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domingo, 28 de agosto de 2011

À descoberta do arinto (para o Sérgio)

Não é fácil topar o vinho pretendido quando se procura uma casta em particular, isto em Portugal e Espanha, que noutros países não sei o que se passa. A maior parte das empresas não identifica as castas, ou as percentagens, ou então há pouca informação na imprensa especializada sobre os chamados vinhos varietais ou monocastas.
Tudo isto a propósito duma casta bem portuguesa, a Arinto, que apesar da sua distribuição nacional, é pouca usada de modo isolado. Ainda assim, algumas casas apostaram neste tipo de uva branca bem seca, cítrica e mineral. Além das que refiro nestes 2 posts de 2007, destaque ainda para o Quinta da Murta (Bucelas), Casa de Paços Reserva (Porto), o Grand'Art (Estremadura) e o Quinta do Avelar (Bucelas). Aproveito para ressalvar que o Quinta da Murta corrente é agora distribuído pelo Pão de Açucar, o reserva surgindo noutros pontos.
Dizer ainda que a Região Demarcada de Bucelas, hoje em dia o espaço por excelência dos arintos, fez recentemente 100 anos e teve uma mostra específica em espaço público (vd. imagem ao lado).
Misturada com outras castas há uma infinidade de arintos. Mas para quem quer apenas ter uma ideia do que há esta é já uma boa ajuda.

sábado, 30 de abril de 2011

David Lopes Ramos (1948-2011): um homem bom, um grande jornalista e o mestre que nos revelou a gastronomia portuguesa

Para mim, David Lopes Ramos será sempre um mestre-artífice dos jornais, de o diário e do Público. Com ele fiquei a gostar ainda mais de ler a imprensa, pela sua escrita simples e ao mesmo tempo elegante e rigorosa. Por ele e outros como ele continuei a ler o Público.
Com ele aprendi também a partilha, a generosidade, o sentido de justiça social.
Além disso, e tal como todos os sortudos que o leram, tive o prazer de poder descobrir a gastronomia portuguesa pelo seu olhar.
É uma injustiça tremenda esta sua partida tão precoce.
Para quem quiser saber mais sobre a sua vida preenchida e o seu exemplo de jornalista, cidadão e crítico gastronómico vale a pena ler este e este textos do Público.

domingo, 7 de novembro de 2010

Uma festa dos sentidos

Esta tarde aproveitei para fazer uma experiência curiosa: ir a um Encontro com o Vinho, uma espécie de festa do vinho, onde os produtores se enclausuram em mini-pavilhões para mostrar orgulhosamente os seus néctares. Em redor, uma multidão efusiva, de nariz no ar, a ver onde parar ou a estender o seu cálice para provar vinhos dos mais diversos, desde verdes, brancos, tintos a espumantes e licorosos.
Este ano, o evento organizado pela Revista de Vinhos tinha a novidade de provas verticais de vinhos como o Soalheiro, mas infelizmente esta prova parece que esgotou o respectivo stock para domingo, o que foi desagradável para quem tenta degustar, há algum tempo, o Soalheiro Primeiras Vinhas. Provei um Soalheiro Dócil e não gostei nada, é daqueles que não é carne nem peixe. Também fiquei algo desiludido com o Passadouro tt reserva 2008 e o Passadouro br 2007, pois pareceram-me aquém do Passadouro tt 2007 e do Passa tt 2007, vinhos enérgicos e agradáveis. O generoso moscatel roxo Casa Agrícola Horácio Simões também não me convenceu, continuo a preferir o rival da Bacalhoa.
Tirando estes precalços e o facto de nem todo o vinho exposto estar à venda na loja à saída, é um espaço útil para se provar vinhos que nos tentam. Além disso, o Concurso "A Escolha da Imprensa" é outro chamariz, pois aí se apresentam vários vinhos premiados pela crítica especializada. Entre os que experimentei, gostei do Dona Berta tt, do Esporão tt e do Ermelinda de Freitas br. Não gostei do Loridos espumante rosé, pois sabe a framboesa, que é um sabor que não aprecio isolado no vinho, mas gosto do Loridos espumante vintage.
Aqui ficam umas notas despretensiosas, para quem também tenha interesse em conhecer novos vinhos.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bons vinhos que provei em 2009

Concerteza que não iríamos deixar 2009 sem fazer uma mini-selecção dos melhores vinhos, já que estamos em época de balanços. E, seguindo o prudente conselho do João Miguel Almeida, fico-me por balancetes anuais, e já é muito.

Enfim, refinando um pouco mais: os melhores que apreciei pela 1.ª vez nesta quadra. Então aqui vai: Ad. Coop.ª de Borba Reserva 2005, Mouchão 2003, Lavradores de feitoria 3 bagos 2005, todos tintos (notas de prova para os 2 primeiros no Guia de vinhos 2008, do Rui Falcão, p.51 e 83).

No vinho do Porto, gostei bastante do Fonseca Vintage 2007.

