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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

No rescaldo das eleições locais portuguesas

Logo que fecharam as urnas, às 20h de ontem, disparou a corrida às leituras político-partidárias dos resultados das eleições locais para um nível nacional. É compreensível, embora o jogo mediático chegue a ser tão afunilado (em termos de posicionamento político dos comentadores, das questões colocadas, etc.) e ininterrupto que causa cansaço. Como independente, estou fora desses jogos de poder, que me parecem estreitos, empobrecedores (by the way, este post de Tiago Mota Saraiva ajuda a desconstruir o dilúvio de comentários e análises interesseiramente bipolarizadoras, no estilo boxeur).
Seja como for, parece-me importante partilhar alguns contentamentos e desapontamentos.
Do lado positivo, o facto do centro-direita e direita coligados não lograrem expandir uma estratégia que muitos pensavam imparável (vd. análise aqui). Isso ficou bem patente em Lisboa, onde saiu vitorioso o acordo coligatório que reconciliou a família socialista alargada (incluindo aqui a corrente alegrista de Roseta e dos Cidadãos por Lisboa), ainda que sem maioria na assembleia municipal, o que felizmente permitirá fiscalizar eventuais desvarios. Por fim, o facto dos movimentos independentes terem tido algum destaque, ainda que, por ora, muito centrados na figura de autarcas desavindos com os seus anteriores partidos. Aqui ainda há muito caminho a trilhar, a começar pela necessidade dos projectos superarem um presidencialismo excessivo e, frequentemente, caciquista. Presidencialismo esse que, note-se, foi fomentado pelo próprio sistema eleitoral, que até 1995 não permitia candidaturas independentes e até 2014 não colocava prazos para mandatos, gerando o fenómeno dos chamados autarcas «dinossauros» e tirando pressão para a necessidade de coligações partidárias e/ou com movimentos independentes (sobre as entorses geradas pelo sistema eleitoral vd. ainda este post).
Do lado negativo, a habitual desvalorização mediática (ou semi-ocultamento) dos partidos da esquerda assumida, sob o pretexto da bipolarização (a desculpa habitual), condicionando ainda mais as escolhas onde o «voto útil» foi mais agitado, casos do Porto e de Lisboa. E, quanto a partidos, o facto do Bloco de Esquerda ter seguido uma má orientação global para estas eleições, ensimesmada, sem abertura a compromissos precisos ou coligações, sem rasgo nem projecto autárquico, e com um défice de envolvimento e divulgação atempadas. Ou seja, reincidiu no erro de concentrar as suas energias no parlamento e numa linha de irredutibilidade, de pureza programática. Em Lisboa, isso associou-se a outros erros de palmatória: após a ruptura (inevitável e lamentável) com Sá Fernandes apagou-se a sua intervenção municipal, não procuraram acordos (com a CDU, p.e.), quase não fizeram campanha, o programa foi pouco divulgado, e mostraram-se indisponíveis para aceitar um possível pelouro (ao invés da CDU, mais hábil), ou seja, para dar o salto para o poder e seus compromissos num quadro de separaçao entre níveis local e nacional, mesmo num caso especial como é o da capital, onde já houve coligações de esquerda vitoriosas e onde nas eleições intercalares de 2007 a esquerda à esquerda do PS obteve c. de 1/3 dos votos (Roseta, CDU e BE+Sá Fernandes). Por tudo isso, foi fortemente penalizado em Lisboa, onde o «voto útil» à esquerda predominou por falta duma alternativa forte, reduzindo em muito as representações do BE e da CDU (com menor efeito nesta) a favor da travagem dum Santana Lopes de má memória (e da derrota do «voto útil» à direita, note-se). Sobre tudo isto, Daniel Oliveira fez já uma oportuna análise crítica, enquadrada num debate político-partidário interno, ainda que discorde dalguns pontos, como o de omitir a necessidade de dar prioridade à procura de entendimentos com a CDU e certos movimentos cívicos e de independentes.
Mas esses erros de orientação têm consequências mais vastas, que deveriam ser reflectidas. A questão é esta: se este partido quer ser charneira, dinamizador à esquerda e ter uma implantação nacional consolidada não pode apostar só no parlamento. Tem que reflectir seriamente numa implantação nacional a outros 2 níveis: social local, criando e apostando em dinâmicas locais e enraizando as suas estruturas; e cultural, reforçando o debate e circulação de ideias, valores e representações e a partilha e circulação de mundividências e actos culturais - revistas, centros culturais, atenção aos movimentos associativos e eventos transversais de debate e cultura fazem falta. Quanto a coligações, e já que a sua prioridade é travar maiorias absolutas de direita, então tem necessariamente que procurar negociar com a CDU (e certos movimentos de cidadãos) nos municípios em que essa situação se coloca (e são muitos!).
E termino por aqui, pois o post já vai longo.
ADENDA: entretanto, topei com outros 5 posts sobre o assunto, cuja leitura recomendo: «E agora?», de Rui Bebiano; «Bloco de Esquerda», de Zé Neves; «12 problemas para um debate», de Daniel Oliveira; «Lisgoa e outras observações», de Ricardo Noronha; «O Bloco nas autarquias», de Margarida Santos.

