A 3.ª greve geral unitária em Portugal faz-se amanhã, contra o austeritarismo assimétrico.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Um dia na rua
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Daniel Melo
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terça-feira, 15 de março de 2011
Para a história dos conflitos sociais no século XX (agenda)
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
As revoluções do momento: Líbia, Barhein e Iémen
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Mostra dos 40 anos da CGTP
No âmbito das comemorações dos seus 40 anos, a CGTP abre hoje uma exposição comemorativa no Largo Camões, em Lisboa.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
2.ª greve geral unitária é hoje
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
É já amanhã
cartoon de Zé dalmeidanb: informação actualizada aqui.; série completa de cartoons de Zé dalmeida sobre a greve aqui.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Novos caminhos para sair da crise (agenda)
Programa aqui. Mais informações no blogue CSI- Conferência Sindical Internacional.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Os vários tempos do sindicalismo
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Não ao PECado da gula dos especuladores
O acordo do governo PS com o PSD “para acalmar os mercados” protege o capital e penaliza trabalhadores, pensionistas e desempregados.Só não pode acalmar o povo e os trabalhadores.
O essencial do pacote é o imposto sobre o trabalho e o consumo dos produtos e bens de primeira necessidade.
Por isso dizemos NÃO!
CGTP | Grande Manifestação Nacional | 29 de Maio de 2010 | Lisboa - 15h - Marquês de Pombal > Restauradores
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Pressão cívica para acabar com os offshores e a economia de casino
Com o fim de pôr cobro a um dos cancros do sistema económico internacional, os offshores e a «economia de casino», a CGTP lançou a petição «Para a urgente eliminação dos Paraísos Fiscais». A petição está em linha com os alertas e denúncias que têm vindo a ser produzidos por entidades de diversa índole, sejam estruturas públicas internacionais como a OIT, sejam sindicatos, sejam cientistas sociais e outros peritos. Em Portugal, pretende-se extinguir a «zona franca» da Madeira.Como refere a petição, a economia de casino que nos têm apresentado como uma fatalidade, ou que têm combatido de modo débil, «é inseparável do agravamento das desigualdades sociais, da pobreza e da insustentabilidade do modelo económico e social seguido». Portanto, as opções políticas a tomar, e para as quais estas petições pretendem ser uma forma de pressão legítima e cidadã, são claras: ou se reage a sério ou se é cúmplice de efeitos muito negativos sobre a justiça e a paz sociais internacionais.
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sexta-feira, 20 de março de 2009
A vida atribulada dum anúncio oficial que só durou um dia, em 5 passos
1. O anúncio da polémica: Antena1.
2. As críticas acertadas: CGTP; PCP; PSD; blogosfera (Arrastão, 5Dias, etc.).
3. As desculpas sonsas: RTP; ministro dos Assuntos Paralamentares.
4. A declaração exemplar dos provedores da Rádio e Tv públicas.
5. A marcha-atrás da RTP.
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sexta-feira, 13 de março de 2009
Andar a pé faz bem à saúde... e ao ambiente!
Com o tempo soalheiro que faz, aproveite-se a boleia deste desfile pelas avenidas centrais de Lisboa, que juntará seguramente muitos milhares de peões.
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terça-feira, 10 de junho de 2008
Cartas na mesa...
...é o nome do novo programa de entrevistas da jornalista Constança Cunha e Sá, nas noites de 3.ª na TVI. Hoje foi a vez de Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP.Foi uma boa entrevista, sem espalhafato decibélico, onde se sabia bem quem era o entrevistado (ao contrário do que sucede noutros canais), com tempo para falar, perguntas difíceis e respostas estimulantes. O início estendeu-se um pouco na paralisação dos camionistas, embora seja o tema do dia, mas depois houve tempo para se abordarem várias questões mais relevantes.
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sexta-feira, 6 de junho de 2008
O íman-mor das manifs
Mais de 200 mil pessoas protestaram ontem em Lisboa contra a proposta governamental de revisão do Código do Trabalho (vd. notícias e imagens aqui, e tb. aqui). Segundo a PSP foram 200 mil, segundo a CGTP foram 270 mil os portugueses que desceram a Av. da Liberdade esta 5.ª feira.O governo actual arrisca-se a ficar na história recente de Portugal como o íman-mor das manifs, tal é a adesão que despoleta. Nem tudo é mau: sempre ganha um troféu!