Quanto aos brancos, e quebrando a regra, pois descobri-o este Verão, destaco o Arenae Colares Malvasia (2007, salvo erro), uma pérola! É uma experiência única, aquele sabor adocicado mesclado de mel, fruta e flores. Uma pequena grande amostra dum dos mais raros néctares ibéricos. Pode ser comprado em enotecas ou, melhor ainda, in locu, o que é uma vantagem, pois permite uma visita à sua belíssima Adega Regional de Colares (para horários e visitas vd. aqui). É claro que o Arenae Colares Ramisco 2007 também é bom, só que tem que ser guardado uns bons anos, pois ainda está muito adstringente...

E, já agora, para quem quiser descobrir outros vinhos recomendo o site do crítico de vinhos Rui Falcão, começando por esta boa mini-lista.

E prontos, boas entradas para todos, e bom apetite!

domingo, 2 de agosto de 2009

Vinhos do Algarve: chegou a hora!

Muitos vaticinaram o fim desta região vitivinícola, até porque a situação estava bem decadente, à semelhança, aliás, do que ocorreu com o Bucelas.
Porém, graças à persistência e engenho de vários empreendedores e especialistas, foi possível relançar uma região inteira.
Nesta lista inclui-se o cantor Cliff Richards, com os seus vinhos Vida Nova e Onda Nova. Mas há mais para escolha e prova: Paxá, Cabrita, Barranco Longo, João Clara, Alvor, Tapada da Torre, Fuzeta e Quinta do Francês.
A Região de Turismo tem vindo a promover este sector, produzindo o Guia de Vinhos do Algarve, lançado no passado mês de Junho. Além de notas de prova, contém uma ficha técnica para cada um dos 75 vinhos seleccionados (temperatura ideal de consumo, castas usadas, etc.), lista dos 16 produtores regionais e intróito histórico com início na presença árabe, tudo envolto num design arrojado.
Uma parte destes vinhos tem vindo a ser premiado em eventos internacionais desde 2007, pelo menos (vd. exemplo recente aqui).
A lista de vinhos que vos deixo supra é uma mini-selecção do crítico Rui Falcão, recentemente divulgada (excepto os 2 últimos), e veio mesmo a calhar (vd. «Ousar experimentar», Público, 25/VII/2009, p. 32-Fugas).
No adegga, um site social temático, pode aceder-se a notas de prova dalguns destes vinhos.
Então boa sorte e boas provas!!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A não perder, para quem gosta de vinhos e do Algarve sem duplo éle


Bem sei que envolve uma figura um quanto foleira no estilo, o dinossáurico Cliff Richards. Ainda assim, é uma questão de bom gosto e bom senso: o Algarve para além do Allgarve.
Afinal, afinal, sempre há bons vinhos na província mais ao sul. Demorou mas foi. Este fim-de-semana, na sua rubrica do costume, «vinhos ao domingo». Imperdível.

Até lá!!

domingo, 23 de novembro de 2008

Vinhos de colheita tardia, uma doce tentação

Esta é uma variedade de vinhos pouco conhecida, mas que vale a pena provar. Os vinhos de colheita tardia surgiram na Hungria, em meados de seiscentos, revela-nos Rui Falcão no Fugas de 15/XI.
Como o nome sugere, provêm duma vindima posterior à normal, com a uva já muito madura, parte em estado de podridão, contendo por isso uma grande proporção de açúcar. A uva é apanhada bago a bago, tornando este vinho raro e caro. Daqui resultam vinhos gulosos, e que podem durar muito tempo.
Poucas castas e regiões são aptas para a sua feitura. As castas mais usadas são a Furmint, Riesling, Sémillon e Chenin Blanc. As regiões eleitas ficam na Alemanha, Áustria, Hungria e França. Em Portugal é difícil a sua produção, mas não impossível, como o comprovam alguns bons exemplos. Rui Falcão refere o Late Harvest Grandjó 2006 (da Real C.ª Velha, Douro) e o Casal Figueira Vindima Tardia 2007 (Estremadura). O 1.º é feito da casta Sémillon, o 2.º da Petit Manseng. A estes eu aditaria o Bucelas Chão do Prado Colheita Tardia, em Bucelas, que figura na imagem (é a garrafa mais estreita, de o,5l). A casta predominante é a Arinto (85%), a rainha da região. A Chão do Prado tem aí uma quinta com ampla vista sobre as videiras e a serra, servindo refeições no seu acolhedor restaurante.

domingo, 7 de setembro de 2008

E viva o rosé!

Ainda aqui não tínhamos falado dos vinhos rosé e a ocasião não podia ser mais propícia. É que tive a sorte de provar um rosé da Corsega este fim-de-semana, e que bem me soube.

Chama-se Domaine de la Figarella, e foi criado em 1961, por François Acquaviva, pai do actual proprietário. Contém 2 castas, Nielluccio (10%) e Sciaccarello (90%). Trata-se dum rosado que não encaixa naquele perfil mais previsível de vinho adocicado. Nada disso, é bem seco, aliás os próprios autores o referem, aditando que no nariz se sente o cheiro de uvas frescas e pêssego jovem, terminando redondo na boca. Cairam bem com uns pâtés corsos, bem apimentados, os Charles Antona. A denominação de origem deste vinho é Vin de Corse-Calvi. O ano que me calhou em sorte foi o de 2006.
Para quem ficou com água na boca com estas notas soltas e vive para os lados de Paris está com sorte: vão estar presentes no Salon des Vignerons Indépendants, de 27/XI a 1/XII, na Porte de Versailles, stand A10.
Também por cá há bons rosados, como o Vinha da Defesa e o Casa de Sarmento, que é a adega do afamado restaurante Meta dos Leitões, na Mealhada, e que faz Sarmentinhos para todos os gostos: tintos, brancos e rosés. Com o leitãozinho, todos ficam bem, talvez o rosado até seja o que fica melhor. Em Lisboa, estas preciosidades estão à venda nos centro Comerciais Vasco da Gama e Colombo. Quem se der a esse trabalho, não pode deixar de comprar o tinto Touriga Nacional.
Também vai bem com marisco o Mateus Rosé, ah, pois, estavam à espera de quê? Que dissesse mal deste só porque os turistas gostam? Pois se tem qualidade, porque é que não haviam de gostar? É tudo uma questão de gostos. E de clichés...

