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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um homem na cidade: Nuno Teotónio Pereira

Começou agora, na RTP2, um documentário dedicado ao grande arquitecto modernista e antifascista Nuno Teotónio Pereira.

Bem oportuno, muito merecido.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A não perder: Apocalipse da II Guerra Mundial (hoje, às 23h30, na RTP2)

Quem não puder ver pode ir ao blogue Segunda Guerra Filmes, que tem tudinho!

domingo, 24 de abril de 2011

Mega-documentário sobre Zeca Afonso na RTP1

É já um acontecimento a exibição de «Maior que o Pensamento», documentário de Joaquim Vieira sobre o cantautor José Afonso. Tem 3 episódios, que serão mostrados a partir desta noite e nas duas noites seguintes.

Mais informação na página da RTP e na crónica de Nuno Pacheco, no P2 de sexta-feira no Público (infelizmente, este último texto só está acessível para assinantes).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O maoísmo luso revisitado


sábado, 12 de junho de 2010

Muitos dias tem o mês


O documentário de Margarida Leitão sobre o endividamento de privados, já está em exibição no Cine City de Alvalade. Para ver uma entrevista à realizadora siga o link:



quarta-feira, 19 de maio de 2010

Henri Cartier-Bresson vive, e a Brigada Lincoln revive.

Foi descoberta uma cópia do documentário "Con la Brigada Lincoln en España" da autoria de Henri Cartier-Bresson. A história está aqui: Cartier-Bresson esteve em Espanha durante a Guerra Civil para realizar filmes de apoio aos Republicanos, dois desses filmes eram já conhecidos, mas um terceiro continuava a ser não mais do que um rumor. Para muitos a existência desse terceiro filme era um mito, uma lenda sem fundamento, mas houve quem continuasse a procurá-lo. O filme retrata a vida da Brigada Lincoln, composta de idealistas estadunidenses, canadianos e britâncios, que lutavam sem uniforme do lado das Brigadas Internacionais republicanas. A cópia foi encontrada na sede dos antigos combatentes da Brigada Lincoln, em Nova Iorque.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O que é a censura hoje?

«Crítica a dois filmes censurados pela RTP2», de Eduardo Cintra Torres.

Segundo este crítico de tv, a RTP2 vetou a transmissão de 2 documentários: Michael Biberstein: o meu amigo Mike ao trabalho, de Fernando Lopes, e Aldina Duarte: princesa prometida, de Manuel Mozos. Sucede que ambos os filmes são de cineastas de créditos firmados e com abordagens relevantes. A retaliação dever-se-á ao apoio que estes cineastas deram ao Manifesto pelo cinema português (do qual aqui demos notícia).

A ser verdade, é um lamentável acontecimento.

ADENDA: «"Porque é que os meus filmes passam à meia-noite?", pergunta Pedro Costa a Paula Moura Pinheiro. Acusações à RTP2 dominaram debate sobre cinema português no IndieLisboa» (vd. aqui).

Nb: na imagem, cartoon The evil spirits of the modern daily press, de Syd B. Griffin, 1888.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Viagem pelo surrealismo português

Amanhã será transmitido o documentário Cruzeiro Seixas: o vício da liberdade, na RTP2 (21h30), oportunidade para uma digressão pelo surrealismo português.
A realização é de Ricardo Espírito Santo, a autoria do jornalista Alberto Serra e a direcção de arte do José Pedro Rosado.
Mais informação e elogio entusiástico aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Apologia da democracia participativa

Os 80 anos do nascimento da única primeira-ministra portuguesa, Maria de Lourdes Pintasilgo, estão a ser celebrados com uma série de iniciativas importantes, a que se junta um alerta para a salvaguarda do Centro de Documentação Elina Guimarães, um espaço único de cultura e intervenção feminista em Portugal, obra da UMAR. Pintasilgo, que foi uma feminista convicta, decerto apoiaria esta causa, ela que também foi uma lutadora por causas progressistas e pela democracia participativa.