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Daniel Melo
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
Concurso de tiros no pé
Começando pelo fim, depois de quase duas semanas de greves nos transportes, Sarkozy vem afirmar que não recua, e que as suas reformas são para levar até ao fim. É nesse momento que os sindicatos terminam com as greves e se sentam à mesa das negociações. Aqui há algo errado (digo eu...), normalmente quando o governo se mostra intransigente é altura de começar as greves, não de acabar. Ora acontece que nessa altura os sindicatos já tinham desbaratado qualquer capital de contestação que poderiam ter. A adesão à greve baixava de dia para dia e as reivindicações dos grevistas eram impopulares para a maioria da opinião pública. Naturalmente que neste braço de ferro, como se temia, é o governo quem leva a melhor. Isto insere-se num clima em que uma parte da esquerda parece querer ganhar na rua o que perdeu nas urnas. A contestação estudantil de que fala o André é um bom exemplo disso mesmo.
A contestação actual, tal como está a ser feita, é antes de mais um erro de estratégia. Tão pouco tempo depois de a direita ter ganho claramente as eleições presidenciais e legislativas, e quando uma parte destas reformas foram promessas eleitorais, Sarkozy e o seu governo têm uma forte legitimidade. E, mais importante ainda, qualquer contestação tem que ser em defesa de uma causa justa, e vista como justa pela opinião pública. A manutenção de regimes especiais de reformas para os maquinistas, que são objectivamente um privilégio de uma classe em particular, não são, obviamente, bem vistos (nem me parecem sutentável hoje em dia reformas aos 50/55 anos). Fazer a oposição da Sarkozy na rua, neste momento, e desta maneira, só descredibiliza a esquerda. Para além da questão de estratégia, também por uma questão de princípio tenho reservas. As formas extremas de protesto que não tenham um apoio da opinião pública, e que não tenham uma causa justa (e acredito que numa democracia as duas coisas tendem a andar juntas), pecam por falta de legitimidade. Estes protestos - Greves nos transportes, a que se juntam a função pública, com os estudantes a tentar ir à boleia - aparecem como uma amálgama de sentimentos difusos anti-Sarkozy que procuram apenas um qualquer pretexto para atacar o geverno, seja o pretexto qual for. Claro que o governo Fillon/Sarkozy agradece, e vai já tentar levar a reboque a reforma do contrato de trabalho, essa sim bem mais preocupante para a generalidade dos trabalhadores. Mas quando chegar a altura de protestar contra o que realmente interessa os cartuxos vão estar já todos queimados.
E nisto onde andam os partidos? Do PSF não se houve falar. Os pequenos partidos à esquerda do PS estão na rua, a tentar agitar as massas. Cada um por si a tentar ser o polo aglutinador da contestação, o que quer dizer na prática cada um a puxar para seu lado. Numa altura em que a direita vai estar no poder por cinco anos, com a presidência e a maioria absoluta, é uma boa altura para a esquerda francesa respirar e pensar. É uma boa altura para se lançar num debate ideológico entre esquerdas, para procurar convergências e estratégias de oposição comuns. Frentista se necessário. Nunca como agora foi uma boa altura para fazer uma união da esquerda, com causas e lutas comuns. O que é exactamente aquilo que a esquerda francesa não está a fazer.
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Zèd
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terça-feira, 13 de novembro de 2007
Ça passe ou ça casse (qu'é como quem diz: ou vai ou racha)
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Zèd
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quinta-feira, 19 de julho de 2007
Começa assim...
Diga-se contudo que estas medidas não serão neste momento particularmente impopulares. O uso imprudente, para não dizer irresponsável, do direito à greve por parte dos sindicatos nos últimos anos (talvez nos últimos 40 anos, ou coisa do género), e em particular em sectores como os transportes que causam incómodo à população, criou um clima propício à aceitação deste tipo de medidas (o que foi aliás utilizado durante a campanha eleitoral). Esperemos que os sindicatos retirem daí as suas ilacções. Duvido. Sarkozy agradece.
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Zèd
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quarta-feira, 30 de maio de 2007
Sindicalismo precisa-se!
