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quinta-feira, 15 de março de 2012

Di qualcosa di sinistra! - onde António Costa faz que quer falar de democracia participativa mas não consegue dar um único exemplo ou proposta...

Um politiquês balofo e oco. É pena mas é assim, pelo menos quanto ao assunto em epígrafe. Se não acredita confira esta metade de entrevista ao Público de quarta-feira passada (vd. final desse post). O resto está aqui e não adianta nada - o livro de que era suposto falar escapará ao naufrágio?

terça-feira, 23 de março de 2010

Santos no país das maravilhas

«Ministro garante que não vai haver aumento da carga fiscal»

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A cábula pós-moderna

Bem-vindo ao mundo da cábula reciclada: «Dicas: Templates/Modelos PowerPoint gratuitos - templateswise; presentationmagazine» [templateswise e presentationmagazine]. E mais não digo, é experimentar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Capitalismo, uma história mal contada

É caixa-de-óculos, gordalhufo, usa jeans xxl e tem um andar desajeitado. Além disso, fala sobre coisas chatas como trabalho, dignidade, justiça social, desigualdades, etc.. Um cromo destes só pode ser um incómodo, claro.

Capitalism: a love story é o seu último filme. A recepção foi desigual, indiferente à adesão nos cinemas, urbi et orbi. Por mim, considero-o o melhor filme que vi em 2009, mais, um dos melhores de sempre.

Vou tentar explicar porquê. Um dos pontos mais fortes do documentário (sim, porque é um documentário, se virmos o género sem espartilhos tecnicisto-formais) é o ponto onde começa: Flint, berço do cineasta e satélite da todo-poderosa General Motors, que se torna cidade-fantasma mal esta sai de lá, por razões meramente economicistas. Foi por aí que Michael Moore começou a sua carreira, com Roger & me (sendo Roger o presidente da GM a quem ele nunca consegue chegar à fala), um documentário cru sobre a devastação da sua cidade-natal, assim qualquer coisa como uma cidade do tamanho de Aveiro. No presente Capitalism, vemos o pai de Moore a confessar-nos que, enquanto operário dessa multinacional nos idos de 50-70, o ambiente de trabalho era bom, tinha férias pagas, automóvel, casa, qualidade de vida, etc.. Hoje, tudo isso está em risco para esse e outros grupos sociais...

Para Moore, criado no ideal norte-americano, de terra de oportunidades para todos, de prosperidade (ainda que desigual), a actual situação de descalabro financeiro-económico, de engodo, de desigualdades extremas, é um autêntico pesadelo. É esta a tese central do filme: também ele, um tipo de esquerda, acreditou que a América era uma terra de esperança, e agora apercebe-se de que tinha acreditado numa mera encenação, numa grande ilusão. A crise financeira e económico-social recente é apenas um apropriado locus do dia: o problema é bem mais fundo. Wall Street e os seus interesses comandam as vidas de todos nós, prejudicando-nos; pior, eles manobram os próprios representantes do povo para beneficiar interesses privados, em detrimento do interesse público.

Além disso, o filme tem momentos inesperadamente dolorosos, mesmo para o mais impedernido dos cépticos, como o caso dos seguros sobre a morte de empregados de empresas (sim, o dinheiro do seguro de morte apenas revertia para essas empresas, @s viúv@s ficavam a ver navios).

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Rire jaune

O ex-ministro do Interior, ex-ministro da Economia e das Finanças, o presidente do partido que reúne a maioria na Assembleia Nacional, o qual é apoiado por quase todos os ministros do governo Villepin (menos individualidades com pouco peso como o Azouz Begag), consegue obter 30% dos votos. 30% dos eleitores acham que um dos principais actores políticos dos 5 últimos anos vai conseguir resolver os problemas que a direita não conseguiu resolver até agora, tendo Chirac sido eleito com mais de 80% e os governos tendo usufruído de uma maioria absoluta na Assembleia e no Senado. Ora, em 5 anos, Chirac e Sarkozy não conseguiram lograr sucessos na agenda da direita (seja ela má ou boa, isso não é o problema aqui). A insegurança (tema principal de 2002) não desapareceu. Isso não aparece mais porque há várias manipulações dos dados policiais e que, de forma pouco misteriosa, a insegurança quase não aparece nas televisões como a TF1. O problema do endividamento não foi resolvido. A dívida aumentou. O “buraco” da Sécu não desapareceu também. O deficit continua (com a agravante de se instalar uma protecção médica pública a duas – ou mais - velocidades). Os impostos (grande promessa de Chirac e da direita em geral) não baixaram (no conjunto – impostos directos e indirectos). O desemprego também não baixou de forma substancial e aqui também há problemas de manipulações de dados. O problema das pensões também não foi resolvido. E o crescimento económico sempre é baixo, mais baixo que a maioria dos outros países ocidentais. Apesar de todos esses insucessos (tendo como ponto de partida a agenda de direita) o Sarkozy consegue ter 30% dos votos. Bravo!

PS : Para vencer o Sarkozy, parece-me que não é suficiente fazer uma crítica da sua personalidade. É preciso impor na campanha um programa de esquerda coerente e recordar o fracasso da direita de Sarkozy, político que muito se mexe mas pouco faz (com sucesso).