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sábado, 19 de março de 2011

Previsões para 2011

Este é um ano ímpar, imprevisível, imponderável. Qualquer previsão arrisca-se a ser desmentida por acontecimentos inesperados.
Paul Krugman previu um «banho de sangue» nos Estados Unidos na próxima primavera (ver aqui).

O sempre útil «Borda d´Água», autodenominado «o Verdadeiro Almanaque» adverte: «Julho quente traz o Diabo no ventre». O sétimo mês de 2011 terá, por uma vez em oitocentos e tal anos, cinco sexta-feiras, cinco sábados, cinco domingos. Será um mês propício a «overdoses» de mitómanos e acontecimentos extraordinários.

Eu, modestamente, prevejo que não vou continuar a escrever neste blogue em 2011. Já em 2008 tinha anunciado a minha retirada da blogosfera, mas fui cedendo à boa tentação de ir postando neste blogue. Agora preciso mesmo de me concentrar em projetos fora desta rede. Podia deixar de escrever sem anúncios ou «previsões», mas esta foi a forma que encontrei de me impor uma autodisciplina. Votos de um bom ano no blogue e fora dele.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A ficção made in EUA como antecipação da mundividência mundial (ou Gramsci e Althusser reactualizados por Paulo Varela Gomes)

nos anos 1960 e 1970, já se sabia nessas redes comunicacionais, muito antes de se saber na realidade, que o comunismo era o Mal absoluto, os Estados Unidos o melhor país do mundo e o modo de vida americano o nec plus ultra.
De facto, estas redes não se limitam a reflectir a realidade: fazem-na acontecer, propõem um mundo.
Resta saber se Gramsci combina a 100% com Althusser (parece-me que o peso da conjuntura e do contingente é bem maior em Gramsci), e se a fixação na ficção não será excessivo num mundo onde em que os comportamentos de relevantes segmentos sociais se guiam pela crescente multiplicação e combinação entre diferentes media e tipos de mensagens: tlm, sms, twitter, internet, blogues, sites, redes sociais, e, claro, tv, cinema, rádio, video, músicas etc..
Isto para dizer que se recomenda a leitura da crónica «Exagero?», de Paulo Varela Gomes (Público, 20/III, p.3-P2).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Transparência e igualdade de oportunidades: para acabar com o país do jeitinho, dos ajustes, da discricionaridade da intervenção estatal

Já não era sem tempo: «Petição lançada por arquitectos exige fim dos ajustes directos nas obras da Parque Escolar». A petição sobre os Ajustes Directos da Parque Escolar surgiu ontem e já vai em 600 subscritores.

Quem não acompanhou este tortuoso processo sempre apresentado como virtuoso pode ver este excelente trabalho de denúncia, debate e reflexão do blogger e arq.º Tiago Mota Saraiva.

domingo, 6 de dezembro de 2009

E o menino gosta mais do papá ou da mamã? Tem que escolher, não pode gostar dos dois.

Segundo Rogério da Costa Pereira Liedson não percebeu que a selecção portuguesa não é um clube, não percebeu a escolha que fez, não percebeu que Portugal passou a ser o seu país, não percebeu que não pode estar dividido. A nacionalidade é portanto para ser gozada em regime de exclusividade, para adquirir o cidadania há que renegar o passado, não se pode amar dois países ao mesmo tempo, não se pode ter identidades misturadas. Jean-Marie Le Pen não diria pior.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Votos, contos e etiquetas

