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terça-feira, 24 de abril de 2012

Miguel Portas (1958-2012): um socialismo humanista e europeísta

«Miguel Portas morreu aos 53 anos», por São José Almeida e Rita Brandão Guerra
Adenda: só agora li a última entrevista de Miguel Portas ao Expresso, que recomendo. Começa bem logo no título, «Quem não se arrepende de nada, ou é parvo ou santo», e é da autoria de Luísa Meireles e Rosa Pedroso Lima.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um homem na cidade: Nuno Teotónio Pereira

Começou agora, na RTP2, um documentário dedicado ao grande arquitecto modernista e antifascista Nuno Teotónio Pereira.

Bem oportuno, muito merecido.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dia dos direitos humanos, dia de Aminatu Haidar

Na sequência da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) a ONU instituiu o Dia Internacional dos Direitos Humanos, em 1950. Este ano a efeméride foi bem aproveitada para defender a causa da activista saraui Aminatu Haidar, em greve de fome contra a interdição pelas autoridades marroquinas de retorno para junto dos seus (já aqui me referira ao caso).

As accções de protesto foram tão diversas e profundas que resgataram alguma decência colectiva e fixaram definitivamente no mapa uma causa injustamente esquecida, a do povo sarauí. Eis as acções mais relevantes: um grupo de eurodeputados foi visitar Haidar e exigiu à UE a suspensão de acordo de associação com Marrocos; houve concentrações de protesto nas universidades espanholas; foi entregue uma carta ao rei espanhol subscrita por dezenas de intelectuais de diversos países no sentido daquele interceder; multiplicam-se as declarações políticas de apoio - as do parlamento português, de deputados de 9 países latino-americanos, de congressistas norte-americanos, etc. (vd. aqui; video com conferência de imprensa dos eurodeputados aqui).

Por seu turno, Haidar escreveu a Sarkozy e Angela Merkel a pedir-lhes «apoio urgente», para si e «para todo o povo saraui que nos últimos 34 anos tem sido forçado a viver ou sob uma injusta e brutal ocupação no Sara Ocidental ou em desolados campos de refugiados no deserto argelino».

Haidar, que admitiu estar a perder as forças físicas, foi reconhecida com o Prémio do Centro de Direitos Humanos Robert Kennedy e com o Prémio de Coragem Civil da Suécia. E foi nomeada para o Nobel da Paz. Não merecia a indiferença dos governos dos países vizinhos: Marrocos, Espanha, Portugal (sim, porque o governo português não apoio a resolução de solidariedade do parlamento).

À medida que o tempo passa a vergonha dos dirigentes políticos europeus aumenta. Já nem falo do espezinhar do direito internacional, abandonando um povo que tem o apoio duma resolução da ONU e aguarda desde 1975 por um referendo sobre a independência cuja incumbência a Espanha ainda não assumiu. Falo somente duma questão de humanidade. De decência: mas afinal, Haidar esvai-se num parque de estacionamento dum aeroporto espanhol, dum aeroporto europeu. E a Europa tem responsabilidades cívicas, éticas, políticas: afinal, o Tratado de Lisboa recentemente ratificado adopta a Declaração dos direitos humanos da ONU. Não à volta a dar.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A história da Humanidade em 8m46s de pura ironia

Vale a pena deliciarem-se com o olhar mordaz e cómico deste filme de animação. Sobre o seu autor, um dos melhores no activo, falarei brevemente.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

A gente de Lisboa

Deu-se um passo não sei para onde. Para bem? para mal? O futuro o dirá. Com a camada nova, educada no sport e na admiração pelos ases, lá se vão os parlamentos, os discursos, os homens pomposos e decorativos. O humanismo deu à costa - e com ele certa graça, certa sensibilidade, que nos fazia melhor a vida.
Raul Brandão
(Memórias- tomo III, Relógio D'Água, 2000, p.133)

Nb: imagem do fotógrafo Alberto Carlos Lima (AFML).

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Morreu um dos decanos historiadores lusos


O historiador e catedrático A. H. de Oliveira Marques faleceu ontem à noite, noticiou a LUSA esta madrugada.
Oliveira Marques foi um historiador singular, que conciliou as grandes sínteses da História de Portugal com distintas monografias, como as que redigiu sobre a Idade Média, a Maçonaria ou a I República. Era um estudioso polifacetado e curioso, atento tanto aos grandes temas como a temas ditos menores mas igualmente enriquecedores duma cultura humanista. Aí se inserem os seus
estudos sobre a filatelia, a alimentação e o quotidiano na Idade Média ou este maravilhoso sobre os gatos domésticos na História. Uma amostra do seu contributo para o relevante debate sobre o significado da crise de 1383-85 pode ler-se aqui.
A sua marca fez-se sentir também na universidade: docente na FLUL até ser expulso por Salazar (crise académica de 1962), leccionou depois nos EUA e ajudou a erigir a FCSH da UNL. Foi ainda director da BNL e dirigente maçon do Grande Oriente Lusitano. Mais informações sobre a sua vida e obra
aqui.