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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SOS Racismo festeja 20 anos

E tem festa em grande!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mostra dos 40 anos da CGTP

No âmbito das comemorações dos seus 40 anos, a CGTP abre hoje uma exposição comemorativa no Largo Camões, em Lisboa.
Uma coisa em grande, que se estenda até ao dia 11.
Aí está uma boa iniciativa: divulgar o que foi feito pelo sindicalismo, através de material documental entretanto recuperado, tratado e analisado. E enquadrado artisticamente, claro!
Para quem quiser obter mais informações sobre a preservação da memória sindical pode folhear a revista Cultura, da CGTP.

domingo, 10 de outubro de 2010

A força das ideias republicanas

São as ideias republicanas que sublinham as contradições da I República em Portugal: apoiou-se no povo para derrubar a monarquia, mas dispensou-o na institucionalização da República; separou as igrejas do Estado, mas não o Estado da Igreja Católica que tentou controlar, usando alguns dos meios que recebeu da monarquia constitucional; permitiu uma enorme proliferação de ideologias, algumas irremediavelmente datadas, outras que iriam marcar grande parte do século XX e continuar a ecoar no século XXI e, exceptuando o «interregno presidencial» de Sidónio Pais, a vida política do regime foi hegemonizada pelo Partido Republicano Português.
Algumas correntes monárquicas reformularam-se a partir das contradições ideológicas do republicanismo. Quando o integralismo lusitano rompeu com D. Manuel II, Hipólito Raposo justificou esta tomada de posição afirmando que a legitimidade residia na Nação e não na pessoa do Rei. Após o 28 de Maio de 1926, alguns monárquicos colocaram a hipótese de plebiscitar o regime, hipótese que foi recusada quer por D. Manuel II, quer por monárquicos como Alfredo Pimenta, o qual escreveu em Nas Vésperas do Estado Novo: «Um Rei plebiscitário é um Rei da Democracia, é um Rei do Sufrágio, é um Rei da Urna – quer dizer é um Rei dum partido, o partido que o elegeu. (…) A Monarquia plebiscitária é uma República». Os monárquicos actuais que criticam a República «porque não foi escolhida pelo povo» e defendem a restauração da monarquia por referendo deviam meditar nestas palavras. Estão a prestar, inconscientemente, homenagem aos ideais republicanos. E não esclarecem um ponto: se a monarquia fosse restaurada por referendo, por que não, passados alguns anos, submeter o regime a novo referendo que restaurasse a República? Hoje a propaganda monárquica, para ser credível junto da opinião pública portuguesa, tem de admitir a possibilidade de escolha do chefe de Estado pelo povo e da renovação dessa escolha. Ou seja, tem de defender princípios republicanos.
Há quem pense e escreva que o vigente Estado republicano, garante de uma sociedade plural, não se filia na I República. Teria nascido de geração espontânea na Revolução dos cravos ou nas primeiras eleições do actual regime. Não estou de acordo. O actual regime que garante uma sociedade plural não é a materialização de um puro projecto político, mas o resultado de um processo histórico que teve uma primeira etapa falhada na I República. O pensamento dominante dos revolucionários republicanos era positivista e previa o desaparecimento das religiões em poucas épocas. Como os católicos militantes de então esperavam a conversão de todos ao catolicismo. Uns e outros – republicanos e católicos, além da minoria que partilhava as duas identidades – tiveram de aprender a distinguir entre «tese» e «hipótese» e que o campo da cidadania teria de ser o de uma coexistência legitimada pela «hipótese». A I República foi um regime em que o PRP nunca perdeu o predomínio, mas teve católicos e monárquicos no parlamento e no senado. A Igreja Católica perdeu privilégios e direitos. No entanto, distinguindo entre a obediência aos poderes constituídos e a crítica à legislação injusta, pôde organizar-se politicamente para defender os seus direitos e interesses. A «desconfessionalização» do Estado significou a «legalização» de crenças não católicas, como o protestantismo e o judaísmo, e do direito a não ter qualquer crença religiosa. As forças políticas anarquistas e marxistas-leninistas não chegaram ao parlamento e foram objecto de repressão, mas não ilegalizadas.
A democratização e o carácter inclusivo da República, a ideia-chave do actual regime, não se baseia na negação dos princípios da I República, mas antes na vontade de evitar os seus erros. Colocar a crítica e o conhecimento ao serviço da renovação do poder e da cidadania – eis um dos mais fortes ideais republicanos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Não se poderia evocar a República sem ser com maniqueísmos?

