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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mário Alberto (1925-2011), o cenógrafo iconoclasta

Tem razão o Viriato Teles.
Com ditos como o que se segue, era este o homem que devia estar ao leme:
Chico-espertos deste país, ide todos à badamerda!

«Morreu o cenógrafo Mário Alberto, fundador de A Barraca», notícia da LUSA

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tour-de-force de Fausto no Festival Música e Revolução

«Fausto: a cantiga ainda é uma arma», por João Pedro Barros

terça-feira, 30 de março de 2010

Jornalismo cívico, em vez de informação-espectáculo

Esta é uma das principais recomendações do novo livro As notícias nos telejornais, de Nuno Gourlart Brandão, baseado numa pesquisa académica de 10 anos sobre a televisão generalista portuguesa e os seus telejornais do horário nobre.

Por detrás desta saída possível para a má situação actual nos media está a conclusão de que as 3 principais tv's generalistas (RTP1, SIC e TVI) definem o alinhamento dos respectivos blocos informativos por critérios comerciais e de audiências, olvidando assim o que é realmente relevante para os cidadãos.

Para os jornalistas que torcem o nariz a estudos sobre o seu ofício vindos da academia, dizer que o autor foi também ele jornalista durante 20 anos e não pretende crucificar ninguém, apenas aduzirr dados empíricos e teóricos para debate e reflexão.

Mais informação sobre livro e autor aqui, aqui e aqui. Outros estudos anteriores, como os de Madalena Oliveira, vão no mesmo sentido (vd., p.e., aqui).

domingo, 22 de novembro de 2009

La jeunesse dorée (III)

Infelizmente nem todas as caricaturas poderam ser reproduzidas, devido a melindres respeitáveis que os preconceitos do tempo justificavam. O portrait-charge, que hoje representa uma consagração, era então pouco menos do que um insulto.
Todos sabem quanto Herculano amuou com uma caricatura inoffensiva de Raphael, e conhecem o curioso diálogo, travado a esse respeito, entre os dois grandes homens, na loja de livros do velho Bertrand.
Havia ainda n’esse tempo, como que o pudor da publicidade.

DANTAS, Júlio, "Raphael Bordallo Pinheiro[:] a sua vida e a sua obra",
Illustração Portugueza, 18/II/1907, p. 236.

sábado, 21 de novembro de 2009

La jeunesse dorée (II)

D’ahi por diante ninguém encontrava o Raphael que não lhe pedisse para ver as caricaturas. Então era sabido: o artista tomava uma attitude mysteriosa, olhava em volta com receio de que o visse alguém, tirava d’entre o collete e a camisa uma grande pasta preta, e folheando rapidamente, entre as gargalhadas convulsas da assistência, mostrava a collecção admirável que dois annos depois, em magnificas aguas-fortes, devia ser publicada com o título de Calcanhar de Achilles (1870).
É esta data que marca o início da verdadeira caricatura política em Portugal.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

La jeunesse dorée

Se dizia muito em segredo, à bocca pequena, que o Raphael trazia comsigo uma colecção escandalosa de caricaturas, nada menos do que os jarrões mais illustres d’então nas lettras e na política, o que para a severidade do tempo constituía um arrojo capaz de levar um homem aos ferros do Limoeiro.
A notícia correu com insistência, os amigos não o deixavam, e o grande artista, que a princípio negou, viu-se forçado a fazer a espantosa revelação. Foi um delírio.


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mafalda, a contestatária, fez 45 anos

A pequena Mafalda, que odeia a sopa e o racismo na mesma medida, apareceu pela primeira vez em 1964, pela mão do argentino Quino. O seu criador começara a congeminá-la 2 anos antes, para uma promoção publicitária dos electrodomésticos Mansfield, que, felizmente, nunca foi adiante.
As suas histórias duraram até 1973, graças à popularidade que granjeou em todo o mundo. Estas vinhetas inconformistas ainda hoje continuam a ser traduzidas, para livro ou filme de animação. O escritor Umberto Eco comparou-a a outra série famosa, a dos Peanuts.
Para consulta: o site oficial de Mafalda; a página de Mafalda no site de Quino; este pequeno filme de animação da Mafalda, em castelhano; e os sites Los Amigos de Mafalda e El mundo de Mafalda; sobre a história da protagonista e seus amigos vd. aqui.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Depois da derrota eleitoral, a derrota jurídica...

...do premiê português e do seu governo, evidentemente. Mas também é mais do que isso, num tempo de tentativas variadas de domesticação oficial do espaço público, de que é sinal mais recente a aquisição de c.1/3 da TVI por uma empresa (PT- Portugal Telecom) cuja golden share é detida pelo Estado português, Estado cujo governo actual denuncia aquela tv como estando a persegui-lo. Tal como hoje refere Daniel Oliveira no blogue Arrastão, trata-se duma vitória para a liberdade de expressão. E, adito eu, reitera-se a inalienabilidade, conferida aos cidadãos, da liberdade de escrutínio e de crítica do exercício da res publica.

Estas são ilações a retirar do arquivamento, pelo DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) do processo relativo à queixa-crime apresentada por José Sócrates contra João Miguel Tavares (colunista do DN): «As expressões utilizadas pelo arguido João Miguel Tavares e dirigidas ao Primeiro-Ministro, figura pública, ainda que acintosas, indelicadas, devem ser apreciadas no contexto e conjuntura em que foram publicadas, e inserem-se no exercídio do direito de crítica, insusceptíveis de causar ofensa jurídica penalmente relevante».

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A sátira como redenção

Em Gogol, para Gogol, foi muito isso que ocorreu: a revelação dos erros, vícios e imperfeições da conduta humana como caminho de redença, resgate, purificação do homem e da sociedade.

Em 2009 celebram-se os 200 anos do seu nascimento. Em Portugal, onde Nikolai Gogol tem tido alguma presença no teatro, recomendo a versão do O inspector geral pelo grupo A Barraca (no Cinearte até 31/5, vd. cheirinho e recensão aqui). Esta é uma das peças do autor que melhor corporiza uma das suas facetas mais fortes, a de crítica da sociedade e dos seus vícios. A estreia original (em 1836) foi um êxito, o próprio czar Nicolau I terá sugerido uma ida ao teatro aos funcionários públicos (dado a peça denunciar alguns dos seus pecadilhos). Porém, as críticas dos sectores reaccionários de S. Petersburgo, que o acusavam de fazer um ataque ao próprio sistema político, cairam mal no dramaturgo, que novamente retomou os seus périplos errantes e desesperados.

Para nosso mal, morreu novo, fugindo do mundo. Para nosso bem, ainda assim legou-nos várias obras de referência na sátira e no grotesco, de grande poder imaginativo e exigência formal e ética. Quanto ao poder imaginativo, recomendo a leitura do fantástico conto O nariz, ou a audição pela voz de Jorge Silva Melo, caso ainda não tenha esfumado a oportunidade (cf. programação do Teatro S. Luiz, em Lisboa). Quanto à exigência formal e ética, a obra central é Almas mortas. Quem estiver interessado, pode consultar e ler algumas das obras de Gogol no Projecto Gutenberg.

sábado, 17 de maio de 2008

Negativland em Lisboa

Sabeis quantos fusos horários tinha a ex-União Soviética? Não? Também não faz mal. Ninguém é perfeito. Mas se quiserdes saber podeis ir aqui averiguar. O vídeo é do Miguel Soares, tal como o cartaz em cima. Sim, porque não é todos os dias que tipos como estes vêm cá a Portugal.
A propósito, vale a pena espreitar a página dos Negativland, bem como esta informação sobre os pressupostos artísticos do grupo.