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Renato Carmo
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
Ainda os trabalhadores europeus - e o significado não-hipócrita de "solidariedade"
O Nuno Teles - a quem agradeço a réplica - acha que eu adiro acriticamente ao modelo neoclássico do mercado de trabalho para justificar o meu post anterior de comentário crítico ao dele sobre o conflito entre trabalhadores suecos e letões. É falso que o meu quadro de partida seja neoclássico; a melhor teoria do mercado de trabalho disponível é a "corporatista", e é dos seus pressupostos que parto, seja para analisar empiriciamente o problema, seja para avaliar politicamente os dilemas criados - e já agora, para pensar numa eventual saída para eles.
O que é que está aqui em causa (retirada deste livro (p.23))? Olhemos para a foto, que representa o modelo Calmfors-Driffill, que nos diz que o desemprego será baixo tanto no melhor dos mundos neo-liberal, o do firm-level bargaining ou no melhor dos mundos social-democrata, o do economy-level bargaining. Ele tenderá a ser alto quanto a negociação é sectorial e envolve competição entre vários sindicatos pouco preocupados com a externalidades produzidas pelas suas acções e reivindicações.
O que faz a força do modelo sueco? O que os sindicatos suecos conseguiram foi levar o nível da negociação para um nível de coordenação nacional e evitar a fragmentação da representação de interesses que tantos problemas causa em países como a França ou a Itália na luta contra o desemprego (Portugal também poderia ser incluído neste grupo, fica para outra discussão). Ou seja, a Suécia tem, tradicionalmente, um economy-level bargaining e a França e a Itália têm um industry-level bargaining. Foi assim que os suecos conseguiram a sua dinâmica economia capitalista (à força de tanto se dizer mal do capitalismo, convém de vez em quando lembrar que a Suécia é um país capitalista, mesmo que com uma variante muito particular :)); deixa-me discordar frontalmente: não por uma luta através da luta social nacional e internacional(ista), muitas vezes trágica. Isto é uma reconstrução da história a posteriori. O que o movimento operário sueco soube fazer foi ser mais inteligente que os capitalistas; em vez de lutar e reinvindicar isto e aquilo sem uma estratégia definida, propôs um modelo de desenvolvimento da economia, o modelo Rehn-Meidner, que é base da compressão salarial, das políticas de mercado de trabalho activas e da flexibilidade interna que fez sucesso durante décadas. E, sim, isso envolveu aceitarem "provisoriamente salários bem mais baixos do que os seus congéneres", porque o que o modelo envolve é uma pressão sobre os salários compensada pela expansão de serviços públicos fornecidos pelo Estado. O crescimento dos salários nunca foi uma prioridade central do movimento operário sueco, porque a dinâmica da economia depende das exportações, e qualquer wage drift insensato prejudicaria tanto os capitalistas como trabalhadores. A prioridade era o pleno emprego.
Quanto ao "modelo social europeu" que os trabalhadores suecos dizes terem alcançado, bom, o que apetece dizer é que o "modelo social europeu" é uma ficção no pior dos casos, e um ideal regulador kantiano no melhor. A diversidade nos sistemas de protecção social e laboral na Europa é tal - tanto ao nível da cobertura como ao nível da forma como estão desenhados - que devemos ter cuidado em utilizar essa expressão: sobretudo quando há vested interests a quem ela serve bem, e outros que o mesmo modelo deixa de fora.
Voltemos ao modelo Calmfors-Driffill. O problema actual é que aquilo que os suecos haviam resolvido a nível nacional regressa agora a nível europeu. Agora, quando há, por exemplo, dois países envolvidos, emergem os problemas de coordenação que haviam sido internalizados a nível nacional, e somos arrastados de novo para uma situação equivalente à do industry-level, em que existe competição entre centrais sindicais - que por isso não estão muito preocupadas com as externalidades negativas que provocam na constituency alheia (mesmo que continuem a falar dos "trabalhadores" como se fossem uma massa "homogénea" e com os mesmo interesses) - e que arrisca fazer subir o desemprego ou a inflação porque os trabalhadores melhor colocados não estão dispostos a perder as suas boas condições ("boas", relativamente, claro).
Atenção: isto é muito importante, e por isso repito: os trabalhadores melhor colocados não estão dispostos a perder. Ora, toda a questão é que eles DEVIAM estar dispostos a perder algo, sim, mesmo que seja um pouco, mesmo que seja por um tempo.