sábado, 19 de julho de 2008

Languedoc, porque há dias assim.

Andava eu à procura do Peidoque perdido (by the way o "Le P'tit Canon" está vivo e recomenda-se, como eu suspeitava mudou-se para outra freguesia, na circunstância a 17ª, mas eu dei com ele, continua autêntico como antes, e com bastante mais espaço, mas isso agora não interessa nada) - perdão - andava à procura do Pays d'Oc perdido, para descobrir que o Pays d'Oc é afinal uma designação vaga e indefinida, no que toca ao vinho pelo menos. Pensaria então que Languedoc seria ainda mais vago e indefinido, pois se Pays d'Oc quer dizer o País da Occitânia e Languedoc a Língua da Occitânia, seria de esperar que se um território ou país fosse definido pelo menos com umas fronteiras geográficas, enquanto que a língua pode ser falada em territórios e por gentes mais difíceis de delimitar. Nada mais errado. Aliás, nunca tentem perceber o que quer que se passe em França com uma abordagem lógica, simples e linear (eles não gostam). Tudo isto para dizer que, nas minhas pesquisas sobre vinho francês, me chegou ao conhecimento a existência da região demarcada do Languedoc, também denominada de Roussillon, que é bem concreta e definida. Na minha escala cartesiana de classificação dos vinhos franceses, Bourgone nas abcissas e Bordeaux nas ordenadas, ou vice-versa, o Languedoc é o vinho mais equilibrado que já encontrei, diria mesmo que leva uma pontuação de 2,5:2,5. Não é nem muito escuro nem muito claro, nem demasiado leve nem demasiado pesado, robusto que chegue, com uns aromas agradáveis, enfim... equilibrado. É assim uma espécie do vinho ideal para aqueles dias especiais que têm de especial o facto de não terem nada de especial. Há dias assim. Há dias que não sabemos se somos de esquerda ou de direita, não sabemos se queremos ver um jogo de futebol ou ler um livro erudito, não sabemos se vai chover ou fazer sol, se o trabalho ata ou desata. Principalmente não sabemos se queremos carne ou peixe para o jantar, nem se vai ser cozido ou grelhado. E nesses dias, e há dias assim, acabamos sempre numa decisão salomónica, em que nos damos à cozinha criativa e conseguimos meter um chouriço no bacalhau. O difícil é escolher o vinho que vai com o prato acabado de nascer, nesses casos porque não experimentar um Languedoc? Tem a vantagem de ir bem com tudo, contudo. Há apenas um preceito a ter em atenção, quando se bebe um Languedoc, é bom que seja à base da cepa Grenache, e menos de 80% não é aceitável. E se tiver que escolher uma denominação eu iria para o Fitou, mas lá está, eu ainda conheço muito poucas denominações do Languedoc.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Novas do medronho!

Novas, novíssimas, em jeito de novas sugestões e de informação histórica.
Mão amiga (embora anónima) chamou-me a atenção para a existência dum erro no meu post sobre esse néctar dos deuses que é a aguardente de medronho (vd. aqui).

Na lista de marcas que vendem este gostoso digestivo, coloquei a SILVAPA como empresa do Algarve quando é, isso sim, da Beira Baixa. Tendo eu uma costela beirã a coisa ficou um pouco embaraçosa...
Por outro lado, fiquei satisfeito por saber que já há duas boas aguardentes de medronho beirãs, uma da Serra da Estrela e esta de Oleiros, que até será mais barata do que as algarvias... ah, e a embalagem é elegante, com uns traços em tons assim a puxar aqui para o blogue...
Esta aguardente do concelho de Oleiros, mais concretamente da Madeirã, existe desde meados do século XIX e era então o valor central da terra:
Segunda novidade: outra mão, ainda mais amiga, ofereceu-me uma garrafa da marca Mourinha (da Serra do Caldeirão), muito macia e apetecível. Tem um rótulo amarelo torrado, com uma pequena gravura duma casa rústica, com caminho e árvores à volta. A garrafa, esverdeada, é ao jeito daquelas pequenas garrafas de uísque, muito práticas para transportar. Também foi aditada na revisão do post antigo.
Bem sei que não é domingo, mas não consegui esperar mais para vos dar estas boas novas!

domingo, 13 de abril de 2008

Ele há vinhos do Carvalho!

