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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O serviço público de radiodifusão: um governo sem soluções consistentes, só agenda político-ideológica

Desconcertante é o mínimo que se pode dizer do relatório sobre o serviço público de televisão elaborado por uma comissão oficial. Daquilo que transpirou, e já foi demais, ressalta uma ideia que é puro harakiri: a comissão considera que a tv pública (leia-se, RTP) deve reduzir-se ao mínimo por ser susceptível de governamentalização, mas o seu canal externo (a RTP internacional) deve manter-se e ser «orientado» pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Diz-se que assim se segue o modelo inglês: nem isso é correcto, pois a BBC é completamente independente do governo em matéria editorial e institucional.

Mas o pior nem vem da comissão mas sim do governo: agora querem dar autonomia regional à RTP-Açores e à RTP-Madeira. Não chega já de instrumentalização e de desperdício de recursos? Dois canais nacionais não servem às regiões? Hoje soube-se que o governo quer que o canal interno que sobrevier (o outro principal será privatizado) seja sem publicidade nem informação, um nado-morto para acabar com qualquer serviço público de tv e dar mais dinheiro do bolo publicitário aos privados.

Resta-me dizer que até sou dos que sou a favor duma reforma profunda na tv pública, algo como uma semi-extinção, mas não assim. Eu proporia a extinção da RTP Memória (ninguém vê), a redução da RTP1, RTP2 e RTP-Internacional a um único canal, com um perfil resultante da fusão entre RTP2 e RTP-Informação, mas reforçado com serviço educativo e documentários, além de desporto diversificado. Já quanto à rádio, não me sinto suficientemente informado para opinar, embora considere que a Antena 1 e a Antena 2 têm bons programas, a questão é a sua divulgação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

EDP censura crítica à electricidade mais cara do mundo

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A censura da EDP foi feita ao comentário que Joana Couve Vieira pôs no site daquela empresa, onde deixava link para uma página do facebook que ligava a uma reportagem crítica do plano nacional de barragens (actualmente parece que está indisponível, vd. esta notícia). A reportagem em apreço passou no programa Biosfera, da RTP2, a 12/X/2011 e pode ser vista em «Tudo o que precisa de saber - A fraude do plano nacional de barragens». Segundo peritos no assunto, as novas barragens em construção, incluindo a do Coa, custarão uma pipa de massa e terão um saldo energético nulo. O seu custo representa 20% do empréstimo da troika e 10% do aumento futuro na factura da electricidade. É por estas e por outras que os programas de ambiente são praticamente inexistentes na tv portuguesa. É que importunam interesses muito fortes.

sábado, 15 de outubro de 2011

Os 40 de Roma: como ser 'representativo' no meio de milhões?

É fácil: basta estar contra o status quo, que cidadãos comuns em centenas de cidades de todo o mundo se mobilizem com o único propósito de se manifestarem pacificamente contra a actual crise geral, causada pela depradação financeira e pela demissão dos políticos de turno. Um movimento que vem de trás, do Cairo a N. York.
Para a tv é um retrato demasiado 'parado' e pouco apelativo, então bora lá pegar em incidentes despoletados por um grupo de 40 indivíduos em Roma (ap. noticiário da RTPi e RTP2) e fazer deles a entrada-chamariz sobre o assunto. E ainda se admiram por haver cada vez mais pessoas desinteressadas dum canal público tal como ele tem sido (que não do serviço público, coisa distinta).
Felizmente, nem todos os media afinam pelo mesmo diapasão. A coisa é já tão óbvia que não dá para menosprezar como antes: isso mesmo surge bem ilustrado em «Os ‘sem poder’ estão a fazer História», entrevista a Saskia Sassen, estudiosa da globalização.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pesssoas demasiado expostas a precisar de férias:

por favor, dêem uma folga ao dr. João Porventura Galamba!!!

Porventura ele está a necessitar! Ainda porventura não sei porventura porquê; talvez porque:

Nós temos um problema, pensar numa política parte de, por exemplo, parecia-me uma forma mais inteligente, é pensar: o mais importante é, porventura, garantir uma trajectória sustentada de sustentabilidade.

