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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Seminário Como se faz um povo

O projecto  POVOpeople, de que aqui falei, encerra amanhã em grande com o dia inteiro dedicado ao debate dos livros conexos e a visitas guiadas temáticas (vd. programa aqui).

No 1.º debate, sob a História e o povo, os investigadores  Fernando Oliveira Baptista e Manuela Ribeiro Sanches comentarão o livro Como se faz um povo, seguindo-se um debate com os colaboradores do livro que estiverem presentes (e foram muitos, 32). Será às 11h30.

No 2.º debate, sobre A política dos muitos, o jornalista António Guerreiro e o filósofo Nuno Nabais comentarão a antologia homónima, que junta textos de pensadores como Giorgio Agamben, Dipesh Chakrabarty, Michel Foucault, Eric Hobsbawm, Raymond Huard, Jacques Rancière, Paolo Virno e Slavoj Žižek. A sessão começa às 16h15 e será moderada pelos antologiadores, Bruno Peixe Dias e José Neves.

A conferência de encerramento cabe ao filósofo político Antonio Negri, que falará sobre «Entre povo e multidão, o comum», no que pode ser uma recapitulação do seu último livro Commonwealth, escrito a meias com Michael Hardt. Começa às 18h15.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uma tarde no parlamento

O parlamento português discutiu hoje o estado da nação. Foi um debate interessante, confirmando a justa centralidade deste órgão no sistema político. Houve análises, farpas e números para todos os gostos.
O premiê escudou-se nas estatísticas favoráveis para 2006-9 (p.e, diminuição da pobreza e das desigualdades sociais) e daí não saiu. A oposição de esquerda (BE , PCP e Verdes) criticou a aliança do governo com a direita política, plasmada nos planos de austeridade que penalizam o trabalho, acentuam a assimetria com o capital e os favorecidos e agravam a crise económica e social. Mas a não apresentação de propostas concretas no debate acaba por penalizar estes 2 partidos, contribuindo eles próprios para a falta de pressão para convergências à esquerda, por falta de visibilidade das suas alternativas.
À direita, o PSD foi o primeiro a constatar o estado de denegação do governo face à realidade, e espera pelo desgaste da situação para se impor em eleições antecipadas, ou outras. O CDS reiterou o agravamento da carga fiscal para a classe média (situação única na Europa) e, a meio da tarde, pediu a demissão do governo e a formação duma grande coligação - consigo, o PS e o PSD -, ao estilo alemão. Uma proposta legítima, ainda que nunca tentada por cá, ao invés da Alemanha, onde é frequente.
Por seu turno, os media vão engrossando o cenário de eleições antecipadas após a eleição do Presidente da República. É outro cenário possível, caso o PSD chumbe o orçamento para 2011 e o PS resolva roer a corda. Mas também é possível que este governo continue até ao fim da legislatura*. Ou não?
Seja como for, deviam ser mais diversificados os cenários em cima da mesa... Será que Alegre pode ajudar a desbloquear maiores convergências à esquerda ou a sua margem de manobra limitar-se-á apenas à sua campanha presidencial? A ver vamos as cenas dos próximos episódios.
*alguns trunfos nesse sentido: o retomar do concurso da 3.ª travessia sobre o Tejo; os mil milhões de ajuda para as empresas conseguirem os apoios do QREN (dada a falta de crédito junto da banca...); e, se se confirmar, a esperada subida na arrecadação de receitas pelo Estado.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Erro de casting?

Fosse ele o 'sumo' e decerto haveria mais esperança, pelo menos: «Carta aberta de Hans Kung aos bispos de todo o mundo».

sábado, 24 de outubro de 2009

«Dois homens de boa fé...»


«Dois homens de boa fé sempre se podem entender», conclui José Saramago no fim do debate com o teólogo, poeta e padre José Tolentino de Mendonça, moderado pelo jornalista do Expresso José Pedro Castanheira. Mas alguns desentendimentos do debate são bastante interessantes e vale a pena ouvi-los, e ver a cara dos interlocutores, neste vídeo.
Ontem só vi uma parte do debate entre José Saramago e o padre Carreira das Neves na SIC. Carreira das Neves teve em dificuldade de sair da pele de especialista que emprega termos inacessíveis ao grande público. E não foi capaz de explicar uma questão básica: por que é que a Igreja Católica não faz uma leitura literal da Bíblia. É que o cristianismo, em rigor, não é uma «religião do livro», como o islamismo. Antes do Corão não havia islâmicos. Quando os textos do Novo Testamento foram reunidos o cristianismo já existia há pelo menos um século. O cristianismo acredita numa pessoa – Jesus da Nazaré – que fez de outras pessoas o fundamento da Igreja. O Corão foi ditado por Alá. Cristo não escreveu uma linha da Bíblia. É à luz da passagem de testemunho sobre a vida de Cristo, da tradição e da tentativa de compatibilizar fé com razão que a Bíblia é interpretada pela Igreja Católica.
É claro que os textos da Bíblia podem ser interpretados de acordo com outras fés ou de nenhuma fé. Como tudo o resto nesta vida.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Debater Saramago