domingo, 11 de outubro de 2009

Um adeus saudoso (e diferente!) à propaganda de campanha

Já que estamos em final de noite eleitoral, despedimo-nos com outro cartaz antológico, este do PSD-Almada. Neste caso, não tanto pelo cartaz em si, mas mais pela 'mensagem', o slogan: «A diferença de fazer diferente». Em Almada, a CDU também deu luta neste item, com um slogan que só vi em cartaz e, misteriosamente, não topei na Internet: «Confiança [...] e certeza mais» (faltam-me algumas palavras do meio, que não consegui reter).
Sobre o primeiro, pode ler-se aqui uma avaliação crítica construtiva e pedagógica: é verdade, ainda há quem se dê a esse trabalho, para bem da língua portuguesa. E quiçá, na esperança de evitar futuros acidentes rodoviários, pois ler estes cartazes na estrada distrai qualquer condutor...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A regra do jogo

Para além da morte anunciada dos 'dinossauros' políticos nas próximas autárquicas, pouco se falou nesta campanha sobre as distorções ao pluralismo, à democraticidade e à racionalização administrativa provocadas pelo actual sistema institucional e eleitoral autárquico.
Por isso recomendo a leitura de «Mudar as regras», do Daniel Oliveira. Para que se possa reflectir e construir uma agenda reformista que não se fique apenas pela gestão do status quo, mas que vá mais além. Que, por exemplo, procure trazer para o debate público, atempadamente, soluções para bloqueamentos com teias de aranha.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Peão escrutina os programas eleitorais para Lisboa

