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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Grande façanha! Com mortos!

Image and video hosting by TinyPic Francisco Goya, Grande hazaña con muertos. Prueba de estado. Desastre 39, 1810-1815
Estampa sobre papel, 21 x 30 cm
Berlim, Kupferstichkabinett, Staatliche Museen zu Berlin

No passado dia 3 de Maio, precisamente 200 anos depois dos acontecimentos que motivaram os célebres quadros de Francisco Goya e este post do Manolo, eu estive no Prado a ver a exposição de que ele fala (eu e mais 17775 italianos, 12651 franceses, 1749 brasileiros e 785 portugueses).

Não me sinto minimamente competente para falar de Goya. Mas impressionaram-me muitas coisas, em grande e em pequeno formato. Além dos imponentes quadros sobre a revolta e os fusilamentos de 2 e 3 de Maio, os esboços e as gravuras sobre os "Desastres da guerra" são notáveis, sobretudo se vistos em conjunto, pela acumulação de imagens de crueldade. Tocam no núcleo da guerra — a violência.

Também me parece que Goya é o melhor antídoto contra uma visão nacionalista estreita das revoltas ibéricas contra as invasões napoleónicas. O que Goya denunciou foi a espiral da guerra, a ferocidade, sem especial distinção entre franceses e espanhóis. E também me palpita que se podia acrescentar ingleses e portugueses, para a mesma guerra. Infelizmente, não houve nenhum Goya em Portugal. Mas o Goya espanhol, felizmente, é de nós todos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Marioladas

Queixava-se Vasco Pulido Valente (há já uma semana) do esquecimento com que a Guerra Peninsular tem sido tratada no nosso país. De que não ocupa um grande lugar na «imagem heróica» do país, de que só a Monarquia e o Exército se lembram de a comemorar.
É uma opinião. Mas o pior é que perante tal lacuna, o cronista desata a lamentar-se por já ninguém ler as obras de Arnaldo Gama: o Segredo do Abade e o Sargento-Mor de Vilar. Este último é um livro que, alguns anos depois de o ter lido, recordo com enfado. A prosa romântica, já de segunda geração, enredada em descrições do povo portuense, sempre entre a turba amotinada e os «espíritos sãos» e nos amores de Luís Vasques com Camila de Vilalobos, que passa a vida a estremecer de sensibilidade e a comer caldos, é de modo a desanimar o maior entusiasta do desastre da Ponte das Barcas.
«- Que é isto? Que mariolada é esta, pelo inferno!
- Os francezes! Os francezes!»
Gama, Arnaldo – O sargento-mór de Villar. Lisboa: Empresa Lusitana Editora, [s.d.]. p. 124.
Imagem: Arnaldo Gama (1828-1869)