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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Joaquim Furtado e João Paulo Guerra contam-nos o que era viver sob censura

Podem ouvi-los em jeito irónico e mordaz no excelente programa Provedor do Ouvinte, episódio 29: «Um programa sobre o pré-25 de Abril. As histórias de Joaquim Furtado e João Paulo Guerra».
Falam de várias censuras aos media no ocaso ditatorial: a censura política, a económica e empresarial (tão pouca falada...; o RCP, os accionistas farmacêuticos, o pó talco marado dos outros e a censura empresarial indígena), a auto-censura (tão difícil de admitir...), os bufos que denunciavam a passagem de canções proibidas na rádio...
Foi hoje mas está gravado e disponibilizado na internet, para quem não pôde sintonizar a Antena 1 a meio da tarde (deixo o link aí em cima).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Twitter big brother

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

9 conselhos para o Dr. Jardim...

... cada qual melhor que o anterior! Há dias de inspiração!! Ora veja e reveja este resumo por Francisco Teixeira da Mota, em versão autorizada pelo Tribunal da Relação.

terça-feira, 8 de março de 2011

Ainda mal apareceram e já começam a fazer estragos

Vale a pena pôr aqui a notícia toda, é pequena e esclarecedora, e sim, fazem bem em querer também falar, em 1968 era o estudante Alberto Martins (hoje ministro) que interrompia um ministro de Salazar na Universidade de Coimbra e sabemos como a liberdade de expressão e o pluralismo continuam a ser bens valiosos e insubstituíveis:
«Jovens acabam expulsos da sala
Movimento Geração à Rasca interrompe discurso de Sócrates
 
Perto de uma dezena de jovens do movimento Geração à Rasca manifestou-se hoje em Viseu, quando o secretário-geral do PS, José Sócrates, discursava sobre a sua moção política ao congresso do partido.
José Sócrates apenas tinha tido tempo para fazer os agradecimentos quando os jovens, munidos de um megafone, começaram a dizer: “Chegou a hora de a geração à rasca falar, isto é pacífico, só queremos falar”.
Os jovens foram colocados na rua pela segurança, queixando-se de terem sido agredidos.
“Eu fiz questão de dizer que era pacífico, mas fomos corridos a empurrões e houve uma rapariga que levou um pontapé”, lamentou aos jornalistas Paulo Agante, do movimento, que agendou para sábado uma manifestação anti-Governo».
nb: imagem de gui castro felga.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Blasfémia: quando o Papa está do nosso lado isso é?

Evolução positiva da Igreja católica? Atrasos na conciliação entre vontade da maioria e direitos das minorias? Lição irónica de que religião e livre pensamento não têm que ser incompatíveis? Sinal dos tempos?
Formule a sua própria opinião lendo «Papa condena ataques a cristãos e pede ao Paquistão que revogue lei da blasfémia». Eu cá voto tripla...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Não serve de consolo mas serve para meditar

Para não se pensar que é exclusivo da tugalândia e que é coisa pontual:

Mino [Carta] fundou as revistas Veja e Isto É [...]. Foi eleito Jornalista do Ano pelos correspondentes estrangeiros em 2006.
É um veterano e não se cansa de lançar farpas ao espírito da imprensa hoje dominante. «Em nenhum lugar do mundo civilizado os media em geral se colocam todos de um lado, como no Brasil. Os media brasileiros são um instrumento na mão de uma minoria favorecida. Estão nas mãos de quatro famílias.» E as críticas não param aqui. «A imprensa brasileira é muito ruim, as pessoas não sabem escrever. Frequente uma escola de jornalismo no Brasil: são péssimas.»
A tradição da imprensa em bloco vem de longe, diz: «Quando Getúlio Vargas se elegeu em 1950 e criou a Petrobras, os media brasileiros postaram-se em bloco contra ele, que acabou por se suicidar em 1954. Depois os media lutaram em bloco contra a candidatura de Juscelino Kubitschek. Quando Jânio Quadros renunciou em 1961 advogaram a intervenção militar, para impedir a posse de Goulart. E no golpe de 1964 pediram aos militares para intervir.»
Nenhum jornal lutou contra ditadura?
«Nenhum, zero. Quem teve um papel foi a pequena imprensa, dita alternativa, que resistiu. Depois houve a revista Veja, que dirigi a partir de 1968 e da qual saí em 1976 por exigência do Presidente Geisel. Eu pedira um empréstimo à Caixa Económica Federal para a revista, e a Caixa negou porque o ditador de plantão exigia a minha cabeça. Tenho essa grande honra.»
Hoje a tradição da imprensa de «servir a elite» continua: «Eles querem um país de 20 milhões e uma democracia sem povo».

