º concerto do Campo Pequeno e fiquei com a impressão de não ser um bom espaço para um concerto destes: os lugares são muito apertados, as vozes não se ouvem bem, é demasiado grande. E este voto que faço não é por saudosismo, mas sim pelo que expus acima.
Deixo-vos o alinhamento do espectáculo nas suas duas partes (repetido nos 2 cds), com links para o registo em concerto dalgumas delas (+na lista de Fernando Marques de 6/XII):
Travessia do deserto 2 Ser solidário
Como um sonho acordado 3 De não saber o que me espera
A barca dos amantes 4 Olha o fado
Mariazinha 5 Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Rosalinda 6 Foi por ela
Quatro quadras soltas 7 Que força é essa
Canto dos Torna-Viagem 8 Eu vi este povo a lutar (Confederação)
A ilha 9 Maré alta
Não canto porque sonho 10 Inquietação
O charlatão 11 Na ponta do cabo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Da enciclopédia ao museu?

A monumental Enciclopédia da música em Portugal no século XX é hoje apresentada em Lisboa (Teatro S. Carlos, 19h), após 12 anos de trabalho duma equipa de 151 colaboradores dirigida pela Prof.ª Salwa Castelo-Branco (do Instituto de Etnomusicologia da FCSH-UNL). A obra, em 4 volumes, tem 1440 páginas, mais de 1250 entradas, 550 imagens e índices temático e onomástico. Segundo nota informativa, abrange as músicas erudita, popular, tradicional, o folclore, o pop-rock, o jazz, o fado, a canção coimbrã e a música nas comunidades migrantes. Aborda ainda «modos expressivos em que a música desempenha um papel central, como a dança, o cinema e o teatro». Por tudo isto, e pela qualidade do trabalho, é a 1.ª «grande obra de referência dedicada à música praticada em Portugal» no século passado.
Em depoimento ao DN, Salwa Castelo-Branco alertou para a necessidade de se preservar em museu próprio os registos sonoros dessa centúria: «Espero que sirva para que o Governo leve a sério a necessidade de se criar um museu. É preciso um arquivo sonoro e eu ando há muitos anos a pedi-lo. Há muito que faz falta um Museu de Música, um local que reúna a história musical dos últimos 100 ou 110 anos, desde que se inventou o gramofone».
Só o 1.º dos 4 volumes editados pelo Círculo de Leitores será hoje apresentado. Os restantes volumes chegarão em Março (letras C a L), Maio (L-P) e Julho (P-Z). Cada volume custará aos associados entre 24,9€ e 29,9€, chegando depois às livrarias do Círculo e da Temas & Debates.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

80 anos de Zeca

Há uns tempos atrás, em conversa com amigos galegos e portugueses, apercebemo-nos algo contristadamente que a celebração de José Afonso em terras lusíadas era uma prática discreta, ao passo que na Galiza era ainda uma figura muito popular e exaltada. Parece-me que esta é uma percepção que já terá passado na mente de muitos portugueses. Pois bem, na de alguns de certeza: recentemente irrompeu um projecto singular de tributo ao cantautor da resistência e revolução, há muito desejado por muitos. Trata-se do projecto «80 anos de Zeca», que assim se apresentou: «Somos um conjunto de entidades que decidiram juntar-se para celebrar a vida dos 80 anos de José Afonso, entre 2 de Agosto de 2009 e 1 de Agosto de 2010».

Para que conste, tem este blogue homónimo, onde apresenta a programação mensal e lista as dezenas de associações e simpatizantes que aderiram a esta iniciativa. E já tanta música correu nessas linhas, e nós na ignorância até revermos o blogue de jrd... Ainda se vai a tempo de apanhar o comboio, descendente...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Quando o humor inesperado esmiúça a campanha, e tem um ar revolucionário, dá confusão na certa

Foi o que sucedeu esta tarde à dupla «Homens da luta», na sessão de campanha de Zé Socas no Seixal. A coisa deu balbúrdia tal que a sessão acabou mais cedo (ver vídeos aqui e aqui; notícia aqui).

