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quarta-feira, 18 de abril de 2007

Persistências

De muito longe (e sem toda a informação indispensável) esse debate sobre as “novas oportunidades” parece-me também surreal mas, infelizmente, representativo dos arcaísmos persistentes da sociedade portuguesa. Parece que sobre o que toca à formação escolar das classes populares, qualquer que seja o regime, a história repete-se. A honra dos sem-estudos que agora alguns defendem assemelha-se aos discursos sobre os analfabetos do tempo do Estado Novo (os pobres honrados na boca dos salazaristas). Na altura, alguns proclamavam que não se devia obrigar os analfabetos a ler e a escrever porque eles, lá no fundo, tinham uma certa inteligência e as campanhas de alfabetização eram “classistas” e hostilizavam os pobres.
A inutilidade da formação profissional dos trabalhadores também assemelha-se à reacção de certos fragmentos da elite quando se iniciou o Instituto de Formação profissional nos anos 60. Mais uma vez dizia-se que essa política não era necessária.
Mas o que sempre houve atrás desses discursos foi uma vontade de fechamento social das elites (que de forma estranha não desdenham mandar os filhos deles à escola e à universidade : porque será?) e uma vontade de manter os salários baixos. Porque essas coisas da formação profissional podem sempre implicar aumentos de salários! E esses trabalhos que todos dizem dever ser respeitados não dão, na maioria das vezes, direito à ordenados “respeitáveis”. Por isso, tal como o Zed, não compreendo que pessoas que vêem da esquerda comungam com ideias reaccionárias defendendo uma hierarquia natural e imutável da sociedade.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Eu devia era ter apostado

Deixem-me lá só fazer mais uma pequena provocação.

Há uns dias numa das minhas "diatribes" contra os sindicatos escrevi:

"Os sindicatos bradam contra os baixos salários? Eu também. Quem não clama? Então se querem ser levados a sério, eles que ajudem naquilo que podem, enquanto parceiros institucionais que são, que é mobilizar jovens e adultos para regressar à escola, certificarem a sua experiência e melhorarem as suas qualificações."

Li agora no "P on-line":

O Governo e os parceiros sociais subscreveram hoje um acordo para a reforma da formação profissional, o qual não contou com a subscrição da CGTP.

E mais não digo para já - a não ser que esta questão é tão, mas tão importante para o país.