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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Vale tudo, incluindo vale-bebés

No afã propagandístico que contaminou o socratismo, aí está a última: o vale-bebés, um novo brinde para a banca portuguesa, tão debilitada que está, alegadamente para incentivar a natalidade.

A coisa explica-se brevemente: se ganhar as eleições legislativas, o PS diz que dará um vale de 200 euros por cada recém-nascido, obrigatoriamente a depositar num banco e que só poderá ser levantado pelo próprio quando perfizer 18 anos de idade. Ou seja, a banca amealha 200€ por cada nado novo, e durante 18 anos. Depois disso, lá para 2025 ou mais além, devolve 500€ ao petiz entretanto crescido, se ainda existir e se os pais entretanto não tiverem pago várias vezes esse valor por empréstimos à habitação, estudos, etc..

Fantástico, Mike!

Já quanto à melhoria da rede pública de infantários/ creches e à extensão para 1 ano da licença de paternidade, está quieto, que isso dá muito trabalho e não enche o olho.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Luso-brasileirismos: encontros e desencontros da era socrática

No afã Kim-il-Sung que assoma a actividade do governo português, em cruzeiro propagandístico de há uns meses para cá, eis mais uma história a juntar a tantas outras: a da aeronáutica nacional, ou o milagre socratista duma indústria de ponta em terras do macaqueado Allgarve.
Entre contrafacções de feira e excitações propagandísticas, venha o cliente e escolha.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Público & notório

"A evolução da sociedade portuguesa nos últimos 30 anos não foi acompanhada pela adaptação dos partidos políticos, que se mantiveram formalmente fiéis a códigos ideológicos que fizeram parte do seu momento genético, aliás em regra para mais facilmente os tripudiarem no dia-a-dia. Para agravar as coisas, o PS chegou-se ao centro com Guterres, continuou a fazê-lo com Sócrates e está a evoluir no sentido de um partido pós-social-democrata (tema a que dedicarei qualquer dia uma destas crónicas), numa linha de «liberalismo avançado» que, há mais de 25 anos, teorizei como a estrutura central do pensamento político de Sá Carneiro."
José Miguel Júdice,
mandatário de António Costa à presidência da CML
(in "Pensamentos heréticos sobre a direita", Público, 20/VII/2007)

"Em relação à reforma da despesa pública, para além dos cortes no investimento e as medidas nas pensões e reformas, os resultados práticos brilham pela sua ausência. Acabámos de saber que as receitas dos impostos são melhores do que o esperado, mas o compromisso de fechar as contas do Estado em 2007 abaixo dos 3,3% fica adiado porque a despesa corrente não está a correr como o planeado. Fico preocupado, porque a crise orçamental deixada pelo PSD-CDS deveria ser aproveitada para a reforma da despesa e esta parece ficar para depois das eleições de 2009. Como nessa altura a pressão orçamental será menor, podemos pensar que nada mais será verdadeiramente realizado. Os cortes horizontais e cegos, alguns ainda recentes, não resolvem o problema, premeiam as instituições com gorduras, que os podem acomodar, e penalizam as que tinham uma gestão financeira apertada, que podem ficar paralisadas. [...] Tudo o que não devia ser feito. Quem teima em não querer conhecer a história, está condenado a repeti-la, infelizmente."
Luís Campos e Cunha,
ex-ministro das Finanças de Sócrates
(in "Mais vida para além do défice?", Público, 20/VII/2007)

Fontes: cartoon de José Miguel Júdice daqui; foto de Luís Campos e Cunha daqui.