Repara: o que acontecia no modelo Rehn-Meidner era que os trabalhadores mais qualificados - ou seja, que podiam usar o seu poder de mercado para exigir melhores salários - aceitaram ceder essa vantagem e com isso permitir que os trabalhadores menos qualificados e mais mal pagos fossem integrados na estrutura sindical e ganhassem com isso melhores condições do que se estivessem no papel de outsiders. É isto que faz da estrutura salarial sueca uma das menos inigualitárias do mundo (provavelmente a menos inigualitária - depois vamos a este pormenor). É isto que se chama solidariedade: os que podiam fazer uso da sua posição contra os mais frágeis aceitam enveredar por um self-containment de forma a que os mais frágeis possam ser puxados para cima. Esta é a história que é regularmente esquecida na narrativa das "lutas sindicais": é que sem cedências daquela que podia transformar-se numa labour aristocracy, os verdadeiros proletários teriam continuado na indigência. É isto que faz a compressão salarial, a alta produtividade, o sentido de coesão e de solidariedade.
Ora, é isto que os trabalhadore suecos - se bem percebi a episódio em causa, mas se ele não ocorreu exactamente assim, o problema que apresento e o meu raciocínio, mesmo que meramente hipotéticos, continuam a ser válidos - parecem não querer aceitar. Achar que o problema se resolve alinhando as regras por cima, de forma automática, é falacioso, porque isso faz simplesmente isto aos trabalhadores letões: it prices them out of the market. E deixa-os potencialmente no desemprego, sem protecção social decente (comparada com as que os suecos têm). Ora, isto, desculpa Nuno, é que não pode ser: e se não és indiferente a estes trabalhadores, então pensa duas vezes na sua situação antes de te preocupares mais com os que ganham muito mais e têm protecção muito superior. Eu, por método rawlsiano, penso sempre nos que estão pior. E aqui, eu estou muito mais preocupado com os letões do que com os suecos. Não preciso explicar melhor porquê.
Como é que isto pode ser contornado? Bom, em teoria, tornando efectivo a nível internacional algo similar ao que foi possível fazer a nível nacional. Descontando os obstáculos empíricos - que são enormes, como calculas -, não seria impossível, por exemplo, através de políticas de mercado de trabalho activas, melhorar as competências dos trabalhadores letões e torná-los mais produtivos e competitivos, partilhando com eles os fundos que estão ao dispor dos trabalhadores suecos (por exemplo, o fundo de desemprego dos trabalhadores suecos auxiliar os trabalhadores letões em caso de necessidade). O ideal seria um pooling de fundos e de riscos, no sentido lato. Uma estratégia solidarista passaria pelos trabalhadores suecos apertarem um pouco o cinto, redistribuindo algum dinheiro e condições pelos seus colegas letões, que apesar de tudo poderão ter que aceitar ganhar um pouco menos, dado que partem de condições muito diferentes. Mas isto são questões de acerto empírico. O principal é uma questão de estratégia. Agora, claro, isto é muitíssimo mais complicado à escala inter-nacional do que à escala nacional (ainda por cima em países pequenos: não é por acaso que o economy level-bargaining foi instituído em países pequenos como os nórdicos; fazê-lo em países de 40, 50, 60 milhões de habitantes como os grandes países europeus era mais complicado). O problema está todo aqui. E não pode ser ignorado pensando que vamos resolver o problema internacional comportando-nos como no passado, quando este tipo de competição internacional não se colocava. Porque o problema é este: desta maneira (ficando-lhes com o contrato), os trabalhadores suecos não estão a ajudar os trabalhadores letões que, como eu argumentei no meu post anterior, não vão ter outro recurso, numa próximo round negocial, senão concorrer ainda mais em função do preço e não da qualidade.