Sobre o tributo a Pintasilgo, arrancou na 2.ª feira passada com a estreia do documentário Maria de Lourdes Pintasilgo, de Graça Castanheira, na FCG. O documentário, que traça um retrato da vida pública e privada de Pintasilgo, foi também exibido ontem na RTP2 (+inf. aqui). Para quem ainda pretenda (re)vê-lo, há pelo menos um servidor de tv por cabo que permite visualizar a programação da RTP mesmo após a sua transmissão.

O ciclo de debates «Cuidar a democracia, cuidar o futuro» foi delineado pela própria Pintasilgo em 1996 e visa reflectir sobre que tipo de democracia queremos. Concretizado pela instituição que divulga o seu legado, a Fundação Cuidar o Futuro, começa amanhã, na FCG, e decorre até 25/II, num total de 6 debates em distintos locais (vd. programa na imagem anexa ou aqui). Para mais informações sobre o conteúdo de cada sessão vd. aqui e aqui.

O centro feminista da UMAR, sediado em Lisboa, está em risco de desaparecimento desde 2005, e bem faria a edilidade em disponibilizar um espaço condigno para este tão relevante projecto, em vez de esbanjar o dinheiro em foguetórios Red Bulls e quejandos (vd. «Apelo ao presidente da câmara e ao governo»). Aproveita-se para indicar a petição: «Por um Centro de Cultura e Intervenção Feminista na cidade de Lisboa».

Para abrir o apetite, aqui fica um excerto certeiro do esboço de Pintassilgo para o seu ciclo de debates:

A mobilização das forças sociais é um novo factor a ter em conta no desenho e implementação das políticas públicas. Por isso um novo contrato social é exigido, extensível aos governos e à população, à própria natureza e a todas as nações do mundo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Galegos de cá e de lá

Acabou de passar na RTP1 o documentário Galegos de cá e de lá, sobre a raia luso-galega desde os tempos medievos. Esta parte do território ibérico só em 1864 viu as suas fronteiras fixadas por tratado entre Portugal e Espanha. Em troca da cedência das terras comuns, os coutos mis(x)tos, Portugal ficou com várias aldeias (Cambedo, Soutelinho e Lamadarcos), terras ditas «promíscuas», por terem população galega e portuguesa.
É uma viagem por vários marcos dessa história de encontros e desencontros, desde a Monarquia do Norte, passando pelo massacre de Cambedo de 1946, e acabando nos cantos e danças de hoje, inspirados na música tradicional e em José Afonso, só para dar alguns exemplos.

O documentário é de Maria Júlia Fernandes, com imagem de Carlos Oliveira, e os galegos de que fala o título era o epíteto atribuído aos raianos de ambos os lados da fronteira.

Sobre os coutos mistos (e a sua ligação ao massacre de Cambedo) vale a pena ler este texto de Fernando Ribeiro, do blogue Chaves, donde também retirei a imagem em cima. Ainda sobre Cambedo vd. também o blogue Cambedo Maquis.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Capitalismo, uma história mal contada

É caixa-de-óculos, gordalhufo, usa jeans xxl e tem um andar desajeitado. Além disso, fala sobre coisas chatas como trabalho, dignidade, justiça social, desigualdades, etc.. Um cromo destes só pode ser um incómodo, claro.

Capitalism: a love story é o seu último filme. A recepção foi desigual, indiferente à adesão nos cinemas, urbi et orbi. Por mim, considero-o o melhor filme que vi em 2009, mais, um dos melhores de sempre.

Vou tentar explicar porquê. Um dos pontos mais fortes do documentário (sim, porque é um documentário, se virmos o género sem espartilhos tecnicisto-formais) é o ponto onde começa: Flint, berço do cineasta e satélite da todo-poderosa General Motors, que se torna cidade-fantasma mal esta sai de lá, por razões meramente economicistas. Foi por aí que Michael Moore começou a sua carreira, com Roger & me (sendo Roger o presidente da GM a quem ele nunca consegue chegar à fala), um documentário cru sobre a devastação da sua cidade-natal, assim qualquer coisa como uma cidade do tamanho de Aveiro. No presente Capitalism, vemos o pai de Moore a confessar-nos que, enquanto operário dessa multinacional nos idos de 50-70, o ambiente de trabalho era bom, tinha férias pagas, automóvel, casa, qualidade de vida, etc.. Hoje, tudo isso está em risco para esse e outros grupos sociais...