Poderia, mas não era a mesma coisa. Para muitos dos intelectuais da direita portuguesa, a efeméride do centenário republicano tem sido um fantasma incómodo (vd., p.e., J. Pacheco Pereira, V. Pulido Valente e J. Manuel Fernandes [JMF] no Público). Depois do PREC, a revolução de 1910 tornou-se na nova bête noire dos neo-conservadores de plantão. No subtexto, parece estar a intenção de rejeitar qualquer menção positiva a tudo o que cheire vagamente a decorrências da revolução e do espírito progressista.
Os legados não são para ser pensados na sua complexidade, mas sim naquilo que podem ajudar a um exercício de crítica do governo vigente e de recusa de ganhos políticos, sociais ou culturais susceptíveis de ser partilhados com a esquerda.
Sem preocupações de exaustividade, vejamos alguns marcos positivos do legado da I República e do republicanismo:
1) instauração do Estado laico, com a separação deste em relação à Igreja católica, aspecto que hoje já começa a ser valorizado até por eclesiásticos (D. Carlos Azevedo: "A República deu à Igreja mais liberdade"), mas não pelos neo-cons, que apenas tocam a tecla dos excessos anti-clericais;
2) instauração das liberdades fundamentais (de reunião, associação, imprensa, etc.), que, apesar dalguns excessos repressivos (censura militar durante a «Grande Guerra», assalto a redacções, suspensão de jornais, etc.) era um salto qualitativo face ao passado, e, mesmo reduzindo demagogicamente a questão à liberdade de imprensa, esta não foi «mais livre» na monarquia constitucional, como defende JMF – basta estudar um pouco o período, ou acompanhar os bonecos do Rafael Bordalo Pinheiro, para se perceber como a esfera pública era bem mais limitada;
3) legislação social, desde a lei do divórcio à jornada laboral de 8 horas diárias;
4) mesmo no sector educativo, a verdade é que, se há defeito a apontar à I República, não é o de ter primado pelo «facilitismo» (numa espécie de precursora das Novas Oportunidades) mas sim pela complexidade, ampliando os curricula do ensino primário e o n.º de anos, o que encareceu o ensino e reduziu o universo de habilitações.
Dito isto, houve aspectos muito negativos, a começar pelo regime eleitoral restrito, passando pela perseguição ao movimento operário e acabando nos excessos nacionalistas, como a participação na I Guerra Mundial, a obsessão colonial e a desnacionalização de cidadãos (súbditos alemães e seus aliados).

Podia ainda falar na questão da desistência quanto a uma organização político-administrativa mais próxima das comunidades, deixando cair bandeiras do republicanismo histórico como o federalismo (e a regionalização) aquando da nova constituição. Mas esses são aspectos que a direita portuguesa prefere não abordar, pois também está de acordo com um Estado centralista que é um dos entraves a uma maior democratização do país.

É caso para dizer: as elites conservadoras mudam menos que a própria sociedade.

