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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Foi você que disse ideologia?

O cartaz aqui ao lado foi censurado pelo Ministério da Educação, há uns dias atrás, supostamente por fazer parte duma campanha considerada «ideológica». Uuuuh. E isso morde? Ok, dêmos de barato que é: e daí? Não vale a pena combater a homofobia também na escola? Cartazes na escola só para o rame-rame interno?

Ironicamente, o projecto foi patrocinado por outra entidade estatal, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, como aqui se relata.

Parece que aquela ordem foi entretanto revogada, mas não encontrei confirmação.

PS: sugestão de leitura - «Blasfémia», de Andrea Peniche.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mas estas coisas ainda espantam alguém?

Para fazer tempo, enquanto esperamos os resultados das eleições americanas, aqui vai um post sobre sexo e religião. No Courrier International pode ler-se uma peça de uma jornalista que descobre - com aparente espanto - que as mulheres muçulmanas mais conservadoras, no recato do seu lar são dadas ao prazer da carne. Note-se contudo que o título da peça ("Sous le hijab, le string") é muito bem conseguido. Acontece que para o Islão, contrariamente às religiões judaico-cristãs, não é o sexo em si mesmo que é o problema, desde que com o respectivo cônjuge, e longe de olhares públicos. Porque são precisamente os olhares públicos que são o problema. De resto o Corão incita tanto o marido como a mulher ao gozo dos prazeres da carne. Tirando aquela coisa da jornalista parecer descobrir o óbvio, o artigo merece definitivamente uma leitura atenta. Apetece-me destacar isto:«C'est que là où les judéo-chrétiens ne conçoivent la sexualité que dans un strict but de procréation, le Coran et l'enseignement du prophète semblent beaucoup plus ouverts à une sexualité de plaisir. "L'islam encourage la sexualité dans le couple marié et le plaisir autant masculin que féminin. Le sexe est tenu pour spirituel"»

E mesmo em relação aos judaico-cristãos, ou pelo menos os católicos, talvez as coisas já não sejam bem como soíam. Pois que a soeur Emmanuelle, uma versão francesa da Madre Teresa de Calcutá recentemente falecida, decidiu deixar em testamento um grande rombo nos tabus do sexo. Num livro intitulado "Confessions d'une religieuse", publicado poucos dias após a sua morte, soeur Emmanuelle escreve sobre os prazeres carne (pecado bem menos grave que os outros, segundo ela), e discorre em particular sobre a masturbação, na primeira pessoa. Não li o livro, mas há uma elevada probabilidade de o vir a fazer.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Tão modernos que nós somos

Voltando à questão da modernidade, acho e reafirmo que este referendo abriu algumas portas para uma mudança mais profunda. Como já foi debatido aqui no blogue, entendo que um dos aspectos mais interessantes deste acto eleitoral foi o desvelar de algum dinamismo cívico que se autonomizou face à militância partidária mais tradicional. Embora tenha contado com o contributo dos partidos, o SIM não ficou à espera que estes ocupassem todo o espaço da opinião e da mensagem política.
Uma outra porta importante para a mudança e, que de certa maneira está associada à anterior, tem a ver com a participação e, sobretudo, a forte expressão do voto pela despenalização das pessoas mais jovens. Mais do que o desvanecimento da polaridade entre Norte e Sul, os dados do referendo indicam a emergência de uma forte polarização geracional. De facto, ao nível dos valores e da concepção de novas formas de encarar a liberdade individual, como por exemplo, a questão da sexualidade, parece que o sentido da mudança pode ser, esse sim, verdadeiramente fracturante.
E porque é que ainda não é? Dou-vos um exemplo. Como é sabido a educação sexual é sempre um ponto inevitável quando se debatem estes assuntos. Quem tem mais reivindicado a sua necessidade são os jovens nas suas diversas manifestações (que normalmente são muito desvalorizadas pelo poder político, desde os partidos aos sindicatos). Actualmente as escolas preparam-se para implementar projectos em torno da ‘educação para a da saúde’ (mais uma expressão eufemista para não ferir susceptibilidades) onde se esconde a temática da sexualidade. Ora bem, cabe a cada escola gerir parte desse processo. Contudo, como é mais um daqueles sacos onde se pode pôr muita coisa, tudo é possível fazer no âmbito desta educação para a saúde. Conheço o caso de uma escola secundária em que a pessoa que se ofereceu e vai coordenar o projecto é precisamente o professor de religião e moral. E não se trata de uma escola perdida no interior. Pelo contrário, está bem próxima da capital.
Não são de certeza estes os caminhos da mudança para o tal Portugal moderno. Estas portas são bem mais difíceis de abrir!