Também nós fomos vasculhar os programas dos principais candidatos à capital portuguesa, e a coisa dá pano para mangas. Infelizmente, grande parte das propostas que o blogue Peão apresentou em 2007, ainda antes de se saber de eleições intercalares nesse ano, cairam em saco roto. É pena: havia aqui boas propostas para várias áreas, desde a mobilidade à política cultural (e aos equipamentos de ensino). Isso mesmo foi reconhecido por outros, como a Alkantara, no seu concurso Lisboa ideal, que premiou as nossas propostas. Depois disso, continuámos a apresentar propostas, novamente em distintas áreas (vd. aqui). Por isso, sentimo-nos à vontade, e na obrigação (cívica), de não só fazer uma avaliação do que se promete em tempos de eleições como de repropor aquilo que já apresentáramos, dado a fraca adesão:
Em 1.º lugar, a salvaguarda física dos infantários e escolas, tanto públicas como particulares: deve ser criado um programa especial único, concertado com o governo, para este tipo de equipamentos colectivos, pois o RECRIA manifestamente não serve.
Em 2.º lugar, tornar novamente acessível o Arquivo Histórico municipal, fechado há 7 anos!!! É uma prioridade absoluta na área cultural. Para isso, e enquanto se espera pela construção do edifício do futuro Arquivo e Biblioteca Central no Vale de St.º António (se for adiante esta opção), devia-se proceder à adaptação dum dos muitos edifícios da CML para Arquivo provisório. Apesar da relevância do tema e da existência de soluções, é com surpresa que se constata a sua ausência nos programas dos candidatos. A insistência certamente dará frutos.
Em 3.º lugar, é necessário actualizar o Museu da Cidade, cuja exposição permanente fica-se por 1910.
Em 4.º lugar, urge salvaguardar certos edifícios municipais para equipamentos públicos que possam funcionar como pólos dinamizadores a nível comunitário (por ex., o Museu da Criança e do Brinquedo na Quinta de N.ª Sr.ª da Paz). Também a Alta do Lumiar carece de equipamentos colectivos.
Em 5.º lugar, estabelecer modelos transparentes de contratualização com as associações sócio-culturais da cidade, com vista a desenvolverem actividades úteis à comunidade.
Em 6.º lugar, salvaguardar a existência de bibliotecas públicas fixas com boas condições nos bairros mais populosos (até agora Benfica ainda não tem nenhuma!), enquanto os restantes deviam ser servidos com bibliotecas itinerantes (actualmente só existem 2 carrinhas, sem possibilidade de ter horários que atendam às necessidades das populações de todos estes bairros).
Recentemente, comparei os 4 principais programas recorrendo ao trabalho do site Lisboa 2009. Quanto ao que estes prometem, por vezes, é demais. O PS, na propaganda volante que anda a distribuir, promete a criação de 76 novas creches para 2717 crianças em 4 anos!! Mas alguém acredita nisto?! Neste momento, não há nenhuma creche municipal!!! No programa, entretanto, precisa-se que esta medida será realizada em articulação com as IPSS... Pois, mesmo assim, é demais. E de menos: significam, quando muito, 76 novas salas (vd. o rácio creche/ crianças).Na questão habitacional, questão fulcral, as melhores propostas são, de longe, as do BE (já agora, neste item, sugiro o cotejo com as propostas do famoso geógrafo catalão Jordi Borja).
O programa do PS surpreendeu-me pelas debilidades notórias (em contraste com a verve propagandística que nos assola). Antes de mais, na cultura, não faz referência à reabertura do Arquivo Histórico Municipal, promessa de António Costa constante do plano de actividades prioritários para 2008, nem quanto ao Museu da Criança e do Brinquedo, aprovado em Assembleia Municipal. Quanto a questões relevantes para o ordenamento da cidade e AML, como o aeroporto, a 3.ª travessia do Tejo e o novo terminal de Alcântara, fica em branco, ou seja, dá carta branca ao que o governo PS decidir, numa clara demissão de direitos e numa sujeição aos ditames do centralismo dos lobbies. E, depois, há propostas mirabolantes como as da «interajuda» entre estudantes jovens e idosos: os primeiros ficam na casa dos segundos («a preços módicos») a troco do acompanhamento destes (no programa para a freguesia de N. Sr.ª Fátima, pelo menos). Mas isto é sério?!!
O programa da direita (PSD/CDS/PPM/MPT) tem algumas medidas que me surpreenderam pela positiva (em contraste com a campanha desastrada de Santana Lopes, assente em túneis, Portelas e anulações de projectos de direcção do poder central). Na área cultural, propõe a reinstalação do Museu da Cidade no Terreiro do Paço (mas depois erra quando diz: «ou Museu das Descobertas em alternativa?») e a criação [de edifício] do Arquivo e Biblioteca centrais (aqui, tal como a CDU); na social, propõe o reforço da rede de creches e jardins-de-infância em articulação com as IPSS, mas sem quantificar (o que o PS copiou, mas mal!), cooperação essa extensiva aos «bairros problemáticos». Quanto aos erros, são tantos que é melhor irem ver.
O do BE, globalmente bom, é omisso quanto à reinstalação do Arquivo histórico municipal e à criação do Museu da Criança e do Brinquedo, e erra na questão Parque Mayer, ao propor a recuperação dos sobreviventes 3 teatros ainda existentes. Ó meus amigoze: o teatro de revista transferiu-se para a tv: vd. Gato Fedorento esmiúçam os sufrágios. A versão 'original' da revista apenas resiste no Maria Vitória e já é sorte (enfim, se as Produções Fictícias estivessem para aí viradas, ficariam com outro, mas apenas outro, dos teatros).
O da CDU é também globalmente bom, mas é mais parcimonioso na questão habitacional, uma questão fulcral no governo das cidades. E também não fala do Museu da Cidade, nem do Museu da Criança e do Brinquedo, etc..
Dito isto, os melhores programas são, obviamente, os do BE e da CDU.
Por isso, quanto ao «voto útil» que os acólitos do PS-União Nacional da Capital nos pretendem impôr, estamos conversados. A menos que se esteja disposto a dar um voto em branco...
PS: para que não restem dúvidas quanto ao «voto útil», as sondagens para Lisboa dão vitória ao PS (esta sondagem, da Intercampus, é particularmente relevante, pois este é o centro de sondagens que costuma ficar mais próximo da votação).