(entrevista a Alexandra Lucas Coelho)

domingo, 26 de dezembro de 2010

A sociedade aberta e a WikiLeaks

As reacções contraditórias e paradoxais que o caso WikiLeaks tem provocado podiam ter como mote o título do livro escrito por Karl Popper durante a II Grande Guerra: A Sociedade Aberta e os seus Inimigos. Para uns, Assange é um inimigo declarado dos Estados Unidos e, por consequência, da «sociedade aberta». Para outros, os inimigos da sociedade aberta são os EUA quando consideram Assange um alvo a abater (no sentido figurado e até no sentido literal).

Ressalvo que nem só a língua portuguesa é «muito traiçoeira». A «sociedade aberta» de Popper, se bem me lembro, não era um sinónimo de «sociedade transparente». Era no fundamental uma sociedade capaz de corrigir os seus erros e de responder a problemas imprevisíveis. Uma sociedade deste tipo tem de ter liberdade de informação e de crítica. Não há dúvidas que de que os cidadãos norte-americanos gozam de maior liberdade do que os russos, os chineses ou os iranianos. Mas as tão incensadas instituições liberais dos Estados Unidos não foram capazes nem de prevenir nem corrigir os erros crassos que estiveram na origem da crise financeira de 2008 e são expostos de forma tão clara no filme Inside Job.

A mim interessam-me menos as intenções de Assange do que as questões que a WikiLeaks levanta, que são de tipo diverso e facilmente confundível. Uma das questões mais falada respeita ao secretismo que rodeia os relatórios diplomáticos correntes, cuja divulgação tem levado diplomatas encartados a corar, a empalidecer ou a engasgar-se. Não serei eu a menosprezar a vergonha humana, mas parece-me óbvio que a divulgação de um relatório de uma agência de rating com consequências nos juros da dívida pública de um país causa mais abalos sociais do que todos os relatórios diplomáticos até agora divulgados pela WikiLeaks. Quantas empresas é que já faliram por causa das «inconfidências» da WikiLeaks, quantos salários foram cortados,etc? A pergunta que me coloco é: por que é que os relatórios diplomáticos correntes não hão-de ser públicos? Desse modo algumas percepções erradas ou discutíveis podiam ser corrigidas ou discutidas. É claro que os diplomatas escreveriam de um modo mais sóbrio e neutro. Em vez de lermos que Luís Amado devia ser «acarinhado» provavelmente leríamos que devia ser «apoiado» o que, em Portugal como nos Estados Unidos, seria óptimo para uns e péssimo para outros. Os relatórios agora divulgados já foram escritos a pensar em leitores futuros – o diplomata que comparou Putin e Medvedev a Batman e Robin deve ter imaginado o sorriso de um historiador daqui a cinquenta anos e deve ter estremecido com os risos dos jornalistas e dos seus colegas diplomatas russos. Uma das consequências da divulgação de relatórios diplomáticos controversos seria uma maior discussão pública sobre questões internacionais e, provavelmente, a transferência de diplomatas contestados. Mas isso sempre se fez. Far-se-ia apenas com maior transparência.

Outro tipo de questões, mais grave, refere-se à divulgação de informação relacionada com operações militares. Todas as forças armadas – quer as norte-americanas quer as dos atenienses da Grécia antiga cujos generais eram eleitos – têm o dever de não divulgar informação que ponha em risco a vida dos combatentes. Algumas pessoas podem considerar que é seu dever divulgar informação acerca de operações militares que descambam em massacres, corrupção, utilização de verbas militares para financiar o narcotráfico; ou informações que revelam a falsidade dos pressupostos legitimadores da guerra – se a WikiLeaks existisse em 2003, não teria prestado um excelente serviço se mostrasse, quando se preparava a invasão do Iraque, provas de que Saddam Husseim não possuía as célebres «armas de destruição maciça»? As pessoas responsáveis por fugas de informação acerca de operações militares devem ter um julgamento justo e é isso que se deve exigir para o soldado Manning que está há meses preso «preventivamente». A comunicação social está obcecada por Assange, mas o grande herói ou vilão é o soldado Manning. Foi ele quem meteu a cabeça na boca do lobo. Temos o direito de saber as suas razões.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ainda o WikiLeaks: toda a informação por país

