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segunda-feira, 17 de maio de 2010

O protesto de saias

Skirt Bike 1

Com o objetivo do promover o uso da bicicleta em vez do automóvel, um grupo de 200 mulheres romenas promoveu no último sábado um passeio ciclístico pelas ruas de Bucareste. Até tudo bem não fosse um pequeno detalhe: todas as ciclistas estavam de saias. O evento chama-se “Skirt Bike”, e portanto o uso de saia foi quesito obrigatório. Tai um ideia que deveria ser copiada. É sexy, charmosa, elegante e fundamentalmente ecológica. Fonte

quarta-feira, 13 de maio de 2009

No tempo em que as pin-ups eram bem generosas

Após as revelações discretas de Verão passado, confirma-se que a Vénus mais antiga de sempre é 'alemã'!
Tem 35 mil anos mas mantém a silhueta original. Destrona assim a Vénus de Willendorf, com c.28 mil anos, e descoberta na Áustria em 1908.
Chama-se Vénus de Hohle Fels, pois foi recuperada na gruta homónima e, tirando as formas dominantes, nada parece ter mudado quanto ao gosto pelas representações sexuadas. Passa a ser a representação mais antiga de arte figurativa de que se tem conhecimento. Estas figuras, esculpidas em pequenas estatuetas, estariam associadas a crenças de fertilidade e/ou a rituais xamânicos. Um estudo científico detalhado vem hoje publicado na revista Nature e é da autoria do arqueólogo Nicholas J. Conard, da Universidade de Tubinga (Alemanha). Video com depoimento do autor aqui.

sábado, 8 de março de 2008

Aux Grandes Femmes, la Patrie Reconnaissante



A Mairie de Paris teve uma iniciativa notável por ocasião do dia internacional da mulher, que se comemora hoje. Paris decidiu honrar a memória de nove mulheres que marcaram a História de França. Já que a Pátria não o fez, fê-lo Paris em nome da Pátria (como se diz aqui). São nove figuras do feminismo, não só marcaram a história, como se bateram todas, em diferentes contextos, e de diferentes maneiras, pelos direitos das mulheres. A Mairie de Paris afixou um retrato de cada uma destas mulheres, acompanhado de uma citação. Diz o Maire de Paris, Bertrand Delanöe, a igualdade dos géneros faz-se também pela história e pelo trabalho de memória, e tem razão. A iniciativa é particularmente feliz em vários aspectos. A escolha do local onde as fotografias das mulheres homenageadas é excelente: o Panthéon. Do ponto de vista visual as fotografias na fachada são imponentes, o que tem que ver com a arquitectura do edifício, e da própria praça do Panthéon. Mais importante ainda, do ponto de vista simbólico a escolha do Panthéon é importantíssima, é o lugar para onde vão os heróis da Pátria, é onde estas mulheres deveriam estar. Das nove apenas uma está de facto (Marie Curie). Ainda do ponto de vista simbólico a escolha da frase que dá o título a esta homenagem (e a este post): "Aux Grandes Femmes, la Patrie Reconnaissante", ou seja "Às grandes mulheres, a Pátria Reconhecida" quando precisamente no Panthéon está gravado a ouro, na fachada "Aos Grandes Homens, a Pátria Reconhecida"..., enfim, pequenos pormenores.

As nove mulheres são: Olympe de Gouges, Simone de Beauvoir, Marie Curie, Colette, Georges Sand, Solitude, Louise Michel, Charlotte Delbo e Marla Deresmes. Confesso que só conhecia duas ou três, mas isto serviu-me para aprender mais um pouco. Simone de Beauvoir, ao centro, e de quem se comemora do centésimo aniversário do nascimento este ano, dispensa apresentações. Marie Curie ganhou dois prémios Nobel, pouca gente, homem ou mulher conseguiu esse feito. Abriu o caminho para as mulheres entrarem no mundo da Ciência. Olympe Gouges, uma das primeiras feministas francesas, autora da Declaração dos Direitos da Mulher nos tempos da revolução francesa. Foi condenada à morte pelo Tribunal Revolucionário em 1793. Louise Michel, militante anarquista revolucionária, lutou durante a Comuna de Paris. Foi deportada e morreu no exílio. Charlotte Delbo, participou na Resistência Francesa durante a segunda Guerra, e foi uma das poucas mulheres a sobreviver a Auschwitz.

A minha preferida, mesmo que não faça sentido estabelecer preferências, é Solitude. Na realidade o seu nome não é conhecido, embora a sua história seja, o nome Solitude foi-lhe dado pelas circunstâncias da sua morte. Solitude era uma mulata escrava da ilha da Guadeloupe. Filha de uma escrava violada por um branco a bordo de um barco negreiro, ainda no caminho de África para as antilhas. Tornou-se mulher livre quando a Revolução Francesa aboliu a escravatura, e lutou para manter a sua liberdade quando Napoleão decidiu re-estabelecer a escravatura, e fazer todos os negros e mulatos tornados livres regressar à condição de escravo. Nunca é demais relembrá-lo, esse grande homem que foi Napoleão Bonaparte fez a França regressar ao regime esclavagista quase dez anos depois da Revolução o ter abolido. Uma das consequências foi a independência do Haiti, no que foi a primeira (de muitas) derrota militar de Napoleão, e logo contra um exército de negros ex-escravos. Na ilha da Guadeloupe os escravos não lograram esse sucesso (ainda hoje faz parte de França), mas combateram as tropas de Napoleão vindas para repor a ordem esclavagista na ilha. Nesse combate destacou-se como líder o mulato Louis Delgrès, que havia já sido da militar da Revolução Francesa. Solitude combateu ao lado de Delgrès, chegando a combater grávida. Foi capturada e condenada à morte por enforcamento, tendo sido executada no dia seguinte a ter dado à luz o seu filho. Tem uma estátua erigida em sua memória na Guadeloupe, em que é representada grávida (foto em baixo). As suas últimas palavras são a citação que acompanha o seu retrato no Panthéon, e que foi o grito dos que lutaram ao lado de Delgrès: "Viver livre ou morrer!"


Mais informações sobre a homenagem às nove mulheres no Panthéon aqui. Programa das comemorações do dia Internacional da Mulher em Paris aqui. Foto de Solitude retirada daqui.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Amar e trabalhar na Europa

Este meta-post remete para aquele lá mais atrás, o primeiro da série unilateralmente proclamada, SMS. Nem a propósito dessa reflexão telegráfica, realizou-se no ISCTE um seminário internacional com o tema "Amar e trabalhar na Europa". Alguém foi? Será possível obter as intervenções efectuadas? Entretanto, transcrevo aqui este texto retirado do folheto de divulgação do dito seminário:
«Terão perguntado a Freud o que, no seu entender, uma pessoa normal deveria ser capaz de fazer bem. O entrevistador provavelmente esperaria uma resposta complicada. Contudo Freud, no estilo sintético do final da sua vida, terá dito: 'Lieben und arbeiten' (amar e trabalhar). E. H. Erikson (1998), 'Eight stages of man'.
Para Freud, saúde mental é poder amar e trabalhar. Amar no sentido da partilha, da entrega e do reconhecimento pelo outro. Trabalhar no sentido de ser autónomo, útil, produtivo.»

quinta-feira, 8 de março de 2007

Indicadores sobre a situação das mulheres em Portugal







Mais indicadores podem ser encontrados no site do INE, em particular neste documento.