Este post da série Vinhos ao Domingo (é uma série de posts que resulta episodicamente na publicação de posts sobre Vinho aqui no Peão, geralmente ao Domingo) não é para falar de um Vinho em particular mas de um fenómeno que me preocupa de sobremaneira. É que algo de desagradável me acontece de quando em vez quando ando nas minhas pesquisas de novos vinhos. Pode ser má vontade minha mas acho que a epidemia começou com os vinhos de Bordeaux, e contagiou outros vinhos um pouco por todo o lado. Não, não estou a falar do Cabernet Sauvignon, embora me pareça haver uma forte correlação (o Cabernet Sauvignon é uma cepagem infestante que anda a invadir vinhas de onde não é autóctone um pouco por todo o lado). O fenómeno que me atormenta é a serradura de Carvalho no vinho. Alguma coisa está errada quando se tenta degustar um copo de vinho e é mais fácil identificar a qualidade do Carvalho cuja serradura foi utilizada para o "aromatizar" do que a cepagem de que foi feito esse vinho. Não me interpretem mal, eu sei que o casco de Carvalho é bom para o vinho, mas há limites. Sistematizemos da maneira mais clara possível: Envelhecer vinho em barris de casco de Carvalho é bom, fermentar vinhos em cubas de aço inoxidável com serradura de Carvalho lá para dentro é que já é mais duvidoso. E não é que eu seja um desses conservadores que é contra as modernices da tecnologia (acho que os meus posts sobre transgénicos o demonstram*). Acho muito bem que se utilize todo o tipo de tecnologias possíveis na produção do vinho, como no resto. Apenas exijo uma condição: que o produto final seja de melhor qualidade e/ou mais barato (na pior da hipóteses apenas a segunda, e sempre sem prejuízo da primeira). Vinho com serradura de Carvalho não é de melhor qualidade que um vinho tradicional envelhecido em cascos de Carvalho, pelo contrário. Lanço aqui um apelo aos produtores de vinho que abusam da serradura: Deixem-se dessas merdas, pá!

* Falando em transgénicos, espero que ninguém tenha a ideia de pôr uma cepa a expressar os genes do casco de Carvalho nas uvas... e daí talvez nem fosse assim tão mau.

domingo, 9 de dezembro de 2007

O Chinon?

Pensava eu estar numa pausa na minha pesquisa de vinhos franceses, quando se deu a mais improvável das circunstâncias: uma amiga americana com quem jantava num restaurante do médio oriente deu-me a conhecer um vinho francês. Finda a tarefa de escolher o que comer - dum ménu com especialidades que têm tanto de apetitoso quanto a sua pronunciação tem de inverosívil (para a nossa parca capacidade fonética ocidental) - o empregado de mesa pergunta se queremos um vinho para acompanhar. A minha amiga pega na carta dos vinhos e dá uma olhada. E ela "Então que tal um Chinon?", e eu de mim para mim em pensamento "O quê?, os chinocas, como se não bastassem os texteis, agora também fazem vinho? Já chega os australianos...", e eu para ela "Chi-quê?", e ela outra vez para mim "Chinon, é um vinho do Val de la Loire", e eu para ela "Isso é aquela região onde há muitos Castelos não é?", e ela - cheia de paciência - para mim "Sim, mas também fazem um vinho ligeiro que é bastante bom", e eu para ela "Pode ser". OK, não me lembro dos detalhes do diálogo, talvez haja algumas imprecisões, mais isso agora não interessa nada. Bebemos então o Chinon a acompanhar as especialidades com tempero de menta similares, e a mélange não resultou nada mal. Deitei-me logo a analisar o Chinon na minha escala de classificação Bordeaux vs Bourgogne, e a coisa deu mais para o Bourgogne. Entretanto fui procurando um pouco mais de conhecimento empírico sobre o assunto e um par de garrafas mais tarde encontrei um Chinon Domaine du Beauséjour, de 2004, que me serviu de garrafa tipo para este post. O Chinon é um vinho não muito encorpado, pelo contrário, de paladar ligeiro, assim a dar mesmo para os frutos silvestres (normalmente isso dos frutos silvestres é tanga, mas se há um vinho em que senti realmente o aroma de frutos silvestres* é o Chinon). O Chinon é feito predominantemente com uvas da cepa Cabernet Franc, e no caso do Domaine du Beauséjour é 100% desta casta. É um vinho não muito alcoólico, 12-12,5% nos dias que correm não é muito. Curiosamente, para um vinho "levezito" tem uma cor a atirar para o escurito (eu nunca percebi muito bem a importância da cor do vinho em si mesma, o paladar é que importa, mas como é sempre referido eu não vou furgir à regra - mas para mim desde que não seja esbranquiçado, o que inclui o cor-de-rosa, está tudo bem). Pessoalmente acho que é um vinho que vai muito bem em refeições que não são do tipo enfarta-brutos, um peixe no forno, bacalhau, ou refeições ricas em legumes. Também vai muito bem com queijos.

*Não é de excluir a possibilidade de, ao fim de tanta tentativa, o meu paladar estar finalmente a desenvolver alguma sensibilidade aos aromas mais subtis.

domingo, 7 de outubro de 2007

Vai trabalhar Madiran!