Gosta Rehn e Rudolf Meidner não argumentariam - nem eu - a favor da competição entre os dois grupos de trabalhadores: eles veriam os letões, como viam dantes os trabalhadores suecos não-qualificados e mal pagos, como um perverso subsídio ao capital. A solução - em teoria, repito -, é os sindicatos conseguirem chegar a um acordo de cooperação, de forma a reduzir as diferenças entre os trabalhadores, pagando mais aos letões, subsidiando a sua formação, etc., mas com um trade-off: neste modelo, os trabalhadores suecos teriam que redistribuir parte do que têm direito, para melhorar as condições dos trabalhadores letões. Tal como os trabalhadores mais qualificados suecos dos anos 50 que podiam ter feito finca pé e ter argumentado algo semelhante a "eu não abdico da minha posição de mercado e do salário que mereço", mas não o fizeram, também os trabalhadores suecos hoje deviam dizer "eu abdico de um pouco dos meus direitos adquiridos ao longo de décadas para que os meus camaradas letões possam ter emprego, ganhar um pouco melhor, e aprender competências novas. Isto é que é solidariedade: nós, suecos, que temos o melhor sistema de protecção social da Europa, devemos-lhes isso".
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Hugo Mendes
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sexta-feira, 25 de maio de 2007
As vitórias (?) dos trabalhadores "europeus"
O caso que o Nuno Teles relata no Ladrões de Bicicletas deixa-me francamente ambivalente. Não vou repetir os pormenores factuais que estão descritos no post do Nuno. O que me incomoda q.b. é o discurso de vitória dos trabalhadores - devidamente sancionado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia - protegidos pelo sindicato sueco contra os trabalhadores letões.
O argumento, claro, é o do "dumping" social: os letões ganham, isto é, cobram menos, substancialmente menos que os suecos. O Nuno acha que isto foi uma vitória do modelo sueco, do qual eu também sou adepto. Talvez o seja. Mas não vejo em lado nenhum preocupação pelo que aconteceu aos trabalhadores letões que perderam o contrato. Serão uma mera "externalidade"?
Pensemos de forma contrafactual por um instante e imaginemos que os letões ganharam o contrato. O que aconteceria aos trabalhadores suecos? Caso não tenham outros contratos em vista, cairiam na rede daquele que é um dos Estados sociais mais - senão o mais, tirando o Luxemburgo - generosos da Europa (ver quadro). Os tr
abalhadores letões, esses, ganhariam algum dinheiro e experiência. Para a "próxima", talvez os seus salários não fossem tão baixos e o tal "dumping", por parte dos investidores, não fosse tão atractivo, e outras coisas que não o preço da mão-de-obra pesassem mais na decisão (e como sabemos, as variáveis são múltiplas).
Voltemos à realidade: o que vai acontecer depois desta decisão? Os trabalhadores suecos talvez fiquem mais ricos. Os trabalhadores letões, esses, seguramente, não o vão ficar. E vão ficar, se não tiverem alternativas, entregues ao sistema nacional que menos gasta na protecção dos trabalhadores (ver quadro). E para a próxima, vão muito provavelmente ter de concorrer com base em valores mais baixos, agravando o "dumping". Porque não ficaram mais ricos depois desta decisão, maior é o incentivo para que aceitem, no futuro, condições mais adversas e salários mais baixos. Como facilmente se percebe, esta dinâmica arrisca-se a transformar em espiral - fazendo com que a luta contra o "dumping" por parte dos protegidos alimente, precisamente, no momento seguinte, a tentação do "dumping" por parte dos não-protegidos.
O Nuno diz que foram os trabalhadores "europeus" que ganharam. Bom, talvez, se partirmos do princípio que os letões não são europeus. E se partirmos do princípio que há outra saída para os trabalhadores letões enriquecerem que não passe por, provisoriamente, terem que aceitar salários que são bem mais baixos que os dos seus "camaradas" suecos. E se partirmos do princípio que é assim que se luta contra as desigualdades intra-europeias. E se partirmos do princípio que a esquerda deve defender os bem estabelecidos insiders contra os precários outsiders. E assim por diante.
Imaginem que isto se passava entre os trabalhadores suecos e portugueses - com estes no papel de letões. Deveríamos aplaudir a vitória dos trabalhadores suecos, mesmo que isso aumentasse o desemprego em Portugal? Daria certamente mais uma razão para protestar contra o Governo...
Esta "vitória" protege os trabalhadores mais ricos da Europa e mantém lá bem no fundo os mais pobres. Se isto é uma "vitória" da "esquerda europeia", tem de ser de Pirro. E, depois, um dia, não estranhem que os trabalhadores letões, se lhes perguntarem o significa para eles a "Europa social", eles respondam que é uma enorme hipocrisia.
P.S. - Primeiro publicado aqui.
Posted by
Hugo Mendes
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