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quinta-feira, 3 de março de 2011

Who's next


Um interessante artigo no Le Monde, do Michel Cahen, sobre as diferenças entre os motins de Setembro passado em Moçambique e os processos revolucionários actuais no Maghreb.
« Os sujeitos de hoje (serão) os cidadãos de amanhã » ?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Malangatana Valente Ngweny (1936-2011)

Faleceu ontem Malangatana, um dos mais conhecidos e admirados pintores moçambicanos.

Para quem o quiser revisitar em Portugal, estão actualmente patentes duas mostras com obras dele: «Novos Sonhos a Preto e Branco», na Casa da Cerca, em Almada, com desenhos inéditos; e «As Áfricas de Pancho Guedes», no Mercado de Santa Clara, junto à Feira da Ladra, em Lisboa.

Obituário a ler em «O pintor da identidade moçambicana», por Sérgio C. Andrade.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um módico de sensibilidade? Ou o mínimo dos mínimos?

Deram o corpo às balas para conseguirem manter um mínimo para a subsistência. Conseguiram. Mas é só para o mínimo.
Sendo o mínimo dos mínimos, até isso lhes queriam tirar. Arrependeram-se. Ainda bem, resta fazer o resto do caminho.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

3º Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Maputo a ferro e fogo

O rastilho terá sido um pesado aumento dos preços de bens essenciais. Logo de manhã, grupos de pessoas dos bairros mais pobres da capital moçambicana começaram a protestar e a levantar barricadas. Seguiram-se confrontos com a polícia e pilhagens. A cidade rapidamente ficou sitiada. Até agora, há 6 mortos e dezenas de feridos, incluindo duas crianças.

No telejornal da SIC das 12h, o escritor Mia Couto confessava a sua surpresa pela ausência de comunicados oficiais sobre os acontecimentos. O premiê moçambicano, Armando Guebuza, que só à tarde falou, está sob crítica: terá demorado muito tempo a reagir.

Por ora, o ambiente acalmou, mas continuam a circular incitações ao protesto, por sms.

Os motins populares não são novidade em Moçambique. O problema é aquilo que revelam sobre o mal estar social e as más condições de vida: fome, privação, pobreza, desemprego, insegurança sobre o futuro. Há que criar condições que combatam estas causas. A receita actual, baseada num neo-liberalismo recauchutado, não resultou.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ainda sobre a mostra «Portugal nas trincheiras»: notas críticas

Há umas semanas atrás falei aqui da exposição «Portugal nas trincheiras: a I Guerra da República», alertando para o seu final eminente. Agora, aproveito para referir uma excelente recensão à mesma por Eduardo Cintra Torres. A crítica começa pela foto que encabeça a mostra, nada representativa por ser mera propaganda, ainda por cima mal conseguida: um solitário soldado na planície de guerra esforçando-se por mostrar contentamento (pela vitória militar). Depois refere-se ao facto da concepção seguir uma linha demasiado conservadora, omitindo a guerra entre alemães e portugueses em Angola e Moçambique, que redundaram em tantas mortes quanto na frente europeia. Na parte literária alude só a 3 escritores recorrentes (Jaime Cortesão, André Brun e Hernâni Cidade), olvidando Augusto Casimiro, António Granjo, Carlos Selvagem e António de Cértima.
Isto dito, a mostra tinha vários pontos de interesse, a começar pela encenação das trincheiras, os sons da guerra, a reconstituição da frente de batalha e a exibição contextualizada de muitos objectos e documentos de soldados e oficiais. Para quem quiser acompanhar os argumentos recomendo a leitura de «Propaganda, 1918» (Público, 7/V, p. 12-P2).
Nb: imagem retirada de Ilustração Portugueza, n.º 464, 11/I/1915 (via blogue Ilustração Portuguesa).

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Vozes

Pode ouvir-se aqui emissões de rádio (France-Culture, France Q para os intimos) dedicadas à Moçambique. São cinco documentários radiofónicos, com vozes do passado e do presente. Há também documentários sobre outros países africanos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O batuque de Feliciano dos Santos ganha o “Nobel” ambiental

O cantor moçambicano Feliciano dos Santos ganhou o prêmio Goldman Prize, considerado o “ Nobel” do ambiente. Feliciano é reconhecido pelo seu trabalho na divulgação dos problemas da saúde, água e Sida (Aids) que tanto assolam Moçambique e a África em geral. Em 1992, depois de ter formado a banda Massukos, ele promoveu em conjunto com a Unicef um projeto para incentivar a construção e o uso de latrinas em seu país. Em 1996, ele criou a ONG “Estamos”, que tem por objetivo promover melhores condições de vida através de melhores condições sanitárias. Veja vídeo aqui.

domingo, 9 de setembro de 2007

Passagens para Ler Devagar

Já lá vão quase 15 anos que conheço a Cláudia. O nosso percurso científico foi quase simultâneo - licenciatura, mestrado, doutoramento - e nas mesmas instituições (primeiro na FCSH e depois no ICS). Mas foi neste último instituto, em que tive a oportunidade de ser seu colega no I curso de doutoramento, que pude conhecê-la mais de perto. Fiquei espantando com a sua tenacidade e com a capacidade de trabalho. Lembro-me da nossa sessão conjunta de apresentação dos projectos, na qual a Cláudia foi questionada pelos 'séniores' sobre a ambição do seu projecto e da extensão do horizonte temporal que este abarcava: "era uma missão quase impossível" - disseram. Face às críticas a então aluna de doutoramento não vergou e disse simplesmente que esse seria o desafio do próprio projecto. Quatro anos e tal depois (em 2005) o desafio concretizou-se (e tudo foi escrito em apenas um só ano, o último precisamente).
Toda esta conversa vem a propósito da publicação do seu mais recente livro Passagens para África: O Povoamento de Angola e Moçambique com Naturais da Metrópole (1920-1974), que corresponde a parte substancial da sua tese de doutoramento. Uma obra que já é referência e que marcará o campo de estudo da História da migração e da colonização. Não sou especialista, por isso, remeto para esta recensão escrita pelo crítico Eduardo Pitta.

O livro será lançado dia 14 de Setembro (sexta-feira), na Livraria Ler Devagar, Rua Fernando Palha, 26 (Fábrica do Braço de Prata), Lisboa. A apresentação estará a cargo do Doutor Valentim Alexandre.
Não digam nada, mas sei, de fonte segura, que haverá petiscada com sabor e aroma luso-tropicalista.