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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Para não esquecer que a autonomia universitária é um bem precioso e muito recente

«Cerimónia de Homenagem aos docentes demitidos das universidades portuguesas durante o Estado Novo»

(29/XI, 18h, Reitoria da UL; 30/XI, 17h,  reitorias da UTL e UP; 19/XII, UC)
nb: para os interessados, eis a lista dos vitimados nos anos 1930-40.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Vozes da revolução


O Colóquio «Vozes da Revolução» tem início esta tarde, no ISCTE, e prolonga-se até à próxima sexta-feira.
Nele participarão vários dos intervenientes na revolução portuguesa de 1974/75.
A organização cabe a uma parceria entre o Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa, o Centro em Rede de Investigação em Antropologia, o Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL e a Associação 25 de Abril.
Para os interessados vd. programação aqui. Notícia aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Memória política da repressão ditatorial

No Brasil, o julgamento de crimes da Ditadura Militar (1964-85) está a dividir o governo de Lula. O ministro da Justiça advoga pelo debate; o da Defesa é contra e quer encerrar o assunto.
Ao invés da Argentina e do Uruguai, o Brasil continua preso aos seus fantasmas pelo pacto desresponsabilizador da Lei da Amnistia, numa altura em que passam 45 anos sobre o golpe militar que derrubou o governo legítimo de João Goulart.
Neste momento, o Supremo Tribunal Federal averigua que tipo de crimes estão abrangidos pela Lei da Amnistia, dos anos 80. Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto,  a Lei de Amnistia perdoou "reciprocamente" os crimes políticos de ambas as partes, cometendo um erro crasso: "Mas amnistia não é amnésia. É necessário saber que crimes foram esses e os que estão efectivamente por ela abrangidos". E deixa um alerta lucido: "Um país que não conhece a sua história, sobretudo as suas páginas mais sombrias e controversas, corre o risco de repeti-la". Por isso, Britto defende a abertura dos arquivos da Ditadura, para "resgatar a memória do país lamentavelmente vivida no período sombrio do regime militar" (vd. aqui; sobre as ditaduras latino-americanas coevas vd. aqui).
A este propósito, o CES-UC organizou o Seminário Luso-Brasileiro Repressão e Memória Política, juntando investigadores e activistas dos direitos humanos de ambos os países, em parceria com a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça da República Federativa do Brasil (20-21 de Abril, Sala de Seminários do CES). Inclui a presença do Ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro.
O evento tem como fito "estabelecer uma interlocução aprofundada entre as iniciativas de preservação da memória política dos dois países, que tiveram um passado recente de longos governos repressivos. Serão feitas apresentações sobre as principais políticas públicas e as práticas sociais voltadas ao esclarecimento histórico e à formulação de processos pedagógicos que permitam à sociedade transformar a experiência de restrição das liberdades públicas e submissão à força em um processo reflexivo e pedagógico sobre a importância da manutenção e do fortalecimento da democracia" (vd. programa aqui).
Nb: na imagem, autocolante de organização de defesa dos presos políticos da Ditadura Militar brasileira, sendo que a amnistia a que se refere nada tem a ver com a lei que depois foi promulgada.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O fim das ditaduras ibéricas

À informação constante neste cartaz ao lado, relativa ao Colóquio Internacional «O Fim das Ditaduras Ibéricas (1974-1978)», cabe aditar a seguinte alteração: Paul Preston não estará presente, por motivo de doença, sendo substituído pelo historiador Óscar José Martín García (da London School of Economics), que abordará o tema «Crisis del franquismo, conflictividad social y violencia política en Espana 1968-1976» (dia 20, às 18h30).

terça-feira, 17 de março de 2009

Republicanismo, Socialismo e Democracia

Em epígrafe figura o título do novo Seminário de História e Cultura Política do Centro de História da FLUL. Decorre durante toda a tarde de hoje, com um vasto e estimulante programa, que "procurará aprofundar o conhecimento sobre pensadores portugueses e estrangeiros através de ideias políticas e sociais que perfilharam, como o republicanismo, o socialismo e a democracia". Nele serão abordadas figuras como Kant, Malon, Teófilo Braga, Arriaga, Sampaio Bruno, Ernesto da Silva, Sérgio e Proença. A coordenação está a cargo de Ernesto Castro Leal e ainda haverá tempo para 3 debates, tantos quantos os painéis.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O que é o mérito?



Num universo onde as realizações académicas se medem em número de cadeiras avançadas de física quântica que se frequentaram no liceu, Marilee Jones, a coordenadora (dean) de admissões ao prestigiado MIT, tentou, ao longo da sua carreira, convencer os administradores, pais e alunos que um résumé se constrói, também, com paixões e realizações pessoais.

