Mostrar mensagens com a etiqueta ASAE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ASAE. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de novembro de 2010

Quando a causa é apelativa, o voluntariado surge

É esta a ilação que se pode retirar da forte adesão por parte dos jovens na nova campanha do Banco Alimentar Contra a Fome, uma organização que recolhe alimentos para pessoas necessitadas. Tal foi a adesão que muitos jovens voluntários tiveram que ficar de fora. Afinal, o voluntariado juvenil em Portugal não é uma miragem, falta é conseguir cativá-lo. Cada vez mais este passará por causas, abraçadas por curtos períodos. No que parece ser uma tendência internacional, a confiar no que diz o investigador Bob Price para os EUA.

O Banco Alimentar é um caso português bem sucedido e já tem seguidores no estrangeiro. Isabel Jonet, a sua presidente, está de parabéns neste particular.

Também é de louvar a iniciativa prevista para 10 de Dezembro, em que as sobras alimentares dos restaurantes aderentes não serão deitadas ao lixo mas sim dadas a quem precisa. Valeu a pressão social neste sentido. Falta agora a ASAE não persistir em criar obstáculos.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Vencer a ditadura do centralismo

Estou cada vez mais convencido que um dos entraves bloqueadores do desenvolvimento socioeconómico de Portugal deriva, em grande parte, do excessivo centralismo estatal sem qualquer tipo de contrabalanço ao nível de uma sociedade civil sólida e estruturada. Os debates sobre a reforma e sustentabilidade do Estado social passam cada vez mais por conceber o próprio Estado como um agente potenciador que incida sobre as capacidades dos indivíduos e colectividades de modo a intervir, por esta via, na atenuação (e, porque não dizer, na erradicação) das situações de maior precariedade e exclusão social. Este objectivo poderá ser alcançado traçando três caminhos interdependentes: agilizar a organização e o modo de operar das instituições e agências públicas (por ex.: reduzindo a burocracia); dotar a sua acção de uma componente mais empreendedora (e até pedagógica) e não meramente fiscalizadora ou controladora; conseguir gerar plataformas de confiança com os cidadãos. O exemplo da ASAE, que tanto se tem falado, parece-me paradigmático a esse respeito. Esta agência que lida todos dias com um tecido económico, em muitos casos já de si muito fragilizado, acabou por se ficar pelo papel coercivo de policiamento, gerador de desconfiança e mal-estar nas populações. A insensibilidade demonstrada, designadamente, sobre a especificidade de certos sectores tradicionais da economia é reveladora sobre as consequências mais nefastas do centralismo cego, como se a realidade do país se resumisse a uma matriz regida por procedimentos administrativos. Se ao invés de encerrar logo à partida locais de comércio e de serviços que não cumprem os requisitos mínimos, a ASAE tivesse como pressuposto de actuação os três princípios que enunciámos atrás, provavelmente ter-se-ia prestado um outro serviço à dinâmica das economias locais. Quer se queira, quer não, Portugal ainda é (muito) feito das economias locais, não só em termos produtivos, mas ao nível das extensas redes sociais que se organizam em seu redor. Muitas vezes, são estas redes as estações de protecção que restam a populações mais desfavorecidas, nomeadamente, os idosos. À partida tudo isto parece ser muito insignificante, mas se pudéssemos somar todas essas insignificâncias, chegaríamos provavelmente a números consideráveis. A ideia que tenho veiculado sobre o Estado Propulsor, vai precisamente no sentido oposto: em vez de se destruir essas redes, as agências públicas deveriam encará-las como algo em potência, capaz de catapultar um conjunto de dinâmicas imprevistas. Refiro-me sem dúvida ao capital social, nas suas mais diversas acepções (não interessa agora para o caso): promover as redes existentes em territórios concretos, de forma a que estas se aglutinem em torno de nós de dinamismo bem estabelecidos (sejam eles produtivos, associativos ou culturais). É neste sentido que abordo a dualidade embedded/autonomy: imergir nos contextos da pequena (e, em muitos aspectos, débil) vida económica e social de maneira a gerar os mecanismos fundamentais para que estes incrementem valor acrescentado e se tornem, por este meio, gradualmente mais autónomos (e, consequentemente, menos dependentes) do próprio Estado. Só assim se poderá vencer a ditadura do centralismo burocrático e territorial :)

Este post foi também publicado aqui.

sábado, 31 de maio de 2008

Novos papismos, ou as charadas da ASAE

(c) cartoon de GoRRo, 2008

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

ASAE - a higienização da cultura

Sobre a ASAE já muito foi dito, algumas das coisas neste blogue, mas olha, apetece-me mesmo pegar de novo nela, que há muito não havia nada que me causasse tanto pânico como a actuação desta entidade.