«Homens da luta» são, entre outros, o cantor Neto (aka Jel) e o músico Falâncio (aka Nuno Duarte), cujo singularidade humorística reside em andarem pela rua a improvisar canções de nonsense revolucionário, de megafone em riste e guitarra, e em provocarem as pessoas com isso. O programa que os projecta, «Vai Tudo Abaixo: os Homens da Luta», já tem anos, passa actualmente no Sapo Vídeos, estreou-se na SIC-Radical e tem resmas de vídeos na Internet. Mas há quem não dê por isso e não tenha sentido de humor.

Já agora, e para quem os quiser conhecer melhor, aqui fica uma dica: a canção «E o povo, pá?».

domingo, 24 de maio de 2009

Últimos dias para ver As operações SAAL, de João Dias

O excelente documentário As operações SAAL (2007), de João Dias, está em exibição no Cinemacity Classic Alvalade (ex-cinema Alvalade, Lx) até ao próximo dia 27 (sessões às 19h15 e 21h45).

Tal como referi aqui aquando da sua exibição na Fábrica Braço de Prata, o SAAL (Serviços Ambulatórios de Apoio Local) foi uma estrutura estatal criada a seguir à revolução de 1974 para auxiliar logisticamente e financeiramente o processo de auto-construção de novas casas por comunidades interessadas em mudar os seus péssimos núcleos habitacionais. Rapidamente se estendeu por grande parte do país urbano: Porto, Coimbra, Lisboa, Montijo, Setúbal, várias cidades do Algarve, etc.. Além das próprias populações e suas associações representativas, este projecto envolveu arquitectos e outros técnicos destacados pelo Estado central.

Sobre o tema, já Cunha Telles tinha realizado Os índios da Meia-Praia, (1976), incidindo numa comunidade piscatória de Faro, a autoconstrução colectiva de moradias para si próprios e a criação duma cooperativa. Apesar de 31 anos separar os dois documentários, eles acabam por se complementar, o primeiro numa toada mais impressiva, imediata e política, o segundo já com uma maior carga reflexiva e 'técnica' sobre aquilo que foi uma experiência pioneira nas políticas públicas a nível internacional. Dada a tendência para os documentários em torno da arquitectura e do urbanismo serem à volta dos grandes 'arquitectos-artistas', cabe elogiar a extensa recolha de depoimentos de pessoas comuns dessas comunidades, para além da meticulosa recolha documental e do bom equilíbrio entre diferentes fontes, mesmo entre os arquitectos envolvidos, revelando assim as diferentes perspectivas ideológicas que eles próprios tinham da sua missão. O filme dura 75 m. e pode-se ter uma ideia do mesmo neste trailer.

Agora que tem estado na ordem do dia a questão dos «bairros sociais críticos», eis uma boa oportunidade para se repensar essa questão dum modo mais abrangente, dentro do quadro que mais sentido faz: a da indispensabilidade de políticas sociais de habitação/ habitat/ urbanismo envolventes e não reduzidas à replicação de guetos e à securitização da questão social.

Nb: na imagem, reprodução de autocolante duma associação de moradores, com uma «palavra de ordem» corrente na época e mote de canção do Grupo de Accção Cultural, registada no álbum «Pois canté!!» (1976).

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A canção do momento é um xuto no sr. engenheiro

Está a causar furor a canção «Sem eira nem beira», do novo álbum dos Xutos & Pontapés, 30 anos à nossa maneira, lançado na semana passada. É uma canção de intervenção (sim, de intervenção!), que muitos vêem como um manifesto anti-governo português. As apropriações são imparáveis, bem como as irritações... Os Xutos demarcaram-se apenas quanto ao aproveitamento político-partidário e a ser vista como um ataque directo ao premiê português, não quanto ao seu carácter de crítica política e social. Para o tira-teimas, atente-se na letra picante (vd. em baixo) e nas declarações dos músicos aqui.
*
Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro 
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão