domingo, 20 de setembro de 2009

É Hora de acordar!

Dezenas de ONG's internacionais (Amnistia Internacional, Greenpeace, WWF, MoveOn, Avaaz, Union of Concerned Scientists, Centre for Social Markets, Christian Aid, etc.) organizam amanhã o evento mundial Hora de Acordar, com vista a pressionar a ONU e os G20 a reforçarem as medidas contra as alterações climáticas. Esta mega-acção global surge no contexto do encontro da ONU sobre o clima, que se realiza na 3.ª feira.

Um novo e melhor acordo climático está em xeque devido às pressões da indústria energética. Por isso, esta é uma oportunidade para os cidadãos e a sociedade civil mostrarem que defendem um bom tratado climático: ambicioso, justo e vinculativo, capaz de travar a catástrofe climática.

Neste momento são c.2500 os eventos agendados, entre marchas, seminários, manifestações, caminhadas, etc. (a respectiva lista e mapa por país e cidade podem ser vistos aqui). Por países, destacam-se os EUA (com 590), Reino Unido (231), Brasil (206), Canadá (190), Espanha (142) e França (110). Em Portugal realizar-se-ão eventos em 44 cidades. Lisboa lidera, com 5 (Largo Camões; Praça do Comércio; cinemas Amoreiras, Vasco da Gama e Alvaláxia).

Um dos eventos que marcará esta iniciativa será a difusão, em mais de 700 cinemas de 40 países, do vídeo Hora de acordar, que promoverá o documentário A era da estupidez, a estrear na 3.ª feira nas mesmas salas de cinema (o vídeo de cima é uma apresentação deste documentário).

Dinner for one: imperdível ementa do melhor humor inglês

O sketch que segue em cima é um dos melhores pitéus do humor inglês. O seu argumento é dos anos 1920, e o actor Freddie Frinton interpretou-o pela primeira vez em 1945. Nos anos 50, adquiriu os respectivos direitos para o levar aos palcos ingleses sem ter que pagar royalties. O êxito foi tal que foi comprado para a Broadway.

Também os alemães se interessaram por ele, e a peça foi representada ao vivo no programa dum entertainer famoso, Peter Frankenfeld, em 1963. Novo sucesso levou à sua gravação para televisão no Hamburg's Theater am Besenbinderhof, dois meses depois, sob direcção de Heinz Dunkhase (é esta versão da NDR que as tv's actualmente mais passam). Em 1972, uma tv alemã decidiu retransmitir o sketch na passagem de ano e, desde então, tornou-se uma tradição alemã dessa quadra!!! Mais tarde sucedeu o mesmo na Escandinávia, Áustria, Holanda, Austrália, etc. E esta voga deve-se, em grande medida, ao facto de ser considerado um marco do humor 'tipicamente' inglês. Curiosamente, caiu no esquecimento na própria Inglaterra, dando razão ao provérbio «santos da casa não fazem milagres».

Outro aspecto curioso é que o Frinton deste sketch, excelentemente acompanhado pela actriz May Warden, faz lembrar passagens doutros actores como Vasco Santana (em O pátio das cantigas, salvo erro) ou Jacques Tati (nos filmes do sr. Hulot). Aliás, sobre as semelhanças com Vasco Santana descobri outro sketch de Frinton, The drunk, que ainda é mais surpreendente.

A versão que aqui fica tem c. de 10 minutos e é a preto-e-branco, uma opção seguida pela maioria das tv's ainda hoje em dia. Porém, há também esta versão a cores, com um intróito dum apresentador alemão (pode-se passar adiante), mas sem a banda sonora de acompanhamento. Existe uma versão paralela da que apresento, mas com outros ângulos de filmagem e a sincronização não parece tão boa.

Ah, é verdade, e escolhi fazer este post hoje pois cabe às mil maravilhas na rubrica «vinhos ao domingo», como podereis constatar. Além de ter vinho do Porto, claro, não fosse um repasto 'tipicamente' inglês!!

Fontes: BBC; Everything2; Wikipedia; filmografia completa de Frinton aqui.

Os melhores híbridos Disney/Marvel

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Depois que a Disney anunciou a compra da Marvel, apareceu muitos desocupados por este mundo a fora fazendo mashups com os personagens mais famosos dos 2 estúdios. Para deixar a coisa mais interessante, o Freaking News e o Worth1000 resolveram promover um concurso de híbridos. Para os tarados em photoshop, taí uma boa aventura.

Via Getro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Bob Dylan troca versos e música pela pintura

bob dylan   p bob dylan (museu) - P

Bob Dylan é sem sombra de dúvida um dos músicos e compositores mais influentes do século passado. Mas nem só de música vive ele. De 2 anos pra cá, Dylan também tem se apresentado como artista plástico e poderá ser visto na Galeria Nacional da Dinamarca (Statens Museum for Kunst), onde realizará uma exposição de cerca de 100 obras no próximo ano. Pela primeira vez será exposta ao público a recente série de 30 acrílicos do cantor.

Dylan tem se dedicado à pintura desde os anos 60, mas só mostrou ao grande público em 2007, quando realizou uma exposição na Alemanha, passando depois a participar de pequenas mostras em galerias da Europa e Estados Unidos. Aliás, essa vertente para a pintura não é lá uma grande novidade e já pôde ser visto na capa do seu álbum “Self Portrait”, de 1970. Outras de suas obras aparecem também em seus livros “Writings and Drawings” e “Lyrics”, lançados respectivamente em 1962 e 1985.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Políticas públicas: as propostas partidárias em tempo de campanha

Depois dos 10 debates televisivos, que permitiram vislumbrar perspectivas genéricas dos programas partidários, a campanha para o parlamento português tem patinado num cornucópia de casos. Ao precedente caso TVI sucedeu a polémica em torno da 'imunidade' madeirense à asfixia democrática; à discórdia em torno do TGV sobrepôs-se a alegada compra de votos nas eleições internas do PSD. E a coisa irá continuar.

Mas há mais vida para lá do casuísmo, por muita luz que este possa trazer quanto a atitudes e posicionamentos políticos e éticos face à vida pública. Por isso, é de aplaudir a preocupação dalguma imprensa (e dalguma blogosfera, onde sobressai o Ladrões de Bicicletas) em aprofundar o debate, divulgando declarações dos partidos parlamentares sobre várias políticas públicas.

Em Agosto, o Jornal de Negócios deu o tiro de partida, como bem destacou Ricardo Paes Mamede (posts I e II).

O Público seguiu-lhe as pisadas esta semana, com a rubrica «Partidos respondem às perguntas do PÚBLICO» (no início chamava-se «Líderes partidários respondem às perguntas do PÚBLICO»). Até agora centrou-se na política económica e suas declinações. Como tem interesse, deixo aqui a lista de temas até hoje:

2.ª) política macroeconómica («Há cada vez mais sinais de que a pior fase da actual crise internacional já terá passado. Que política macroeconómica é que defende como forma de potenciar o previsível período de retoma que se seguirá?»);

3.ª) política de emprego («Apesar da melhoria que é esperada, o desemprego, por reagir mais tarde, deverá manter-se em crescimento ainda durante algum tempo. Que soluções alternativas às actuais defende como forma de protecção dos desempregados?»)

4.) política de apoio às PME («As pequenas e médias empresas são as que mais empregam e mais contribuem para o crescimento económico. Indique as três prioridades que defende para apoiar estas empresas?»)

5.ª) política fiscal (introduzida dum modo algo enviesado: «Quais considera serem as condições mínimas para ponderar uma baixa de impostos?»)

AI: violência de gênero não é conto-de-fadas

branca de neve

chapeuzinho vermelho

A nova campanha da Anistia Internacional utiliza personagens de conto-de-fadas para denunciar a violência de gênero: Chapeuzinho Vermelho e a Branca de Neve. Com a frase “Mom was reading me a tale, till daddy came back…” (Mamãe estava lendo um conto pra mim, até que papai voltou), a AI bate de frente contra a violência a que muitas mulheres estão expostas dentro de seus próprios lares. Pode ser um pouco mórbida, mas não deixa de ser bem interessante.

Fonte.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Quando o humor inesperado esmiúça a campanha, e tem um ar revolucionário, dá confusão na certa

Foi o que sucedeu esta tarde à dupla «Homens da luta», na sessão de campanha de Zé Socas no Seixal. A coisa deu balbúrdia tal que a sessão acabou mais cedo (ver vídeos aqui e aqui; notícia aqui).

