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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Esqueletos no armário

Maioria PSD/CDS não quer Rua José Saramago no Porto

A proposta, apresentada pelo vereador da CDU, Rui Sá, foi ontem rejeitada pelos votos da maioria. O documento previa uma manifestação de pesar pela morte de José Saramago e a atribuição do nome do escritor a uma artéria da cidade. O voto de pesar ainda foi aprovado, com a abstenção de seis eleitos do PSD e do CDS e o voto contra de Sampaio Pimentel (CDS), mas a proposta de dar o nome do escritor a uma rua foi chumbada pela maioria do executivo (com os votos favoráveis de quatro vereadores do PS e de Rui Sá; o socialista Vilhena Pereira absteve-se).

sábado, 3 de julho de 2010

A maior flor do mundo (o único conto para crianças de Saramago)

Aquilo que aqui vos deixo não é o conto em si, mas a adaptação do mesmo para um pequeno filme de animação, «A flor máis grande do mundo» (2006), pelo cineasta galego Juan Pablo Etcheverry. O narrador do filme tem a voz do próprio José Saramago. Quem estiver interessado na génese desta obra pode sabê-la pelas palavras do autor.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ainda Saramago

Muito se escreveu a pretexto do passamento de Saramago. Do que li, destaco a lúcida reflexão de Manuel Gusmão e o dossiê do Público, do qual li com gosto as evocações de Carlos Reis, Mário de Carvalho, Luiz Schwarcz (aqui se podem ler outros depoimentos), Urbano Tavares Rodrigues e Mia Couto. Fiquei estarrecido com o texto de Eduardo Lourenço, onde a projecção do próprio pretende impor uma pseudo-redenção final de Saramago como saída para a sua desilusão utópica, em gritante contraste com o sentido constante da intervenção cívica e literária do autor.
Sobre a ausência de altas figuras do Estado das cerimónias fúnebres do único Prémio Nobel da Literatura português, apenas reiterar as críticas oportunamente feitas a essa conduta, apesar dos dois dias de luto nacional. A situação é agravada quanto ao Presidente da República, Cavaco Silva, que teria necessariamente que estar lá enquanto representante de todos os portugueses numa ocasião simbólica por excelência.
O Vaticano, este Vaticano, primou novamente pela arrogância e deselegância; nb: já o comunicado do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Igreja católica portuguesa tem um tom bem diverso, que só pode ser elogiado pela sensibilidade e esforço de reflexão que representa: «Igreja enaltece “grande criador da língua portuguesa” mas lamenta “balizamentos ideológicos”».
Nb: na imagem, cartoon inspirado no quadro Des glaneuses (1857), de Jean-François Millet.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)

No dia da morte de um grande escritor, começo por sublinhar a grandeza literária da obra que deixou. Saramago renovou a antiga arte de contar histórias e, sendo dotado de uma imaginação prodigiosa, não a usou para fugir a este mundo, mas para denunciar a estreiteza do real e a possibilidade de outros mundos.
O prémio Nobel da literatura português foi um artesão de si mesmo que teceu com teimosia e impaciência a sua vida e os seus livros. A par da militância política, descortinamos na sua vida, como reza a letra de Casablanca, «a velha história da luta pelo amor e pela glória». Depois de vencer ambas, não renunciou à outra, a do ideal comunista, continuando a criticar e a acusar. Em minha opinião, como D. Quixote, confundiu por vezes moinhos com gigantes. Também por isso o vejo como um digno sucessor do gesto altivo do célebre cavaleiro, das razões de Sancho Pança e do ofício de Cervantes.

sábado, 24 de abril de 2010

Caso Garzón na recta final: impunidade ou justiça?

Como os acusadores da extrema-direita não acataram retirar expressões que o juiz Luciano Varela considerou demasiado «ideológicas» (denunciando o comprometimento do próprio), este resolveu expulsá-los do processo contra Garzón por alegada prevaricação de competências ao tentar investigar os desaparecidos do franquismo.

Segundo o historiador canário Sergio Millares Cantero, trata-se duma manobra de diversão por parte do juiz do Supremo Tribunal, para simular a sua isenção aos olhos da opinião pública internacional, uma vez que seria insustentável aos olhos desta que os herdeiros do franquismo incriminassem um juiz. Na sequência daquela decisão, Garzón pediu a nulidade do processo contra si. Seja como for, só no início de Maio tomará a decisão final sobre se leva ou não Garzón à barra do tribunal.