Um pânico (também mas não só) muito egoísta e quotidiano: da mercearia onde me aviava que fecha, alegando-se, entre outras coisas, o terror por uma inspecção da ASAE e a impossibilidade financeira de responder a todas as exigências impostas aos comerciantes, aos "so very clean" novos carrinhos de assar castanhas, todos iguais e em perfeito aço inoxidável.

Não é que não se deva zelar pela higiene e prevenir intoxicações alimentares, mas parece que estamos a seguir um caminho que corre sérios riscos de, levado à letra, extinguir algumas das melhores coisas deste país - pense-se na amada Ginginha do Rossio, veja-se o post do Daniel sobre o medronho e considere-se que a ASAE (ou a ASAE ao fiscalizar a aplicação de normativas comunitárias, como não se cansa de frisar) impõe que seja possível identificar a proveniência de todos os produtos alimentares e facilmente se percebe que muitas das coisas que as nossas delícias fazem estão ameaçadas de extinção.

A couve que o senhor Manel põe à venda na feira vinda directamente da sua horta passa a ser ilegal! Ora sebo. E isto parece particularmente preocupante por traduzir uma tendência para o refúgio no cumprimento cego das normas - tão mais fácil já que não é preciso pensar, basta executar - e numa higienização da cultura, ameçadora das manifestações populares da mesma, por inerência impossíveis de sistematizar, prever, categorizar, regulamentar.

Formatação e diversidade, espontaneidade e regulamentação, tendências das organizações humanas entre as quais é necessário encontrar equilíbrio, num exercício de bom-senso que parece não ser apanágio de alguns dirigentes em Portugal - para mal dos nossos pecados, nomeadamente o da gula.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A quem anda aos papéis por não saber se inalou, ou lá o qué