«Homens da luta» são, entre outros, o cantor Neto (aka Jel) e o músico Falâncio (aka Nuno Duarte), cujo singularidade humorística reside em andarem pela rua a improvisar canções de nonsense revolucionário, de megafone em riste e guitarra, e em provocarem as pessoas com isso. O programa que os projecta, «Vai Tudo Abaixo: os Homens da Luta», já tem anos, passa actualmente no Sapo Vídeos, estreou-se na SIC-Radical e tem resmas de vídeos na Internet. Mas há quem não dê por isso e não tenha sentido de humor.

Já agora, e para quem os quiser conhecer melhor, aqui fica uma dica: a canção «E o povo, pá?».

Direita, volver! É duro, pá.

durão barroso

A Europa caminha de vento em popa rumo à direita. Como o previsto, Durão Barroso foi hoje reeleito pelo Parlamento Europeu para um segundo mandato de presidente da Comissão Europeia, com uma maioria absoluta de 382 votos a favor, 292 contra e 117 abstenções. Até aí tudo bem, pois é a informação menos importante. O que realmente me incomoda nisso tudo é o aval que o ex-premiê português recebeu dos socialistas Zapatero e Sócrates. E assim caminha a mediocridade.

Estudo espanhol coloca a Universidade do Porto em 149° lugar

universidade do porto

A Universidade do Porto (UP) foi avaliada como a 149.ª melhor universidade do mundo, aponta o Webometrics Ranking Web of World Universities, ranking promovido pelo Ministério da Educação da Espanha e que avalia 17 mil instituições de ensino superior, mas apenas 6.000 (v. aqui) foram relacionadas. O ranking é feito semestralmente e tem como critério a visibilidade e o desempenho global, que inclui indicadores de pesquisa e de qualidade de estudantes e docentes. Já pelo lado brasileiro, a Universidade de São Paulo (USP) figura em 38ª posição.

Notas das férias

Ficar sem o que ler numa vila do Algarve pode revelar-se um problema de difícil solução, sobretudo para quem, com eu, tenha ido de comboio e estiver limitada ao centro do dito burgo, já que, imagino, todos os centros comerciais entretanto construídos, e, talvez com livrarias, se devem situar algures à beira de rotundas e vias rápidas nos arredores.
No primeiro quiosque o espanto de quem lá estava foi genuíno, «livros?!?», como a loja não era de bóias, nem de sapatos para o peixe aranha, mas de jornais e revistas comecei a ficar preocupada com o desfecho da busca e alguns quiosques depois continuava a ter a mesma resposta.
Já a pensar entrar num hotel à socapa para sair de lá com um qualquer livro do John Grisham em inglês, encontrei uma loja de jornais, revistas, cruzadex e livros de cowboys com umas prateleiras nos fundos cobertas de pó e com livros completamente avulsos que iam desde dicionários, a livros de receitas e com alguma ficção. Os títulos situavam-se entre a Freira no subterrâneo e Fernão Capelo Gaivota.
Acabei a ler uma biografia romanceada do Nureyev.
Imagem: Peter Samuelson - Bridget Reading, 1959 . Tirada daqui.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

The problem with the world is that everyone is a few cigarettes behind

Lauren Bacall sempre foi uma das minhas estrelas favoritas. Fiquei contente ao ler hoje no Público que o Óscar honorário de 2010 seria para ela.
Mas o melhor, mesmo, foi a apreciação que fez ao facto de ter 85 anos, qualquer coisa como «Finalmente podemos fumar todos os cigarros que queremos».
E eu não podia deixar de fazer esta citação.

Tão amáveis que eles ficam em tempo de eleições...

Ficam tão amáveis que até dão borlas. Depois dos frigoríficos, autocolantes e canetas, chegou a era da oferta de bilhetes de estacionamento em campanha eleitoral.

É verdade: hoje com o jornal Público, a empresa municipal de Lisboa responsável pelo parqueamento público, a EMEL, resolveu oferecer um bilhete de 1 hora de estacionamento. Vinha colado num folheto 'informativo' que, pela linguagem, deve ser feito para aprender português.