Na minha senda diletante na busca de outros vinhos franceses, para além da dialética Bordeaux Bourgogne, deparei-me com alguns problemas de ordem metodológica. O primeiro foi o de encontrar uma maneira eficaz de encontrar bons vinhos que não inteiramente determinada pelo acaso. A ideia mais óbiva que me ocorreu foi a de ir a restaurantes com amigos franceses conhecedores da matéria, e seguir os seus conselhos. Sem dúvida que deste modo consegui beber bons vinhos anundantes vezes. No entanto esta abordagem apresenta um pequeno inconveniente: vá-se lá saber porquê, no dia seguinte não me consigo lembrar do nome do vinho (não raras vezes nem lembro sequer de ter saído do restaurante). Continuo com esta abordagem mas sem gende sucesso, pelo que decidi adoptar abordagens complementares. Por exemplo, comprar vinho no super-mercado. Tem uma vantagem, que é a de ficar imenso tempo a olhar para a garrafeira antes de escolher, o que dá um ar de intelectual e de profundo conhecedor de vinhos, é óptimo para impressionar desconhecidas. Não é muito eficaz no que toca a conhecer vinhos, sobretudo quando a decisão final se baseia no aspecto visual da garrafa, é quase como escolher ao acaso.
Não me lembro como, andava eu a tentar lidar com estas limitações metodológicas e dei por mim a abrir um garrafa de um vinho que me era inteiramente desconhecido, o Madiran. Tendo o cuidado de não exagerar nas minhas palavras, é de longe o meu favorito dos vinhos franceses. Eu que sou um gajo que gosta de vinhos encorpaditos, mas tenho um problema ideológico com o Bordeaux industrial (vide post anterior). Na realidade não é só ideológico, o Bordeaux industrial até é relativamente mau, e hoje em dia é difícil encontrar um Bordeaux que não seja industrial. O Madiran é encorpado, robusto, vinho com personalidade, é como um bom Bordeaux sem ser Bordeaux. Na minha grelha de classificação leva cinco pontos na escala de Bordeaux, mas ainda leva dois pontitos na escala de Bourgogne. Apesar do corpo tem um aroma, mais a dar para os frutos vermelhos que é bem agradável. Tem um defeito que os apreciadores do vinho até costumam considerar como uma qualidade: é um vinho preguiçoso. Faz tudo devagar, leva algum tempo a envelhecer, aconselha-se vivamente as garrafas com mais de quatro anos para evitar decepções. Também é um vinho que leva tempo a respirar, é bom abrir a garrafa com antecedência, pelo menos uma horita. Quem não tem tempo para uma refeição pausada, longa, com conversa à mistura, é melhor não a acompanhar com um Madiran. A vantagem deste vinho é que, talvez por não ser um vinho muito comercial, está sistematicamente sub-valorizado. Encontram-se facilmente boas garrafas, com mais de 5 anos por menos de 7 euros. É um vinho que acompanha bem refeições ricas, como carnes grelhadas, assados, guisados, cozidos, estufados, bacalhau no forno, etc... (dentro do "etc..." cabe quase tudo, excepto sardinha assada num restaurante de praia em pleno Verão).
Graças aos ofícios de uma clube de amadores do vinho vieram-me parar às mãos duas excelentes garrafas (as indicações são do dito clube):
- Chateau des Crouseilles 2002 (Cepagens: Tannat 60%, Cabernet Franc 40%): Envelhecido em cascos de carvalho 24 meses. Cor brilhante, púpura, reflexos vermelhos. Aroma a cássis, pimenta, cravo-da-Índia, alcaçuz e baunilha. Taninos pujantes. Servir a 17°, com guizados, magret de canard, carne de vaca ou porco, caça ou quiejos.
- Arte Bénédicte 2000 (Cepagens: Tannat 70%, Cabernet Franc 25%, Cabernet Sauvignon 5%): Envelhecido de 10 a 14 meses em cascos de Carvalho. Cor vermelha rubi, reflexos negros. Nariz rico (sic) em frutos vermelhos, amoras, alcaçuz, especiaria, taninos grossos, final abaunilhado. Servir com daube (uma espécie de chanfana de vaca, receita provençal), aves, queijo. Guardar 5-10 anos.

domingo, 2 de setembro de 2007

O nosso contributo para a redução do défice...

É uma das melhores empresas públicas cá do burgo, e ainda por cima dá sempre lucro, mas é (ainda) pouco conhecida. Falo-vos da Companhia das Lezírias, situada no Ribatejo, entre Benavente e Alcochete, próximo da Reserva Natural do Estuário do Tejo (rezemos para que não se lembrem de fazer lá a pista dos boeings..). Além de prados floridos e toda a ambiência campina, têm uma óptima gama de vinhos, tanto tintos como brancos. Para hoje ficam as novidades, 2 brancos varietais: Arinto e Fernão Pires, castas de que já aqui falámos em nota anterior. O primeiro "é uma estreia" para a CL, com 4 mil garrafas já aí disponíveis (a 5,6€ no ECI). O segundo é uma casta que a CL já conhece de algibeira e com êxito, daí apostar num up-grade, comercializando 7 mil garrafas (a 4€ cada; +info aqui). O Arinto irá ser provado amanhã, ah pois é. Com a vantagem de assim ajudarmos a reduzir o défice, ah pois é.
Já que estamos em maré de provas, também lançámos isco num vinho verde assim mais refinado, com notas a ananás e manga, o premiado Reguengo de Melgaço, também ele de cara lavada em 2006 (c.9€ no ECI). De facto, a garrafa é uma beleza, ora vejam a imagem ao lado.
Entretanto, provou-se um branco suave da Bairrada, o Blaudus (VQPRD, colheita de 2006, a 4,65€ no ECI), combinando as castas Arinto, Bical e Maria Gomes, estas duas últimas conhecidos ex-libris daquela região. Gostei, até porque aguentou a comparação com o Prova Régia deste ano, que está de facto um espanto, com o sabor a fruta cítrica e tropical a combinar magnificamente com um toque mineral.
Enfim, a culpa é do calorzito que resolveu dar um arzinho da sua graça, o malandreco...