Bem avisado estava o André Belo quando, algures em 2007, nos desafiou para cuidarmos da indexação no blogue: é que, neste momento, se quisermos adicionar novas etiquetas (labels), o Blogger não deixa e avisa-nos disso mesmo (ademais, corre-se o risco de perder parte do post que se está a escrever...). Chegámos ao máximo permitido: duas mil etiquetas!!
Como faz sentido termos uma folga de espaço para futuras etiquetas, dou o tiro de partida e vou eu próprio fundir e cortar algumas das muitas com que inundei a lista indexante. Começo com as etiquetas dedicadas a cartoonistas individuais. Neste post, colocarei (em baixo) todos aqueles que homenageei neste blogue, através de pequenos textos, imagem e/ou link(s).
De todos eles há um que merece ficar à parte, pois é o único que foi convidado pessoalmente e só aqui publica, aceitou partilhar as suas ideias e opiniões de modo regular sobre a forma de cartoon, assim valorizando o blogue e a blogosfera portuguesa: falo de GoRRo, a quem tenho o prazer de convidar e desafiar desde os tempos do blogue Fuga para a Vitória. Nem sempre concordo com a sua abordagem (e ainda bem!), mas sei que tenta sempre ir mais além. Com risco, desassombro, inteligência e um estilo inconfundível. Não há ninguém que faça cartoon como ele, seja em termos de enfoque, seja de desenho, seja na forma de apresentação, sempre de modo deliberadamente improvisado e exclusivamente para este media especial que é a blogosfera. Por tudo isto, criei uma caixa à parte, na coluna da direita, intitulada «Convidado especial», logo a seguir à caixa/ menu «Peões». Os restantes cartoonistas, além de figurarem no presente post, também poderão ser apreciados na antiga etiqueta «cartoon». Abro também outras 2 excepções, para cartoonistas com mais de 2 posts e que são só 2: Siné e Mel Calman, que manterão a sua etiqueta individual (por ora, pelo menos).
E aqui fica o repto para os restantes bloggers: se puderem, toca de fundir etiquetas!
Na imagem: cartoon de GoRRo, que encerra a série «Por dentro».
*
Lista de cartoonistas referidos neste blogue até hoje:
>Abdulla-Assaad (I)
>André Carrilho (I)
>Andy Singer (I)
>Ann Telnaes (I)
>Antero (I; II)
>Banegas (I; II)
>Boris Yefimov (I)
>Charles Barsotti (I)
>Dan Lietha (I)
>David Horsey (I; II)
>Dj Mellow (I; II)
>Don Wright (I)
>GoRRo (73)
>Henrique Monteiro (I)
>Jack Ohman (I)
>Johnny Hart (1931-2007) (I; II)
>João Abel Manta (I; II)
>Khalil Bendib (I)
>Latuff (I)
>Leal da Câmara (I)
>Major Alverca (I)
>Marco Biassoni (I)
>Marshall Ramsey (I)
>Martirena (I)
>Mel Calman (8)
>Miel (I)
>Mordillo (I)
>Nick Anderson (I)
>Paz (I)
>Peter Brookes (I)
>Quino (I)
>Rogelio Naranjo Ureña (I)
>S. Harris (I)
>Sergio Langer (I)
>Siné (3)
>Steve Breen (I)
>Steve Sack (I)
>TD (I)
>Tom (I)
>Tute (I)
>Zé dalmeida (I)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sucursal do Peão

clave do sul Estive afastado alguns dias por 2 motivos. O primeiro foi porque saí uns dias férias e aproveitei para ir à uma pescaria no Pantanal e, quando voltei, me deu na telha criar um blogue solo. Trata-se do Clave do Sul. No primeiro momento, pensei em tratar da política tupiniquim. Refleti a respeito. Mas quando pensei profundamente na coisa senti ânsia de vômito. Então desisti da ideia e resolvi torná-lo uma sucursal do Peão. Ele será municiado em boa parte com os textos publicados aqui, exceto quando o assunto merecer uma abordagem e linguagem específicas. Assim, convido a todos pra um café ou chá, pois ainda ando abstêmio dos alcoólicos. Detalhe: ele ainda está em construção e sempre estará até que eu desista da ideia.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ainda a propósito das eleições europeias

Após uma análise mais panorâmica, onde realcei a persistência da direita na liderança do Parlamento europeu, a crise do PSE e a reconfiguração distinta ocorrida em Portugal, falta referir alguns detalhes relevantes.