Estes bilhetes são uma espécie de raspadinha, onde se raspa a hora e dia pretendidos, colocando-se o dito cujo na parte dianteira do carro, para fiscalização.

Ora, o que nos diz o espantoso fraseado final do folheto: "Durante o período de tempo para o qual o Título é válido, o veículo pode estacionar em todas as zonas tarifadas da EMEL, sem precisar de moedas!".

Fantástico, Mike! E nós a pensar que o bilhete servia só para dar cor ao carro...

Afinal com esta borla já não precisamos de pagar nada!!! Incrível.

E vivam as eleições autárquicas! Sem elas nunca teríamos borlas destas.

Mesmo que sejam para pagar mais tarde...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A Beira revisitada - Guarda

Não tinha uma imagem nítida da Guarda, que conhecia de passagem, e trouxe de lá uma memória refrescada da Sé. O largo da Sé foi reabilitado e convida à frequência de um dos bares, à noite. No cume das montanhas circundantes perfilam-se, elegantes, moinhos que produzem energia eólica. Visitei o novo centro comercial de vários andares. Esperava mais da capital de um distrito onde abundam aldeias e vilas surpreendentes.
A Guarda pareceu-me uma cidade pacata, o avesso da sua imagem mais forte criada por uma cantiga de amigo atribuída a D. Sancho I, e que muitos conhecem dos compêndios de literatura, na qual a cidade surge como lugar inquietante, lugar de perigo e perdição:

Ai eu coitada! Como vivo
en gran cuidado por meu amigo
que ei alongado! Muito me tarda
o meu amigo na Guarda!
Ai eu coitada! Como vivo
en gran desejo por meu amigo
que tarda e non vejo! Muito me tarda
o meu amigo na Guarda!

O que atrasou o amigo na Guarda – mau tempo, percalços, outra mulher, um salteador? Nesse tempo as pessoas acreditavam na intervenção sinistra de demónios, como o da gárgula que se vê na foto. Aprendi recentemente que a imagem terrível do diabo apareceu mais tarde e em regiões mais setentrionais. Descartes é que colocou a hipótese de um génio maligno que o enganava acerca de quase tudo. O diabo que deambulava em Portugal na Idade Média tinha poucos poderes, era mesmo um pouco ridículo. O povo ria-se dele. Se foi a mão de um destes diabos que atrasou o amigo na Guarda, não o impediu de chegar ao destino.

domingo, 13 de setembro de 2009

10 debates depois...

... ficámos mais informados sobre os programas e a perspectiva dos líderes dos principais partidos a votos. Nesse sentido, todos os líderes ficaram a ganhar. Quem neles queria ver um meio expedito para poupar trabalho e esclarecimento, pode tirar o cavalinho da chuva. Os debates não só foram equilibrados como não decidem nada por si mesmos: apenas são mais uma referência para reflexão.

O último debate, que opôs os líderes do centrão, não fugiu à regra. É claro que cada um usou a táctica que julgou mais conveniente. O actual premiê achou que ganharia mantendo a sua pose arrogante e agressiva, versão «moderada». Como se confirmou neste debate, aquele que teimava em fazer oposição à oposição por esta ser «maledicente», resolveu ser ele próprio a abusar da maledicência (como bem nota Daniel Oliveira). Assim conseguiu pôr os seus oponentes em guarda (e obter um ou outro deslize) mas daí resultou que foi o que menos expôs o seu programa. Se calhar não lhe convinha: é mais do mesmo... Na ânsia de arrebanhar votos, Sócrates conseguiu um inédito: despachar em directo os seus ministros, dizendo que, se ganhar, convidará novas caras, isto para dar um ar de renovação, de homem moderno, atrevido e ousado. A coisa foi tão exagerada e ambígua que hoje já teve que refazer a pintura.