E fico-me por aqui, pois também me apetece ir festejar. O lado positivo, claro.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Avanços e défices júniores


«Hoje é Dia Mundial da Criança», por Mariana Canotilho

segunda-feira, 8 de março de 2010

Centenário do Dia Internacional da Mulher

Foi há 100 anos que a feminista e socialista revolucionária alemã Clara Zetkin propôs a celebração anual dum Dia Internacional da Mulher, no palco da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas. De então para cá muita água passou por debaixo das pontes, muitas lutas se travaram, muitos direitos se alcançaram e muitas transformações ocorreram.
Em Portugal, o MDM- Movimento Democrático de Mulheres inaugurou uma mostra alusiva, intitulada Dia Internacional da Mulher - um século de luzes e sombras.
Para +inf. vd. o site International Women's Day e este dossiê.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Juntos por uma sociedade para todos

Este é o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social, por decisão do Parlamento Europeu e do Conselho da UE. O grande fito da iniciativa - «o combate à pobreza e à exclusão social continua a ser um dos compromissos políticos chave da União Europeia e dos respectivos Estados-Membros» - embora bem-intencionado, não passa disso mesmo.
Dito isto, mais vale alertar para a situação do que omitir: é que existem 78 milhões de pessoas na UE em risco de pobreza, 19 milhões das quais crianças.
Em Portugal, a representante local promete medidas de apoio ao emprego. Para informações sobre/ desta Entidade Coordenadora Nacional do Ano vd. aqui. No Público foi publicado o seu Manifesto contra a pobreza, mas não topei com ele na Internet... O título do post baseia-se na divisa da iniciativa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Evocação breve de António Aleixo

Passaram anteontem 60 anos sobre a morte do poeta algarvio António Aleixo. Para evocar a efeméride e remover "certos preconceitos sobre a sua obra", a RTP transmitiu o documentário «António Aleixo, na terra acho, na terra deixo». Achei-o interessante, mas na parte que vi não houve espaço para a apresentação dessa mesma obra e era bem fácil fazê-lo, já que parte dela são quadras e versos ao jeito popular.
É verdade que este poeta nunca granjeou grande crédito junto de parte dos críticos e estudiosos da literatura lusa, o que é extensivo aos restantes poetas populares. Folheando-se a 13.ª ed. da História da literatura portuguesa (de António José Saraiva e Óscar Lopes), apenas se topará com uma fugaz alusão, e dentro duma ficha dedicada a outro poeta algarvio, João de Deus. Mas também é verdade que, desde 1974, a sua obra começou a ter a gradual atenção de vários estudiosos (breve lista de estudos na secção de «bibliografia» desta biografia).
Seja como for, vale a pena atentar no seu estilo directo, assertivo e irónico, plasmado em notas existencialistas avant la lettre, numas vezes, ou num olhar de crítica social, noutras, mesmo durante a ditadura, quando era bem difícil este tipo de expressão. Até por isso, pela raridade desta combinação e destes olhares, vale a pena revisitá-lo.
A sua vida, rica e tormentosa, é pendão de experiência para esse caleidoscópio de reflexões e impressões. Homem de várias profissões, cauteleiro, pastor, tecelão, polícia e servente de pedreiro, foi também cantor popular de feira em feira e emigrante em França. Morreu de tuberculose, aos 50 anos, após internamento de 7 anos no Sanatório dos Covões.
Embora tivesse tido uma alfabetização rudimentar, escreveu vários livros, o primeiro deles Quando começo a cantar…, recolha de quadras cuja venda se iniciou em 1943, por iniciativa do Circulo Cultural do Algarve. Seguiram-se-lhe Intencionais (1945), Auto da vida e da morte (1948), Auto do curandeiro (1949), Este livro que vos deixo (1969, obra completa) e Inéditos (1978). A sua obra foi redescoberta a partir dos anos 60, pelo trabalho de divulgação do dr. Joaquim Magalhães. Incompleto ficou o Auto do Ti Jaquim.
Em nome das suas preocupações sociais surgiu, em 1995, a Fundação António Aleixo, sediada em Loulé, onde viveu e faleceu. Actualmente esta entidade colabora em diversos projectos de desenvolvimento social, em múltiplas parcerias, com instituições públicas e particulares (vd. aqui).
Em homenagem ao poeta, o município de Loulé erigiu-lhe uma estátua defronte ao Café Calcinha, espaço outrora por si frequentado. Também o antigo Liceu de Portimão foi renomeado Escola Secundária Poeta António Aleixo e, no Liceu Católico de São Paulo, surgiu a Escola Poeta António Aleixo (vd. lista de homenagens nesta biografia).
Deixo-vos com um dos seus poemas (outros há, com análise crítica, aqui):
Co'o mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê o seu proveito?