Entretanto, hoje é dia de protesto cívico contra la impunidad del franquismo em dezenas de cidades espanholas. À iniciativa juntaram-se um grupo alargado de intelectuais, associações de recuperação da memória histórica, familiares de vítimas e cidadãos comuns (outras fontes: página do facebook aqui; artigo de José Saramago e outros intelectuais aqui; + inf. aqui).

ADENDA: entretanto, só no domingo passado é que o jornal português Público trouxe um texto de crítica ao actual processo Garzón (vd. «Uma nova vitória de Franco?», de Manuel Carvalho); como aqui tive oportunidade de referir, os textos anteriores eram inesperadamente a favor deste vergonhoso processo judicial, do tipo «estava a pedi-las»...

sábado, 24 de outubro de 2009

«Dois homens de boa fé...»


«Dois homens de boa fé sempre se podem entender», conclui José Saramago no fim do debate com o teólogo, poeta e padre José Tolentino de Mendonça, moderado pelo jornalista do Expresso José Pedro Castanheira. Mas alguns desentendimentos do debate são bastante interessantes e vale a pena ouvi-los, e ver a cara dos interlocutores, neste vídeo.
Ontem só vi uma parte do debate entre José Saramago e o padre Carreira das Neves na SIC. Carreira das Neves teve em dificuldade de sair da pele de especialista que emprega termos inacessíveis ao grande público. E não foi capaz de explicar uma questão básica: por que é que a Igreja Católica não faz uma leitura literal da Bíblia. É que o cristianismo, em rigor, não é uma «religião do livro», como o islamismo. Antes do Corão não havia islâmicos. Quando os textos do Novo Testamento foram reunidos o cristianismo já existia há pelo menos um século. O cristianismo acredita numa pessoa – Jesus da Nazaré – que fez de outras pessoas o fundamento da Igreja. O Corão foi ditado por Alá. Cristo não escreveu uma linha da Bíblia. É à luz da passagem de testemunho sobre a vida de Cristo, da tradição e da tentativa de compatibilizar fé com razão que a Bíblia é interpretada pela Igreja Católica.
É claro que os textos da Bíblia podem ser interpretados de acordo com outras fés ou de nenhuma fé. Como tudo o resto nesta vida.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A última peça do puzzle saramaguiano


«Saramago: Há muita coisa na Bíblia que vale a pena ler»

Nb: sobre esta polémica outonal com final feliz, entretanto a concorrência veio no nosso encalço e lá desenrascou vários posts interessantes, que recomendo - «Caim» e «Falta-lhe a pátina, ainda bem...» (jrd); «Versículos satânicos» (Ricardo Noronha); «Bíblia» (Bruno Sena Martins); «Parte do ‘manual de más práticas’ de que eu gosto» (Nuno Ramos de Almeida); «Ópio do Povo» (Zé Neves); «um herege dos pequeninos» (Pedro Vieira). A imagem reproduz um cartoon de Mel Calman e é repescada duma série de posts que publiquei no Peão, em IX/2008, e que teve início precisamente nessa «Insegurança celestial».

Protestos e protestantes



Estas reacções de um eurodeputado do PSD e «católico não-praticante» às declarações de José Saramago são uma parvoíce. Tenho de reconhecer que o baptista Tiago Cavaco reagiu com muito mais nível (ver aqui o poste de 2.ª feira). E estou à vontade para reconhecê-lo pois geralmente não estou de acordo com as posições religiosas ou políticas do Tiago Cavaco.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Debater Saramago