A revelação dos célebres telegramas secretos do Departamento de Estado norte-americano, actualizada e com mapa, no El País. Apenas aditar que quem faz a selecção é um conjunto de jornalistas da imprensa de referência que se dispôs a analisar os documentos disponibilizados pela WikiLeaks (são eles The Guardian, El País, New York Times, Le Monde e Der Spiegel).

domingo, 12 de dezembro de 2010

O caso WikiLeaks

Muito se tem falado do caso WikiLeaks, despoletado pela perseguição política e/ou policial movida pelo governo dos EUA ao seu líder, Julian Assange. Seja qual for a nossa opinião sobre a 'cruzada' deste, a verdade é que é obra um tipo disponibilizar o acesso a 250 mil páginas na Internet sem ter nada a ver com sexo e, no fim, ainda ser suspeito de crime de «sexo-surpresa». Dá para acreditar em tamanha ironia e confusão? Com uma agente secreta?! Não se terão enganado na designação?

Mudando de agulha, que aquela blague é inspirada no Governo Sombra, a situação descarrilou para uma polémica informação secreta vs. liberdade de expressão, quando apenas se devia ter fixado no debate sobre os limites da primeira.

Anterior revelação sobre as guerras do Iraque e Afeganistão pareceu-me mais relevante, pois revelou nódoas graves que, em vez de serem limpas, tinham sido tapadas (houve ainda outras divulgações úteis, como a de descarga de lixo tóxico na costa africana). No presente caso, a maioria da documentação é rebarbativa, ou seja, permite aceder a um perspectiva crua duma diplomacia bem crua como é a dos EUA: nada de novo, portanto. Felizmente que isso não é tudo. Além da conversa de chancelaria (pontuada por declarações desbragadas de diplomatas), há algumas revelações úteis: violações de direitos humanos, ambientais e de soberania doutros países, uma lista de locais importantes para a segurança nacional dos EUA que inclui sítios intrigantes como uma fábrica de penincilina algures num país nórdico (terei lido bem?), documentos sobre jogo sujo de multinacionais, entre outras coisas que podem ser pontuais mas ajudam a desocultar pressões e manobras indevidas. Uma forma de travar o livre curso destas passa necessariamente pela ameaça da opinião pública poder vir a saber e isso poder servir para condenação/ penalização, simbólica, jurídica ou outra. Sejam quais forem as reservas, é inegável que parte destas fugas de informação servem para fazer serviço público, para todo o mundo.

Infelizmente a coisa não se fica por aqui. Assange e a WikiLeaks não têm só um lado positivo. Comecemos por um excesso de Assange: diz que faz jornalismo livre. É falso: quem faz jornalismo são os jornais de referência que aceitaram tratar a informação em bruto que aquele lhes fornece (The Guardian, El País, New York Times, Le Monde, Der Spiegel), sem esquecerem a salvaguarda da segurança de pessoas, assim dando crédito à informação divulgada.

Mas o principal erro de Assange e da WikiLeaks é defenderem a transparência absoluta, aparentemente apenas para os países democráticos (EUA à cabeça), pois as suas fontes nunca são de ditaduras. Ora, essa transparência absoluta, a realizar-se, acabaria com qualquer diplomacia, com qualquer negociação. É uma ingenuidade. E acaba por ter um efeito boomerangue, incentivando a redobrados cuidados com os segredos diplomáticos. Nos países democráticos, não nos outros, aparentemente sem interesse para a WikiLeaks.

Aos ataques dos EUA e de opinion makers, respondem os defensores de Assange e da transparência absoluta com hacktivism, petições, protestos na rua e, brevemente, com novos sites de revelação de segredos políticos, como o OpeanLeaks. Moda passageira ou tendência para ficar?

Dos vários textos que li sobre o tema, destaco quatro, os de Vítor Malheiros, Miguel Gaspar, Eduardo Cintra Torres e Jorge Almeida Fernandes, ainda que não concorde com tudo o que cada um diz. Aliás, a minha perspectiva é uma certa combinação desses olhares.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Atenção às novas ameaças à segurança mundial: tarjas e t-shirts!

