Arrancou hoje o maior encontro em terras lusas dedicado ao grande escritor de língua portuguesa Jorge Amado.
Tem como subtítulo «O Escritor, Portugal e o Neorrealismo» e decorre em várias cidades e instituições do país (ver detalhes no programa).
Segue-se este a um outro encontro realizado no Brasil, o «Colóquio Internacional 100 anos de Jorge Amado: História, Literatura e Cultura», onde participaram alguns dos presentes oradores.
Outras iniciativas de tributo a Amado podem ser conhecidas em post do Lusografias.
Para o catedrático António Cândido de Oliveira (Universidade do Minho), a resposta é claramente não: apesar de eventuais vantagens financeiras, perde-se a autonomia democrática, pois o conselho de curadores é de nomeação governamental. Donde, «as universidades estatais devem lutar por uma autonomia financeira dentro do quadro não-fundacional», pois o que falta é uma «lei clara da autonomia financeira», que implica «maior responsabilidade e devida prestação de contas». Ver texto integral «A autonomia das universidades e as fundações».
A questão não é bem esta, mas sim relativa à insatisfação com a democracia. Seja como for, é recorde negativo dos últimos 20 anos, segundo o estudo «Representação política - O caso português em perspectiva comparada», organizado pelos politólogos André Freire e José Manuel Leite Viegas, do CIES-ISCTE.
Outrasrespostas relevantes deste estudo: os portugueses são sobretudo de esquerda, preferem governos de coligação, acham que os partidos se tornaram meros instrumentos dos seus líderes, discordam do monopólio dos partidos e gostariam de participar mais. A questão é saber como, e este estudo não responde a isso... Quanto às restantes respostas, são interpelações para reflexão de muitos.
Também a tese do anti-parlamentarismo cai por terra, para desgosto dos gaulistas e caudillos portugueses...
No âmbito do Objectivo 2015 - Campanha do Milénio das Nações Unidas, 3 associações ambientalistas e florestais portuguesas juntaram-se a diversos parceiros institucionais na promoção dum centro educativo para a sustentabilidade, que integra uma rede internacional dinamizada pela Universidade das Nações Unidas. Dado o interesse desta iniciativa, aproveito para transcrever um excerto do comunicado da Campo Aberto: «No dia 27 de Abril de 2009, foi assinado na Casa de Serralves o protocolo para a criação do Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Área Metropolitana do Porto (AMP), criado no âmbito do Futuro Sustentável - Plano Estratégico de Ambiente.
O CRE-Porto envolve as autarquias da AMP, a Direcção Regional de Educação, o Instituto Português da Juventude, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, a Administração da Região Hidrográfica, a Fundação de Serralves, a Universidade Católica Portuguesa, a Lipor e as associações Forestis, Fapas e Campo Aberto, as quais se juntam ao Objectivo 2015 - Campanha do Milénio das Nações Unidas (Portugal) e à Comissão Nacional da UNESCO. Este centro de excelência foi oficialmente reconhecido pela Universidade das Nações Unidas no mês passado.
A AMP tem cerca de 40 equipamentos de educação ambiental e mais de 120 entidades promotoras de 200 iniciativas e projectos nesta área, os quais recebem 400 mil visitantes por ano.
A gestão deste centro de excelência ficará a cargo da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, a qual pretende desenvolver a área da educação para a sustentabilidade, através da promoção de ecoclubes, da criação de redes de educadores e de escolas sustentáveis e do desenvolvimento de uma página na Internet, uma revista electrónica metropolitana sobre educação e desenvolvimento sustentável, assim como a Agenda Metropolitana digital. Este novo centro faz parte da rede internacional de centros regionais de excelência, constituída por 61 centros, e que têm como meta principal atingir os objectivos da década das Nações Unidas da educação para o desenvolvimento sustentável». Para +inf. vd. Agenda 21 Local.
Não sei que atenção tem merecido, fora de França o movimento de contestação universitário (de professores, em primeiro lugar) francês. Leva já praticamente dois meses de duração e dirige-se contra duas medidas fundamentais do governo: a reforma do estatuto da carreira docente e da formação de professores (para o ensino básico e secundário). Atrás disto está, como noutros países, o entendimento que os governos fazem do processo de Bolonha, e toda a política futura da universidade e da investigação científica.
O movimento tem, como todos, as suas contradições. Nalguns momentos, participo nele com o incómodo de poder parecer que estou a defender um sistema, o da universidade (e da escola) pública, com todos os seus defeitos. Mas peso os prós e os contras. E vejo que aqui, como em tantos outros casos, o problema não é reformar. É o conteúdo e o sentido da reforma. O governo Sarkozy está a torpedear o que existe - bom e mau - para criar uma mais que duvidosa selecção natural darwiniana.
O assunto daria pano para mangas. Deixo só este vídeo que ilustra uma das mais criativas manifestações em curso, de um simbolismo e uma dignidade impecáveis: a ronda infinita dos obstinados, na praça do município (noutros tempos, 'place de grève') em Paris. A ronda não pára, desde dia 23 de março passado. Como um carrocel, girando dia e noite. Já leva cerca de 150 horas, alimentada pela obstinação de cada qual. E promete só parar quando o governo perceber que é ele -- e não nós -- quem está a andar em círculos.
Sera' so' impressao minha ou a vinda do nosso PR aos EUA foi um nao-acontecimento? Mesmo nao sendo visita de Estado, deveria ter alguma relevancia. Ca' nao, claro, mas parece que nem sequer ai. Entretanto, os reitores portugueses visitam o Prof. Cavaco, preocupados com as reformas. Um bom teste ao anunciado apoio ao governo em materia de ciencia e educacao. Quem quer profissionalismo tem de querer os meios, ao menos para isso a visita aos states deve ter servido para relembrar...