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terça-feira, 3 de abril de 2012

Negociatas Parque Mayer e Feira Popular recusadas pelo tribunal

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Volte-face inesperado (a justiça nem sempre se engana...)

Adenda: a complementar com o post «A negociata do Parque Mayer», de Tiago Mota Saraiva.

domingo, 27 de maio de 2007

Lá vai a miúda

A miúda do Parque Mayer faz 100 anos. É verdade: é neste ano o centenário do nascimento da grande fadista Hermínia Silva.
Hermínia surgiu como profissional do mundo do espectáculo no Parque Mayer, enquanto fadista em peças de teatro de revista aí exibidas. Nunca teve o sucesso internacional de Amália, embora esta a achasse a maior das fadistas. Foi das artistas mais queridas do público lisboeta. Levou o fado ao teatro e ao cinema, e foi precursora de Carlos do Carmo em ressaltar no fado o seu lado festivo e vivaz.
A propósito do foguetório de ontem em Lisboa, a anunciar um festival rockeiro de 2008 (portanto, daqui a 13 meses), nós aqui preferimos evocar vozes de boas cantoras portuguesas, com 5 meses de antecedência (é a 23/X). Em 2004 foi-lhe dedicada uma biografia: Recordar Hermínia Silva, de Vítor Duarte Marceneiro, neto do também fadista Alfredo Marceneiro. Mais informações aqui e aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Os peões também têm cartaz!

É verdade, amiguinhos, também fizemos o nosso posterzito, um pouco a correr, confesso, um bocado no desenrasca, vero, mas a vida é mesmo assim.
A propósito, hoje foi dia de debate sobre o Parque Mayer na Ordem dos Arquitectos. As conclusões estão aqui e vão no sentido daquilo que já avançáramos. A arq.ª Ana Tostões diz que está farta de escrever cartas para a CML a pedir a salvaguarda do cinema Capitólio, mas que até hoje têm feito orelhas de mercador. Acho injusto esta hipótese: então não se está mesmo a ver que se trata de poupança, neste caso em selos?
O arq. Nuno Teotónio Pereira avalia o projecto de renovação de Frank Ghery como «um amontoado de edifícios que tapa a presença da massa arbórea do Jardim e que teria graves consequências ambientais para a cidade de Lisboa». A socióloga Luísa Schmidt, o arq. Ribeiro Teles e restantes membros do painel afinam pelo mesmo diapasão. Será que este debate em crescendo ainda vai a tempo de prevenir o pior?