À guerra não ligues meia,
porque alguns grandes da terra,
vendo a guerra em terra alheia,
não querem que acabe a guerra.

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
q'rer um mundo novo a sério.

Nb: imagem retirada daqui.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Dá forças, tem um livro de recordes e faz 250 anos!

É verdade, a famosa cervejeira Guinness completa um aniversário redondo, de fazer inveja a muita concorrência; à portuguesa, por exemplo, mas não à belga, que tem cerveja 'medieval'.
A Guinness surgiu irlandesa mas hoje é conhecida em todo o mundo, mais graças ao seu livro de recordes do que propriamente à sua degustação. É que é cara, forte, preta e tem aquele sabor a café que nem todos apreciam. E porque há poucos sítios para bebê-la de pressão, pois de garrafa não é a mesma coisa.
Seja como for, sortudos dos que, depois do trabalho, a podem saborear.
Então, parabéns à cremosa bebida e muitos anos de vida.
Nb: a imagem reproduz o cartaz «Lovely day for a Guinness», de John Gilroy (o 1.º desta série surgiu em 1935); recomenda-se uma visita à galeria de cartazes da marca.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Com a cabeça na lua

É já nesta madrugada que a missão Apolo 11 faz 40 anos, e com ela as primeiras pegadas terráqueas na vizinha Lua.
Para homenagear este «grande passo para a humanidade» há um site que está a redifundir o feito «em tempo real». Porque daqui a um pouco (9h32) a nave espacial estará de abalada...
O site chama-se We Choose The Moon, é interactivo, tem relato audio, fotos, videos, entre outras preciosidades.
Recomendado para os aluados, lunáticos e apreciadores de proezas tecnológicas. E civilizacionais.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

35 por 25, ou um outro modo de evocar

A livraria-galeria Círculo das Letras inaugurou uma exposição singular: 35 por 25.

E o que é isso?
«São 214 telas que têm por primeira intenção projectar Abril, não um qualquer mas o de 1974, o de um dia 25, que foi de conquista da liberdade política e de afirmação da dignidade cívica».
Ou seja, um grande mosaico de pequenas telas feito por 214 artistas, sobretudo das novas gerações, que foram convidados e aceitaram o desafio-projecto.
Quem foram os organizadores e como divulgaram o convite?
«Nos 35 anos do 25 de Abril, a Livraria Círculo das Letras, a Cooperativa Árvore, o Museu Jorge Vieira (de Beja), em colaboração com a Associação 25 de Abril, promovem a evocação e homenagem dos 35 anos do 25 de Abril promovendo uma intervenção artística de um colectivo/conjunto de artistas convidados a nível nacional».
Entre os responsáveis, destaque para Fernando Vicente, o pai da ideia, e Rui Pereira, grande dinamizador do projecto.
A mostra estará aí patente até 20/V. A partir de 23/V, transita para Beja (Galeria dos Escudeiros). A seguir, e até Abril de 2010, é desejo dos promotores levá-la em digressão por todo o país.
Endereço: R. Augusto Gil, 15B (no quarteirão circundado pelos eixos Campo Pequeno/ Av. João XXI/ Av. Roma).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Carmen Miranda, ícone pioneiro da cultura de massas