As forças de segurança portuguesa não pouparam esforços para mostrar como atacar as novas ameaças à segurança mundial, e neutraliram duas delas na posse dum grupo de 36 filandeses: tarjas e t-shirts anti-NATO (felizmente que estes vikings tinham contado tudo no blogue deles, senão a coisa estaria tremida).
Sempre na dianteira, também conseguiram barrar a entrada a outra ameaça, uns folhetos dum tipo alemão que queria vir falar contra o nuclear. Sabe-se lá o que poderia sair desse papelusco, químicos radio-activos, ou, ou... fogo de dagrão, por exemplo. Ah, pois.
A outra acção foi reduzir o n.º de transportes públicos em Lisboa nos dias da Cimeira da NATO, para barrar as empregadas domésticas e outras pessoas perigosas que andam nesses meios transportando consigo lixívias e outros produtos assim tóxicos.
Ui, ui, quando se trata de lixívias, folhetos, tarjas e afins todo o cuidado é pouco...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quando as fugas de informação servem para denunciar crimes contra a própria liberdade de informação também há quem discorde

Vídeo secreto mostra pilotos dos EUA a disparar contra fotógrafo da Reuters

«O Pentágono deverá agora aumentar a pressão para tentar impedir material classificado de ser divulgado no site, que já descreveu como uma ameaça à segurança nacional.

Criado em 2006, o Wikileaks tem por missão promover a transparência dos governos, instituições e empresas. É alimentado através de fugas de informação (leak, na gíria dos media), principalmente por fontes anónimas. Já tinha divulgado relatórios militares classificados sobre armas, unidades militares e estratégia de combate.
»

Ver video «Collateral murder», que tem este site específico.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Uma história triste e lamentável

Condenado em 2003 a 3 anos de prisão por desacato, o dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo viu a sua pena aumentada para 28 anos, morrendo entretanto por greve de fome de protesto contra as condições prisionais. Há 38 anos que não ocorria uma situação idêntica. Zapata, que era membro da organização de defesa dos direitos cívicos Directório Democrático, fora considerado um dos 65 «prisioneiros de consciência» de Cuba pela Aministia Internacional. O regime considera estes como simples «mercenários» ou «agentes» a soldo dos EUA.
Por muito que Cuba viva uma situação aviltante de embargo político-económico, nada justifica este atentado aos direitos humanos. É uma história lamentável que, ao invés do que defenderão os mais afoitos, fica mal a um país que, justamente, se diz vítima dum embargo injustificável e atentatório dos direitos humanos também ele. A uma mais larga escala, certo, mas princípios são princípios, direitos são direitos.
Por arrasto, também não ficou bem na fotografia o premiê brasileiro Lula da Silva, por omissão, embora tenha sido o único dirigente político a lamentar o caso, até recentemente.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Arroz de polvo malandrinho

É a 1.ª vez que tal ocorre em Portugal desde 1974: uma providência cautelar tentou proibir a saída dum jornal generalista, o Sol. A providência foi interposta pelo administrador da PT Rui Pedro Soares, o boy de Sócrates na telefónica portuguesa, e visava travar a divulgação de novas escutas que o envolviam num plano para domesticar certos media nacionais (sobre o assunto vd. este post anterior). O jornal não acatou a ordem, aliás, o oficial de justiça e a advogada não conseguiram notificar nenhum dos dirigentes daquele semanário. Por isso, a edição do Sol sairá amanhã, com a elucidativa manchete "O Polvo". Sic.
O presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, reafirmou hoje ao Diário da Tarde da TVI24 aquilo que já dissera quando era provedor do jornal Público: em situações em que está em causa a liberdade de informação e o interesse público, o jornalista tem o direito e o dever de desobediência civil. Porque o que as escutas revelam não são assuntos privados, mas sim conversações de homens exercendo funções públicas sobre assuntos públicos de relevante interesse público.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É no que dá a excessiva proximidade entre políticos e jornalistas, e não é só em termos metafóricos, não...

Aqui o suco da última polémica, já carimbada como caso Crespo vs. Sócrates.

Algumas reacções institucionais: opinião do Sindicato dos Jornalistas; nota da Direcção de Informação da SIC.
Observações críticas pertinentes aqui e aqui (esqueça-se esta foleirice extrema, no mesmo blogue, num momento bem infeliz).

