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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fernando Lanhas, o abstraccionista de corpo inteiro (1923-2012)

«Morreu o pintor Fernando Lanhas»

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Júlio Resende (1917-2011): o pintor da ribeira

Júlio Resende, que hoje faleceu, teve uma longa vida como artista plástico, com parte da sua obra ocultada pela nobre pintura: refiro-me à ilustração e bd para diários portuenses nos anos 40-50, com personagens como «Matulão e Matulinho», «O Fagundes Arrepiado», «O Senhor Freitas» e «O Feli-Feli». Para a revista O Papagaio fez uma bd adaptando Robinson Crusoe. Nada mau. Merece uma retrospectiva na BD Amadora.
Já o muralismo teve melhor sorte e grande acolhimento, em obras como a da «Ribeira Negra», no túnel para a Ponte D. Luís (Porto), este «Vida em família» (na Pasteleira, 1964), em Leça, Lisboa (Palácio da Justiça, Metro do Jardim Zoológico), etc. E viva o azulejo!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Lucian Freud (1923-2011): reinventor do retrato

«Lucian Freud - Corpo a corpo com a carne», por Pedro Rosa Mendes

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Malangatana Valente Ngweny (1936-2011)

Faleceu ontem Malangatana, um dos mais conhecidos e admirados pintores moçambicanos.

Para quem o quiser revisitar em Portugal, estão actualmente patentes duas mostras com obras dele: «Novos Sonhos a Preto e Branco», na Casa da Cerca, em Almada, com desenhos inéditos; e «As Áfricas de Pancho Guedes», no Mercado de Santa Clara, junto à Feira da Ladra, em Lisboa.

Obituário a ler em «O pintor da identidade moçambicana», por Sérgio C. Andrade.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Quando a realidade supera a ficção mais extravagante...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Outro génio-louco que afinal também não o era

O 'também' vem na sequência deste outro post dedicado a  Grigori Perelman.

Infelizmente, só a versão impressa da reportagem acima referida expõe detalhadamente a opinião dos 3 autores do Museu Van Gogh responsáveis pela mostra «O verdadeiro van Gogh», patente na Royal Academy of Arts, e que é o corolário dum trabalho de 15 anos e de que resultou ainda uma monumental edição anotada da epistolografia do artista, Vincent van Gogh, the letters.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Viagem pelo surrealismo português

Amanhã será transmitido o documentário Cruzeiro Seixas: o vício da liberdade, na RTP2 (21h30), oportunidade para uma digressão pelo surrealismo português.
A realização é de Ricardo Espírito Santo, a autoria do jornalista Alberto Serra e a direcção de arte do José Pedro Rosado.
Mais informação e elogio entusiástico aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Lourdes Castro

Ainda o fim de semana para ver a exposição de Lourdes Castro no Centro de Arte Manuel de Brito, Palácio dos Anjos.
Exposição pequena, sem as suas, e minhas favoritas, «caixas» de memórias (col. CAM), onde harmoniosamente convivem artefactos de um Portugal acanhado, quando Lourdes Castro vivia já numa Paris artística.
Em Algés estão as sombras recortadas, fotografadas, bordadas numa multiplicidade de técnicas e com um espírito muito Arts and Crafts, só que Pop e em plexiglass.
Também um vídeo, inspirada entrevista à RTP, em que a autora conta o início da sua experiência artística em «caravana» para a Alemanha (o mesmo vídeo estava na exposição sobre o anos 70 no CAM).
Do folheto da exposição as palavras de Maria Arlete da Silva: «Conheci Lourdes Castro em Paris nos finais do anos 60 e a sua atitude perante a vida, os seu despojamento das coisas materiais, o proporcionar felicidade aos outros com pequenos gestos e o seu contacto com a natureza influenciaram profundamente a minha maneira de ver o mundo. As casas onde morou eram lugares mágicos. Recordo o sótão onde morou em Paris porque apesar de muito pequeno e nele morarem e trabalharem duas pessoas, a artista e o seu marido René Bértholo, tudo estava devidamente estruturado para as necessidades do casal. Ao fundo um jardim de vasos, depois uma cama com um lençol bordado com os contornos dos corpos dos dois artistas. Numa parede estava inserida uma pequena mesa tendo desenhadas na parede as silhuetas sentadas do casal. Havia ainda uma zona de trabalho para cada um deles. Num armário uma colecção enorme de carimbos.»
Depois, em Março, outra exposição em Serralves da sua faceta gráfica no grupo KWY. E é bom ver mostras mais ou menos sistemáticas de uma artista maior como Lourdes Castro.
Imagem: Sombra Projectada de Claudine Bury, 1964.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

E por falar em muros...(atualizado)

... pouco ou quase nada tem se falado do “muro da vergonha”, que está sendo levantado ilegalmente por Israel nos territórios palestinos. Parece-me que uns muros são mais especiais que outros. Na foto debaixo, ativistas palestinos comemoram o aniversário da queda do Muro de Berlim tirando um pedaço do muro de segurança levantado por Israel. Mais (em castelhano).


O grafite no muro é de Banksy.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Bob Dylan troca versos e música pela pintura

bob dylan   p bob dylan (museu) - P

Bob Dylan é sem sombra de dúvida um dos músicos e compositores mais influentes do século passado. Mas nem só de música vive ele. De 2 anos pra cá, Dylan também tem se apresentado como artista plástico e poderá ser visto na Galeria Nacional da Dinamarca (Statens Museum for Kunst), onde realizará uma exposição de cerca de 100 obras no próximo ano. Pela primeira vez será exposta ao público a recente série de 30 acrílicos do cantor.

Dylan tem se dedicado à pintura desde os anos 60, mas só mostrou ao grande público em 2007, quando realizou uma exposição na Alemanha, passando depois a participar de pequenas mostras em galerias da Europa e Estados Unidos. Aliás, essa vertente para a pintura não é lá uma grande novidade e já pôde ser visto na capa do seu álbum “Self Portrait”, de 1970. Outras de suas obras aparecem também em seus livros “Writings and Drawings” e “Lyrics”, lançados respectivamente em 1962 e 1985.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

100 anos de Burle Marx: “fazer jardim é fazer arte”

aterro do flamengo   rio Roberto Burle Marx (1909 – 1994) foi um artista polivalente e para quem “fazer jardim é fazer arte”. Foi pintor, designer, arquiteto, paisagista, artista plástico, tapeceiro e cantor de música lírica. Mas foi como paisagista que ganhou renome internacional. Criador da linguagem modernista do paisagismo mundial, ele é considerado o maior paisagista do século 20. Sua assinatura consta em mais de 3000 projetos espalhados em 20 países dos 5 continentes. Também foi premiado como pintor e designer de joias.

“No momento em que vou combinar plantas, estou pensando em cor, volume e ritmo. Decidi-me a usar a topografia natural como uma superfície para a composição e os elementos de natureza encontrada ( minerais e vegetais) como materiais de organização plástica, tanto e quanto outro artista procura fazer sua composição com a tela, tintas e pincéis”. (Excerto da entrevista publicada pelo jornal Última Hora, em 04/08/89 – Rio de Janeiro).

A preferência de Burle Marx era por projetos de grandes áreas. Entre as suas muitas obras, destacam-se: parte dos jardins da Unesco, em Paris; o Biscayne Boulevard, em Miami; o City Centre Park, de Kuala Lumpur, Malásia; o parque Del Este, em Caracas; os jardins do prédio do Centro Georges Pompidou, em Paris; Jardim Memorial na praça Rosa de Luxemburgo, em Berlim; Jardim das Nações, em Viena; jardins do edifício da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, parque do Ibirapuera (não executado) e Jardim Botânico, em São Paulo, parque Zoobotânico, em Brasília, e o Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro (foto). Mais.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

35 por 25, ou um outro modo de evocar

A livraria-galeria Círculo das Letras inaugurou uma exposição singular: 35 por 25.

E o que é isso?
«São 214 telas que têm por primeira intenção projectar Abril, não um qualquer mas o de 1974, o de um dia 25, que foi de conquista da liberdade política e de afirmação da dignidade cívica».
Ou seja, um grande mosaico de pequenas telas feito por 214 artistas, sobretudo das novas gerações, que foram convidados e aceitaram o desafio-projecto.
Quem foram os organizadores e como divulgaram o convite?
«Nos 35 anos do 25 de Abril, a Livraria Círculo das Letras, a Cooperativa Árvore, o Museu Jorge Vieira (de Beja), em colaboração com a Associação 25 de Abril, promovem a evocação e homenagem dos 35 anos do 25 de Abril promovendo uma intervenção artística de um colectivo/conjunto de artistas convidados a nível nacional».
Entre os responsáveis, destaque para Fernando Vicente, o pai da ideia, e Rui Pereira, grande dinamizador do projecto.
A mostra estará aí patente até 20/V. A partir de 23/V, transita para Beja (Galeria dos Escudeiros). A seguir, e até Abril de 2010, é desejo dos promotores levá-la em digressão por todo o país.
Endereço: R. Augusto Gil, 15B (no quarteirão circundado pelos eixos Campo Pequeno/ Av. João XXI/ Av. Roma).

sexta-feira, 20 de março de 2009

“Discutindo a Comédia Divina com Dante" (ou quem é quem?)

