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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Parabéns pra você...


nesta data querida/ muitas felicidades/muitos anos de vida...

Pixinguinha morreu vítima de um enfarto, em 17 de fevereiro de 1973. E com ele se foi parte da alma musical brasileira. Nascido Alfredo da Rocha Vianna Jr., em 23 de abril de 1897, Pixinguinha é que se pode chamar de o genial criador da música brasileira.

Ele não era “só” um virtuoso da flauta. Era um compositor de rara genialidade, maestro e um arranjador como poucos no universo musical tupiniquim (e desse mundão de meu Deus). Arrajou os principais sucessos da então chamada época de ouro da música popular brasileira, orquestrando de marchas de carnaval a choros.Era um estudioso sempre à procura de novos elementos que dessem à musica brasileira uma linguagem própria e diferenciada.

Criou o que hoje são as bases da música brasileira. Foi inovador ao fundir a então incipiente música popular brasileira aos ritmos africanos, à música negra americana e europeia. Foi de suas entranhas que nasceu a genuína música brasileira.

Só lamento seu esquecimento pelos brazucas. Foi assim no seu centenário de vida e é agora. A tal Beyoncé até hoje ocupa vasto espaço em toda a mídia tupiniquim, que não se cansa de papagaiar os seus “atributos” de cantora depois de ter abocanhado 6 Grammys. De Pixinguinha nem uma linha, nem uma palavra, nem um imagem, nem uma nota musical sequer. Aos olhos do brasileiro ele nunca existiu.

Sarava!, Pixinguinha.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

70 anos da Aquarela Brasileira


A música “Aquarela do Brasil” fez este ano 70 anos. Composta (letra e música) por Ary Barroso em 1939. Foi a primeira canção responsável pelo surgimento do samba de exaltação, cujo principal característica é o ufanismo, o que aliás anda em alta aqui em Terras Tupiniquins nos últimos tempos. Interpretada por grandes cantores e cantoras brasileiros e estrangeiros, “Aquarela” já foi até apresentada por alguns desavisados como o Hino Nacional Brasileiro em muitas cerimônias internacionais, principalmente as esportivas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Aline Calixto, o novo sabor do samba

aline calixto _ clave do sul O que há de novo na MPB? Musicalmente, nada de novo no Reino Tupiniquim. Apenas promessas. E de promessas o purgatório está cheio. O que realmente tem aparecido de novidades são as “inhas”: meninas bonitinhas, musiquinhas redondinhas, letrinhas quadradinhas e artistas fominhas (tipo multifacetadas - aliás, elas adoram usar esta maldita expressão durante as entrevistas para os globais Jô Soares e Serginho Não Sei O Que Das Coves). Mas tudo tem uma exceção. E essa exceção chama-se Aline Calixto, que há muito deixou de ser uma promessa pra se tornar uma grata realidade.

Graças ao bom Deus, Aline não é a dita artista multifacetada. Tem coisas próprias sim, mas também grava e recria outros bons compositores. Carioca de nascimento e mineira de criação (onde vive há mais de 20 anos – tem hoje 27), Aline trouxe novo sabor, brilho e frescor ao samba.

Nascida para o samba em Vicosa (MG) e consagrada na Lapa (RJ), ela sabe como ninguém a receita exata de como fundir o samba carioca ao das rodas mineiras, com ingredientes que vão desde os mais tradicionais, como compositores do calibre de Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Monarco e Nelson Sargento, com o sangue novo (e bom) dos mineiros Rodrigo Santiago, Toninho Geraes, Toninho Nascimento, Affonsinho e Renegado. Seu disco bem que poderia ser chamado de “Sabores”. Tem gosto original. Não é aquela mesmice de um prato requentado servido à la carte pela poderosa industria fonográfica. Enfim, é um disco para paladares exigentes.

Para aqueles que realmente gostam de novidades na MPB, Aline Calixto é o que de melhor surgiu em Pindorama nos últimos anos. O resto são coisinhas que o tempo se encarregará de esquecê-las. Para saber mais: site, blogue, MySpace e Twitter. Como se vê, ela também é uma verdadeira WEB 2.0. Saravá!

domingo, 14 de junho de 2009

IMAGEM DOMINICAL

Gal Costa (1977)

Mamãe, Coragem” - Torquato Neto/Caetano Veloso

Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu fui embora
Mamãe, mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui
Mamãe, mamãe não chore
Pegue uns panos pra lavar, leia um romance
Veja as contas do mercado, pague as prestações
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos
Seja feliz, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz, Mamãe, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Não chore nunca mais, não adianta eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho um jeito de quem não se espanta (Braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora peito
Mamãe, não chore, não tem jeito
Pegue uns panos pra lavar leia um romance
Leia "Elzira, a morta virgem", "O Grande Industrial"
Eu por aqui vou indo muito bem , de vez em quando brinco Carnaval
E vou vivendo assim: felicidade na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Céu, puro feitiço musical

Descobertaquase dois anos, quando se apresentava pelas noitadas da Vila Madalena (um tradicional bairro da juventude “descolada” - mas não muito - de São Paulo), a cantora e compositora Maria do Céu Whitaker Poças , ou simplesmente CéU, tornou-se a nova musa brazuca pra americano ver, que a moçoila não tem por aqui dado o ar de sua graça ultimamente (exceto, é claro, pra toda poderosa Vênus Pratinada e seu plim plim odioso).Sua voz aveludada nos transmite uma deliciosa sonoridade rítmica, onde o afro-brasileiro, jazz, soul, reggae, hip-hop, trip-hop e uma boa pitada de eletrônica se misturam numa inovadora proposta de MPB. É puro feitiço sonoro. Ela faz agora a segunda temporada nos Estados Unidos, onde deverá passar por São Francisco, Los Angeles, Seattle, San Diego, Washington, Nova York, Chicago, Boston e outras. Sorte deles. Também encontrar o seu disco em terras tupiniquins é uma missão impossível. Ianque é assim mesmo: nasceu com a bunda virada pra lua.