Este post começou por ser um comentário ao post anterior do Daniel Melo, como o meu primeiro texto começou por ser um comentário ao JRD. Mas como o tema pedia um certo desenvolvimento decidi atirá-lo para a linha de frente do blogue. Esta entrevista que o Daniel Melo lincou não corresponde às declarações de Saramago no lançamento de Caim. Mas cá vai o meu comentário: acho piada o Saramago dizer que não se deve deixar a Bíblia nas mãos de um adolescente. Então um adolescente pode ler o Caim e não pode ler a Bíblia? Ou não pode ler nenhum dos livros? Isso não é um atentado à liberdade de informação e de formação? Segundo Saramago durante a minha adolescência não devia ter lido a Bíblia. Segundo algumas pessoas que conheci durante a minha adolescência não devia ler Saramago. Eu li ambos e por isso estou em condições de intervir sobre a polémica.
A visão da Bíblia como um livro repleto de violência não é nova nem é falsa. Basta pensar na personagem-narrador de Laranja Mecânica, a história de um jovem viciado na violência, na leitura do Antigo Testamento e na música de Beethoven, escrita pelo católico Anthony Burgess e levada ao cinema por Stanley Kubrick. Uma distopia em que a ambição de controlar o corpo e a mente não vem da Igreja, mas da ciência e em que a defesa do livre-arbítrio subjacente à narrativa se enraíza na formação católica do autor. Se pensarmos bem quem é que hoje em dia exerce maior controlo sobre o corpo dos portugueses: a Igreja Católica ou a ASAE?
Saramago tem toda a legitimidade para apresentar a sua visão da Bíblia, como eu tenho para o contestar. Vamos então às questões de fundo segundo o Daniel Melo: a irracionalidade das religiões e o seu carácter opressivo. A fé tanto pode ser um instrumento de dominação como de libertação. Uma das linhas narrativas fundamentais do Antigo Testamento é a libertação do povo hebraico do domínio egípcio e a busca da terra prometida. Mesmo dentro da sociedade hebraica descrita na Bíblia há uma forte tradição profética de denúncia dos abusos dos poderosos. Esta vertente libertadora das religiões não é exclusiva da tradição judaico-cristã. Recentemente os monges budistas têm desempenhado um papel importante na luta pela democracia no Myanmar, como se pode ler aqui (por acaso um site católico).
A condição humana tem um lado irracional. E as religiões, sendo vividas por humanos transportam essa irracionalidade. Há desenvolvimento religiosos patológicos, mas o que está na sua origem é uma busca de sentido. O que eu leio na Bíblia é um constante questionamento das razões de Deus – que tem um dos seus pontos mais radicais no Livro de Job – e das razões dos homens. Leio também na Bíblia uma racionalização da violência e uma apresentação das razões da não-violência. A primeira aparece de forma primitiva na lei do talião - «olho por olho, dente por dente», que era uma forma de interditar a morte ou a vingança sobre os familiares de quem partisse um dente ou arrancasse um olho a outra pessoa. O Novo Testamento vai mais longe ao propor «amar o próximo como a si mesmo» e «amar os inimigos.» Há outra frase que também se encontra por lá, da qual eu gosto muito e que não é estranha ao conceito de laicidade: «Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.»

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O céu pode esperar

As declarações pirómanas de Saramago no lançamento mundial do seu último romance, em Penafiel, tiveram o condão de atear uma polémica brava. Para o escritor ser-lhe-á indiferente, ou mesmo desejado, segundo a lógica de que o que é polémico chama mais a atenção e, logo, lê-se mais. Mas, atendendo à progressão errática que bafeja a história das polémicas, receio que nos percamos no estilhaçar aleatório de faúlhas (sobre isso escrevi em post anterior).
João Miguel Almeida diz-nos, neste estimulante post, que o problema das declarações do nobelizado é serem inconsistentes, e não politicamente incorrectas ou infelizes. E, para o provar, procura mostrar-nos a debilidade dalguns dos seus argumentos, independentemente da validade do debate dos assuntos aventados.
Vou por outro caminho: há que procurar nessas declarações um fundo. E o fio condutor que topei, posso estar errado, é este: a irracionalidade das religiões. Sobre isto, o debate será muito difícil, pois os argumentos serão nano-mini-micro, piquenos, médios ou grandes consoante a posição do leitor, a sua fé ou falta dela. Entendamo-nos: o que Saramago nos quer transmitir não é uma leitura literal da Bíblia, mas sim dizer que os livros sagrados foram construídos como instrumentos abusivos de poder, de dominação (simbólica e não só) dos outros, e sem ligação a uma argumentação, a uma persuasão racional. E, por isso, provocaram e instigarão medo, violência, obscurantismo, subjugação, monolitismo. Basta ver a evolução histórica da questão da laicidade. Na minha opinião, esta é uma opinião legítima. Eu discordo dela, acho-a excessiva (por estas e outras razões), mas também a considero legítima. E mais, não só a acho legítima como a acho pertinente para debater a questão do uso político, social e cultural das religiões.
PS: para quem quiser tirar o filtro jornalístico dos resumos com soundbytes e confrontar uma declaração directa e sem cortes de Saramago, pode ver esta sua entrevista à Folha de S. Paulo.