Este post começou por ser um comentário ao post anterior do Daniel Melo, como o meu primeiro texto começou por ser um comentário ao JRD. Mas como o tema pedia um certo desenvolvimento decidi atirá-lo para a linha de frente do blogue. Esta entrevista que o Daniel Melo lincou não corresponde às declarações de Saramago no lançamento de Caim. Mas cá vai o meu comentário: acho piada o Saramago dizer que não se deve deixar a Bíblia nas mãos de um adolescente. Então um adolescente pode ler o Caim e não pode ler a Bíblia? Ou não pode ler nenhum dos livros? Isso não é um atentado à liberdade de informação e de formação? Segundo Saramago durante a minha adolescência não devia ter lido a Bíblia. Segundo algumas pessoas que conheci durante a minha adolescência não devia ler Saramago. Eu li ambos e por isso estou em condições de intervir sobre a polémica.
A visão da Bíblia como um livro repleto de violência não é nova nem é falsa. Basta pensar na personagem-narrador de Laranja Mecânica, a história de um jovem viciado na violência, na leitura do Antigo Testamento e na música de Beethoven, escrita pelo católico Anthony Burgess e levada ao cinema por Stanley Kubrick. Uma distopia em que a ambição de controlar o corpo e a mente não vem da Igreja, mas da ciência e em que a defesa do livre-arbítrio subjacente à narrativa se enraíza na formação católica do autor. Se pensarmos bem quem é que hoje em dia exerce maior controlo sobre o corpo dos portugueses: a Igreja Católica ou a ASAE?
Saramago tem toda a legitimidade para apresentar a sua visão da Bíblia, como eu tenho para o contestar. Vamos então às questões de fundo segundo o Daniel Melo: a irracionalidade das religiões e o seu carácter opressivo. A fé tanto pode ser um instrumento de dominação como de libertação. Uma das linhas narrativas fundamentais do Antigo Testamento é a libertação do povo hebraico do domínio egípcio e a busca da terra prometida. Mesmo dentro da sociedade hebraica descrita na Bíblia há uma forte tradição profética de denúncia dos abusos dos poderosos. Esta vertente libertadora das religiões não é exclusiva da tradição judaico-cristã. Recentemente os monges budistas têm desempenhado um papel importante na luta pela democracia no Myanmar, como se pode ler aqui (por acaso um site católico).
A condição humana tem um lado irracional. E as religiões, sendo vividas por humanos transportam essa irracionalidade. Há desenvolvimento religiosos patológicos, mas o que está na sua origem é uma busca de sentido. O que eu leio na Bíblia é um constante questionamento das razões de Deus – que tem um dos seus pontos mais radicais no Livro de Job – e das razões dos homens. Leio também na Bíblia uma racionalização da violência e uma apresentação das razões da não-violência. A primeira aparece de forma primitiva na lei do talião - «olho por olho, dente por dente», que era uma forma de interditar a morte ou a vingança sobre os familiares de quem partisse um dente ou arrancasse um olho a outra pessoa. O Novo Testamento vai mais longe ao propor «amar o próximo como a si mesmo» e «amar os inimigos.» Há outra frase que também se encontra por lá, da qual eu gosto muito e que não é estranha ao conceito de laicidade: «Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.»

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O céu pode esperar

As declarações pirómanas de Saramago no lançamento mundial do seu último romance, em Penafiel, tiveram o condão de atear uma polémica brava. Para o escritor ser-lhe-á indiferente, ou mesmo desejado, segundo a lógica de que o que é polémico chama mais a atenção e, logo, lê-se mais. Mas, atendendo à progressão errática que bafeja a história das polémicas, receio que nos percamos no estilhaçar aleatório de faúlhas (sobre isso escrevi em post anterior).
João Miguel Almeida diz-nos, neste estimulante post, que o problema das declarações do nobelizado é serem inconsistentes, e não politicamente incorrectas ou infelizes. E, para o provar, procura mostrar-nos a debilidade dalguns dos seus argumentos, independentemente da validade do debate dos assuntos aventados.
Vou por outro caminho: há que procurar nessas declarações um fundo. E o fio condutor que topei, posso estar errado, é este: a irracionalidade das religiões. Sobre isto, o debate será muito difícil, pois os argumentos serão nano-mini-micro, piquenos, médios ou grandes consoante a posição do leitor, a sua fé ou falta dela. Entendamo-nos: o que Saramago nos quer transmitir não é uma leitura literal da Bíblia, mas sim dizer que os livros sagrados foram construídos como instrumentos abusivos de poder, de dominação (simbólica e não só) dos outros, e sem ligação a uma argumentação, a uma persuasão racional. E, por isso, provocaram e instigarão medo, violência, obscurantismo, subjugação, monolitismo. Basta ver a evolução histórica da questão da laicidade. Na minha opinião, esta é uma opinião legítima. Eu discordo dela, acho-a excessiva (por estas e outras razões), mas também a considero legítima. E mais, não só a acho legítima como a acho pertinente para debater a questão do uso político, social e cultural das religiões.
PS: para quem quiser tirar o filtro jornalístico dos resumos com soundbytes e confrontar uma declaração directa e sem cortes de Saramago, pode ver esta sua entrevista à Folha de S. Paulo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A política para além da política