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Votos, contos e etiquetas

Bem avisado estava o André Belo quando, algures em 2007, nos desafiou para cuidarmos da indexação no blogue: é que, neste momento, se quisermos adicionar novas etiquetas (labels), o Blogger não deixa e avisa-nos disso mesmo (ademais, corre-se o risco de perder parte do post que se está a escrever...). Chegámos ao máximo permitido: duas mil etiquetas!!
Como faz sentido termos uma folga de espaço para futuras etiquetas, dou o tiro de partida e vou eu próprio fundir e cortar algumas das muitas com que inundei a lista indexante. Começo com as etiquetas dedicadas a cartoonistas individuais. Neste post, colocarei (em baixo) todos aqueles que homenageei neste blogue, através de pequenos textos, imagem e/ou link(s).
De todos eles há um que merece ficar à parte, pois é o único que foi convidado pessoalmente e só aqui publica, aceitou partilhar as suas ideias e opiniões de modo regular sobre a forma de cartoon, assim valorizando o blogue e a blogosfera portuguesa: falo de GoRRo, a quem tenho o prazer de convidar e desafiar desde os tempos do blogue Fuga para a Vitória. Nem sempre concordo com a sua abordagem (e ainda bem!), mas sei que tenta sempre ir mais além. Com risco, desassombro, inteligência e um estilo inconfundível. Não há ninguém que faça cartoon como ele, seja em termos de enfoque, seja de desenho, seja na forma de apresentação, sempre de modo deliberadamente improvisado e exclusivamente para este media especial que é a blogosfera. Por tudo isto, criei uma caixa à parte, na coluna da direita, intitulada «Convidado especial», logo a seguir à caixa/ menu «Peões». Os restantes cartoonistas, além de figurarem no presente post, também poderão ser apreciados na antiga etiqueta «cartoon». Abro também outras 2 excepções, para cartoonistas com mais de 2 posts e que são só 2: Siné e Mel Calman, que manterão a sua etiqueta individual (por ora, pelo menos).
E aqui fica o repto para os restantes bloggers: se puderem, toca de fundir etiquetas!
Na imagem: cartoon de GoRRo, que encerra a série «Por dentro».
*
Lista de cartoonistas referidos neste blogue até hoje:
>Abdulla-Assaad (I)
>André Carrilho (I)
>Andy Singer (I)
>Ann Telnaes (I)
>Antero (I; II)
>Banegas (I; II)
>Boris Yefimov (I)
>Charles Barsotti (I)
>Dan Lietha (I)
>David Horsey (I; II)
>Dj Mellow (I; II)
>Don Wright (I)
>GoRRo (73)
>Henrique Monteiro (I)
>Jack Ohman (I)
>Johnny Hart (1931-2007) (I; II)
>João Abel Manta (I; II)
>Khalil Bendib (I)
>Latuff (I)
>Leal da Câmara (I)
>Major Alverca (I)
>Marco Biassoni (I)
>Marshall Ramsey (I)
>Martirena (I)
>Mel Calman (8)
>Miel (I)
>Mordillo (I)
>Nick Anderson (I)
>Paz (I)
>Peter Brookes (I)
>Quino (I)
>Rogelio Naranjo Ureña (I)
>S. Harris (I)
>Sergio Langer (I)
>Siné (3)
>Steve Breen (I)
>Steve Sack (I)
>TD (I)
>Tom (I)
>Tute (I)
>Zé dalmeida (I)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Depois das parlamentares, as autárquicas

É verdade, o ciclo eleitoral 2009 ainda não terminou em Portugal: faltam as autárquicas, a 11 de Outubro. Até lá, nova campanha, agora com novos figurantes, folclore redobrado e mais sondagens... Como gostamos de eleições, resolvemos dedicar-lhes uma nova série de cartoons. Esperemos que gostem!