domingo, 16 de dezembro de 2007

Aguardente de medronho, esse néctar dos deuses

Foi há pouco tempo que comecei a apreciar esta preciosidade, quando, em férias pela costa vicentina, a boa aguardente da casa que concluía a refeição em restaurantes da zona era quase sempre de medronho.
Este néctar tem origem num arbusto ou pequena árvore mediterrânica, o medronheiro ou ervedeiro (Arbutus unedo). Esta é uma árvore que sempre foi aproveitada para outras finalidades: para curtir peles (com os taninos das suas folhas e casca); para lenha; para curar diarreias, desinterias e infecções urinárias (medicina popular); para fazer mel, etc. (vd. aqui).
A aguardente de medronho era já comum no Portugal medievo, mas é provável que recue à presença árabe na Ibéria.
Esta aguardente é feita do seguinte modo:
"O ciclo inicia-se com a apanha do fruto, entre os meses de Setembro e Dezembro, realizada pelo produtor e família, ao que se segue um período de fermentação e a posterior destilação em local próprio. Por fim, a aguardente pode ser logo vendida ou submeter-se a envelhecimento. A fruta é fermentada em tanques de madeira ou barro. A fermentação é natural e dura entre trinta a sessenta dias [há quem diga que o limiar deve ser 15 dias, mas depende da temperatura exterior]. Os tanques devem ser cobertos com frutos esmagados para evitar o contacto com o ar. Depois de fermentado o produto deve ser guardado durante sessenta dias e bem protegido do ar. Uma boa aguardente de medronho é transparente, com o cheiro e o gosto da fruta".
É produzida sobretudo no Algarve, mas também existe no Baixo Alentejo e na Beira Baixa.
No Algarve deve ter 50º de teor alcoólico, em geral deve ter entre 40-50º (vd. aqui).
Foi um produto com relevância económica para as populações da serra algarvia e vizinhas do Baixo Alentejo, mas entrou em crise a partir dos anos 70, com a desertificação e o reforço da legislação específica. Para tentar cercear a crise, surgiu em 1985 a Assoc. dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio (APAGARBE), reunindo c. de 150 dos 500 produtores locais e que pugna pela valorização e reconhecimento oficiais deste produto (enquanto Denominação de Origem Protegida ou Indicação Geográfica Protegida). No âmbito dum projecto de inventariação das principais áreas de intervenção para a revitalização das produções artesanais do interior algarvio (projecto ARRISCA na Serra do Caldeirão, integrado no LEADER I), foi feita uma «investigação-acção sobre a aguardente de medronho» (1993-2000), estudo conjunto da Univ. do Algarve, Dir.º Regional de Agricultura e Associação In Loco. Seguindo estas pisadas surgiu recentemente o oportuno livro Aguardentes de frutos e licores do Algarve, de Ludovina Rodrigues Galego e Valentim Ribeiro de Almeida (Lx, Colibri, 2007), donde retirei informação para este parágrafo.
Outros espaços que permitem revitalizar este produto são as feiras, encontros e acções de sensibilização.
O 4.º Festival de Gastronomia Serrana de Tavira incluiu na sua ementa este néctar, pela mão de restaurantes serranos (vd. lista aqui). Ou seja, esta aguardente remata bem repastos com pratos como estes: galo guisado, ensopado de veado, lombinhos de porco com passas e mel, cozido à moda serrana e lebre com feijão branco. Mas não só! Até há quem diga que vai bem com bolos e doces de amêndoa e mel, típicos do Algarve.
Também Almodôvar acolheu há 2 semanas a 1.ª Feira do Cogumelo e do Medronho (24-25/XI), dois dos principais produtos da zona.
Por fim, vende-se em várias feiras, como a de Artesanato de Loulé e a Medieval de Silves.
No Verão de 2006 realizaram-se as Jornadas do Mel, Medronho e Medronheira, em Pampilhosa da Serra.
Segundo o jornal Barlavento, a Associação In Loco organizou recentemente uma apanha de medronho em São Bartolomeu de Messines (a 17/XI), "com vista a recriar a tradição que marca as serras do Algarve" e contribuir "para a preservação do património natural e sócio-cultural regional".
Do que retenho, as minhas preferências vão para as seguintes aguardentes:
>A farrobinha (produtor: Carlos Faísca; Querença- Loulé);
>Aguardente de Medronho Velha (produtor: Obras do Caratão; Serra da Estrela);
>Manuel de Sousa Martins (S. Bartolomeu de Messines, que produz tb. um excelente licor de poejo);
>Medronho (produtor: Lidório da C. Jesus, de Tavira; melhora com o tempo, o que é bom sinal!);
>Mourinha (produtor: Herdeiros de José Manuel Mealha Guerreiro; Barranco do Velho, Salir, Loulé, tel.28-9846183).
Foi ainda muito apreciada a Aguardente de Medronho de José Rodrigues Cavaco (Vale de Ôdres, Cahopo, Tavira, o,5l, 45º), com foto aqui.
*
Marcas do Algarve que ainda não tive o prazer de provar:
>Castelo de Silves (0,7l: €30; produtor: Baga-Mel; Monchique);
>Guia (€16,8);
>Pizões (0,75l: €30; esgotado na origem [Indústrias Cristina - Portimão], destilação especial para reserva desde 1902; Monchique);
>Sanches & C.ª Lda. (c/caramelo e 2 marcas distintas, uma com rótulo amarelo, a outra preto);
>São Barnabé (0,7l: €18
ou €24; produtor: Leonardo Cabrita; Caldeirão);
>Valverde e Lino (de José Manuel Valverde, de quem dizem que fazia o melhor néctar).
Ainda de Monchique vd. inf. para Cimalhas, Taipas e Monte da Lameira aqui.
Marcas da Beira, da parte de cima (Serra da Estrela):
>Aguardente de Medronho Velha (0,5l: €17,62; produtor: Obras do Caratão);
>Aguardente de Medronho - Obras do Caratão (0,7l: €15,38; produtor: Obras do Caratão).
Marcas da Beira, da parte de baixo (Oleiros):
>Silvapa (0,5l: €15; produzida em Madeirã, concelho de Oleiros).
*
A ASAE só fiscaliza a aguardente comercializada, poupando a para consumo próprio, o que é uma boa notícia. O licenciamento das destilarias passou para as câmaras municipais desde 2002 (CM; vd. decreto-lei 238/2000). Vários restaurantes alentejanos estão a deixar de servir aguardente de medronho (da casa) por receio da ASAE :(  Mas se fosse servida como oferta aos bons clientes, já deveria ser permitido, não é?
*
PS: era bom que os produtores fizessem mais uso da Internet para divulgar os seus produtos em sites e/ou blogues seus (e/ou de associações como a APAGARBE), até para facilitar a respectiva comercialização e encomenda por interessados. É que as mercearias finas e outros intermediários inflaccionam muito os preços deste tipo de produtos. Foi muito difícil encontrar informação útil na Internet, e a que existe é maioritariamente inserida por intermediários, além de pobre.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Não às novas medidas de higiene alimentar da A.S.A.E.