domingo, 26 de agosto de 2007

Vinhos de Palmela são bons p'ra ele e p'ra ela

À boleia da crítica de José A. Salvador na Visão da semana passada, aproveito para vos falar dum tipo de vinhos que é cá do agrado da casa: refiro-me aos vinhos de Palmela.

Nestes, há um produtor que se tem vindo a destacar, a Casa Ermelinda de Freitas.
É uma empresa vitivinícola familiar, que em poucos anos saltou de pequeno fabricante de vinhos a granel para um caso de sucesso, com vinhos muito competitivos e apostando em preços médios. Os principais críticos renderam-se-lhe, destacando a boa relação qualidade/ preço patente na maioria dos seus vinhos.
Dos seus 130 hectares de vinha, 100 são dedicados à casta Castelão, também conhecida como Castelão Francês, Periquita ou João Santarém. O Castelão é uma casta tinta elegante, não muito encorpada, com aromas a baunilha e frutos silvestres (em especial, a mirtilho).
Dos que têm Castelão, gosto e costumo comprar o Terras do Pó (seja o corrente, seja o reserva) e, por vezes, o Dona Ermelinda. Vários apreciadores destacam o seu Quinta da Mimosa, que em anos de boas colheitas origina o Leo D'Onor (sendo este caro, embora muito apreciado). Tudo vinhos premiados, tanto a nível nacional como internacional.
Quanto às 3 novas apostas varietais (Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional) sugiro a leitura dum post de José Teófilo Duarte reproduzido aqui.
Nos brancos, a região dedica-se muito às castas Fernão Pires e Moscatel, e esta casa tb. tem boa oferta nesta gama (nos mais acessíveis, e combinando ambas as castas, está em alta o Fonte do Nico, da Cooperativa Agrícola de St.º Isidro de Pegões).
Na região há outros bons produtores, Salvador destaca ainda um Verdelho especial da Coleção Privada do Domingos Soares Franco, além da Bacalhoa Vinhos, que tem 2 excelentes vinhos: o tinto Má Partilha (um Merlot guloso mas caro) e o branco Moscatel (a bom preço e gostoso). Então, boa conversa e bons vinhos!

domingo, 29 de julho de 2007

Para refrescar na canícula, um bom vinho branco Arinto

Em plena canícula, acompanhar marisco ou peixe grelhado com vinho tinto é um quanto suado, para não dizer inapropriado. É como aquela rábula antiga do restaurador Olex. Não dá mesmo.
Por isso, nada melhor que um vinho branco bem fresquinho (ou um espumante). Já falámos aqui dos vinhos brancos verdes, agora é a altura dum bom vinho branco com o máximo de frescura. Um dos que melhor encaixa neste perfil são os da casta Arinto. São vinhos brancos muito secos, frutados e cítricos.
Têm uma região especial só para eles, Bucelas, mesmo às portas da capital, embora sejam feitos um pouco por todo o país. Dos que conheço, recomendo, à cabeça, o Bucellas Arinto (Caves Velhas, c.6€) e o Prova Régia (Qt.ª da Romeira, c.5€). Outro excelente é o Vinha da Defesa, ainda que misturado com Antão Vaz e Roupeiro (Herdade do Esporão, c.7€; nos vinhos de lote, há a bom preço, c.5€, outro Caves Velhas, o Bucellas, que combina o Arinto com as castas Esgana Cão e Rabo de Ovelha). Para quem gosta de reservas há o Morgado de St.ª Catherina (onde ressalta muito a madeira, c.9€). A preços acessíveis há ainda que contar com o Quinta da Murta (distribuído pela cadeia Pingo Doce, c.4€).
Nos vinhos de colheita tardia feitos com Arinto tem que se destacar o Chão do Prado. Quem quiser pode visitar esta belíssima propriedade por alturas da Festa da Vindima, ou durante o ano, basta marcar reserva no seu restaurante, incorporado numa antiga casa rústica de apoio, entretanto recuperada.
Uma novidade recente é a feitura de vinhos espumantes com esta casta, uma boa experiência, recomenda-se vivamente a sua prova.
Nb: a 1.ª imagem é retirada daqui.; a 2.ª vem daqui.

domingo, 22 de julho de 2007

A grelha de classificação (ou como a ideologia me fez descobrir novos vinhos)

