Mostrar mensagens com a etiqueta cosmopolitismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cosmopolitismo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A rádio mais cosmopolita de Portugal

Mistura músicas urbanas de todo o lado e de todos os géneros. É eclética, heterogénea e assume-se como cosmopolita. Chama-se Groovalización web_radio e é mais do que uma rádio on line.
Tem um site com muita informação, artigos e antologias em suporte podcast de música miscigenada, mas não só.
Tem videoreportagens sobre bandas mesclando sons por emigrantes de distintas paragens radicados em Portugal. Aí surgem sonoridades caboverdianas e brasileiras, com os Duonde; africanas, étnica e reggae, com os Terrakota; ou italianas, com os Anonima Nuvolari, este, um  fabuloso grupo de emigrantes italianos radicados em Lisboa e que toca celetango, spaghetti swing e a mais humorada música popular italiana (vd. aqui).
E documentários como o No en Senegal, sobre uma outra África, por africanos, associações várias e cooperadores que, na adversidade, informam e criam oportunidades sustentadas para os seus, procurando evitar que muitos caiam na imigração ilegal e indigna para a Europa-fortaleza ou para os EUA.

sábado, 15 de setembro de 2007

Lisboa também é chinesa

A comissária municipal para a Baixa/Chiado, Maria José Nogueira Pinto, avançou a ideia de se impor uma quota de lojas chinesas na Baixa Pombalina e de se equacionar uma «Chinatown» noutra zona de Lisboa.
Discordo da ex-vereadora do CDS-PP na capital, entretanto convidada pelo actual presidente de Câmara, António Costa, para dirigir o projecto de revitalização da Baixa-Chiado.
As medidas propostas parecem-me descabidas e contrariam uma das virtudes de Lisboa: tornou-se uma capital cosmopolita, cujo espaço público é partilhado e apropriado por pessoas de diferentes proveniências, sem a segregação ostensiva verificada noutras paragens. Casas comerciais com proprietários, empregados e produtos de diferentes origens encontram-se relativamente disseminadas pelos vários bairros da capital, da Baixa ao Lumiar e do Oriente a Belém.
Impedir o livre estabelecimento na Baixa/Chiado de lojas chinesas contraria princípios básicos de liberdade, de convivência social, de livre iniciativa e de livre concorrência (cá está uma posição de direita muito pouco liberal!). A CML faria melhor se promovesse a habitação para jovens na Baixa... Esta sim, seria uma medida sensata para ajudar a revitalizar o centro histórico de Lisboa, criando mais emprego e comércio, seja o chamado comércio tradicional ou outro...
Querer confinar o comércio de origem chinesa numa zona da cidade é remeter esse comércio para o domínio do exótico, quando ele faz parte integrante da vida da cidade. Além disso, é impor politicamente um modelo no qual os cidadãos lisboetas, mais ou menos recentes, não se revêem.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O cosmopolitismo começa no estômago (em jeito de adenda)

Em jeito de adenda ao meu post anterior:
O que dizer de uma Tapenada de Anchovas (receita vagamente italiana) comprada no mercado de domingo (na banca do vendedor aparentemente magrebino) à qual se junta um pouco de piment das Antilhas e se barra numa faita de Pão Saloio?

Adenda à adenda:
E o que dizer daquela Crèperie da rue Mouffetard que de bretã tem muito pouco? O patrão é sul-americano, os empregados falam todos espanhol excepto uma senegalesa. Os recheios dos crepes variam entre a Ratatouille (que sendo francesa é mediterrânica), o Salmão fumado do Mar do Norte, e o Chilecito (que do pouco que sei parece ser um guisado da Argentina). Para que o desrespeito pela tradição bretã não seja total, pode sempre beber-se uma cidra.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Cosmopolitismo: Os Libaneses e as Sanduíches

Uma nota prévia: Como já foi referido algures aqui no Peão, Cosmopolitismo e Multiculturalismo não são a mesma coisa (encontrei uma boa explicação da diferença aqui). Eu próprio confundi os dois em posts anteriores, fica aqui o esclarecimento, entre um e outro prefiro sem hesitações o Cosmopolitismo. O Cosmopolitismo cria pontes onde o Multiculturalismo ergue barreiras. Aliás, até mais do que pelo Cosmopolitismo sou mesmo é pela Misturas, pela Miscigenação.

E nas minhas deambulações (sobretudo por Paris, mas não só) cheguei à conclusão que o Cosmopolitsmo começa pelo estômago, ou se quiserem pelas papilas gustativas. Não conheço maneira mais fácil de começar a criar pontes entre comunidades do que a gastronomia. Veja-se o exemplo das Sanduíches Libanesas no Quartier Latin. Há várias casas que se dedicam ao negócio, mas a mais aconselhável é "Au Vieux Cèdre" (187 rue St. Jacques, ou 2 rue Blainville). Como quem não quer a coisa as sandes são baratinhas. Kefta ou Mahkaneke, ou melhor ainda Chiche Taouk (frango marinado em alho e lima), enrolado em pão tipo pita com salada e molho, e para quem quiser - o que é definitavamente uma boa ideia - um complemento de batata à la Libanaise. A sandes é depois tostada tipo panini - uma delícia! Em momentos de não rara simpatia o cliente tem o direito a um chá libanês - com menta e tomilho e mais alguns ingredientes, estamos em negociações para obter a receita - oferta da casa para compensar a espera (que é, em média, de 3m42s). Há ainda sobremesas como a irresitível Balohria, à base de flor de laranjeira. "Au Vieux Cèdre" é também um local de encontro com um pouco, por pouco que seja, da cultura libanesa, pelo menos a música, que toca em permanência. Mas pode ser também um ponto de contacto com a vida política do Líbano. Durante a Guerra do ano passado fez-se circular muita informação sobre as acções de solideriedade para com o Líbano decorridas em França, e blogues libaneses. Rentemente o "Au Vieux Cèdre" lançou uma nova sanduíche, a Fajita. E agora pergunta o leitor: Fajita? Mas isso não é mexicano? E responde este vosso bloguer: é mexicano, mas numa sandes libanesa é daqui (e aperta o lóbulo da orelha direita entre o polegar e o indicador), uma maravilha!

Sendo a concorrência na área das sanduíches libanesas díficil, uma outra família de libaneses decidiu diversificar. Abriram o "Pains, Salades et Fantesies" (22 rue Gay Lussac, mesmo ao pé do Jardin du Luxembourg). O nome diz tudo quanto ao tipo de comida que servem. Não se pode é dizer que seja um tipo de gastronomia calssificável pelos padrões canónicos. Não é libanês, nem francês, nem outra qualquer etnicidade, é uma misturada, e da boa. Paninis de salmão fumado, ou frango, ou vegetariano à base de beringela. Saladas "Californianas" ou de marisco, ou "Tropical". Uma variedade de escolha apreciável, e a confecção muito boa (só é pena ser tudo muito saudável). Nas sobremesas é absoulutamente imperdível o "Fraicheur", iogurte natural, com folhas e menta e passas. Tudo isto num ambiente muito tranquilo onde se ouve um Jazz muito "select" a décibeis reduzidos, numa decoração neo-eco soft vegi-friendly e onde se podem ler jornais escritos em árabe. Os preços são mais do que acessiveis, e o serviço é rápido (excepto quando a clientela bcbg exagera na especificações pós-modernas da condimentação; é um risco real), a degustação essa convém que seja lenta e "sur place".

domingo, 10 de junho de 2007

O meu mote para o 10 de Junho

"Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo". (Sócrates-o-original)