Começou hoje o ciclo de conferências «A política para além da política», organizado pela Unipop e pelo Teatro Maria Matos. O ciclo decorre semanalmente, às terças-feiras, até 24/XI, e o programa pode ser consultado aqui. Cada sessão conta com duas palestras, seguidas de debate. Eis o menu, e respectivas sugestões prévias de leitura:
Para o debate de dia 20 de Outubro…
ERIC HOBSBAWM E AS POLÍTICAS DE IDENTIDADE

Para o debate de dia 27 de Outubro…
A MULTIDÃO DE E.P.THOMPSON

Para o debate de dia 3 de Novembro…
PIERRE BOURDIEU E O MISTÉRIO DO MINISTÉRIO

Para o debate de dia 10 de Novembro…
POLÍCIA, POLÍTICA, FOUCAULT E RANCIÈRE

Para o debate de dia 17 de Novembro…
PETER PÀL PELBART, BIOPOLÍTICA E BIOPOTÊNCIA NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO

Para o debate de dia 26 de Novembro…
BADIOU, FILOSOFIA & POLÍTICA
Nb: na 1.ª sessão abordou-se «O populismo» e os textos recomendados, de Ernesto Laclau, podem ser consultados aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

No rescaldo das eleições locais portuguesas

Logo que fecharam as urnas, às 20h de ontem, disparou a corrida às leituras político-partidárias dos resultados das eleições locais para um nível nacional. É compreensível, embora o jogo mediático chegue a ser tão afunilado (em termos de posicionamento político dos comentadores, das questões colocadas, etc.) e ininterrupto que causa cansaço. Como independente, estou fora desses jogos de poder, que me parecem estreitos, empobrecedores (by the way, este post de Tiago Mota Saraiva ajuda a desconstruir o dilúvio de comentários e análises interesseiramente bipolarizadoras, no estilo boxeur).
Seja como for, parece-me importante partilhar alguns contentamentos e desapontamentos.
Do lado positivo, o facto do centro-direita e direita coligados não lograrem expandir uma estratégia que muitos pensavam imparável (vd. análise aqui). Isso ficou bem patente em Lisboa, onde saiu vitorioso o acordo coligatório que reconciliou a família socialista alargada (incluindo aqui a corrente alegrista de Roseta e dos Cidadãos por Lisboa), ainda que sem maioria na assembleia municipal, o que felizmente permitirá fiscalizar eventuais desvarios. Por fim, o facto dos movimentos independentes terem tido algum destaque, ainda que, por ora, muito centrados na figura de autarcas desavindos com os seus anteriores partidos. Aqui ainda há muito caminho a trilhar, a começar pela necessidade dos projectos superarem um presidencialismo excessivo e, frequentemente, caciquista. Presidencialismo esse que, note-se, foi fomentado pelo próprio sistema eleitoral, que até 1995 não permitia candidaturas independentes e até 2014 não colocava prazos para mandatos, gerando o fenómeno dos chamados autarcas «dinossauros» e tirando pressão para a necessidade de coligações partidárias e/ou com movimentos independentes (sobre as entorses geradas pelo sistema eleitoral vd. ainda este post).
Do lado negativo, a habitual desvalorização mediática (ou semi-ocultamento) dos partidos da esquerda assumida, sob o pretexto da bipolarização (a desculpa habitual), condicionando ainda mais as escolhas onde o «voto útil» foi mais agitado, casos do Porto e de Lisboa. E, quanto a partidos, o facto do Bloco de Esquerda ter seguido uma má orientação global para estas eleições, ensimesmada, sem abertura a compromissos precisos ou coligações, sem rasgo nem projecto autárquico, e com um défice de envolvimento e divulgação atempadas. Ou seja, reincidiu no erro de concentrar as suas energias no parlamento e numa linha de irredutibilidade, de pureza programática. Em Lisboa, isso associou-se a outros erros de palmatória: após a ruptura (inevitável e lamentável) com Sá Fernandes apagou-se a sua intervenção municipal, não procuraram acordos (com a CDU, p.e.), quase não fizeram campanha, o programa foi pouco divulgado, e mostraram-se indisponíveis para aceitar um possível pelouro (ao invés da CDU, mais hábil), ou seja, para dar o salto para o poder e seus compromissos num quadro de separaçao entre níveis local e nacional, mesmo num caso especial como é o da capital, onde já houve coligações de esquerda vitoriosas e onde nas eleições intercalares de 2007 a esquerda à esquerda do PS obteve c. de 1/3 dos votos (Roseta, CDU e BE+Sá Fernandes). Por tudo isso, foi fortemente penalizado em Lisboa, onde o «voto útil» à esquerda predominou por falta duma alternativa forte, reduzindo em muito as representações do BE e da CDU (com menor efeito nesta) a favor da travagem dum Santana Lopes de má memória (e da derrota do «voto útil» à direita, note-se). Sobre tudo isto, Daniel Oliveira fez já uma oportuna análise crítica, enquadrada num debate político-partidário interno, ainda que discorde dalguns pontos, como o de omitir a necessidade de dar prioridade à procura de entendimentos com a CDU e certos movimentos cívicos e de independentes.
Mas esses erros de orientação têm consequências mais vastas, que deveriam ser reflectidas. A questão é esta: se este partido quer ser charneira, dinamizador à esquerda e ter uma implantação nacional consolidada não pode apostar só no parlamento. Tem que reflectir seriamente numa implantação nacional a outros 2 níveis: social local, criando e apostando em dinâmicas locais e enraizando as suas estruturas; e cultural, reforçando o debate e circulação de ideias, valores e representações e a partilha e circulação de mundividências e actos culturais - revistas, centros culturais, atenção aos movimentos associativos e eventos transversais de debate e cultura fazem falta. Quanto a coligações, e já que a sua prioridade é travar maiorias absolutas de direita, então tem necessariamente que procurar negociar com a CDU (e certos movimentos de cidadãos) nos municípios em que essa situação se coloca (e são muitos!).
E termino por aqui, pois o post já vai longo.
ADENDA: entretanto, topei com outros 5 posts sobre o assunto, cuja leitura recomendo: «E agora?», de Rui Bebiano; «Bloco de Esquerda», de Zé Neves; «12 problemas para um debate», de Daniel Oliveira; «Lisgoa e outras observações», de Ricardo Noronha; «O Bloco nas autarquias», de Margarida Santos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Os guardiões dos sonhos


