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terça-feira, 14 de junho de 2011

Italianos recusam impunidade dos políticos, o nuclear e a água como negócio

E as votações foram bem expressivas: mais de 95% dos eleitores que votaram, sendo que os referendos têm força de lei ao superar os 50% de votantes.

Berlusconi apelou à abstenção, dizendo ser um direito dos cidadãos. Perdeu em toda a linha, pois um dos referendos era feito à medida, para o proteger dos processos judiciais que impendem contra ele.

Também em Itália alguma coisa começa a mudar. Desde logo, maior exigência por parte dos cidadãos quanto às suas elites e às escolhas que estas pretendem impingir ao país. Tiveram azar, em referendo não há hipótese de misturar tudo, como nos programas eleitorais...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Saúde pública, patriotismo e racionalização de recursos

Sobre o fecho do serviço de atendimento permanente de Valença muito se escreveu, sobretudo devido à saudável mobilização cívica que entretanto ocorreu na cidade. Acontece que existe um outro centro de saúde, na cidade vizinha de Tuí, que dista 5 minutos de Valença. Apesar de ser uma cidade espanhola, não existe nenhum inconveniente: estamos todos na União Europeia, o serviço é gratuito (para quem tenha o cartão europeu de saúde) e os médicos espanhóis iguais aos portugueses em formação e qualidade. Daí que a racionalização do serviço de saúde pública em Portugal, neste caso, me suscite antes a seguinte questão: se existe União Europeia, ainda bem que esta também contempla um mínimo de serviço público comum. Aliás, deviamos era debater se tal União não deveria servir sobretudo para equalizar serviços públicos comuns para todos.
E, já agora que estamos a falar de racionalização de recursos públicos, então é obrigatório falarmos desta questão: «Surpresa em Odemira por deslocalização de farmácia».

Para mais inf. vd. «Bandeiras espanholas em Valença contra fecho do SAP» e «Bandeira espanhola vai ser hasteada nas casas de Valença».

Nb: a imagem foi retirada do site P.a.p. Blog, que infelizmente não identifica o autor (e o link que deixa está inoperacional).

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Está demonstrado cientificamente: os humanos têm motivações igualitárias

Talvez o título do post esteja algo exagerado, ou talvez não (pequena provocação para animar o debate). Um grupo de investigadores americanos publicou na revista Nature a semana passada um artigo científico em que tentam abordar as motivações humanas para o comportamento cooperativo. Para quem quiser ler o dito artigo, pode ir ao lado b deste blogue. Para estudar a questão os investigadores elaboraram um jogo em que os jogadores são recompensados em dinheiro pelos seu comportamento. Já tinha sido demonstrado com este tipo de abordagem que os individos tendem a adoptar comportamentos cooperativos, e quem não adopta comportamentos cooperativos é punido pelos restantes jogadores. Os jogos são concebidos de modo a que isso seja possível. Simplesmente não foi possível determinar anteriormente se as motivações eram egoistas (porque os comportamentos cooperativos eram recompensados indirectamente ao melhorar os rendimentos da comunidade) ou por puro altruismo, ou seja um real desejo de igualitarismo. Neste trabalho o jogo não recompensa o comportamento cooperativo, os jogadores podem melhorar o piorar os rendimentos dos outros, e tanto um como outro comportamento têm custos para o individuo. Os rendimentos iniciais são distribuidos aleatoriamente por um computador, e os jogadores sabem os ganhos uns dos outros. Observou-se que sistematicamente os jogadores tendem a retirar rendimentos aos que têm mais ganhos e tendem a dar aos que têm menos ganhos. Isto mesmo perdendo dinheiro ao fazê-lo. Note-se que este comportamento é tão mais acentuado quanto maiores são as desigualdades. O artigo consegue excluir uma série de motivações possíveis: sentimentos pessoais (um jogador não sabe quem são os outros), retaliação (os mesmos jogadores não se encontram duas vezes), inexperiência (o comportamento mantém-se ao longo do tempo) ou tentativa de agradar ao observador (são dadas várias alternativas de escolha ao jogador, ele não sabe o que "é esperado" de si). Este estudo detecta também que o simples facto de um indivduo ter mais rendimentos do que a média, desperta nos outros emoções negativas.
Os autores concluem que os individuos têm uma motivação genuinamente altrutista, uma vontade de igualitarismo, para adoptar comportamentos cooperativos.

The evidence here indicates that social inequality arouses negative emotions that motivate both the reduction and augmentation of others' incomes. This finding supports research that indicates humans are strongly influenced by egalitarian preferences. Furthermore, the results distinguish between models of inequality aversion: models that specify which players' incomes will be altered for egalitarian reasons capture subject behaviour better than models that do not. Finally, the results are also consistent with the punishment of non-contributors and the reward of contributors in public good games. Although concerns for equality are clearly not the only motive for human behaviour in these contexts, our results suggest that egalitarian motives may underlie strong reciprocity and, thus, play an important role in the maintenance of cooperation.


A caixa dos comentários está aberta para quem quiser contestar este artigo (de preferência depois de o ter lido).