Ontem, Zé Socas fez bem em puxar para o palanque «extraordinário» o seu candidato alfacinha, António Costa, pois as coisas não estão nada de feição para ambos, apesar dos corações bem intencionados. Pelos resultados destas eleições, Costa perderia a câmara para a coligação PSD/PP: 40,4% contra 34,8. Aqui está uma má notícia para a esquerda: é que a pressão para o «voto útil» à esquerda vai voltar e em força. De pouco adiantará dizer que os putativos vereadores do BE e CDU possam ser cúmplices construtivos duma governação séria, ou oposição crítica a uma má governação. Precisarão mesmo de fazer boas campanhas, começando por 'marcar' taco-a-taco Costa e Lopes, que, mesmo em tempo de eleições legislativas, não pararam de mandar propaganda para os media. E, talvez, esperar que as sondagens se alterem alguma coisa. Ou não. A ver vamos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Tão amáveis que eles ficam em tempo de eleições...

Ficam tão amáveis que até dão borlas. Depois dos frigoríficos, autocolantes e canetas, chegou a era da oferta de bilhetes de estacionamento em campanha eleitoral.

É verdade: hoje com o jornal Público, a empresa municipal de Lisboa responsável pelo parqueamento público, a EMEL, resolveu oferecer um bilhete de 1 hora de estacionamento. Vinha colado num folheto 'informativo' que, pela linguagem, deve ser feito para aprender português.

Estes bilhetes são uma espécie de raspadinha, onde se raspa a hora e dia pretendidos, colocando-se o dito cujo na parte dianteira do carro, para fiscalização.

Ora, o que nos diz o espantoso fraseado final do folheto: "Durante o período de tempo para o qual o Título é válido, o veículo pode estacionar em todas as zonas tarifadas da EMEL, sem precisar de moedas!".

Fantástico, Mike! E nós a pensar que o bilhete servia só para dar cor ao carro...

Afinal com esta borla já não precisamos de pagar nada!!! Incrível.

E vivam as eleições autárquicas! Sem elas nunca teríamos borlas destas.

Mesmo que sejam para pagar mais tarde...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Alguém nos salve destes cartazes!

A outra campanha que já está aí a palpitar é a das autárquicas. Como essas eleições sucedem às parlamentares, têm estado um pouco arredadas do centro do tufão. Mas, não tarda nada, tomarão o palco.

Entremezes, os cartazes que vão surgindo que nem cogumelos pelas terras e terrinhas deste alegre Portugal, são a prova de que a crise, afinal, nem tudo levou consigo. Olhando para algum (a maioria?) deste material iconográfico, quase apetece gritar: ó crise, volta, e leva isto também contigo!

Suspeito que muito eleitores suspirem ao verem este cortejo kitsch. Na escola havia um termo para isto: poluição visual. Nalguns casos, a dúvida instala-se: se rir, se chorar. Motivos não faltarão, de resto: mau gosto, falta de jeito e imaginação, monotonia, repitação, ego trip.

É isso mesmo, uma ego trip selectiva, uma espécie de epidemia sectorial: o pessoal candidato a manda-chuva da xafarica chega a estas alturas e acha que é modelo de passerele. Doutro modo não se percebe esta fixação nas suas caras, penteados e fatiotas.

Que saudades do antigo bilhete-postal...