Para muitos dos que orbitam em torno destas escolas de elite, as realizações pessoal e académica fudem-se numa só. Há pouco espaço para o resto. A procura do mérito, sempre o mérito, não o permite. Ou não o permitia. Hoje, sabemos que as coisas não funcionam assim. Muito por culpa de Marilee Jones. Mas Marilee Jones já não é a coordenadora do processo de admissões ao MIT. Não o é, porque se demitiu hoje. E demitiu-se, porque durante 28 anos mentiu sobre as suas realizações académicas.

[Mais aqui.]

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Attention! Mon sondage! Hyper-mega scientifique!

À atenção do Pedro Magalhães, cá vai mais uma sondagem sobre as presidenciais francesas. Totalmente representativa e sem margem para erro de espécie alguma.

Universo: 37 alunos que estudam língua portuguesa na Universidade de Rennes 2 (Letras e Ciências Humanas, a universidade francesa mais contestatária entre as contestatárias, onde começam todas as greves e nunca se sabe quando acabam).

Idades: entre os 18 e os 25 anos, pouco mais ou menos. A maioria vai votar pela primeira vez.

Intenções de voto à primeira volta:

A sra. [escrevo tal qual eles puseram no boletim de voto; aqui não há problemas com doutores e engenheiros] Royal (PS): 29,72% (11 intenções de voto)
O sr. Besancenot (LCR, trotskista): 18,91% (7)
o sr. Bayrou (UDF): 18,91% (7)
A sra. Buffet (PCF): 5,4% (2)
O sr. Sarkozy (UMP): 5,4% (2)
O sr. Bové (independente anti-OGM): 2,7% (1)

Abstenção: 2,7% (1)
Indecisos: 16,21% (6)

Han??? Que tal??? Nada mal, pá, han?? Ségolène tranquila, trotskistas não fossilizados em alta, o Sarkozas vai à vida, Le Pen nem vê-lo. Só vai ser preciso decidir quem vai à segunda volta, se o Bayrou se o Besancenot. Por aqui se prova que o IFOP anda a ver navios.


A coisa complica-se quando vemos o que os mesmos inquiridos respondem à pergunta,

Quem vai ganhar na segunda volta

O sr. Sarkozy: 54,05% (20)
A sra. Royal: 37,83% (14)
não sabe: 8,1% (3)

Mmmn. A minha interpretação: temos aqui um caso interessante para estudo. Uma sage (bem neurótica) combinação entre idealismo e fatalismo.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Act17 - «Não vi o livro, mas li o filme»

Aqui, para ver o programa completo e lista de participantes, mas também lá vai estar a Peão Vallera na quinta-feira, 19 de Abril, às 16.30h com o título Citizen Slade: Velvet Goldmine de Todd Haynes e Citizen Kane de Orson Welles.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Sobre a universidade, as "ideias", e os diplomas etc.

«Há qualquer coisa no ideal universitário que o torna difícil de explicar, apesar de ser tão simples. O ideal universitário são as ideias. Ideias sobre como são as coisas, sobre como funcionam, sobre como deveriam funcionar, ideias sobre ideias. Algumas dessas ideias são conhecimento, outra são comentário, outras criatividade, a maior parte delas um pouco disso tudo. Mas é difícil explicar aos alunos, ou até ao resto da sociedade, que dentro daquelas paredes (metafóricas: pode ser cá fora, na esplanada, no trabalho de campo, na visita de estudo) essas ideias devem ter precedência sobre tudo o resto. Se os alunos querem um diploma e os pais pagam por um bom emprego, não é fácil dizer-lhes que por agora a única coisa importante é o que escreveram alguns mortos de há mais de cem anos, ou como se comporta a partícula x, ou que interpretação dar à arte de y. Só depois de ganhar verdadeiro interesse ou paixão por tais coisas chega a altura de se poder começar a tratar de notas, de diplomas e de empregos (...)»

Estas são palavras do Rui Tavares, escritas num artigo do "Público" ontem. O Miguel Vale de Almeida transcreveu-as e adicionou: "Nunca esquecer isto quando se é bombardeado pelo actual ar do tempo em relação à universidade. Nem que se tenha que tapar os ouvidos, dizer a alta voz "lá-lá-lá-lá" e ouvir interiormente este mantra".

Esta é uma discussão muito importante nos tempos que correm. Idealmente, eu não discordo do Rui, mas porque entre as ideias e os contrangimentos da realidade vai sempre um fosso sempre excessivamente grande, discordo do implícito desprezo - que não deixa de ser o que está realmente dito nas entrelinhas - pelas notas, pelos diplomas e pelos empregos. É que, inversamente, parece não ser fácil para a grande maioria dos pais e dos alunos explicar aos professores universitários que, primeiro, está a perspectiva de terem um futuro onde o diploma que passaram anos a tirar conte efectivamente para a realização de um percurso profissional decente e minimamente adequado às suas expectativas. E, infelizmente, para a maioria estas não passam pelo conhecimento do que "escreveram alguns mortos de há mais de cem anos, ou como se comporta a partícula x, ou que interpretação dar à arte de y" - doa o que doer aos professores unversitários. Tapar os ouvidos, como aconselha Vale de Almeida, não resulta em absolutamente nada - a não ser a dar razão àqueles que acham que os professores universitários, self-professed autistas, "não vivem neste mundo".