Aqui, na TV Cultura. E aqui, a sua última aparição por Pindorana, no Plim Plim Global, é claro.


sábado, 8 de setembro de 2007

O espólio tropicalista*

Foi na paralisia da bossa nova e a alienação da jovem guarda [1] que surge em São Paulo a Tropicália (1967 - 69), movimento que agregava não só a música, mas também as artes plásticas de Hélio Oiticica, o cinema de Glauber Rocha e o teatro, com montagens dirigidas por Zé Celso Martinez. Tendo como protagonistas a musicalidade de Gilberto Gil e Caetano Veloso (mais a irreverência de Tom Zé e Os Mutantes), a poesia de Torquato Neto e José Carlos Capenam e a genialidade do maestro Rogério Duprat nos arranjos , os tropicalistas se opõem frontalmente à proposta de MPB da época, que já nascia caduca, sem imaginação e com um blablablá puramente nacionalista, que infelizmente monopolizava os discursos de cantores, compositores e outros produtores culturais.

Com uma linguagem poética alegórica e uma música que não tinha pudores em misturar o erudito, o popular brasileiro e o pop rock, o tropicalismo tenta trazer à luz as contradições próprias da sociedade brasileira, mostrando o moderno e o arcaico, o nacional e o estrangeiro, o urbano e o rural, o progresso e o atraso de um Brasil que era sufocado por uma ditadura militar e uma classe média ainda enfeitiçada pela american way of life. Por isso, pagou um preço alto: foi recusado pela esquerda, desterrado pela direita e esquecido por todos os brasileiros.

Passados quase 40 anos, a crítica européia e norte-americana parecem ter descoberto na Tropícalia uma sedutora escola de vanguarda da world music (expressão criada por coincidência com o lançamento, em 1989, de Beleza Tropical, uma coletânea de MPB produzida pela gravadora de David Byrne, ex-líder do Talking Heads). Assim, músicos como Tom Zé e Os Mutantes ganham das platéias estrangeiras o reconhecimento que nunca tiveram no Brasil, um país hoje entorpecido pelo lixo musical da axé-music, do pagode meloso e nojento e do sertanejo travestido de caubói terceiro-mundista. Em suma: a jovem guarda tupiniquim não morreu e o samba sepultou a bossa. E a Tropicália? Bem, essa foi enterrada viva sem qualquer ressentimento e seu espólio é agora disputado por alguns produtores musicais europeus e norte-americanos. E Pindorama [2] acha tudo “Divino Maravilhoso” [3].
Nb: Capa do disco, gravado em 1967. Na foto aparecem em cima: Mutantes ( com o Caetano do lado da Rita Lee) e Tom Zé( à direita). Em baixo: Rogerio Duprat (segurando o penico) , Gal Costa e Capenan. Em primeiro plano, Gil, com uma foto de Torquato Neto.
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[1] A jovem guarda brasileira foi um movimento musical e comercial (mais comercial que artístico), liderado por Roberto Carlos, que surge em 1965 (portanto, logo depois do golpe militar), cujo maior objetivo não era a música propriamente dita, mas divulgar programas de televisão, revistas, filmes, bijuterias, vestuário, gírias produzidas nas agências de publicidade e todos os subprodutos correlatos. Musicalmente, o estilo "jovem guarda", também chamado de "iê-iê-iê" por influência do "yeah, yeah, yeah" dos Beatles, pode ser resumido como uma mistura de qualidade duvidosa do pop rock europeu, twist, bossa nova e até marchinha. Ou seja, não tem nada que se aproxime da frase de Vladimir Lênin, em seu discurso quando da tomada do poder pelos bolcheviques na Rússia : "O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada".

[2]Em tupi, também significa “Terras das Palmeiras” e era o nome dado ao Brasil pelos índios tupis.

[3]Música de Caetano Veloso e Gilberto Gil, com produção musical de Rogério Duprat, gravada pela Gal Costa, em 1969. “Atenção ao dobrar uma esquina/ Uma alegria, atenção menina/ Você vem, quantos anos você tem?/ Atenção, precisa ter olhos firmes/ Pra este sol, para esta escuridão/ Atenção/ Tudo é perigoso/ Tudo é divino maravilhoso/ Atenção para o refrão/ É preciso estar atento e forte/ Não temos tempo de temer a morte/ Atenção para a estrofe e pro refrão/ Pro palavrão, para a palavra de ordem/ Atenção para o samba exaltação/ Atenção/ Tudo é perigoso/ Tudo é divino maravilhoso/ Atenção para o refrão/ É preciso estar atento e forte/ Não temos tempo de temer a morte/ Atenção para as janelas no alto/ Atenção ao pisar o asfalto, o mangue/ Atenção para o sangue sobre o chão/ Atenção/ Tudo é perigoso/ Tudo é divino maravilhoso/ Atenção para o refrão/ É preciso estar atento e forte/ Não temos tempo de temer a morte”.

*Manolo Piriz