Do debate há a reter alguns pontos. O 1.º remete para a segurança social: Ferreira Leite assumiu que manterá a recente reforma da mesma, para manter a confiança das pessoas, embora a tenha criticado por assentar no prolongamento do tempo de trabalho e na redução das reformas (daqui a 10-12 anos será apenas c.50% do salário bruto, enquanto antes era 70-80%). Assim marcou pontos no terreno do adversário, que não soube retorquir. Por sua vez, Sócrates esteve bem em trazer à colação o papel do Estado, em geral e numa situação de crise em particular. A sua resposta assenta na manutenção dos serviços públicos na saúde (embora queira cortar na ADSE), educação e segurança social, em geral, e no investimento em grandes obras públicas e apoios às PME's e pessoas mais carenciadas, para o segundo. A líder do PSD contrapôs a prioridade absoluta no apoio às PME's, e descartou as grandes obras por achar que há pouco dinheiro e o que há deve ir para as PME's. Denunciou a pressão espanhola para Portugal avançar no TGV, pois só uma linha transfronteiriça terá mais apoios comunitários. Mas fê-lo dum modo um quanto exagerado (o outro deslize foi quanto à desistência de portagens nas SCUT's). E criticou o rol de auto-estradas que o PS quer continuar a construir. É a lógica do fontismo a ser recusada por um dos seus antigos apoiantes...

Já a relação entre Estado e sociedade civil é resumida, pelo centrão, ao estímulo à iniciativa privada. De fora ficou mais uma vez a economia solidária, um vector relevante da sociedade que, porém, não foi esquecido pelos restantes partidos. O BE e a CDU pretendem mais apoios ao associativismo, em especial ao cooperativismo (sendo o programa da CDU mais detalhado: vd. p.17). O CDS propõe o recurso às misericórdias para reforçar a rede hospitalar coberta pela prestação pública e para certas consultas e operações, como as oftalmológicas (nb: não consegui aceder ao programa do CDS).

Na imagem: símbolos de partidos concorrentes às eleições parlamentares de 1975, retirada daqui.

sábado, 12 de setembro de 2009

A resposta de Hugo Chávez a Lula

A resposta não tardou e veio na lata, tipo pá e pufe. Depois do convênio militar no valor de 50.000.000.000,00 de dólares firmado entre o Brasil e a França, Hugo Chávez não perdeu tempo e respondeu rapidamente a Lula. O presidente da Venezuela anunciou ontem à noite, em Caracas, que o seu país adquiriu da Rússia mísseis com um alcance de 300 km e carros de combate T-72 e T-90. E lo peor de tudo é que tem por aí uns babacas dizendo que todas essas negociações trata-se apenas de uma modernização das forças armadas da América do Sul. Eu, hein!? Mais informação.


Imagem: Arcadio, “La Prensa”


Morre Juan Almeida, o número 3 da revolução cubana

revolução cubana O comandante histórico e vice-presidente de Cuba Juan Almeida Bosque, que chegou a ser considerado o número 3 da revolução cubana, morreu na noite de ontem aos 82 anos, após uma parada cardiorrespiratória. O governo de Cuba decretou 3 dias de luto oficial. Na foto: Che, Fidel Castro, Calixto García, Ramiro Valdés e Juan Almeida (último à direita), nos finais dos anos de 1950. Mais.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O 11 de Setembro chileno

Último discurso de Allende


11 de setembro de 1973. Um ataque terrorista orquestrado pelas forças norte-americanas derruba o governo chileno. Salvador Allende, democraticamente eleito presidente, morreu (por suicídio ou executado não se sabe) no mesmo dia, dentro do Palácio de La Moneda, bombardeado pela força aerea do seu próprio país, comandada por Augusto Pinochet. O resto da história tudo mundo sabe no que deu. Esta é uma data para a América do Sul não esquecer.

Alguém nos salve destes cartazes!

A outra campanha que já está aí a palpitar é a das autárquicas. Como essas eleições sucedem às parlamentares, têm estado um pouco arredadas do centro do tufão. Mas, não tarda nada, tomarão o palco.

Entremezes, os cartazes que vão surgindo que nem cogumelos pelas terras e terrinhas deste alegre Portugal, são a prova de que a crise, afinal, nem tudo levou consigo. Olhando para algum (a maioria?) deste material iconográfico, quase apetece gritar: ó crise, volta, e leva isto também contigo!

Suspeito que muito eleitores suspirem ao verem este cortejo kitsch. Na escola havia um termo para isto: poluição visual. Nalguns casos, a dúvida instala-se: se rir, se chorar. Motivos não faltarão, de resto: mau gosto, falta de jeito e imaginação, monotonia, repitação, ego trip.

