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sábado, 4 de abril de 2009

Jornais ultraortodoxos “removem” mulheres do novo governo de Israel

isrteal Dois jornais israelenses ultraortodoxos publicaram uma foto modificada, onde removeram as imagens de 2 mulheres que compõem o novo gabinete de governo do país. Limor Livnat e Sofa Landver se juntaram aos outros ministros para a fotografia oficial. Segundo muitos judeus ultraortodoxos, a publicação de fotos de mulheres é visto como uma violação do recato feminino. Vivendo e aprendendo. Mais.

terça-feira, 24 de março de 2009

Um colóquio amoroso entre cães e gatos. Estranho, não?

ehud-barak Ehud Barak é o atual ministro da Defesa do governo de Israel e assim deverá continuar. Hoje o Partido Trabalhista decidiu que vai integrar a coalizão de governo do futuro premiê do país, o direitista Benjamin Netanyahu (Likud), onde também estarão outros partidos religiosos de direita e o ultradireitista laico Avigdor Lieberman, que deverá ser indicado para o ministério de Relações Exteriores. O que parecia impossível aconteceu: um casamento entre cães e gatos, uma vez que o Partido Trabalhista apoia o processo de paz dos EUA na região, que prevê a criação de um Estado palestino ao lado de Israel, enquanto Netanyahu e Lieberman são frontalmente contra. Vamos ver que bicho vai dar esse colóquio amoroso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

E agora, José?

Israel acordou hoje sob a indefinição política. A atual chanceler e líder do Kadima, Tzipi Livni, venceu (fez 28 cadeiras), mas pode não levar. Já o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do Likud, perdeu (fez 27), mas tem tudo pra compor com a ultradireita laica e religiosa e se tornar o premiê israelense. Poderá contar com 65 dos 120 mandatos do Knesset (Parlamento), enquanto um suposto bloco mais à esquerda soma no máximo 55 cadeiras, isso contando com as 11 conquistadas pelos partidos árabes, que já se manifestaram claramente que não apoiarão qualquer uma das coalizões, pois foram banidos do Parlamento com o apóio de ambas. Decisão derrubada felizmente pelo Supremo Tribunal dias depois de aprovada.

Para governar, a líder do Kadima não terá outra alternativa senão a de compor com o Likud e com os socialdemocratas do Partido Trabalhista (14), o que me parece uma missão quase impossível, uma vez que Netanyahu também quer voltar a ser premiê . Pra piorar a situação, já que merda pouca é bobagem, há uma pedra no sapato de qualquer que seja o bloco governista. E essa pedra no sapato chama-se Avigdor Lieberman, um ultranacionalista e líder do Yisrael Beitenu. Com os 15 mandatos conquistados, deverá preitear um ministério importante que lhe garanta influência decisória e visibilidade política. Ou seja, será muito difícil livrar-se dele na composição do próximo governo. Talvez impossível.

Em suma, seja qual for o próximo governante de Israel não vejo no horizonte a possibilidade de uma abertura de diálogo que dê condições políticas para a elaboração de um projeto sério e determinante que garanta a criação de um Estado palestino livre e soberano. Ao contrário. Tudo deverá ficar como está ou pior. Por isso, ao povo palestino só me resta deixar aqui excerto da poesia de Carlos Drummond de Andrade, “José?”:

E agora, José?/ A festa acabou, / a luz apagou,/o povo sumiu,/ a noite esfriou, /e agora, José ?/ você que é sem nome,/ que zomba dos outros,/ você que faz versos,/ que ama protesta,/ e agora, José ?/ Está sem mulher, está sem discurso,/ está sem carinho, / já não pode beber,/ já não pode fumar,/ cuspir já não pode,/ a noite esfriou,/ o dia não veio,/ o bonde não veio,/ o riso não veio,/ não veio a utopia...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Israel vai às urnas sem qualquer alternativa. Todos são pela guerra.

Nem a atual crise econômica, nem o desemprego, nem a incompetência de seus políticos, nem a esquerda, o centro ou a direita. As eleições gerais de amanhã em Israel não terão qualquer motivação ideológica ou administrativa. Os israelenses vão às urnas sem qualquer alternativa de escolha sobre a questão palestina. É a guerra pela guerra.

A operação militar que quase devastou Gaza, que deixou mais de 1300 palestinos e 13 israelenses mortos, foi a única plataforma política dos líderes dos principais partidos políticos de Israel durante toda a campnha eleitoral. Tanto os governistas Kadima e Partido Trabalhista como o oposicionista Likud defenderam enfaticamente o uso da força contra o povo palestino. Aliás, já não é incomum a migração de políticos entre estas 3 forças políticas.

Independentemente das cores partidárias, os principais candidatos ao cargo de premiê basearam suas respectivas campanhas no uso da força para conter as ações do Hamas. Em momento algum se propôs um plano para a abertura de um diálogo entre as partes para a criação efetiva de um Estado palestino livre e soberano. Não. Isso parece não emocionar muito o eleitor comum. Em nome de uma suposta segurança do país, parece-me que ações militares contra paletinos inocentes têm mais apelo político.

Entre a atual ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni (Kadima) e Ehud Barak, atual ministro da Defesa e candidato pelos trabalhistas, e o oposicionista e líder do Likud, Binyamin Netanyahu, não há divergências. Não são inimigos políticos. São cúmplices na defesa da política de punição coletiva implementada pelo apartheid. Em nome da alegada luta contra o Hamas, todos defendem o covarde ato de terrorismo de Estado praticado impunemente por Israel há anos, que transformou a Faixa de Gaza num gueto, onde se vive uma dos maiores tragédias humanitária do mundo.