Oh, yeah, that's right baby!!!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Porque é que boas reportagens já não redimem o inevitável

Ricky Martin e Cova do Vapor parecem temas desinteressantes, contudo, duas boas reportagens conseguiram dar-lhe a volta.

Quanto ao primeiro, um cantor de «música latina», passou de sex symbol heterossexual para sex symbol gay, no ano passado ou por aí. Assumir isso publicamente é bom, para tirar a questão do armário; agora parece que a coisa foi um pouco tardia demais, senão vejamos: em 1.º lugar, já dezenas de países aprovar o casamento homosexual e avançam na promoção da igualdade de género. Depois, o artista lançou em 2011 um álbum que se chama Música + Alma + Sexo e cujo sexo no fim do título foi justificado por ser a coisa mais natural do mundo. Pois, se assim fosse, porque é que teve que esconder a sua orientação sexual tanto tempo? E porque diz que orientação é diferente de preferência e que o facto de ser gay não é uma escolha?

A segunda reportagem falou-nos dum bairro popular de Setúbal que há mais de 30 anos vem lutando para ter a sua infra-estrutura própria e que agora consegue chamar peritos de várias areas, desde urbanistas e malta das energias renováveis. Nada mau.

Para quem estiver interessado pode ver na página do programa «30 minutos», da RTP1.

E chegámos à parte final do título do post: o inevitável é que vem aí a privatização da RTP e já ninguém vai protestar por isso. Para chegar a este estado de coisas não contribuiu apenas a crise geral, mas também a lentidão de processos da instituição. A SIC já anda a fazer deste tipo de reportagens há mais de 15 anos, não é assim? Enfim, nem tudo foi negativo, como se constata no noticiário regional, na programação humorística, na capacidade tecnológica. Mas enfim, com propaganda oficial, grelha populista (hoje, o telejornal abriu com a morte do actor Angélico Vieira, enquanto a SIC abria com a revolta nas ruas de Atenas) e descaracterizada, etc. e tal, o barco foi ficando muito para trás...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Quando a crise chega ao céu...

... só mesmo mirando, para saber o resultado!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A tv do momento

a seguir, em directo e a qualquer hora, aqui.

domingo, 24 de abril de 2011

Mega-documentário sobre Zeca Afonso na RTP1

É já um acontecimento a exibição de «Maior que o Pensamento», documentário de Joaquim Vieira sobre o cantautor José Afonso. Tem 3 episódios, que serão mostrados a partir desta noite e nas duas noites seguintes.

Mais informação na página da RTP e na crónica de Nuno Pacheco, no P2 de sexta-feira no Público (infelizmente, este último texto só está acessível para assinantes).

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O efeito dominó

Quem diria, apenas há umas semanas atrás, que a revolução tunisina iria contagiar toda a arábia? Ainda por cima, feita pelo povo, contra ditaduras que se eternizavam. Com coragem e dignidade. Com e pela internet e a Al-Jazira. Com e pela rua. Por direitos básicos, incluindo a paz e sem transições amnésicas.
Apesar de percalços perigosos, a liberdade está a passar por aqui...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Leitura, tecnologia e saber: Manguel e Tapscott, ou duas visões estranhamente complementares?

«Alberto Manguel: “Estamos a destruir o valor do acto intelectual”», entrevista a Alberto Manguel por Ana Gerschenfeld

«A Internet deixa-nos mais inteligentes», entrevista a Don Tapscott por João Pedro Pereira

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Para memória futura

«Relatório da comissão de inquérito hoje divulgado
Governo acabou com negócio PT/TVI "por razões políticas do seu exclusivo interesse"
»

A complementar com: «Caso TVI só se percebe com as escutas, defende o juiz do Face Oculta»; «Governo/TVI: Comissão vai divulgar documentos de Aveiro exigidos pelo PSD»

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tugalândia, modo de usar

Nb: +inf. sobre o programa em apreço aqui (caso tenha dificuldades em ver o video até ao fim, sugere-se a sua visualização nesta hiperligação).

terça-feira, 27 de abril de 2010

O que é a censura hoje?

«Crítica a dois filmes censurados pela RTP2», de Eduardo Cintra Torres.