Já agora, qual é o restaurante de luxo que tem esta péssima acústica(?!) e/ou as mesas tão encavalitadas umas nas outras que se fica debaixo do cotovelo do vizinho?

ADENDA: «Sócrates queixou-se de Crespo a director da SIC»...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Quando o Diácono dos Remédios desce à cidade (versão excursionista)

Um grupo excursionista de idosos que veio à capital para ir ao teatro, por intermédio do INATEL, resolveu dar espectáculo dentro do espectáculo, e também já fora dele. Mais um pouco e ainda acabam contratados. É claro que seria para outro tipo de teatro, etéreo, imaculado, asséptico, certamente mais 'coltural'. Entre outras pérolas: «Isto é que é a cultura?», «Valia mais mandá-los semear batatas»; «É por isso que a nossa mocidade anda aí nas drogas. Aquilo que os ensinam é isto, os maus caminhos, em vez de lhes ensinarem o A e o B». O duplo espectáculo foi a 12/XI, o 2.º interrompendo o 1.º, mas só agora desaguou nos media e na blogosfera, se calhar para suscitar um debate público, se calhar para ajudar a puxar pelas audiências. Seja qual tenha sido a intenção, revela os curto-circuitos destes circuitos de divulgação cultural e os desencontros entre diferentes formas de estar e conceber a arte. Já agora, a peça em apreço (a 1.ª, que a 2.ª não tem nome) é «O que se leva desta vida», com Gonçalo Waddington e Tiago Rodrigues, e se for isto que se leva desta vida estamos tramadex.

sábado, 14 de novembro de 2009

Da liberdade de expressão no país da identidade nacional

Marie NDiaye ganhou o pémio Goncourt este ano, com o seu romance "Trois femmes puissantes" (um história de vidas despedaçadas entre França e África, não li mas estou com imensa vontade). Marie NDiaye, e a família (companheiro e três filhos) vivem em Berlin desde que Sarkozy se tornou presidente da república francesa. Mudaram-se essencialmente por razões políticas. Marie NDiaye numa entrevista ao "Les InRockuptibles" afirmou que considera a França de Sarkozy "monstruosa" e que acha "detestável esta atmosfera policiesca e vulgar... Besson, Hortefeux [actual e anterior ministros da Identidade Nacional e Imigração], toda essa gente, acho-os montruosos". São opiniões, cada um tem a sua, NDiaye tem esta. O deputado Eric Raoult, da UMP (partido de Sarkozy), tem outra, acha que NDiaye não tem direito a expressar-se. Raoult não manifesta o seu desacordo, nem se digna contra-argumentar as opiniões da escritora, simplesmente que ela devia estar calada. Repare-se na pérola de raciocínio: Raoult considera que NDiaye tendo ganho o mais prestigiado prémio literário francês se torna de certo modo numa embaixadora de França, e como tal não deve criticar o seu presidente da república, Raoult inventa assim um suposto "dever de reserva" (sic) para os vencedores do prémio Goncourt, com o apoio generalizado do seu partido. Ou seja, na cabeça desta gente, para se ganhar prémios literários (ou quaisquer outros, imagina-se) há que abster-se de criticar sua excelência, o presidente da república. Estranho conceito de liberdade de expressão. NDiaye, que antes de ter conhecimento da posição de Raoult até admitia que as suas próprias afirmações eram algo excessivas, mantém inteiramente o que disse, enquanto Bernard Pivot, membro do júri do prémio Goncourt é bem claro no desmentir a existência do tal "dever de reserva". E tudo isto ocorre em França, quando se debate a identidade nacional, como referiu o André. O que me leva a colocar uma questão: teria Raoult atacado o vencedor do prémio Goncourt se ele/a se chamasse Lefèvre, e tivesse um pouco menos de melanina na pele?
P.S. - Vale a pena ler "Entre a voz da Frente Nacional e a dum escritor livre, há que escolher" por Christian Salmon.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nuvens negras sobre o éden português

Recentemente, vários relatórios internacionais evidenciaram uma queda de Portugal em vários indicadores importantes, de 2008 para 2009. Refiro-me ao Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (34.º lugar, com queda de 1 lugar), ao ranking internacional de corrupção (32.º lugar, com descida de 4 lugares; ap. Transparência Internacional, ainda para 2008), ao ranking da liberdade de imprensa (40.º lugar, com queda de 14 posições, ap. Repórteres Sem Fronteiras), e ao índice global da desigualdade de género (46.º lugar, com queda de 5 lugares; ap. NoGlobal Gender Gap Index2009).