O livro Os guardiões dos sonhos, de Cristina Montalvão Sarmento, é hoje apresentado por Adelino Maltez e João Luís Lisboa, no Centro Nacional de Cultura (ao Chiado, Lisboa), às 21h.
Como refere o seu subtítulo, trata-se dum estudo sobre as Teorias e páticas políticas dos anos 60, o período de todas as utopias e acções, que contribuiram para o alargarmento do espaço público, o aprofundamento da democracia e para novas formas de fazer política.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Um post (ligeiramente) contra-corrente, para relativizar

No seguimento dos dois posts anteriores do Manolo, ocorre-me uma questão: Será realmente impossível Ahmadinejad ter ganho as eleições no Irão com mais de 60%? Será que a única explicação possível para este resultado é uma gigantesca fraude eleitoral? Ou será que estamos (nós no ocidente) a projectar os nossos desejos no eleitorado iraniano? Essa é pelo menos a ideia defendida neste texto (escrito logo no sábado), que, concorde-se ou não, vale a pena ler.
O facto é que não vi em lado nenhum provas convincentes de que houve fraude. O facto é que as prisões de opositores e a proibição das manifestações demonstram que Ahmadinejad, e o resto do poder, não gosta de contestação, mas não demonstra que a houve fraude eleitoral. O facto é que no ocidente (quase) todos desejamos que Ahmadinejad não seja re-eleito, mas isso não prova que a maioria dos iranianos pensa o mesmo. O facto é que há enormes manifestações em Teerão, mas número de manifestantes e número de votantes não são a mesma coisa. O facto é que não somos nós no ocidente quem escolhe o presidente do Irão, pelo menos no caso de ser uma eleição democrática, e seja qual for a decisão do povo iraniano teremos que viver com ela. Dito isto, e porque continuo sem saber quem ganhou realmente as eleições no Irão, desejo sinceramente que tenha sido Mousavi, ou melhor, que não tenha sido Ahmadinejad, e que tendo sido essa a vontade expressa dos iranianos, que ela seja respeitada. Nunca esquecendo que entre o que eu desejo, e o que deseja o povo iraniano há uns quantos milhões de votos de diferença.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A escola mata a criatividade?

Eis a opinião, bem inspirada e humorada, de Ken Robinson.
Para uma versão legendada em português vd. aqui e aqui (partes 1 e 2, respectivamente).