Segundo este crítico de tv, a RTP2 vetou a transmissão de 2 documentários: Michael Biberstein: o meu amigo Mike ao trabalho, de Fernando Lopes, e Aldina Duarte: princesa prometida, de Manuel Mozos. Sucede que ambos os filmes são de cineastas de créditos firmados e com abordagens relevantes. A retaliação dever-se-á ao apoio que estes cineastas deram ao Manifesto pelo cinema português (do qual aqui demos notícia).

A ser verdade, é um lamentável acontecimento.

ADENDA: «"Porque é que os meus filmes passam à meia-noite?", pergunta Pedro Costa a Paula Moura Pinheiro. Acusações à RTP2 dominaram debate sobre cinema português no IndieLisboa» (vd. aqui).

Nb: na imagem, cartoon The evil spirits of the modern daily press, de Syd B. Griffin, 1888.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A ficção made in EUA como antecipação da mundividência mundial (ou Gramsci e Althusser reactualizados por Paulo Varela Gomes)

nos anos 1960 e 1970, já se sabia nessas redes comunicacionais, muito antes de se saber na realidade, que o comunismo era o Mal absoluto, os Estados Unidos o melhor país do mundo e o modo de vida americano o nec plus ultra.
De facto, estas redes não se limitam a reflectir a realidade: fazem-na acontecer, propõem um mundo.
Resta saber se Gramsci combina a 100% com Althusser (parece-me que o peso da conjuntura e do contingente é bem maior em Gramsci), e se a fixação na ficção não será excessivo num mundo onde em que os comportamentos de relevantes segmentos sociais se guiam pela crescente multiplicação e combinação entre diferentes media e tipos de mensagens: tlm, sms, twitter, internet, blogues, sites, redes sociais, e, claro, tv, cinema, rádio, video, músicas etc..
Isto para dizer que se recomenda a leitura da crónica «Exagero?», de Paulo Varela Gomes (Público, 20/III, p.3-P2).

terça-feira, 30 de março de 2010

Jornalismo cívico, em vez de informação-espectáculo

Esta é uma das principais recomendações do novo livro As notícias nos telejornais, de Nuno Gourlart Brandão, baseado numa pesquisa académica de 10 anos sobre a televisão generalista portuguesa e os seus telejornais do horário nobre.

Por detrás desta saída possível para a má situação actual nos media está a conclusão de que as 3 principais tv's generalistas (RTP1, SIC e TVI) definem o alinhamento dos respectivos blocos informativos por critérios comerciais e de audiências, olvidando assim o que é realmente relevante para os cidadãos.

Para os jornalistas que torcem o nariz a estudos sobre o seu ofício vindos da academia, dizer que o autor foi também ele jornalista durante 20 anos e não pretende crucificar ninguém, apenas aduzirr dados empíricos e teóricos para debate e reflexão.

Mais informação sobre livro e autor aqui, aqui e aqui. Outros estudos anteriores, como os de Madalena Oliveira, vão no mesmo sentido (vd., p.e., aqui).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O olho do big brother, versão lusa

Um excerto: «O presidente da Comissão de Protecção de Dados Pessoais diz que a lei chega sempre mais tarde que as tecnologias e que a concentração da informação é um cocktail explosivo».

A acompanhar pelo post «Como dizia o outro, quem abdica de uma liberdade…bem, vocês sabem o resto».

Na imagem, mural de Bansky, em Londres, entretanto destruído?

domingo, 20 de dezembro de 2009

Falar de comeres e beberes...

... está a acontecer, no programa Câmara Clara (RTP2), graças aos convidados António Manuel Monteiro e Inês Ornellas e Castro, ambos estudiosos do tema. Da Grécia Antiga à(s) dieta(s) mediterrânica(s) e de montanha, passando por muitas revelações (existência secular do couscous transmontano, a doçaria portuguesa como a melhor do mundo, etc.) e pelos comentários às belas imagens de Os gestos dos sabores, documentário a transmitir no mesmo canal, a seguir à missa do Galo.

Para quem gosta de livros de gastronomia, viajou-se por vários: sobre a Antiguidade clássica, de Maria de Lurdes Modesto, de A. M. Monteiro (Crónicas comestíveis), de José Pedro de Lima-Reis (Algumas notas para a história da alimentação em Portugal), entre outros.