PS, PS: ah, e sobre o cartaz, não dá para evitar: sim, o Fundão vai ganhar - paciência; o povo votante vai ganhar - juízo; o candidato também - experiência, certamente (e umas novas gravatas também era capaz de dar jeito). Quem fica a ver navios é a Dona Estética. Discriminação de senhoras, onde é que já se viu isto? Tá mal.

nb: a imagem foi retirada do blogue acima referido, que, além das imagens, tem também bons comentários, incidindo em especial no design e na comunicação visual.

domingo, 16 de agosto de 2009

Da lisboeta traulitânia

Quando um pobre pinta um graffiti numa parede, as pessoas bem classificam o acto de «vandalismo». Quando uns meninos bem se introduzem num local vedado ao público e ultrajam símbolos nacionais, classificam os seus próprios actos de «intervenção cívica». Registo com ironia a displicência com que certos sectores sociais têm encarado o episódio da troca da bandeira do município de Lisboa pela bandeira monárquica. Eu lembro-me que, num colégio por onde passei e esses sectores sociais estavam bem representados, um dos elementos mais picantes da «lenda negra» da direita sobre Mário Soares era que teria ultrajado uma bandeira nacional (republicana, claro), no Reino Unido.
O Rui Tavares escreveu sobre a «inépcia simbólica» de quem parafraseou a narrativa republicana de proclamar um novo regime da varanda do município e de quem colocou ao mesmo nível uma bandeira municipal republicana e uma bandeira nacional monárquica. A inépcia é relativa. Depende do ponto de vista e do contexto. Um dos 31 da Armada irritou-se com o facto do acto ter sido aplaudido pelo líder do Partido Popular Monárquico (PPM), como se pode ver aqui. Mas esse é um aplauso legítimo. Convém lembrar que Pedro Santana Lopes se candidata a Presidente da Câmara de Lisboa coligado com o PPM. O episódio inspirou-me uma visão. O que vi não foi uma batalha nas estrelas nem uma revolução monárquica. Vi, mais prosaicamente, o Darth Vader a abrir alas para Pedro Santana Lopes, o Presidente-Rei da traulitânia lisboeta, entrar com o PPM ao colo nos Paços do Concelho. A Força esteja connosco.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O rei-momo do populismo luso está de volta!

É verdade, meus amigos, o Flopes regressou e em força!

Para mostrar que a direita a sério não descansa no feriado do 25 de Abril avançou com a artilharia pesada, em formato high-tech: tv-net, site, blogue, etc.. Mas o melhor de tudo foram as suas declarações, como de costume.

No lançamento da candidatura a edil lisboeta defendeu a suspensão do projecto de contentores do porto de Alcântara, a 3.ª ponte sobre o Tejo exclusivamente ferroviária, e opôs-se ao fim do aeroporto da Portela. Tentador para muitos, o último só para o lobbie do turismo (que o co-financiou e co-financiará) e para quem já não reside em Lisboa mas ainda aí vota. O pior foi o resto.

E o resto foi dizer que "a sua prioridade em 2002 foi a reabilitação através do repovoamento e é a ela que regressa agora, para devolver a cidade aos munícipes". Hello!, alguém acredita nisto? Então, quem teve como bandeiras a reabilitação do Parque Mayer (cujo projecto betonesco de Frank Gery ficou na gaveta) e o túnel do Marquês (para trazer mais carros para dentro da cidade e que levou Lisboa à bancarrota), jura agora que a sua prioridade foi o repovoamento?!

Disse ainda não querer "mais carros a entrar em Lisboa", daí a tal 3.ª ponte ferroviária, mas antes fez o oposto. E há uns meses atrás, propôs uma ligação Rotunda - Campo Grande exclusivamente por túneis, prometendo então fazer mais um túnel rodoviário, este debaixo da Praça Saldanha (depois da buracaria interminável do metro, mais obras na zona, porque não?). Em que ficamos?

Flopes, que encabeçará uma coligação de direita (PSD, CDS-PP, MPT e PPM), não fez só coisas erradas, claro, algo se aproveitou. Mas o balanço é claramente negativo. Será preciso recordar que foi o seu próprio partido que retirou a confiança política ao seu discípulo Carmona Rodrigues e que, por causa disso, houve eleições intercalares na capital? Já para não falar doutros legados, como o das santanetes, um aparelhismo sui generis preservado no léxico político.

Who cares? Pode ser que a memória seja curta, e, assim como assim, há sempre muito boa gente que vive dos aparelhos partidários.

Preparai-vos para a festa, vão ser uns mesitos de loucura! Ou anos, porque o cromo é bem capaz de ganhar novamente as eleições!! Segurai-vos, pois, o apito acabou de soar!!!

Nb: adaptação de cartoon de GoRRo, originalmente publicado em Fuga para a vitória.