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

As cidades da esperança

No quadro da afirmação cosmopolita dos países e dum certo imaginário civilizacional humanista e universalista, as cidades lograram um lugar de destaque. Primeiro, impuseram-se como pólos económicos e financeiros. Depois, enquanto capitais culturais de referência: cidades como Paris, Londres e Nova Iorque foram consideradas centros de distintas fases da 'cultura ocidental'. Recentemente, tornaram-se nós de redes informacionais e comunicacionais. Nas conversas sobre vivências e viagens pessoais, é hoje corrente compararmos grandes cidades, valorizando-se normalmente a sua oferta cultural-artística, mas também certos espaços de vivência, os cafés e os jardins públicos, a gastronomia, o clima e ambiente, o relacionamento interpessoal, outros atractivos históricos, etc..
Mas as cidades não se esgotam neste ângulo. São actualmente o espaço onde vivem mais pessoas no planeta; porém, só este ano se atingiu tal valor, segundo dados da ONU, é verdade (vd. aqui). Daí que seja natural serem elas o palco privilegiado das transformações sociais, da intervenção cívica, do debate e confronto políticos e dos interesses económicos.
Nunca como agora este quadro fez tanto sentido. Num contexto de esgotamento dum modelo predador de 'desenvolvimento', assente no lucro a qualquer preço, de agudizar das desigualdades e das tensões sociais, da degradação do espaço público urbano, é desconcertante constatar como muitos dos nossos governantes (locais e não só) prosseguem no mesmo rame-rame, como se nada tivesse ocorrido, como se a mudança efectiva fosse um não lugar.
Ocorreu-me esta divagação a propósito de 2 textos do geógrafo catalão Jordi Borja, "El mercado dejado suelto es destructor de la ciudad" e "La ciudad contra el capital", cuja leitura recomendo. Neste, o autor avança algumas propostas conjunturais para alterar a actual podridão das políticas urbanas: 1) comprar as hipotecas; 2) impôr moratórias; 3) proibir a distribuição de benefícios ou dividendos ao sistema financeiro; 4) obrigar a dar créditos ao tecido empresarial pequeno ou mediano. E, a um nível estrutural, iniciativas que travem as dinâmicas especulativas por detrás da bolha especulativa que agora rebentou um pouco por todo o lado: reformar a legislação urbanística para se impor quotas relevantes para habitação social (20%) e a preços controlados (60%), recuperar 90% das mais valias urbanas, penalizar fortemente as operações urbanizadoras segregadas da cidade compacta, criar uma banca pública hipotecária e impulsionar um programa de transporte colectivo em detrimento do crescimento urbanizador da rede viária.
Enfim, ideias oportunas e válidas, nenhuma sequer 'revolucionária', mas que significam uma vontade política de contrariar o conformismo, o laissez-faire, o que para muitos é já uma ousadia intransponível. Por isso, a sua viabilidade impõe que se criem "amplos" movimentos sociais, capazes de pressionar no sentido da sua materialização, pois só com os governantes que temos já lá não vamos. Ficam aqui também como propostas para as cidades do peão, a começar por Lisboa e Porto, cidades sobre as quais aqui temos falado com mais profundidade e atenção, mas extensíveis a todas as grandes cidades do mundo actual.
Porque o lugar para renovar a democracia é justamente a cidade, como sintetiza outro ensaista reconhecido, Jesús Martín Barbero.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Atlas do ambiente

Esta 6.ª feira vai ser dia gordo. Além da tertúlia sobre os ciganos portugueses, haverá uma mesa-redonda em torno do lançamento do Atlas do Ambiente do Le Monde diplomatique (Lx., Fundação Calouste Gulbenkian, aud.º, 18h).
A mesa-redonda contará com os seguintes intervenientes:
● Viriato Soromenho Marques (UL) - «Política de ambiente em Portugal»
● Luísa Schmidt (ICS-UL) - «Cidadania ambiental, entre os "interesses" e a governança»
● João Pato (ICS-UL) - «Políticas públicas da água em Portugal»
● Sandra Monteiro (Le Monde diplomatique - ed. portuguesa) - «Cartografar análises e soluções»
O livro estará disponível a partir de 20 de Junho, é editado pela Outro Modo, Cooperativa Cultural, tem prefácio de Luísa Schmidt, introdução de Ignacio Ramonet e direcção de Philippe Bovet, Philippe Rekacewicz, Agnès Sinaï e Dominique Vidal.
Nb: mais informações sobre o livro aqui.
Apoios: Fundação para a Ciência e a Tecnologia Programa Gulbenkian Ambiente da Fundação Calouste Gulbenkian Agência Portuguesa do Ambiente Instituto Franco-Português.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Ciganos portugueses: mitos e realidades

Quem quiser saber mais sobre os ciganos portugueses tem um bom programa na próxima 6.ª feira, com a tertúlia «Ciganos portugueses: mitos e realidades» (Lx., Fábrica Braço de Prata, 19h).
Será uma boa ocasião para se desfazerem preconceitos e estereótipos.
A tertúlia contará com a presença inestimável do peoníssimo Ruy, e doutros amigos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

‘Epá’, será que não há saída?