Em 1.º lugar, há um aumento significativo da direita xenófoba (o grupo dos «não inscritos») e dos verdes, este à custa do GUE/ NGL (esquerda) e do PSE. Ou seja, a UE virou um pouco mais à direita e, à esquerda, reforçaram-se alternativas ditas «pós-materialistas», mas que serão mais do que isso, caso os partidos ecologistas representados tenham uma visão mais holística, o que a campanha de Daniel Cohn-Bendit prenuncia. A abstenção subiu ainda mais, perante a indiferença preocupante dos responsáveis da UE.

Em 2.º lugar, em Portugal, o partido vencedor (PSD) ficou aquém dum resultado fora-de-série, e, por isso, a direita coligada ainda não é maioritária (vd. resultados aqui). O PS é que deu um trambolhão histórico, averbando um dos piores resultados de sempre. É caso para muita reflexão num partido que se eclipsou para deixar brilhar a arrogância do rei-sol Sócrates. Mas as primeiras declarações pós-queda do rei-sol são mais do mesmo: manter o rumo, etc. e tal: assim foi com o Titanic. Os Jethro Tull têm um disco sobre o tema: chama-se «Thick as a brick» e recomenda-se.

Destaque-se ainda o peso dos restantes partidos (c.12%) e do voto em branco (quase 5%) e pode-se dizer que, para as próximas eleições legislativas, muito está ainda em jogo.

Outros aspectos a salientar, tomando de empréstimo a análise do João Miguel Almeida: «As eleições europeias tornam ainda mais distante a hipótese de uma nova maioria absoluta do PS e desvanecem de vez a miragem de um bloco central. Corremos o risco de ter um eleitorado à esquerda e um governo PSD/PP mais forte e mais de direita do que o de Santana Lopes e sem dar nenhuma vontade de rir». Resumindo, um mau prenúncio, contra dois bons efeitos.

Outra boa notícia foi a eleição do 3.º eurodeputado do BE, o independente Rui Tavares. É uma voz das novas gerações, com intervenção pública inovadora consolidada na blogosfera (Barnabé, 5 Dias, etc.) antes de dar o salto para a imprensa, o que deve ser elogiado num país onde os media mainstream persistem em fabricar um monopólio afunilado e enviezado para a direita, o da chamada «opinião publicada». Mas, sobretudo, pelo seu contributo para um debate de ideias mais aberto e argumentado (onde a agenda internacional sempre esteve bem presente, Europa incluída), não politiqueiro e não convencional, à margem dos humores e tiques monótonos das elites e do «Portugal sentado». Depois da polémica com o vereador independente Sá Fernandes, o BE sai por cima, mostrando que faz sentido abrir-se a independentes e novas figuras que aditem valor ao debate público, cívico e político, casos óbvios de Rui Tavares e Fernando Nobre (dirigente da AMI e mandatário dessa campanha).

Ademais, o contigente parlamentar português, no conjunto, parece-me mais habilitado. O próprio Vital Moreira, que fez uma campanha desastrada, tem condições para um contributo válido, ele que é perito em questões europeias e direito constitucional.

Quem duvida do afunilamento ideológico da «opinião publicada» em Portugal basta atentar no painel de comentadores da noite eleitoral nas tv's lusas, onde os de esquerda assumida eram um resquício. Aliás, se o critério fosse restritivo, só o humorista Ricardo Araújo Pereira entrara em estúdio, e, mesmo este, deslocado num contexto de análise de resultados eleitorais. O socratismo tem-se queixado de perseguição por alguns órgãos de comunicação social (TVI, Público, Sol), mas, a avaliar pela orientação prevalecente, quem realmente poderá alegar discriminação negativa são os partidos da esquerda assumida (BE e PCP) que, com quase 1/4 dos votos, quase não têm visibilidade. O mesmo é extensivo aos movimentos de esquerda, sindicais, etc., bem como ao terceiro sector e às agendas de teor cívico e social, desvalorizadas pelos media convencionais.