Não que o desemprego de licenciados seja a catástrofe nacional que por vezes se pinta, ou que universidade seja a única responsável pelos potenciais desajustes entre o titre e o post. Não é, e não é disso que se trata. O problema é que o que o discurso do Rui tem aquele travo amargo da intemporalidade, como se o pudéssemos manter independentemente do contexto, e como se fosse indiferente estarmos no século XIII, no XVIII ou no XXI. Mas ter as "ideias" como a única ou a grande prioridade da universidade é esquecer que, entretanto, o mundo, e sobretudo a economia, mudou - e que a universidade ocupa, e vai ocupar cada vez mais, uma posição de formação de profissionais nas mais variadas áreas. O problema é confundir esta função crescente da universidade - o que para mim representa uma grande vantagem do nosso presente e futuro em relação ao passado - com a ideia de que esta vai ser a única função da universidade. Isto é falso, e é fácil ver porquê. Nunca, no futuro, teremos tanta gente a fazer investigação, tanta gente entregue o mais possível às "ideias" e ao conhecimento desinteressado. Simplesmente, isso não vai acontecer ao mesmo nível de ensino que no passado.
E se isto representa um déclassement relativo dos professores universitários, convém não esquecer o outro lado: o do upgrade cognitivo e social de uma larga fatia da população que dantes não passava do ensino primário ou secundário (que era, obviamente, and please don't sweep it under the carpet, o que permitia à universidade e os seus profissionais dedicarem-se às "ideias" e desprezar a função social e profissional dos diplomas: quando apenas ensinamos as elites, podemos dar-nos ao luxo de esquecer o mundo lá fora e de considerarmos a mera questão "para que é que 'isso' - a nota, o diploma, etc. - serve?" verdadeiramente secundária). E este upgrade é, parece-me, muito, mas muito mais importante que qualquer "corporativismo do universal" (para citar essa expressao particularmente feliz de Bourdieu: ou direi infeliz, dado que ele considerava-o um ideal merecedor de defesa a todo o custo).

Eu admito que não seja deliberado, mas este tipo de platonismos tem sempre o risco de resvalar para um elitismo, à esquerda, particularmente desnecessário e perverso.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Justiça

O caso da UnI, que também aqui gera tantas postas, é um bom exemplo de como o mau funcionamento da Justiça portuguesa (e respondendo agora a uma pergunta do Hugo) atrofia a vida pública - e não apenas a económica, a política, ou outra - e gera inequidades em série.
Quem fechou (se fechar...) a UnI foi a TV. Os tribunais e a polícia já seguiam aquilo há anos, mas o ministro só actuou (e com que demora) quando a TV lá foi. A Internacional (acho que é assim, nem conhecia esta), forçada a mudar a designação por não ser universidade, também faz figura de peneira a tapar o Sol: esta situação é geral no privado, e o público (o modelo para o privado, depois de ainda mais degradado) também não se recomenda. Mas claro que um ministro que pertence à carreira e a ela voltará não tem liberdade nem poder para actuar.
Quem teria essa capacidade seria o sistema de Justiça. Mas o corporativismo judicial, que já nos deu sentenças tão edificantes como as produzidas a propósito das enormidades escritas por A. Barreto sobre um ministro da Cultura de governos socialistas anteriores, trata agora de si e da sua sobrevivência. Infelizmente, sem uma justiça capaz de corrigir os abusos da lei, em Portugal muito mais numerosos que as más leis, nem o ensino, nem a investigação, nem (para voltar a temas de outros posts) a economia ou o emprego vão melhorar decisivamente. Por isso, a UnI (e todas as outras, insisto) mostra bem como a Justiça é muito mais importante para as reformas políticas do que qualquer outro subsector: de Esquerda ou de Direita, o destino de qualquer reforma democrática em qualquer área depende da sua aplicação e efectiva conformidade à lei, e disso não se cuida.
Casos para verificar isto não faltam, suponho que para breve a decisão da Assembleia da República sobre a creditação de lobbyistas dê novos materiais para reflexão...
Entretanto, lá vamos comentando o CV de Sócrates, como se alguém tivesse votado nele por causa do curso ou do MBA, por ter demorado no primeiro ou por ter sido «o melhor da turma» no segundo...
CL
PS - É preciso não saber o que é dar aulas, ou ter muita má-vontade, para fingir que não é normal dar notas com datas de Domingos, feriados, etc. Mais a mais sendo-se Reitor.