É isso mesmo, uma ego trip selectiva, uma espécie de epidemia sectorial: o pessoal candidato a manda-chuva da xafarica chega a estas alturas e acha que é modelo de passerele. Doutro modo não se percebe esta fixação nas suas caras, penteados e fatiotas.

Que saudades do antigo bilhete-postal...

PS, PS: ah, e sobre o cartaz, não dá para evitar: sim, o Fundão vai ganhar - paciência; o povo votante vai ganhar - juízo; o candidato também - experiência, certamente (e umas novas gravatas também era capaz de dar jeito). Quem fica a ver navios é a Dona Estética. Discriminação de senhoras, onde é que já se viu isto? Tá mal.

nb: a imagem foi retirada do blogue acima referido, que, além das imagens, tem também bons comentários, incidindo em especial no design e na comunicação visual.

Até que enfim - os esmiuçadores chegam já na próxima 2.ª!


YouTube bloqueia vídeo anti-Aids/Sida

DE-A6-Stalin

DE-A6-Saddam
















O YouTube bloqueou o vídeo de uma campanha publicitária de prevenção da Aids/Sida que mostra um homem caracterizado como Adolf Hitler fazendo sexo. A polêmica campanha já tinha sido criticada pela Associação Alemã de Ajuda contra a Aids (DAH), por supostamente insultar todas as vítimas do nazismo, estigmatizar as vítimas e prejudicar o combate à Aids.

Segundo a produtora da campanha, a ONG Regenbogen, a decisão de se utilizar as fotomontagens dos ditadores Adolf Hitler, Josef Stálin e Saddam Hussein, tem como objetivo alertar a população para os riscos da doença.

“No mundo, morreram mais de 28 milhões de pessoas. E a cada dia surgem 5.000 novas vítimas. Com isso, a Aaids/Sida é um dos maiores assassinos de massas que já existiram até hoje”, disse a Regenbogen em defesa de sua ação. Já o YouTube se justifica dizendo que o “vídeo foi retirado do ar por atentar contra o regulamento”. Para quem não viu o vídeo, ele ainda pode ser visto aqui.

Fonte: Agências internacionais.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Toda a verdade sobre o caso Manuela Moura Guedes!

US$ 40.000.000.000,00 é o que a América do Sul já gastou em armas

exercito02 O acordo de cooperação militar firmando, na última segunda-feira, entre o Brasil e a França (v. aqui) pode consolidar o país como a primeira e indiscutível potência bélica sul-americana. Este é apenas mais um capítulo de uma história que vem se desenrolando há algum tempo e que tem como um dos protagonistas Hugo Chávez. Na verdade, essa foi também uma resposta direta de Lula ao presidente venezuelano, que não esconde o seu desejo de se tornar a maior liderança na América do Sul, mesmo que seja na marra.

Com o pretexto de estar se preparando para um possível ataque norte-americano, Chávez tem investido pesadamente na compra de armas. Só da Rússia já comprou mais de 4 bilhões de dólares em armamento (v. aqui), aquisição que vai desde armas leves a aviões de combate. Apesar do “por qué no te callas” do rei, a Espanha acertou um acordo com o governo venezuelano no valor total de 1,5 bilhão de dólares na compra de barcos patrulheiros e aviões de transporte (v. aqui). Detalhe: esta foi a maior venda de armamento já realizado pelos espanhóis em toda a sua história.

Assim que assumiu a presidência da República, um dos primeiros atos de Lula foi revogar o projeto de seu antecessor (o tucano Fernando Henrique Cardoso) de reequipamento e modernização das Forças Armadas Brasileiras, com o argumento de que o país não corria qualquer risco na pacífica América do Sul. Depois de um pouco mais de 6 anos de governo, parece-me que Lula mudou radicalmente de posição. Em 2003, o orçamento militar do Brasil era estimado em 1,90% do PIB, índice que passou para 2,60% em 2008, ou seja: quase 7 bilhões de dólares já foram reservados para aumentar o poder bélico brasileiro (v. aqui).