A polémica antes do romance

Tenho uma certeza acerca de Caim: vou ler o romance e vou lê-lo em breve, abrindo uma excepção à disciplina auto-imposta de não perder muito tempo com leituras que não estejam directa ou indirectamente relacionadas com a minha investigação em curso. Vou lê-lo não por causa das declarações de José Saramago, mas apesar delas, confiante na capacidade narrativa e poética do escritor, atestada na leitura de outros romances como O Ano da Morte de Ricardo Reis e Ensaio sobre a Cegueira. O meu interesse foi aguçado pela leitura do início do romance, aqui. O problema com as declarações de Saramago não é serem politicamente incorrectas ou infelizes. A iconoclastia faz parte da tradição cristã. O próprio Cristo deu as suas chicotadas no templo e escandalizou muita gente. Luís Buñuel, que foi o realizador mais radical na sátira ao catolicismo, considerava-se «ateu pela graça de Deus» - cfr. O meu último suspiro, o livro de memórias do génio espanhol.
O problema é a inconsistência das declarações de José Saramago, que se podem ler aqui. Começa por não entender o estatuto do texto bíblico ao compará-lo ao Corão. Segundo a fé islâmica o Corão foi ditado por Deus. Os livros da Bíblia são testemunhos da fé, textos de sapiência, leis, cartas, etc. A carta de um apóstolo não tem o mesmo estatuto de um versículo ditado directamente pelo Deus. Essa é também uma das razões por que a exegese bíblica está muito mais desenvolvida do que a do Corão.
É irónico que Saramago cite Hans Küng, um dos maiores teólogos católicos, profundo conhecedor da Bíblia e que também escreveu um extenso volume sobre o Islão, para fundamentar as suas afirmações. Hans Küng pode ter dito que historicamente a ideia de Deus afastou as pessoas. Mas certamente a teologia que formulou não serve o mesmo desígnio.
Saramago ataca a ideia de inferno. Não sou eu que a vou defender. Há igrejas cristãs protestantes que não acreditam no inferno. Mas o exemplo que o escritor dá para refutar a ideia de inferno é ridículo: «Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou quinze anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer.» Passo por alto pela hipótese da necessidade de perdão pregada pelo cristianismo ter influenciado a concepção da punição como forma de reabilitação do criminoso. Os humanos mais severos condenam, no máximo, um criminoso a quinze anos de cadeia? Então que pena é que devia ter Hitler? Ou, para citar um exemplo de Saramago, um instigador das Cruzadas? Na China, onde a influência judaico-cristã é mínima, a pena de morte é aplicada a crimes que nos parecem leves.
O romancista termina acusando de idiotia a concepção de que o mundo foi criado em sete dias, concepção que de facto se encontra na Bíblia, mas não é levada no sentido literal do termo nem pela Igreja Católica, nem pelo judaísmo, nem por várias igrejas protestantes.
Nota final: Saramago fala como se as pessoas fizessem guerras em nome de uma abstracção, de um ser nunca visto. Todas as teologias são antropologias e sociologias. E as ideologias ateias também. São concepções do homem e da sociedade que estão na origem dos conflitos. Se o trabalho intelectual pode evitar guerras ou atenuar conflitos é aí que tem de se focar.

Forma e conteúdo

O último romance de José Saramago, Caim, já está aí nos escaparates, e a coisa promete dar brado. Pelo menos quanto às suas declarações de lançamento - p.e., «a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana» (vd. mais aqui). As críticas bombásticas não se ficam pela Bíblia, alarga-as ao Corão, enfim, a todas as religiões. Sobre o livro, há que lê-lo. Sobre as declarações, há quem diga que foram infelizes, não na substância mas na forma: aqui levantará, seguramente, polémica (mas, atenção, JRV, que ele não qualificou ninguém de estúpido). Cabe relembrar que Saramago gosta de lançar debate e polémica nos seus lançamentos e noutras declarações, digamos, de intervenção política ou cívica. Seja como for, o contraproducente será se se ficar só pela forma destas declarações e não se olhar para o romance, o princípio de tudo isto.

sábado, 30 de maio de 2009

Editora de Berlusconi censura “O Caderno” de Saramago na Itália

Jose-Saramago A editora italiana Einaudi, de propriedade do primeiro-ministro italiano, recusou-se a publicar a tradução italiana do último livro de José Saramago, “O Caderno”, por conter duras críticas a Silvio Berlusconi, classificando-o de “delinquente”, “corrupto” e “líder mafioso” (o que, convenhamos, não é lá novidade alguma). A Novidade desse livro é que ele traz textos já publicados em seu blogue.

“Realmente, na terra da máfia e da camorra, que importância pode ter o fato comprovado de que o primeiro-ministro seja um delinquente? (...) Em uma terra em que a Justiça nunca gozou de boa reputação, que mal há que o primeiro-ministro consiga que se aprove leis de acordo com os seus interesses, protegendo-se contra qualquer tentativa de castigo e seus desmandes e abusos de autoridade”, escreve Saramago no artigo intitulado “Berlusconi & Cia”.