Porque hoje é o dia do Senhor, Sr. Baco evidentemente, aqui no Peão escreve-se sobre vinhos, e hoje é a minha vez. Nisto dos vinhos não sou propriamente um conhecedor, sou um apreciador mas não um conhecedor. A minha escrita vai ser portanto algo diletante, sobre o processo de aprendizagem e descoberta dos vinhos franceses (e, meus amigos, se há matéria para explorar!). Aviso prévio: regra geral só falo de vinhos tintos, sumo de uva não faz tanto o meu género.
Por defeito de formação, se não mesmo congénito, gosto de sistematizar as coisas de uma forma lógica (o que é uma grande mentira, mas é conveninte para o propósito deste post). Este meu primeiro post dos vinhos ao domingo vai ser sobre a minha sistematização dos vinhos fanceses, e não tanto sobre um vinho em particular. Descobri que os vinhos franceses podem ser classificados com a ajuda de um referencial cartesiano, lá está Descartes era francês e provavelmente inspirou-se no vinho. Nesse referencial temos Bordeaux nas abcissas e Bourgogne nas ordenadas.
O Bordeaux é tipicamente mais encorpado, de cor mais escura e mais alcoólico (por isso fica no eixo horizontal, não é por acaso). As principais castas de Bordeaux são o Cabernet Savignon, o Cabernet Franc e o Merlot. O Bourgogne é mais rico em aromas (porventura subtis), de cor mais clara e menos alcoólico. As principais castas são o Pinot Noir (a mais importante e tradicional) e o Pinot Gris (e para quem interessarem os brancos, o Chardonnay). Os outros vinhos franceses situam-se, neste referencial, algures entre estes dois extremos. Os mais aromáticos e delicados são a atirar para o Bourgogne e os mais robustos e fortes são a dar para o Bordeaux. Convém ter sempre presente a noção de que tudo é relativo, quando digo encorpado estou medir na escala francesa, porque se fosse encorpado como o mais pujante dos Borbas, lá ia a grelha de classificação para o hiper-espaço. Devo admitir que sendo eu um gajo de esquerda minha inclinação natural é para os vinhos mais encorpados (essa estória dos aromas subtis parece-me até uma treta um bocado burguesa), gosto dos vinhos de degustação longa a acompanhar repastos demorados como nos falava o Renato domingo passado. Logo o meu preconceito vai mais para o lado dos Bordeaux, e já bebi uns quantos de muio boa qualidade.
Nisto vi um documentário, o Mondovino (sobre o qual o peão Daniel Melo escreveu nos tempos do Fuga para a Vitória). O documentário Mondovino mostra impecavelmente como um grupo empresarial forte, no caso a americana Mondavi, consegue com o seu poderio económico, e através de ramificações com a imprensa especializada e influência de críticos do vinho, impôr no mercado internacional um padrão do "bom gosto". O tal padrão de "bom gosto" é o vinho de cor escura, encorpado e com elevado teor alcoólico. Um dos parceiros da Mondavi, François Roland, é um consultor em vinhos que vende uma tecnologia, a micro-oxigenação, basicamente faz com a fermentação seja completa, o que leva a que o vinho seja escuro, encorpado e alcoolizado. Quem passa a trabalhar com Michel Roland vê logo as vendas subirem. Quem mais benificia são os vinhos californianos e o Bordeaux (e sobretudo a Mondavi). Quem perde é o consumidor que procura a diversidade de vinhas e casta, e quem se dedica a produzir outros vinhos fora do "padrão".
No documentário Bourgogne aparece como os antipodas do Bordeaux também na virtude e na pureza do cultivo da vinha. Em defesa do Bourgogne há um vitivinicultor da região que diz que os vinhos de hoje, referindo-se tal "padrão de bom gosto" são vinhos transversais, enquanto os Bourgogne, e outros vinhos tradicionais são longitudinais. Quer ele com isto dizer que nos vinhos transversais o sabor está todo lá desde o primeiro gole, é como chocar contra uma parede, vem tudo de uma vez e dali não sai mais nada. Nos vinhos longitudinais, pelo contrário, os sabores vão-se desenvolvendo ao longo do tempo, com a degustação há aromas que vão aparecendo progressivamente. Nisto tenho que dar razão ao apreciador dos vinhos longitudinais, afinal essa é uma, senão a, caracteristica do vinho que o torna único como bebida e que cativa os apreciadores. O meu esquerdismo levou-me assim a descobrir o Bourgogne e a abandonar o Bordeaux.
Não quero no entanto acabar este post sem deixar um par de sugestões de garrafas. O melhor Bourgogone que já bebi, graças aos bons ofícios de um amigo, foi um Fixin 2001 Domaine de la Croix de Bois (não é bem o que está na foto mas quase), dificil de encontrar em super-mercados. Como convém foi consumido a acompanhar um Boeuf Bourgignon - estufado de vaca ele próprio cozinhado num Bourgogne. Do que se encontra em super-mercados o Domaine du Pavillon 2001, Pinot Noir, não é nada mau e fica por 7,50 euros.
Mas ainda assim, o Bourgogne não é o vinho que me enche completamente as medidas, apesar de tudo continua ser demasiado franzino para o meu gosto. E provavelmente é a região que mais sucesso de vendas tem, a seguir a Bordeaux, outros há que sofrem mais do que Bourgogne com a globalização no mercado do vinho. Estas constatações obrigaram-me a procurar outros vinhos noutras paragens, mas isso fica para uma próxima oportunidade, um outro domingo aqui no Peão.