Para Moore, criado no ideal norte-americano, de terra de oportunidades para todos, de prosperidade (ainda que desigual), a actual situação de descalabro financeiro-económico, de engodo, de desigualdades extremas, é um autêntico pesadelo. É esta a tese central do filme: também ele, um tipo de esquerda, acreditou que a América era uma terra de esperança, e agora apercebe-se de que tinha acreditado numa mera encenação, numa grande ilusão. A crise financeira e económico-social recente é apenas um apropriado locus do dia: o problema é bem mais fundo. Wall Street e os seus interesses comandam as vidas de todos nós, prejudicando-nos; pior, eles manobram os próprios representantes do povo para beneficiar interesses privados, em detrimento do interesse público.

Além disso, o filme tem momentos inesperadamente dolorosos, mesmo para o mais impedernido dos cépticos, como o caso dos seguros sobre a morte de empregados de empresas (sim, o dinheiro do seguro de morte apenas revertia para essas empresas, @s viúv@s ficavam a ver navios).

domingo, 20 de dezembro de 2009

Falar de comeres e beberes...

... está a acontecer, no programa Câmara Clara (RTP2), graças aos convidados António Manuel Monteiro e Inês Ornellas e Castro, ambos estudiosos do tema. Da Grécia Antiga à(s) dieta(s) mediterrânica(s) e de montanha, passando por muitas revelações (existência secular do couscous transmontano, a doçaria portuguesa como a melhor do mundo, etc.) e pelos comentários às belas imagens de Os gestos dos sabores, documentário a transmitir no mesmo canal, a seguir à missa do Galo.

Para quem gosta de livros de gastronomia, viajou-se por vários: sobre a Antiguidade clássica, de Maria de Lurdes Modesto, de A. M. Monteiro (Crónicas comestíveis), de José Pedro de Lima-Reis (Algumas notas para a história da alimentação em Portugal), entre outros.

Para quem não pôde ver, ou quer rever, o episódio estará disponível no sítio de Internet do programa de Paula Moura Pinheiro.

Nb: na imagem, estufado de beldroegas (semizotu çipohorta) da cozinha turca.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Evocação breve de António Aleixo