Mas o prêmio Nobel português não pára por aí. Noutro texto, chamado “Que fazer com os italianos?”, Saramago dispara: “Reconheço que a pergunta poderá soar ofensiva a um ouvido delicado. Que é isto? Um reles cidadão interpelando a um povo inteiro, pedindo-lhe contas pelo uso de um voto que, para regozijo de uma maioria de direita cada vez mais insolente, acabou fazendo de Berlusconi amo e senhor absoluto da Itália e da consciência de milhões de italianos?” Mais.

Imagem retirada daqui.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Nos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Amanhã, celebram-se os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Este documento, aprovado em assembleia geral das Nações Unidas, contém os direitos básicos duma vida condigna para todos, incluindo direitos civis, sociais e culturais (sem discriminação de religião, «raça», cultura, convicções políticas), defesa da democracia, etc..
O mais difícil tem sido passar das palavras aos actos.
Nesse sentido, a Amnistia Internacional apela aos governos para que a efeméride "seja uma data de acção e não apenas de celebração". A AI dá o exemplo, com a sua iniciativa Maratona de Cartas, procurando que o maior n.º de cidadãos enviem 5 apelos urgentes em nome de 5 vítimas dos direitos humanos que precisam da solidariedade alheia (realizará ainda outras iniciativas).
Além dum programa de comemorações a decorrer ao longo do ano, a UNESCO lançou um n.º especial da sua revista SHS views. A última SHS views uma entrevista a Fanie du Toitao, director do Institute for Justice and Reconciliation in South Africa, think tank sul-africano distinguido com o UNESCO Prize for Peace Education (vd. "Social justice is about making concrete decisions"). A revista inclui ainda o calendário das iniciativas da ONU.
Em Lisboa, a Casa do Alentejo celebra a efeméride no dia 11 (18h), com Baltazar Garzón discursando sobre «A Declaração Universal: Guantánamo, Argentina, Chile e uma nova consciência cívica». A apresentação caberá a José Saramago, homenageado na véspera, por ocasião dos 10 anos do Prémio Nobel da Literatura (vd. aqui).
A imagem é retirada deste site brasileiro dedicado aos direitos humanos, também com muita informação útil.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lisboa efervescente

É verdade, a cidade branca está cheia de genica, agora que se abeira a quadra mais libertária do ano.
Após a inauguração do memorial às vítimas da matança da Pascoela de 1506 (vd. tx. de Rui Tavares aqui), vêm aí mais motivos para evocações, agora da revolução dos cravos, do Maio de 68 e de Saramago.
A revolução é evocada na Malaposta (Olival Basto), no ciclo «Cinema e História - o 25 de Abril nos filmes». Dos 'clássicos' (Bom povo português; Torre Bela; Os índios da meia praia..) aos mais recentes (Retornados ou os restos do Império; Processo-crime 141/53 - enfermeiras no Estado Novo; Natal 71; Outro país; Amílcar Cabral..), há lá de tudo um pouco.
Quanto ao Maio de 68, e depois do colóquio internacional, é a vez do Instituto Franco-Português passar para o ciclo «Maio de 68 no cinema». É uma selecção de ouro, que decorrerá a 5-9 de Maio e será comentada por críticos como A. M. Seabra e Luís Miguel Oliveira. Terá ainda detalhes como refeições à la Mai 68.
Também arranca hoje a 5.ª edição do Indie Lisboa, alternando ficção e documentário, novo cinema romeno, José Luis Guerín, Johnnie To, etc. (até 4 de Maio, nos cinemas S. Jorge, Maria Matos e Londres).
Já Saramago tem direito a mega-exposição no Palácio da Ajuda, descrita pelo organizador como um novo conceito expositivo. Chama-se «A consistência dos sonhos» e fica até 27/7. Enquanto isso, prepara novo livro, A viagem de um elefante, para não deixar Lobo Antunes a escrever sozinho.
Além disto tudo, há a noite, os concertos (destaque para «Canções revolucionárias» e «20 canções para Zeca Afonso», respectivamente no Music Box e CCB), o teatro, os desfiles ensolarados, a praia, etc...
Aproveitem e divirtam-se, enquanto é tempo!

Nb: imagem de cartoon único do famoso cartoonista francês Siné, que se destacou no Maio de 68 com a sua revista L'enragé, mostrando um soldado português muito bem enfeitado :P