Celebram-se hoje os 100 anos do nascimento da cantora e dançarina Carmen Miranda, ícone brasileiro divulgado em todo o mundo.
De seu nome civil Maria do Carmo Miranda da Cunha, nasceu numa aldeia minhota, filha de lavadeira e barbeiro, e cresceu no Rio de Janeiro, onde foi alcunhada de Carmen pelo gosto do seu pai por óperas. Aí ganhou o gosto e, também, o talento pelo canto, enquanto trabalhava como empregada de comércio (a sua irmã Olinda foi decisiva, e o canto atraía clientes).
A sua carreira começa com convites para cantar no teatro e na rádio cariocas, em 1929. O êxito é imediato, devido à sua imagem alegre e electrizante, plena de requebros e um misto de graciosidade e malícia hipnotizante. Passa para o suporte disco, popularizando-se rapidamente, com sambas e outras canções fáceis de reter e o seu jeito simples e animado de cantar. Em 1930 grava «Taí (pra você gostar de mim)», e ascende a maior fenómeno popular no Brasil, com mais de 35 mil cópias vendidas (a média era 10 mil).
Em 1939, monsieur Broadway convida-a para uma estadia no país da cultura de massas. Aí fica ano e meio, dando mais de 2 espectáculos por dia, numa agenda carregada de manhã à noite. Aguenta com gosto, mas também com barbitúricos, de que se tornará dependente. No curto regresso ao Brasil, tem uma recepção popular, mas muitos consideram-na «americanizada». Voltará aos EUA, para uma estadia mais prolongada (1942-53), agora em Hollywood, onde participa em 13 filmes, e em variados programas da rádio, tv, teatro, casinos e clubes nocturnos.
Em 1939, interpreta no filme Banana da terra aquela que será uma das suas canções mais conhecidas, «O que é que a bahiana tem?». Em 1943, e no contexto de aliança entre EUA e Brasil contra as potências do Eixo, arrancam uma série de iniciativas culturais de aproximação, de que o filme disneyano The gang's all here é um dos ícones, com Pato Donald ao lado do seu congénere brasileiro Zé Carioca, numa animação complementada com o meddle «Aquarela do Brasil»/ «Tico tico no fubá» e a presença de Carmen Miranda, em boneco animado e ao vivo.
Em 1944, é a vez da canção preferida dos americanos, «Mamãe eu quero», em Four jills in a jeep. Em 1947, será a vez de «Tico tico no fubá», no filme Copacabana, composição de Zequinha de Abreu. No ano anterior, tornara-se na artista mais bem paga de Hollywood.
Nos EUA, contracena com alguns dos actores mais conhecidos, como Groucho Marx, Dean Martin, Jerry Lewis, em filmes musicais e afins, onde por vezes tem que vestir 'peles' equivocadas, como as de mexicana, rumbeira, etc..
Após a sua morte precoce, por ataque cardíaco fulminante (1955), a divulgação não cessa. Desde logo, no seu velório, onde compareceram 60 mil pessoas. No ano seguinte, lança-se o Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro, só inaugurado em 1976. Em 1972, Elis Regina canta em sua homenagem o enredo do desfile da Escola de Samba Império Serrano, escola vencedora nessa edição. Por ocasião da presente efeméride, foi lançado um site específico, Carmen Miranda, que tem muita informação útil e organizada. Uma boa iniciativa.
Além das fontes já citadas, baseei-me ainda numa reportagem de Anabela Mota Ribeiro («Morreu com um espelho na mão, sozinha no seu quarto», Pública, 8-2), que, por sua vez, entrevista o biógrafo Ruy Castro.
Na imagem, video antológico Carmen Miranda - Brazilian Career Medley.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tintin na terceira idade