Este debate a propósito de um artigo do jornal Le Monde Diplomatique sobre o estado da Europa (pós-assinatura-do-tratado-de-Lisboa) foi, antes de mais, revelador sobre o estado da esquerda. Depois da interessante apresentação, mas excessivamente consensual, dos intervenientes ficámos todos com a ideia de que pouco espaço de manobra resta à esquerda. O tratado assinado na semana passada representa o último passo decisivo (irreversível?) para a instauração à escala continental de um mercado global. De forma muito sintética, uma das conclusões centrais do debate foi a seguinte: o tratado é, acima de tudo, um instrumento regulador (institui um espaço comum constituído por 27 países) que favorece e enquadra, no interior desse mesmo espaço, a desregulação financeira e económica. Ou, dito de outro modo, o tratado institui definitivamente um modelo de globalização neoliberal de matriz europeia. Os países estão condenados a entrar nesse jogo e pouco mais restará aos partidos e movimentos de esquerda senão lutar pelo referendo e votar contra. Mas, nada de ilusões, poucas (ou nenhumas) serão as consequências do referendo. Aliás, uma das expressões mais usadas no debate foi precisamente a de estarmos (a Europa, a esquerda, a democracia, as economias nacionais…) “condenados”. A esquerda está completamente maniatada, na medida em que ela própria (leia-a a social democracia) teve um papel decisivo na construção desta Europa. Os vários argumentos acabaram naturalmente por culminar numa espécie de inevitabilidade, quase como se tivéssemos alcançado o fim da História.

Num post anterior referi que a esquerda deveria preocupar-se em desnaturalizar a visão neoliberal. Na verdade, o pior que pode acontecer é enredarmos por um discurso que encontra como única saída a naturalização do poder neoliberal. É claro que não há alternativas fáceis, nem sei se será possível empreender por alguma alternativa concreta. No entanto, uma coisa parece-me essencial: a esquerda tem de dar margem para se subverter. Ou seja, não inviabilizar logo à partida um debate em torno de possibilidades, por mais ridículas e inviáveis que estas possam parecer à partida. É importante dar espaço a um certo caos criativo... Não afirmar logo à partida: “isso não é possível”. Por exemplo, não considerar logo como absurda (ou como uma impossibilidade) a mera hipótese de um movimento internacionalista entre as várias esquerdas europeias, que procure pontes de ligação em torno de propostas confluentes que transcendam as particularidades nacionais (e nacionalistas). Por exemplo, não pôr de parte a capacidade reivindicativa e agregadora das diferentes sociedades civis como um elemento a ter em conta na luta contra uma União Europeia que se constrói (impõe?) de cima para baixo. ‘Epá’, talvez haja uma saída…

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Os dualismos do Zé

O interessante post do Zé Neves sobre que perguntas faz a esquerda, tem por base a estipulação de uma série de dualismos de cariz cartesiano que, a meu ver, encaixotam as diferentes posições em categorias estanques de análise, como se os tempos que correm ainda funcionassem sob a alçada de uma engrenagem eminentemente moderna e industrial. Para o Zé, a relação entre as perguntas e as respostas resulta de uma operação (mental?) sequencial. A única diferença é que, entre as esquerdas, uma só faz as perguntas para as respostas que conhece, enquanto a outra (a sua) só põe aquelas perguntas às respostas que gostaria de vir a conhecer. Mas quer uma quer outra se regem pelo mesmos princípios que um certo filósofo francês sintetizou no postulado “eu penso, logo existo”, que poderia muito bem transmutar-se para uma formulação do tipo “eu pergunto, logo respondo” ou “eu pergunto, logo procuro a resposta”.
Penso que a esquerda tem de deixar para trás uma visão dicotómica de si e do mundo e arriscar-se de uma vez a transgredir os pressupostos inoperantes de uma modernidade há muito perdida. Considero que esses “novos” trilhos deverão ser traçados tendo por base uma interdependência (uma dialéctica?) - e não uma linear sequencialidade - entre reflexividade e acção. Foi neste sentido que escrevi o post da rua à prática política, no qual propus uma reflexão (um questionamento) a partir das experiências, protestos, rastos… da rua, capaz de potenciar-nos para um (ou vários) caminhos de acção, ou seja, para respostas em aberto que se vão reformulando e reconfigurando noutras perguntas. É este processo que eu designo de prática política. De facto, a esquerda necessita de uma praxis construída a partir de um cogitando que se vai fazendo existir ou, dito de outra forma, em perguntas que se vão fazendo resposta.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Para 'desnaturalizar' o pensamento neoliberal