Para quem gosta tanto de estatísticas, de rankings e de «avançar Portugal», a performance foi sofrível. Nuvens negras sobre o éden português, ou muito trabalhinho de casa para o novo governo emendar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Depois da derrota eleitoral, a derrota jurídica...

...do premiê português e do seu governo, evidentemente. Mas também é mais do que isso, num tempo de tentativas variadas de domesticação oficial do espaço público, de que é sinal mais recente a aquisição de c.1/3 da TVI por uma empresa (PT- Portugal Telecom) cuja golden share é detida pelo Estado português, Estado cujo governo actual denuncia aquela tv como estando a persegui-lo. Tal como hoje refere Daniel Oliveira no blogue Arrastão, trata-se duma vitória para a liberdade de expressão. E, adito eu, reitera-se a inalienabilidade, conferida aos cidadãos, da liberdade de escrutínio e de crítica do exercício da res publica.

Estas são ilações a retirar do arquivamento, pelo DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) do processo relativo à queixa-crime apresentada por José Sócrates contra João Miguel Tavares (colunista do DN): «As expressões utilizadas pelo arguido João Miguel Tavares e dirigidas ao Primeiro-Ministro, figura pública, ainda que acintosas, indelicadas, devem ser apreciadas no contexto e conjuntura em que foram publicadas, e inserem-se no exercídio do direito de crítica, insusceptíveis de causar ofensa jurídica penalmente relevante».

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Pela libertação da líder legítima da Birmânia

Com o fito de afastar a mais séria oponente nas próximas eleições de 2010, a Junta Militar birmanesa inventou novas acusações para manter presa Aung San Suu Kyi, vencedora das eleições birmanesas de 1990 e Prémio Nobel da Paz, isto nas vésperas do cumprimento da sua pena de 13 anos de prisão.

No dia 14/V, Aung San Suu Kyi foi novamente enviada para o presídio sob a acusação de permitir a entrada dum cidadão norte-americano na sua casa, infringindo assim a sua prisão domiciliar. Tal como refere a ONG internacional AVAAZ, a «acusação é absurda pois a casa é cercada por guardas militares que são justamente os responsáveis pela guarda do local. Está claro que as acusações recentes são um pretexto para mantê-la presa durante as eleições de 2010».

Tal como ela, milhares de monges e estudantes foram desde então encarcerados por se oporem pacificamente à ditadura opressora do seu país, a Birmânia/ Mianmar.

Para pressionar pela libertação dos presos políticos birmaneses, e no sentido de impedir um novo julgamento farsa, a AVAAZ relançou a sua petição de Março passado (já com 200 mil assinaturas), apelando a mais adesões. O tempo escasseia, pois restam 6 dias antes da entrega da lista ao secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon.

Para aceder a outros posts do Peão sobre o tema vd. aqui.

sábado, 4 de abril de 2009

Última hora - novos congestionamentos: primeiro-ministro português entope tribunais da vara de Lisboa com processos para todos os gostos

Depois das empresas de telecomunicações, cabo e afins, a bulimia judicial chegou às altas esferas políticas. À anterior mão-cheia de processos, o premiê junta agora mais dois: um, que vai até Itália e conecta uma ex-deputada alegadamente pouco convincente no tu-cá tu-lá com a monogamia (há quem diga que já requentado, com o texto amaldiçoado a forrar caixotes do lixo de há um mês atrás); e o outro, que atinge um jornal alegadamente reincidente na traquinice.
Desta feita, a blogosfera ficou de fora. Até ver, que ele há quem esteja a tirar senha* e também queira festa, numa toada masoquista (ou sadomaso?).
Está visto: o Carnaval é quando um homem quer.
Crise? Qual crise? Entretenham-se com a futebolice e o novo Carnaval, que isso passa.
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*Eis um apanhado, muito pela rama (inclui demonstrações visuais do clube de fãs dum dos perseguidos): Carlos Nunes Lopes; Paulo Pinto Mascarenhas; Miguel Barroso; Pedro Sales; Nuno Ramos de Almeida; Pedro Vieira; e Carlos Vidal.
Nb: cartoon de GoRRo (c) 2007-9.