Este défice evidente de tratamento proporcional também agudiza a respectiva crise de audiências, o que deveria ser motivo de reflexão por parte desses media, caso queiram contribuir para uma democracia mais pluralista, claro.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Posts do Peão com links para o Arrastão

Por email, recebi todas as explicações para entender este caso e a “Santa Aliança”. Como navego muito pouco (ou quase nada) pela blogosfera, não estava bem inteirado sobre a questão e a grande “sacada” que o Daniel Oliveira teve em prol dos blogues de esquerda. Assim, espero ter desfeito qualquer mal-entendido (o meu, é calro) e aproveito a oportunidade pra desejar vida longa ao Arrastão. Deveria ter me informado melhor antes de publicar o post.


Ao fazer uma busca no Google, descobri (pra meu espanto) que o meu
primeiro post sobre o FSM está com o link direcionado para o Arrastão e não para o Peão, onde foi publicado e para onde o link deveria conduzir. Como isso é possível? Alguém pode me explicar o que se passa?




quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Não se faz....

Este post do Daniel Oliveira é completamente desonesto, manipulador, falso, pérfido, sádico, maquiavélico, trocista, numa palavra: brilhante! A melhor posta que vi publicada na bloga em muito tempo. Bem haja!

sábado, 29 de novembro de 2008

O terrorismo em 35 cliques e um Ocidente quase cego

Aqui, algumas imagens que a blogosfera (e parte da comunicação social) Ocidental
faz de conta não existir. Serão estas diferentes das do 11/9, 11/3 ou 7/7? Mais.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Blogues se transformam em fonte de informação sobre ataque terrorista

Numa verdadeira iniciativa do que se pode chamar de "jornalismo cidadão" e de utilidade pública. blogueiros da Índia estão a fazer atualizações em direto sobre os ataques lançados por terroristas em Mumbai, quarta-feira, onde até o momento já somam em mais de 100 as vítimas fatais, com mais de 300 feridos. Aqui alguns deles: Mumbai Help, Mumbai Metblogs e Dina Mehta. Abaixo, alguns pontos desta ação covarde e insana em imagem produzida pela Folha Online.

mumbai

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Desfazendo equívocos, a propósito de Maria Keil e duma recente polémica

O metro de Lisboa tem uma das colecções de arte pública mais singulares entre todos os metros do mundo, com os seus painéis de azulejos revistindo as suas estações, da autoria de vários artistas portugueses e estrangeiros. A ideia original foi do arq. Francisco Keil do Amaral, que pediu à sua esposa, a artista plástica Maria Keil, uma intervenção artística nas estações inaugurais, obra que executou gratuitamente. Posteriormente, foram convidados outros artistas, até que, há c. de 9 anos, alguns dos painéis de Maria Keil foram destruídos pela administração da empresa, aquando da renovação da estação dos Restauradores. A memória e arte desta prestigiada artista estiveram em vias de ser sacrificadas por uma administração sem gratidão nem visão. Dada a gravidade de tal atitude, houve uma campanha contra isso, o que levou a um repensar da questão pela empresa que, entretanto, convidou Maria Keil para renovar os painéis que fizera na estação de S. Sebastião da Pedreira.
Neste Agosto, a questão ressurgiu, parcialmente em equívoco, através da blogosfera, e que a Júlia Coutinho oportunamente desfaz, neste seu recente post. Nesse contexto, foi lançada esta petição, que exorta "o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, diligenciar obter os desenhos dos painéis destruidos e mandar executar, à empresa que produziu (Viúva Lamego) novos painéis" e reclamando uma indemnização para a lesada. Como a autora não pretende ser ressarcida, esta última parte está arrumada. Como recém-subscritor de tal petição (já quase com 2500 assinantes), e para desfazer possíveis equívocos, devo aditar que a responsabilidade daquela destruição não cabe à actual administração, embora esta devesse proceder à salvaguarda de cópia de tais painéis (e respectiva documentação), pois como refere Rini Luyks: "sabemos agora quais são os estragos, mas o Metro ainda não assumiu nenhuma culpa por incúria". Como sugestão pessoal, uma amostra dessa cópia poderia ser emprestada ao Museu do Azulejo, dando-lhe assim a visibilidade que merece.
Nb: imagem de pormenor de painel de Maria Keil retirado daqui.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Bibiana Aído Almagro: a ministra blogueira de Zapatero