É visível a olhos nus que os países da América do Sul têm investido muito dinheiro no setor militar. Dos 44 bilhões de dólares liberados em 2007 pelos respectivos Congressos para a compra de armamento e reestruturação de defesa, cerca de 40 bilhões já foram gastos, principalmente por Brasil, Venezuela, Chile, Colômbia e Equador.

Para um continente que vive relativamente em paz e com fronteiras estáveis há mais de um século (exceto pela Guerra das Malvinas) não vejo sentido em se gastar tanto dinheiro assim com defesa, sobretudo quando toda a região assolada por profundos problemas sociais até agora longe de serem resolvidos.

Benjamim Enes Pereira

Começou hoje, no ISCTE, o IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, sob o tema «Classificar o Mundo».

O Congresso homenageou Benjamim Enes Pereira (Montedor, 1928) pelo trabalho que realizou em prol da antropologia portuguesa, na equipa de Jorge e Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano, primeiro no Centro de Estudos de Etnologia, no Porto, e depois no Centro de Estudos de Antropologia Cultural / Centro de Antropologia Cultural e Social e no Museu de Etnologia.

Na conferência de homenagem, João Leal (FCSH-UNL) disse que Benjamim Pereira viveu em dois países. Do primeiro país, profundamente rural, embora diverso nas suas múltiplas ruralidades, recolheu objectos de cultura material, testemunhou práticas e contextos, apreendeu significados, contribuiu para a elaboração de uma imagem sólida e estruturante.

O segundo país, aquele onde agora vive, já não é rural, sem ser inteiramente urbano; não se revê nos objectos recolhidos por Benjamim Pereira; não dispõe de uma teoria antropológica sobre si próprio. Leal faz um repto às novas gerações de antropólogos no sentido de pensarem o país actual, para além dos estudos de caso e das novas visões essencialistas, aprendendo com o exemplo de Benjamim Pereira, nomeadamente com a sua minúcia descritiva e com a imersão na história dos objectos. 

Benjamim apreciou o repto e ficará, certamente, atento aos seus frutos.

Para melhor conhecer o percurso singular de Benjamim Pereira, veja-se a entrevista publicada nos Arquivos da Memória (Dez. 1996 só disponível em papel) e o número 6 (2000) da revista Recherches d'anthropologie au Portugal (disponível em linha) que lhe foi dedicado (inclui entrevista, bibliografia, artigos sobre o autor e inédito do autor).

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Igualdade(s) em debate

Igualdade(s) em Debate | 9 Setembro | 21h | Lisboa

Da organização:

Estando a cerca de três semanas de um acto eleitoral - as eleições legislativas - e apresentados publicamente os programas dos diferentes partidos políticos, julgamos que é de particular importância a realização de um debate sobre políticas de igualdade, de modo a que as visões e projectos de cada partido possam, nessa(s) área(s), ser explicitados e para que os/as cidadãos/ãs possam não só deles ter conhecimento como debatê-los e esclarecer dúvidas. Tendo em conta que o valor da igualdade faz parte do ADN do MPI - designadamente a defesa do acesso ao casamento civil por parte de pessoas do mesmo sexo - realizarar-se-á a 9 de setembro, em Lisboa, sob iniciativa do MPI, "Igualdade(s) em debate", com representantes dos partidos políticos e moderação de Ana Sousa Dias e José Luis Peixoto, para o qual a presença de todos/as é fundamental. 
Este debate pode ser outro grande momento de visibilidade pública do MPI e das causas que defende e um grande passo rumo a mais igualdade!

Dêmos as mãos, mas cuidado com os papões

Foi um debate intenso aquele que opôs Sócrates a Louçã, mas também crispado. E a crispação, provocada pelo actual premiê, serviu uma estratégia, a de impor-se pela agressividade e a atemorização, procurando assim estancar a fuga de votos para o BE e evitar a repetição do desfecho das eleições europeias.

O conflito de personalidades que lhe subjaz diz mais da atitude de certas elites do que propriamente do eleitorado, mais poroso, comprovado na votação presidencial de Alegre e nas últimas eleições europeias (e como referiu André Freire em comentário na RTPN). Mas é justamente por ser poroso que o premiê resolveu ser agressivo como foi.