domingo, 8 de julho de 2007

A frescura única dos Alvarinhos


O melhor Alvarinho, afinal, não é o galego mas sim o minhoto! Quem no-lo recordou foi João Paulo Martins, com a audácia do saber de experiência feito, espaldado num júri de 12 peritos, i.e., a 1.ª Prova Ibérica de vinhos Alvarinhos, realizada em Pontevedra em Junho de 2006 (+info aqui). Não sei se o Daniel Lanero me vai perdoar esta ousadia…
Deixemos de lado os mitos que caem por terra, e vamos lá às ‘notas’ de provas.
O vinho verde com melhor relação qualidade-preço é, sem dúvida, o Muralhas de Monção (c.3,80€ no Jumbo). Todos os grandes críticos o dizem, desde o José A. Salvador ao João Paulo Martins. Este vinho tem um acídulo muito acentuado, um ‘pico’ forte compensado com muita frescura, sendo por isso bom de beber com um arroz de marisco um pouco picante, choco frito ou comida japonesa. Ao Alvarinho predominante é juntado um pouco de Trajadura, que lhe acentua a tal frescura, a exemplo do que fazem na Galiza (é o que nos diz José A. Salvador, Os 100 melhores vinhos portugueses 2000, p.30).
É feito com os lotes menos nobres da Adega Cooperativa de Monção, sendo que os melhores são destinados ao Deu-la-Deu ou Danaide.
O Deu-la-Deu (c.5,80€) é o seguinte melhor em conta (ficou em 2.º no concurso), e, para nossa sorte há em todo o lado também. É menos ácido do que o anterior, mais equilibrado.
Se calhar por o ter bebido menos vezes, o meu preferido agora é o galego Pazo de Señorans 2005 (3.º lugar ex-aequo), muito cremoso e elegante.
Ainda na 1.ª Prova foram destacados outros excelentes verdes: o vencedor (Quinta do Regueiro Vinho Verde Alvarinho 2005, só provei uma vez, na altura gostei mas não tenho grandes recordações), o Alvarinho Touquinheiras (3.º lugar ex-aequo) e o Muros Antigos (7.º).
E sem esquecer o Muros de Melgaço (c.15€), que desconheço mas que é tido por um bom vinho, embora não figure nos 10 mais daquela lista.
Enfim, para o fim a melhor parte: segundo João Paulo Martins, neste momento qualquer alvarinho é bem feito, por isso, nada de delongas. Mas, atenção, será preferível guardar-se por 1 ano a colheita entretanto saída. Por isso, agora dever-se-á beber um vinho de 2005 (“Alvarinho: melhor ao segundo ano”, Público, 23/VI, p. 13-Fugas).
Nb: sobre o Deu-la-Deu vd. tb. aqui; sobre o que é o vinho verde (que não se resume às castas Alvarinho e Trajadura, havendo ainda pelo menos a Loureiro) vd. aqui.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Finalmente se fala aqui de vinhos, já não era sem tempo

Sempre na vanguarda artística, tenho o grato prazer de vos anunciar a estreia neste blogue duma rubrica, e logo dedicada a vinhos!

Diz que é costume este tipo de prosa sair aos domingos, por isso, há que saber aguardar uns diazitos.
Entretanto, aqui ficam uns rabiscos, à guisa de intróito.
Confirma-se: a vinhaça lusa está em alta, em termos de produção, qualidade e reconhecimento, tanto nacional como internacional. Já não é só o vinho do Porto que os críticos estrangeiros elogiam. Para isso ajudou a melhoria do produto e a crescente participação e reconhecimento em concursos internacionais. A crítica inglesa Jancis Robinson foi uma das primeiras a reconhecê-lo. Agora, até o papa dos críticos americanos, Robert Parker, deu o braço a torcer e já elogia os vinhos portugueses sem se limitar a uns quantos e sem tentar impor o rolo compressor do gosto fácil e de 2-3 castas que vende no seu mercado nativo.
Isto significa também um reconhecimento das próprias castas nacionais, a começar na Touriga Nacional e na Antão Vaz.
Disso nos dá conta um dos melhores críticos de vinhos nacional, David Lopes Ramos, no seu artigo "Vinhos portugueses, o desafio do mercado mundial" (Público de hoje, p. 3, secção «destaque»).
Por mim, podíamos também falar na Castelão (também chamada de Castelão francês, Periquita ou João Santarém, consoante as zonas de cultivo) e na Baga, no que toca a castas tintas, e no Arinto, Encruzado, Bical, Malvasia-fina e outras, no que toca a castas brancas.
Alcemos, portanto, o copo ao Baco das vinhas nativas.
Uma nota só de reparo: apesar dos bons ventos, o preço deste néctar está um pouco inflaccionado para as bolsas nacionais e os principais críticos de vinhos portugueses não desistem de condenar esta situação (vd. DLR, João Afonso e João Paulo Martins). Há, portanto, que saber escolher, vendo os guias que trazem as melhores relações qualidade-preço, comparando preços em vários estabelecimentos, indo às feiras e às adegas, falando com amigos, etc..
No domingo falarei de alvarinhos, ides ter uma surpresa...
PS: já me ia esquecendo: as dicas básicas sobre como saborear um vinho vêm todas no site da Jancis Robinson.