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terça-feira, 2 de março de 2010

O ridículo também devia ser multado

Ouvi no noticiário de hoje e não queria acreditar. A partir de agora a PSP vai passar a multar os peões que não atravessem as ruas nas passadeiras do Portugal ordeiro, obediente e geométrico.
Para além do Código da Estrada estipular isso há anos e nada ter sucedido entretanto, não se percebe como as 52 mortes por atropelamento em 2009 podem ser tidas como o Rubicão da caça à multa a transeuntes menos convencionais. São 150 euros a desembolsar por quem vai apressado, incluindo as velhotas imprevidentes, que também têm direito ao seu ritmo e à sua rebeldia para com os ritmos alheios. Que dizer das velhotas que levantam a sua pensão nas estações de correios? Quando atravessarem caoticamente a rua dos CTT serão rigorosamente multadas e verão esvaziar-se o porta-moedas? É isso?
Nem sei bem o que é mais ridículo. Se a desproporção, se a falta de aposta em políticas preventivas e dissuassoras do uso de veículos.
Diz-se que o ridículo mata, mas se fosse apenas multado, não haveria polícia no Portugal ordeiro, obediente e geométrico que nos querem impingir.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Street-level analysis

«(...) mesmo se todas as políticas fossem as correctas, nenhum iluminado, nenhum "novo Marquês", mudaria o país por decreto. O problema reside, como sempre, nos portugueses e na sua cultura de dependência e mão estendida, de fé no desenrasca e de preguiça face ao trabalho árduo e rigoroso. Aí o Governo só pode actuar pelo exemplo. Ora no que a tal toca...»

Estas são as palavras finais do editorial de José Manuel Fernandes do "Público" de hoje. O tom diz tudo: qual conversa de café ou de taxista, é a vitória do "achismo", do senso comum, da generalização vaga e fácil que é antitética de uma análise séria. Mas isto se calhar era pedir demais.