A petição circula online aqui.
Segundo a ASAE, “a petição é um profundo disparate sem qualquer fundamento, uma invenção de alguém muito brincalhão".
A brincar, a brincar..

sábado, 24 de novembro de 2007

A Ginjinha do futuro (to Sofia with Luv)

Depois de alguma pesquisa, e segundo fontes pouco seguras contactadas pelo Peão, conseguimos apurar que o fecho da Ginjinha do Rossio é afinal temporário. Segundo as mesmas fontes um representante de uma empresa fictícia, com sede fiscal nas ilhas Caimão, prepara-se para investir na economia nacional e a sua prioridade é a aquisição da Ginjinha do Rossio. Este cenário é visto com bons olhos pelo governo, por representar um investimento estrangeiro, e ser um passo na modernização da economia nacional. A dita empresa irá reabrir em breve a Ginginha remodelada e modernizada, conforme às regras da ASAE.
Do plano de restruturação da Ginjinha faz parte o rejuvenescimento dos quadros. Todos os empregados serão jovens, recrutados maioritariamente nos subúribos, receberão como ordenado base o ordenado mínimo nacional, trabalharão por turnos, e com contratos a prazo. Findo o contrato serão substituidos por novos empregados. Ao que consta, está a ser concebido um uniforme para os empregados, que inclui um chapéu de pala, com o objectivo de criar um nova imagem no acolhimento da Ginjinha. Será também instituido o prémio do empregado do mês, para premiar o desempenho dos funcionários. O prémio consite na oferta de uma fotografia do próprio premiado, autografada pelo novo proprietário, e entregue no momento da cessação do contrato a prazo.
A modernização vai trazer a oferta de novos produtos à clientela, procurando atrair novos públicos alvo. Está a ser estudado o lançamento da Ginjinha Light, Ginjinha Sem Alcool e Ginjinha sem Cafeína. O investidor espera a prazo transformar a Ginjinha num franchise e estará a equacionar a aquisição de novas instalações noutros locais turísticos de Lisboa. Aparece como a possibilidade mais forte neste momento uma nova Ginjinha junto ao Mosteiro dos Jerónimos (ao que parece no CCB). Outras hipóteses serão a Baia de Cascais, o centro histórico de Sintra, o centro comercial Colombo ou o Alvaláxia. Uma expansão para o estrangeiro, em caso de sucesso, não está de todo excluída.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Despedida da Ginginha

É no dia 26 de Novembro pelas 18.30h a despedida da Ginginha do Rossio, outra vítima da ASAE. Ver aqui.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A ASAE dá AZAR (perguntem ao Daniel)

Os pratos típicos portugueses entraram na clandestinidade, (já só nos restam os produtos Kosher do Corte Inglês). Neste Verão, os Peões, reunidos a Sul, estão a ser perseguidos pela ASAE e cada um revela as suas preocupações:
- Cláudia Castelo teme pelos caracóis;
- Sofia Rodrigues pelas farturas;
- Daniel Melo e Vallera pela aguardente de medronho.
Em contrapartida, a protopeão Iolanda Évora, na vanguarda da «cena clean», nada teme com o seu «kit» completo Bio.