Com o intuito em não barricar ainda mais este debate (em curso?), penso que seria interessante recentrá-lo para uma questão que é essencial e que parece ser relativamente secundarizada pela esquerda mais libertária’. Refiro-me ao pensamento neoliberal que se vai naturalizando cada vez mais nos discursos e práticas políticas. É necessário desnaturalizar essa lógica: quebrar o seu raciocínio binário e exclusivista de modo a romper com a sua aparente inevitabilidade. Das várias dicotomias propagandeadas, a que opõe Estado ao Mercado talvez seja a mais marcante. Quando certa esquerda envereda pela senda da destituição abrupta do Estado parece que se esquece que existe mercado e um discurso muito poderoso que sustenta a universalidade da sua desregulação. Encetar uma luta absoluta contra o Estado sem construir um contraponto, uma alternativa viável ao pensamento neoliberal, demonstra, quanto a mim, uma tremenda irresponsabilidade. A actual forma do Estado se organizar tem de sofrer uma enorme transformação, é verdade, mas esta não passa pela sua destruição.


Uma outra dualidade que é importante questionar diz respeito à que opõe sistematicamente os trabalhadores que estão (ainda) 'integrados' no sistema laboral e os excluídos (os que estão fora deste). É comum ler-se e ouvir-se uma retórica que estabelece uma relação linear (de causa-efeito) entre a perda de direitos (considerados exagerados) por parte dos primeiros para que os segundos se possam integrar melhor. Esta visão é particularmente eficaz na medida em que pretende, até certo ponto, ofuscar a noção de que a sociedade pós-capitalista se encontra estratificada em classes. Face à composição vertical da pirâmide social (característica das sociedades industriais), sugere-se que, actualmente, as desigualdades mais determinantes se geram horizontalmente, ou seja, no seio dos grupos ‘despossuídos’ de meios de produção: os trabalhadores por conta de outrem. Quanto a mim, essa interdependência é artificial e está por demonstrar. Não é líquido que redução dos direitos dos supostamente integrados se transfira no incremento de apoio social e cívico aos que estão fora do sistema económico. E sobretudo não é nada líquido que seja esta dicotomia a origem da exclusão e da assimetria social. Pelo contrário, parece-me (é uma mera intuição) que em muitos casos a redução de direitos em certos sectores do trabalho assalariado não implica um aumento minimamente relevante dos níveis de integração das camadas populacionais mais desprotegidas.

Não questiono a necessidade de reajustes (alguns significativos) no equilíbrio entre direitos e obrigações de alguns estratos profissionais, nomeadamente no interior da administração pública (por exemplo, as mudanças de ordem demográfica implicam necessariamente reconfigurações no que concerne ao prolongamento do tempo da vida activa, etc.). O que questiono é o abuso político e ideológico que se faz de uma relação de causa - efeito que está por demonstrar. Penso que um dos princípios orientadores dessa tal narrativa, que falávamos nuns posts atrás, passa pela desnaturalização da oposição entre ‘instalados’ vs ‘excluídos’. As verdadeiras razões que acentuam as desigualdades sociais encontram-se muito mais a montante. São razões intrínsecas à lógica de funcionamento do próprio sistema capitalista globalizado...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A narrativa a partir da rua

Em jeito de adenda a este post do Renato, com o qual concordo sem alterar um vírgula, dou uma achega à questão da "narrativa a partir da rua". Se bem percebo do post do Renato essa narrativa inclui, mas não se limita, a manifestações, greves e acções de protesto. Entendo essa narrativa de um modo muito mais amplo, englobando tudo o que a sociedade civil pode fazer "enquanto elemento (re)organizador dos sistemas sociais económicos" (para utilizar as palavras do Renato).
Dito isto, eu sou um gajo que até gosta de Manifs. Quanto maiores melhor. Acho que Manifs, Greves e acções de protesto podem ser muito úteis ao(s) combate(s) da esquerda, conquanto - pequeno pormenor - sejam em defesa de uma causa justa. Mais ainda, como acredito na democracia, acho que os movimentos de protesto na rua são úteis se, e apenas se, tiverem influência sobre a opinião pública. Sobretudo se, por último, influenciarem positivamente o sentido de voto dos eleitores. Não concordo que o protesto possa ser um fim em si mesmo, nem que seja O meio de atingir os objectivos da transformação política, social, económica que a esquerda defende. Que é, se bem percebo (e que me desculpe se interpretei mal) o que defende Rick Dangerous. Como saber então quando e como protestar? Obviamente com sentido crítico, auto-crítico (coisa que bastantes vezes falta à esquerda, mas mais ainda à direita). É preciso avaliar se as causas são realmente justas, em coerência com os princípios da esquerda, e - com um pouco de pragmatismo - avaliar que impacto o protesto vai ter na opinião pública. Acredito que quase sempre as duas coisas andam juntas, porque afinal o cidadão tem um sentido de justiça.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Será o debate exequível?

