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segunda-feira, 26 de maio de 2008

My blueberry nights

A cada filme, Wong Kar Wai constrói um itinerário sentimental para as suas personagens e transporta-nos ao longo da jornada. Aí, reside uma das suas grandes qualidades que, juntamente, com a prodigiosa fotografia do cenário urbano e a envolvência da banda sonora, constituem a sua marca autoral.
Em My blueberry nights é fácil reconhecer Wong Kar Wai, mesmo nos E.U.A. e sem o «exotismo» asiático, lá está a cartografia: o trágico Sul, com David Strathairn a funcionar como o duplo perfeito do seu galã chinês Tony Leung Chiu Wai; o Oeste empreendedor, aqui Natalie Portman no seu melhor papel e com outro toque remissivo para a peruca de Chungking Express; e a acolhedora realidade da Grande Cidade, por oposição ao espaço americano quase mítico, e onde o realizador se sente «em casa» (e nós, clientes habituais daquele café).
E a história de amor, desta vez, tão suave, em que a habitual crispação e sensação de impossiblidade dá lugar à doçura, como se a protagonista (Norah Jones), livre das «obrigações» de femme fatale ou de «espartilhos» sufocantes conseguisse arranjar um espaço de entrega. Ao rapaz (Jude Law), Wong Kar Wai concede tempo e disponiblidade, dádiva rara no realizador/argumentista.
O resultado é um belíssimo happy end, ideal para dias amargos de chuva.
P.S. - O Peão já aqui falou deste filme.

sábado, 26 de abril de 2008

My Blueberry Nights

My Blueberry Nights de Wong Kar-Wai, o filme que abriu o Indie Lisboa, na passada quinta-feira, no cinema São Jorge, soube a pouco mas abriu o apetite para um festival que se espera suculento e não pára de crescer. Soube a pouco porque, apesar do filme de Wong Kar-Wai ser tecnicamente independente – foi rodado nos Estados Unidos «fora de Hollywood», com dinheiro europeu e asiático – a história romântica com happy end dá-lhe um sabor mainstream. E, acima de tudo, porque fica aquém da última obra-prima do realizador de Hong-Kong, In the Mood for Love. O filme ressente-se da ausência do genial director de fotografia que costuma trabalhar com Wong Kar-Wai e Norah Jones não tem uma centelha da presença de Maggie Cheung.
Ainda assim, é um prazer ver um realizador ser fiel ao seu estilo ao mesmo tempo que pesquisa um novo território e uma nova língua – é o seu primeiro filme em inglês. Interessante é a forma como combina o road movie tão típico da América com temas que lhe são caros – a lenta depuração dos sentimentos pelo tempo e pela memória. Em vez da viagem de busca da «nova fronteira», em que o horizonte, por definição, é inalcançável, temos a viagem circular, cujo sentido só pode ser dado pelo regresso ao ponto de partida. Outra variação de uma história muitas vezes contada é que seja a personagem feminina a partir e a masculina – interpretada por Jude Law – a permanecer num bar de Nova Iorque, à espera da mulher por quem se apaixonou.