Passaram anteontem 60 anos sobre a morte do poeta algarvio António Aleixo. Para evocar a efeméride e remover "certos preconceitos sobre a sua obra", a RTP transmitiu o documentário «António Aleixo, na terra acho, na terra deixo». Achei-o interessante, mas na parte que vi não houve espaço para a apresentação dessa mesma obra e era bem fácil fazê-lo, já que parte dela são quadras e versos ao jeito popular.
É verdade que este poeta nunca granjeou grande crédito junto de parte dos críticos e estudiosos da literatura lusa, o que é extensivo aos restantes poetas populares. Folheando-se a 13.ª ed. da História da literatura portuguesa (de António José Saraiva e Óscar Lopes), apenas se topará com uma fugaz alusão, e dentro duma ficha dedicada a outro poeta algarvio, João de Deus. Mas também é verdade que, desde 1974, a sua obra começou a ter a gradual atenção de vários estudiosos (breve lista de estudos na secção de «bibliografia» desta biografia).
Seja como for, vale a pena atentar no seu estilo directo, assertivo e irónico, plasmado em notas existencialistas avant la lettre, numas vezes, ou num olhar de crítica social, noutras, mesmo durante a ditadura, quando era bem difícil este tipo de expressão. Até por isso, pela raridade desta combinação e destes olhares, vale a pena revisitá-lo.
A sua vida, rica e tormentosa, é pendão de experiência para esse caleidoscópio de reflexões e impressões. Homem de várias profissões, cauteleiro, pastor, tecelão, polícia e servente de pedreiro, foi também cantor popular de feira em feira e emigrante em França. Morreu de tuberculose, aos 50 anos, após internamento de 7 anos no Sanatório dos Covões.
Embora tivesse tido uma alfabetização rudimentar, escreveu vários livros, o primeiro deles Quando começo a cantar…, recolha de quadras cuja venda se iniciou em 1943, por iniciativa do Circulo Cultural do Algarve. Seguiram-se-lhe Intencionais (1945), Auto da vida e da morte (1948), Auto do curandeiro (1949), Este livro que vos deixo (1969, obra completa) e Inéditos (1978). A sua obra foi redescoberta a partir dos anos 60, pelo trabalho de divulgação do dr. Joaquim Magalhães. Incompleto ficou o Auto do Ti Jaquim.
Em nome das suas preocupações sociais surgiu, em 1995, a Fundação António Aleixo, sediada em Loulé, onde viveu e faleceu. Actualmente esta entidade colabora em diversos projectos de desenvolvimento social, em múltiplas parcerias, com instituições públicas e particulares (vd. aqui).
Em homenagem ao poeta, o município de Loulé erigiu-lhe uma estátua defronte ao Café Calcinha, espaço outrora por si frequentado. Também o antigo Liceu de Portimão foi renomeado Escola Secundária Poeta António Aleixo e, no Liceu Católico de São Paulo, surgiu a Escola Poeta António Aleixo (vd. lista de homenagens nesta biografia).
Deixo-vos com um dos seus poemas (outros há, com análise crítica, aqui):
Co'o mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê o seu proveito?

À guerra não ligues meia,
porque alguns grandes da terra,
vendo a guerra em terra alheia,
não querem que acabe a guerra.

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
q'rer um mundo novo a sério.

Nb: imagem retirada daqui.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Era uma vez o Carnaval...

...no Quebéc de 1957, num documentário de Jean Palardy, para o National Film Board of Canada. Será que as festividades públicas deste Carnaval canadiano ainda são assim tão participadas e variadas?
E viva a folia do Carnaval!!!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

If one thing matters: a film about Wolfgang Tillmans

O Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa (Queer Lisboa 12) já está a decorrer desde o fim de semana passado. Mais filmes e uma nova secção: Queer Art que inclui documentários, longas e curtas que combinem arte e homossexualidade e em que se destaca o documentário sobre o fotógrafo alemão Wolfgang Tillmans (destaque meu, naturalmente)
Tillmans, nascido na Alemanha em 1968 e a viver em Inglaterra desde o final dos anos 80, país onde recebeu o Turner Prize em 2000, é o primeiro fotógrafo e o primeiro estrangeiro a ganhar o prémio.
O seu trabalho, tanto na questão técnica, como na temática que escolhe representar é atravessado pela questão dos géneros e da transgressão: documentários, retratos, paisagens, abstracções, as suas fotografias cruzam estas categorias com aparente facilidade e as suas mostras/instalações serão mais interrogativas do que expositivas.
A ver, quinta-feira, 25 de Setembro, na Sala 3, às 19h15.
Imagem: Four Boots, 1992.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Entre o Céu e a Terra


«There are more things in heaven and earth,
Than are dreamt of in your philosophy.»
[Hamlet, Acto 1, Cena 5]

Começa, amanhã, uma série de conferências na Culturgest sobre as três religiões do Livro: judaísmo, islamismo e cristianismo que me parece interessante acompanhar.
Temos assistido a uma tentativa cada vez maior de compreensão dos fenómenos religiosos, talvez sinal dos tempos inseguros (será?), mas que em todo o caso, possibilita uma mais vasta compreensão do mundo.

Ainda, neste contexto, e lá mais para a frente, a 8 de Fevereiro, no cinema Nimas, vai estrear o documentário de Philip Gröning que ganhou o Prémio de Melhor Documentário Europeu, O grande silêncio, belíssima incursão na vida dos monges da Cartuxa.