Concordo com o Rentato, não gosto de barricadas, menos ainda de barricadas dentro da esquerda. Barricadas e debate não combinam muito bem. No debate entre o Hugo Mendes e o Zé Neves (que foi um debate que endureceu a dada altura, mas vou deixar isso de lado) notou-se bem uma barricada que frequentemente se ergue entre o centro-esquerda e a esquerda da esquerda: a questão da exequibilidade (realismo, pragmatismo, o que quiserem chamar-lhe) das políticas. É uma barricada que me parece útil e exequível desmontar, e de ambos os lados há telhados de vidro. O Hugo Mendes usou a imagem da bolha para uma parte da esquerda. Vivem numa bolha, desligados da realidade, porque as suas propostas políticas não são passíveis de serem postas em prática, o que torna o seu discurso político estéril. Resumindo o argumento do Hugo com as suas próprias palavras (tiradas de um comentário que deixou a um post do Renato):

"Pensar de forma clara significa, entre muitas outras coisas, perceber que as pessoas do mundo lá fora, pouco politizadas, mas que são cidadãos como nós, para além das pessoas que votam, não querem saber da democracia enquanto "movimento constituinte". No limite, isso são chavões (...) SE não houver propostas concretas e exequíveis que traduzam esse discurso para políticas públicas específicas."

O Zé Neves contrapõe (num comentário a um post no O de Conduta)

Eu não apresento propostas políticas "exequíveis" SE com exequíveis se pretende definir aquilo que seja realista aplicar no quadro político institucional actual. Eu apresento propostas políticas "exequíveis" se baseadas em princípios e em princípios cuja "exequibilidade" tem como primeiro critério não o que seja "sensato" do ponto de vista das "políticas públicas" - e isto não quer dizer que não é possível que o sejam - mas sim aquilo que seja desejável do ponto de vista dos tais "cidadãos despolitizados". A política para mim começa aqui: em tomar partido em nome de princípios - nem tanto morais mas sim ideológicos - que se formam e reformam democraticamente no contexto de formação de um poder constituinte de uns contra o poder de outros.

Chamem-me esquizofrénico se quiserem, mas à partida concordo com os dois. Como não concordar com o Zé Neves? Naturalmente que antes de qualquer política vêm os princípios, morais, e, sobretudo, ideológicos. Mas no entanto o que diz o Zé Neves é insuficiente. A ideologia diz-nos QUAIS são os objectivos a atingir, mas não nos diz necessariamente COMO os vamos atingir, muito menos SE conseguiremos atingi-los. Nesse aspecto a sua posição é até algo cândida, como se simplesmente querer algo fosse suficiente para atingi-lo. Ora, para nos lixar o esquema, há sempre a realidade, que como todos sabemos é uma chata. Acontece que, e é aqui que eu estou de acordo com o Hugo, é preciso saber quais as políticas que vamos pôr em prática e, principalmente, se vão efectivamente dar os resultados desejados. Um exemplo concreto: para reduzir o desemprego um possibilidade - que geralmente agrada à esquerda - é reduzir os horários de trabalho para criar mais empregos. A questão é saber se reduzir os horários de trabalho vai realmente criar mais emprego (e podia dar como exemplo a reforma aos 50 anos, ou coisa do género). Para responder a estas perguntas é preciso recorrer à economia, à ciência política, às ciências sociais, e tudo o que possa ajudar a encontrar respostas. Mas é preciso sobretudo, para lá da ideologia - diria mesmo independetemente da ideologia -, saber se as propostas políticas terão os efeitos desejados. Recusar isto é recusar a realidade. Não é César quem quer, é César quem pode.

Agora onde eu não posso estar de acordo com a imagem da "bolha" é não sua utilização de modo genérico, num debate em que se discutem princípios, a esquerda, a democracia. Num debate específico, sobre um tema em particular, se um grupo (ou pessoa) se mostrar desligado da realidade, é normal utilizar esse argumento, é aí que se deve fazê-lo. No entanto, mesmo que demasiadas vezes uma parte da esquerda tenha propostas irrealistas, não exequíveis, usar a "bolha" como um rótulo torna-se numa espécie de falácia genética. Uma coisa do género: "Ah!, e tal... Tu és de extrema-esquerda e não sei que mais, logo as tuas propostas não são exequíveis, e coiso. Nem vale a pena saber que propostas são essas."

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Uma semana sem anúncios!?!

Desculpem lá mais este anúncio... mas não é todos os dias que um Peão é figura de cartaz. E ainda por cima para falar sobre desigualdades socais. A ver vamos!