Fez ontem 80 anos o infatigável repórter Tintin, presente no imaginário de milhões de petizes por esse mundo fora, desde o álbum inaugural Tintin au pays des soviets. A estreia foi auspiciosa, embora essa história tenha sido apontada como politicamente parcial. O seu autor, o belga Hergé, não escapou a outras críticas, como a de apologista do colonialismo belga em Tintin no Congo, obra depois retocada. Seja como for, ficam muitas histórias, imagens e personagens para a posteridade. Além do tempestuoso capitão Haddock, dos impagáveis Dupont & Dupond, do distraído cientista Tournesol e do cão Milu, não podía deixar escapar 3 personages portugueses: Oliveira da Figueira, o sábio prof. de Coimbra (em A estrela misteriosa) e o repórter do Diário de Lisboa (no Tintin no Congo).
Do trio, destaco o comerciante lisboeta Oliveira da Figueira, presente em 3 álbuns (Os charutos do faraó, Tintin no país do ouro negro e Carvão no porão), que, entre toda a sorte de bugigangas, conseguia ainda impingir caloríferos em pleno deserto, além de ser um bom conversador. E hospitaleiro: logo que conhece Tintin, celebra o encontro servindo-lhe um vinho do Porto, "vinho de Portugal, do sol do meu país" (+aqui).
Entretanto, muitos álbuns se venderam (+230 milhões) e muito merchandising se fez com esta figura. E, também, muitas revisitações: como as doutros autores, mais simpáticas ou mais cáusticas (Bilal é um bom ex.) ou as turísticas, inúmeras e para todos os gostos, como seria de esperar. Uma simples pesquisa na Internet revelará coisas interessantes, como t-shirts do Tintin em Goa, na Tailândia, de regresso aos EUA, no Irão, etc...
Mais inf. aqui e aqui.

sábado, 3 de janeiro de 2009

A evolução das espécies: singelo tributo a Charles Darwin, em ano centenário


cartoon de S. Harris

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A revolução cubana fez hoje 50 anos


Foi há meio século que o povo cubano, liderado por Fidel Castro e Che Guevara, derrubou a ditadura de Fulgêncio Baptista, tornando-se independente e soberano. Muito foi feito entretanto, muito há ainda a fazer, a começar pela plena afirmação das liberdades fundamentais (eleições livres e justas, em multipartidarismo, etc.) e pelo fim do embargo mais longo e constestado de sempre, o dos EUA.
Sobre Cuba, recordo 4 bons filmes: os belíssimos Memorias del subdesarrollo (1968) e Fresa y chocolate (1994), ambos de Tomás Gutierrez Alea; o Buena Vista Social Club (de Win Wenders, 1999); e o doloroso biopic sobre o escritor homossexual Reinaldo Arenas (Before night falls, de Julian Schnabel, 2000).
Para evocação histórico-documental, deixo-vos aqui ao lado o documentário Los ultimos dias de Batista y el triunfo de la revolucion. Também para evocar a efeméride, mas com uma tónica na situação actual, a RTP transmitiu hoje o documentário Cuba revolution.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Parabéns a Manoel de Oliveira