Ela tem apenas 31 anos, um blog (que ela mesma atualiza), um canal no YouTube, uma conta no Flickr e seu perfil no Twitter. Falo da andaluza Bibiana Aído Almagro, Ministra da Igualdade do governo Zapatero. Na blogosfera espanhola, é conhecida como a ministra 2.0, uma alusão às ferramentas de web 2.0, de rede e comunicação social. Taí uma idéia que deveria ser copiada pelos políticos e administradores públicos. É uma maneira bem eficiente de reduzir a distância entre o Estado e o cidadão e atenuar o mofo de seus gabinetes intransponíveis.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Parabéns


O blog que todos temos nos favoritos faz hoje dois anos.

Muitos parabéns às founding mothers e à prodigal offspring!

Na imagem vemos a Shyza a soprar as velas (deveriam ser apenas duas velas, mas o Peão resolveu colocar lá uma panóplia sabendo de antemão do portentoso fôlego da aniversariante)

domingo, 6 de abril de 2008

Labirinto de máscaras

No blog Provas de Contacto, João Lisboa escreveu um post fantástico sobre o mais recente filme de Todd Haynes, I'm Not There.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Mudam-se os tempos, mudam-se os blogues

A blogosfera lusa vai mexendo: nos últimos tempos surgiram uma série de blogues sobre a precariedade laboral e a «fuga de cérebros». Trazem casos, testemunhos e informação sobre iniciativas, algumas irreverentes, como os «certificados de precariedade» em forma de carimbos-grafitti apostos nas fachadas de empresas amigas...
Aqui ficam registados alguns destes blogues (já inseridos na coluna da direita):
>Exige-arq (de J. Albuquerque e P. Canotilho; desde V/2007)
>Lisboa em Alerta (desde XI/2007)
>MayDay!! lisboa (deste mês)
>Mind this GAP - Graduados Abandonam Portugal (de M.ª Luís Neiva; desde V/2007)
>PI- Precários Inflexíveis (desde VII/2007).
O pioneiro Vidas precárias, surgido em III/2006, está inactivo desde X/2007.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A blogosfera, segundo Al Gore

O aparecimento relativamente recente do blogging e o seu crescimento é também um sinal prometedor para o nosso diálogo nacional. Falando em termos gerais, os bloggers são cidadãos interessados que querem partilhar as suas ideias e opiniões com o resto do público.
Alguns têm coisas verdadeiramente interessantes a dizer, outros não, mas aquilo que o blogging tem de mais significativo talvez seja o processo em si. Ao colocarem as suas ideias na Internet, os bloggers estão a recuperar a tradição dos nossos Fundadores de divulgarem publicamente as suas reflexões sobre a situação nacional.
E fazem-no de uma maneira nova. Larry Lessig, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Stanford e fundador do Center for Internet and Society, escreveu o seguinte: «As pessoas submetem um post quando querem, e lêem os blogues quando querem… Os blogues permitem o discurso público sem que os cidadãos necessitem de se reunir num espaço próprio.» Daqui resulta que o blogging se está a tornar uma importante força institucional, capaz de influenciar a vida política nacional.

Al Gore
(O ataque à razão,
Lx, Esfera do Caos, 2007, p. 307/8)
*
Este livro foi originalmente escrito para o público norte-americano, daí as referências ao âmbito nacional. Por isso, onde está nacional eu acrescentaria internacional ou supranacional. Ou seja, entendo que a blogosfera, enquanto elemento desse espaço mais vasto que é a Internet, está a contribuir para o aprofundamento, a várias escalas, do exame e debate críticos sobre a vida política, entre outras dimensões. Independentemente das suas imperfeições e actuais limites, é um contributo para a participação cívica e para a pedagogia democrática.
Se assim não fosse, os próprios media tradicionais e mainstream não lhe teriam prestado atenção, atenção essa que começou com a criação de sites próprios e actualmente se expandiu para a criação de blogues, a associação a blogues doutros autores, a remissão para blogues e a citação de posts.
Eppure si muove!...