segunda-feira, 5 de março de 2007

Peões por Lisboa - Propostas concretas (IV) - política cultural

A política cultural é a área que se segue nesta série que pretende contribuir para uma nova política municipal em Lisboa, e por arrasto, para se repensarem as políticas públicas em geral (Zèd, aqui vai então uma tentativa de resposta ao teu repto :).
A par do urbanismo, a área cultural foi das mais penalizadas pelo consulado Santana-Carmona, pese a azáfama à outrance de Eduardo Prado Coelho para nos tentar vender o vereador José Amaral Lopes como o oposto do desastre portuense.
O 3.º maior arquivo do país, o Arq.º Histórico da CML, está fechado há 4 anos e não se criou uma alternativa temporária para a sua consulta em condições, só delírios megalómanos para um município como o de Lisboa, atolado em dívidas (refiro-me ao mirífico Arq.º/bib. central do Vale de St.º António).
Uma política cultural para Lisboa deve assentar nalguns pressupostos simples, que analisarei de seguida.
Desde logo, devia-se encontrar um espaço provisório para instalar o referido Arq.º Hist.º, e que tivesse boas acessibilidades e um mínimo de condições de trabalho para os estudiosos (um dos muitos palacetes seria suficiente).
Desviar o dinheiro de foguetórios mil e destiná-los a obra séria também ajudaria, reforçando-se a rede de bibliotecas municipais (incluindo uma maior divulgação das unidades itinerantes e a criação dum protocolo com as associações voluntárias para a divulgação mútua de acervos, por ex. nas bases de dados bibliográficas). Aqui seria importante articular esta aposta com a da sua dinamização cultural (extensivo aos espaços arquivísticos municipais) através de sessões culturais, debates com autores, conferências temáticas (p.e., um especialista por mês no espaço x falando do assunto y), incluindo a aposta em debates sobre a cidade e a comunidade, etc.. O Arq.º Fotográfico devia ser mais apoiado na feitura de exposições documentais e artísticas, assim reforçando o seu acervo e os olhares sobre a cidade. Devia tb. assumir-se como fonte de abastecimento da rede museológica.
Devia-se reformar o Museu da Cidade, que parou claramente no tempo. Não seria muito difícil e podia começar por 3 áreas: o quotidiano e as identidades; o urbanismo; e a memória cívica. Na 1.ª podiam entrar as marchas populares e outras festividades, atraindo assim as colectividades e seus associados enquanto um dos novos públicos dos núcleos museológicos municipais. Aí tb. podiam entrar os pregões populares, entrevistas a alfacinhas, imagens de arquivo, etc.. O urbanismo seria um modo de estar inscrito na própria estratégia municipal este questionamento permanente sobre o passado, presente e futuro da cidade em que se vive, despertando o espírito crítico, a exigência e o envolvimento dos cidadãos. Na última área caberia trabalhar criticamente a memória da luta contra a ditadura, com novo núcleo museológico na antiga sede da polícia política e articulado com uma renovada Bib.ª-Museu da República e Resistência.
Outra área estratégica devia ser a da formação de novos públicos, ligando-a ao sector educativo de modo a ajudar a quebrar o pouco valor por muitos ainda creditado ao sector cultural, devido à tal concepção do seu uso decorativo e mundano. Os roteiros culturais deviam reforçar-se, e serem articulados com visitas com olissipógrafos. Certos festivais de cinema e similares teriam apoio municipal para iniciativas nesta área.
Deviam ainda estabelecer-se protocolos com associações voluntárias, com visitas guiadas a algumas para as escolas municipais e para outros públicos. Instituições como a Voz do Operário, o Ateneu Comercial, as casas regionalistas, os museus de alguns clubes de futebol, etc., podiam ser alguns dos interlocutores válidos. Dessas visitas podiam resultar experiências pedagógicas, como trabalhos e relatos das visitas na sala de aula.
Certos edifícios deviam ser disponibilizados para pólos revitalizadores a nível comunitário, estabelecendo-se objectivos e parcerias com o terceiro sector, privados e poderes central e regional para o seu funcionamento. Neste âmbito, um exemplo modelar é o da Quinta de N.ª Sr.ª da Paz, que devia ser o Museu da Criança/ do Brinquedo, dando seguimento aos estudos realizados por técnicos municipais e apresentados na Assembleia Municipal (sobre o assunto vd. aqui e aqui).
O compromisso de recuperar o Teatro A Capital devia concretizar-se, pois era um pólo muito dinâmico e cosmopolita no Bairro Alto (a propósito, a algazarra copística no meio da rua aqui e noutros sítios devia ser proibida).
A divulgação também podia melhorar: não faz sentido haver edição municipal que nem a própria edilidade cuida, com obras ausentes das próprias bibliotecas municipais! Há um célebre Dicionário de História de Lisboa que se encontra esgotado há anos e que a Livraria municipal já devia ter reeditado. Devia-se pôr termo à edição voraz de brochuras caras e inacessíveis; o sítio de Internet seria o suporte ideal. À agenda cultural devia retirar-se a informação fixa (a inserir num guia de equipamentos culturais), centrando-se aquela somente em informação mais ágil, actual e útil.
Falta referir o Parque Mayer, um exemplo paradigmático de como a falta de reflexão, sentido estratégico e articulação de sectores ajuda aos maiores desastres políticos. Neste ponto, o melhor programa eleitoral era o de Carrilho, não tenho qualquer rebuço em admiti-lo: tinha um bom plano para a revitalização cultural e turística da Av. Liberdade (dinamizando e apoiando o que já lá havia: S. Jorge, Tivoli, Condes, Politeama, etc.), articulado com o Pq. Mayer, recuperando a jóia do Capitólio, 1-2 teatros, cafés e restaurantes e, claro, o acesso directo ao Jardim Botânico. Este acesso seria uma mais-valia para a cidade, um achado, e anda a ser defendido por vários amantes de Lx. há décadas. Com efeito, a necessária renovação deste recinto devia ter aproveitado várias das ideias que há anos vêm sendo estudadas e apresentadas pelos estudiosos à cidade e de que dei conta resumidamente num artigo de balanço dos 80 anos do Pq. Mayer (vd. a parte específica do artigo aqui). Em suma, sobre o Pq. Mayer teria bastado bom senso, auscultação de urbanistas e um pouco de estudo dos projectos anteriores para que agora o pudéssemos estar a usufruir e pudéssemos ter uma zona nevrálgica da cidade já mais dinâmica, por sua vez instigadora doutras dinâmicas. Aliás, a experiência bem sucedida deste Verão de bons concertos musicais no seu Teatro Variedades, despido de cadeiras e com uma recuperação mínima, é a demonstração cabal de que esta era a via a seguir. A recuperação do Pq. Mayer permitiria relançar o teatro na cidade, o turismo cultural e a economia local, o que seria um bom contributo para a cidade. Ainda vamos a tempo de arrepiar caminho e de travarmos mais um negócio urbanístico dispendioso, densificador e descontextualizado, sem ganho para a cidade nas contas finais.
Nb: imagem de Joshua Benoliel, mostrando estudantes no Parque Mayer, durante o Carnaval de 1911.