Na passagem dos seus 100 anos de vida, Manoel de Oliveira merece um reconhecimento público, pela sua obra ímpar e pela sua personalidade humanista.
É com agrado que tenho acompanhado a homenagem que os media lhe estão a prestar por esta data (destaco o trabalho do Público). Vai ao arrepio duma certa tendência portuguesa para só homenagear as figuras públicas post mortem. Esta é uma tendência oriunda dum certo conservadorismo e elitismo, obcecado com certas figuras dum longínquo passado pátrio mitomizado. Pelos vistos, vai passando, ainda bem.
Manoel de Oliveira merece plenamente este reconhecimento. É lugar comum para uma certa opinião dizer que os seus filmes são chatos e lentos. Dos filmes que vi discordo.
O mais antigo que dele vi, Douro, faina fluvial, é um filme vanguardista para a época, pleno de movimento e surpresa, com o rio, o Porto e as suas gentes como personagens fortíssimos, combinando ficção e documentário (a 2.ª imagem do post é deste filme). Segue-se Aniki Bobó, na mesma cidade e em torno do quotidinao dum grupo de miúdos, um dos melhores filmes portugueses dos anos 40.
Acto de Primavera dá-nos a ver a representação da Paixão de Cristo por uma comunidade aldeã transmontana, num dos melhores documentários sobre o teatro popular tradicional e sobre o papel da tradição oral. A caça, também dos anos 60, é um filme incomum e será certamente alvo de revalorização. Non ou a vã glória de mandar é uma reflexão oportuna sobre a história de Portugal, desde a época moderna à actualidade, interpelando-nos quanto ao nosso conhecimento e perspectiva sobre a história, a mitografia e a política na construção dum discurso sobre a portugalidade.
Só não gostei do documentário Lisboa, parece que o cineasta não estava à vontade com o tema, em contraste com os filmes sobre a sua cidade natal, o Porto.
Como não tenho agora mais tempo, resta-me renovar as felicitações e desejar muitos mais filmes a Manoel de Oliveira.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Nos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Amanhã, celebram-se os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Este documento, aprovado em assembleia geral das Nações Unidas, contém os direitos básicos duma vida condigna para todos, incluindo direitos civis, sociais e culturais (sem discriminação de religião, «raça», cultura, convicções políticas), defesa da democracia, etc..
O mais difícil tem sido passar das palavras aos actos.
Nesse sentido, a Amnistia Internacional apela aos governos para que a efeméride "seja uma data de acção e não apenas de celebração". A AI dá o exemplo, com a sua iniciativa Maratona de Cartas, procurando que o maior n.º de cidadãos enviem 5 apelos urgentes em nome de 5 vítimas dos direitos humanos que precisam da solidariedade alheia (realizará ainda outras iniciativas).
Além dum programa de comemorações a decorrer ao longo do ano, a UNESCO lançou um n.º especial da sua revista SHS views. A última SHS views uma entrevista a Fanie du Toitao, director do Institute for Justice and Reconciliation in South Africa, think tank sul-africano distinguido com o UNESCO Prize for Peace Education (vd. "Social justice is about making concrete decisions"). A revista inclui ainda o calendário das iniciativas da ONU.
Em Lisboa, a Casa do Alentejo celebra a efeméride no dia 11 (18h), com Baltazar Garzón discursando sobre «A Declaração Universal: Guantánamo, Argentina, Chile e uma nova consciência cívica». A apresentação caberá a José Saramago, homenageado na véspera, por ocasião dos 10 anos do Prémio Nobel da Literatura (vd. aqui).
A imagem é retirada deste site brasileiro dedicado aos direitos humanos, também com muita informação útil.

domingo, 12 de agosto de 2007

Torga, neste Verão

Li Novos Contos da Montanha (1.ª ed., 1944) na adolescência; fazia parte do programa de Português. Retenho a repugnância que me provocou uma passagem de um dos contos em que um leproso se metia numa tina de azeite. [Não tenho o livro à mão, por isso não posso confirmar se era mesmo assim.] Além do conto «Leproso», não me lembro em particular de nenhum outro, mas recordo-me vagamente de um mundo rural agreste, rude e pobre, povoado de personagens singulares. Um mundo que estava muito distante da minha realidade suburbana da década de 1980.
Uns anos mais tarde, já no 12.º ano, li no manual de Filosofia um poema de Torga: "Não sou livre, que nem a própria vida mo consente / mas a minha aguerrida teimosia / é quebrar dia-a-dia / um grilhão da corrente". Decorei-o e acompanha-me desde então, porque continua a fazer sentido para mim.
Mais tarde, ofereceram-me um livro de poemas de Miguel Torga. Li-o, gostei muito, mas perdi-o (coisa rara).
Recentemente, tomei conhecimento da sua actividade política de oposicionista à ditadura. Torga foi perseguido pela PIDE ( a Torre do Tombo já disponibilizou o volumoso processo). Renato Nunes publicou no passado mês de Maio um livro sobre Miguel Torga e a repressão aos escritores durante o Estado Novo, de que Daniel Melo falou aqui e aqui (blogue do movimento cívico Não apaguem a Memória!).
Vou voltar aos contos de Torga, ainda neste Verão, e reencontrar a sua poesia.