Para quem não pôde ver, ou quer rever, o episódio estará disponível no sítio de Internet do programa de Paula Moura Pinheiro.

Nb: na imagem, estufado de beldroegas (semizotu çipohorta) da cozinha turca.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Até que enfim - os esmiuçadores chegam já na próxima 2.ª!


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O censor toca sempre duas vezes

Foi a principal notícia do nocitiário português de ontem: o telejornal de maior audiência do país, o Jornal Nacional da TVI, foi suprimido pela respectiva administração, dominada pela espanhola Prisa. Em consequência, demitiu-se a sua responsável e apresentadora, a subdirectora de informação Manuela Moura Guedes, bem como a restante direcção de informação, chefias de redacção e pivots dos telejornais. Moura Guedes alertou então para o facto de assim ficarem sem conhecimento público 5 novas reportagens sobre o caso Freeport, caso em que foi envolvido o premiê.

Há quem queira ver nisto uma opção administrativa pela qualidade, e a felicite. O ponto, contudo, não é esse. Independentemente da polémica que o conteúdo e estilo desse telejornal suscitavam (e não me posso pronunciar muito, pois só vi partes dele, nunca tendo visionado um inteiro, ao contrário de muitos dos seus detractores, que não descolavam do ecrã à 6.ª à noite) e da falta ou não de qualidade que daí adviria, esta decisão abrupta é inaceitável por representar uma administração a interferir nos conteúdos informativos à revelia da linha editorial e da direcção de informação e pelo facto do serviço televisivo ser uma concessão pública, obrigado a respeitar um conjunto de regras. E, claro, sem esquecer o contexto da coisa.

E o contexto é o que se sabe: críticas directas e sucessivas feitas pelo governo actual, a começar pelo premiê em pleno congresso partidário (já em Fevereiro). Sócrates diz que nada fez para isto suceder, mas a formulação é imprecisa: directamente, acredita-se; agora indirectamente, toda a pressão pública que foi feita significa um incontornável condicionamento político da orientação empresarial e informativa. Num país como Portugal, onde política e negócios se confundem amiúde e o governo tem o poder de condicionar as estratégias empresariais, este nexo é ainda mais premente. E é previsível que os incómodos oficiais sejam tidos muito em conta pelos empresários apostados em manterem-se nas boas graças do poder do dia, ou, simplesmente, em não sofrerem retaliações (como hoje salienta Manuel Carvalho no editorial do Público).

Este é o ponto. E ele é tão evidente que são raros os que apoiaram publicamente a decisão (excepções: o ex-editor Paulo Simão, bastante crítico, e o ex-administrador  Miguel Pais do Amaral). Foram várias as instituições ligadas ao sector a contestar a decisão, em nome da liberdade de informação e da independência dos órgãos de informação: a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) e o Sindicato dos Jornalistas, mesmo que antes tivessem criticado a orientação desse mesmo telejornal.

O condicionamento político dos agentes económicos não é de agora, infelizmente este é apenas mais um afloramento. Basta recordar que o comentador político Marcelo Rebelo de Sousa também fora 'saneado' do mesmo canal há 5 anos atrás, desta feita por pressões dum governo de direita liderado por Pedro Santana Lopes (e sobre isso relembre-se o que disseram muitos socialistas e apoiantes na altura).

Sócrates e a sua entourage não têm razões para lamento auto-vitimador: simplesmente, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Adenda: os jornais divulgaram justificações desencontradas para tal decisão, incluindo a necessidade duma remodelação para reduzir despesas (isto numa estação líder de audiências, note-se); mas o certo é que ninguém até agora assumiu as responsabilidades, e já passaram 2 dias (vd. esta notícia actualizada). Para uma cronologia dos factos, vd. a versão impressa do Público de dia 4.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Game show de TV turca quer converter ateus

Ateus - tv turca Uma emissora de TV turca transmitirá um game show, “A competição dos penitentes”, onde 10 concorrentes ateus ou agnósticos serão convencidos a se converter ao islamismo, ao cristianismo, ao judaísmo e ao budismo. O prêmio para os vencedores será uma peregrinação às respectivas cidades sagradas: Meca, Jerusalém e Tibete. Mais.

Imagem retirada daqui.