Este é o nome da obra que 3 artistas plásticos pintaram a óleo em tela com 13 m2. O quadro é composto por uma imagem de 103 influentes personagens da História mundial. Cientistas, políticos, artistas, ditadores e desportistas foram colocados aleatoriamente num cenário que inclui as Muralhas da China e as Pirâmides Egípcias. O desafio é descobrir “quem é quem”. Clique na imagem pra vê-la ampliada. Mais.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Caprichos e desastres de João Abel Manta

Ao entardecer, inaugura-se a exposição «Caprichos e desastres» do grande cartoonista e artista plástico João Abel Manta, no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa. A mostra, com mais de 90 peças, retrata o "Portugal pitoresco" e o "Portugal assombrado" dos anos 60 a 80, segundo revelou o seu comissário, João Paulo Cotrim (vd. aqui e aqui). Cotrim, entretanto, editou o livro João Abel Manta - caprichos e desastres (vd. tb. aqui).
Neste ano, o autor celebra 80 anos, como aqui referi em detalhe. A efeméride foi recentemente relembrada no Festival BD Amadora, numa mostra que reuniu trabalhos de homenagem.
João Abel Manta é considerado por muitos o maior cartoonista português vivo, dando seguimento a nomes como Rafael Bordalo Pinheiro, Leal da Câmara e Stuart Carvalhais.
ADENDA: o jornal Público associou-se entretanto à homenagem com esta galeria de imagens contendo uma selecção das caricaturas da exposição.

domingo, 26 de outubro de 2008

Gravura: a cooperativa que juntou os artistas

Foi há mais de meio século que um grupo de artistas e amigos se juntou em torno dum género 'menor' das artes plásticas, a gravura, num esforço de democratização cultural, convergência de correntes estéticas e convivência. Após uma série de encontros e diligências, foram ao notário da Baixa para inscrever a Sociedade Cooperativa dos Gravadores Portugueses, GRAVURA. Estávamos em 1956.
Nos últimos anos, Jorge Silva Melo fez o inventário dessa aventura para um documentário, intitulado Gravura: esta mútua aprendizagem. Estreou ontem no DocLisboa, e recomenda-se vivamente. Nele, apercebemo-nos da relevância desta cooperativa, cuja galeria ainda está activa, e de como uma grande parte dos artistas plásticos portugueses por ela passaram e aprenderam alguma das técnicas de fazer gravura. Destes destaco Júlio Pomar, António Charrua, Bartolomeu Cid dos Santos (na imagem), João Hogan, Rogério Ribeiro e José Júlio. Mas foram muitos mais os que por lá passaram ou que aderiram à gravura: Alice Jorge, Areal, Carlos Botelho, Cipriano Dourado, David de Almeida, Eduardo Nery, Fernando Calhau, Fernando Conduto, Ferreira da Silva, Guilherme Parente, Humberto Marçal, João Paiva, Jorge Martins, Jorge Vieira, Julião Sarmento, Manuel Baptista, Manuel Torres, Manuel Ribeiro de Pavia, Maria Beatriz, Maria Gabriel, Maria Velez, Milly Possoz, Nikias Skapinakis, Paula Rego, Querubim Lapa, Sérgio Pombo, Teresa Magalhães, Tereza Arriaga, Vitor Pomar, etc.. Destes, os que estavam vivos foram entrevistados. Foram mais de 20 horas de entrevistas, segundo confessou Jorge Silva Melo. Como da maioria houve depoimento, não deve ter sido nada fácil fazer a montagem deste filme. Pena é que o critério exclusivo tenha sido o das entrevistas individuais, pois teria sido interessante ver também entrevistas colectivas.
Gravura: esta mútua aprendizagem será novamente exibido no Cinema Londres (a 29/X) e no Museu do Neo-Realismo (a 21/XI).
Silva Melo já antes fizera outros documentários. Gostei muito de ter visto o dedicado a Glicínia Quartin.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Artistas globetrotters

Contou Gonçalo M. Tavares um engenhoso plano turístico imaginado por Philip Roth no livro Portnoy's Complaint (1969), editado em português pela Bertrand, mas actualmente indisponível no mercado.
Um dos personagens tem como grande sonho conhecer os Estados Unidos, e, para concretizar essa ambição decide dormir com uma mulher de cada Estado. Para ele, só depois de se ter deitado com o número de mulheres correspondente ao número dos Estados é que poderia afirmar conhecer o país.
O mesmo «desejo excursionista», surge nas artes plásticas com Tracey Emin que na instalação My Bed, concorrente ao Turner Prize em 1999, interrogava-se se para conhecer o mundo bastaria ter relações sexuais com uma pessoa de cada país, ou se seria mesmo necessário visitar o sítio.
A mim, esse «turismo» sempre me pareceu de uma originalidade promissora...
Imagem: Tracey Emin - Everyone I Have Ever Slept With, 1963-1995