Sócrates preocupou-se mais em tentar descredibilizar e desqualificar o BE do que em apresentar as propostas do PS. E fê-lo não só pela estafada dramatização do «voto útil» (ou nós ou vem a direita; os resultados das europeias mostram que, apesar do PS ter perdido, a direita ficou apenas com 40%) como tentando provar que o BE é um partido radical, e, surprise!, um autêntico papão da classe média. Aqui foi ainda mais insistente do que com Portas, apresentando a proposta do BE de eliminação das deduções fiscais em sede de IRS como sendo um ataque à classe média. De nada valeu Louçã explicar que assim não era pois o BE propunha em paralelo a gratuitidade do acesso à saúde (extinguindo as taxas moderadoras) e educação (acabando com as propinas e ofertando os livros escolares) e a substituição dos planos de poupança reforma (vulgo PPR's) pela revalorização do aforro público (que o actual governo esvaziou). O líder do PS achou por bem repetir a 'denúncia' mais 2 vezes, pelo menos (é claro que o tema seguinte era o desemprego...). E Louçã esteve bem quando referiu que o IRS é um «sistema cheio de armadilhas», um puzzle kafkiano talhado para peritos ou para quem se disponibilize a contratar 'assistência técnica' (contabilista, advogado, etc.), pois só assim se consegue aproveitar de forma completa e sem dores de cabeça.  Além da simplificação do sistema fiscal, o líder do BE defendeu ainda a necessidade dum imposto sobre as grandes fortunas, questão sobre a qual o PS é omisso. E devolveu os mimos a Sócrates, criticando o seu governo por falta de transparência e de rigor.

Outra 'denúncia' esgrimida por Sócrates foi a da alegada nacionalização da banca, seguros e energia proposta pelo BE. De nada valeu a Louçã referir que no programa estava tornar público ou reforçar a intervenção pública nestas áreas, dando como exemplo o facto da Caixa Geral de Depósitos dever reduzir as taxas de juro e tornar o crédito mais acessível para as PME (pequenas e médias empresas, o grosso do tecido empresarial) em vez dos esquemas com grandes empresários. Louçã criticou o facto da Galp ter sido privatizada por acordo directo com José Eduardo dos Santos e Américo Amorim, privilegiando interesses de poucos em detrimento das pessoas e das empresas, que têm de recorrer a energia mais cara fornecida em regime de monopólio privado; Sócrates justificou-se dizendo ter-se assim evitado «que a Galp caisse em mãos de estrangeiros», como se Angola ainda fosse uma colónia portuguesa. Outro caso de ajuste directo referido foi o do terminal de Alcântara, com Sócrates a dar novo tiro no pé dizendo que foi «a melhor forma de defender o interesse nacional».

Depois do ataque cerrado e das constantes interrupções, cortando o raciocínio ao oponente e ao arrepio das regras que impôs aos debates, o premiê pôs-se em tom de virgem ofendida acusando o BE de ter eleito o PS como o «inimigo principal» e de, em tempos de crise, apresentar com um programa radical, em vez de dar as mãos e pôr de lado essa coisa supérflua da alternativa política, imagina-se. Haja dó!

Louçã esteve ainda bem quando contrariou a euforia socrática do fim da recessão económica, dizendo que a recessão é o desemprego. O qual superou o meio milhão de desempregados, com certos grupos sociais sem protecção (jovens à procura de emprego ou com empregos de curta duração) ou com fraca protecção, como o caso do subsídio social de desemprego, que se fica pelos 240 euros num país em que o salário mínimo é de 450 euros. O único ponto de acordo foi o da necessidade de reforçar o investimento público para combater o desemprego (além da desastrada visita de Manuela Ferreira Leite à Madeira).

Em lugar de argumentar e expor, Sócrates privilegiou o ilusionismo e o amedrontamento. O aproveitamento da proposta de eliminação dos benefícios fiscais (que até o social-cristão Bagão Félix já quis acabar: vd. aqui um post oportunamente repescado por Daniel Oliveira) foi tiro ao lado. Já a má formulação programática do tema das nacionalizações, bem como a carga controversa que este ainda tem devido ao ocorrido no PREC, pode ter amedrontado algum eleitorado ainda indeciso. No geral, porém, o premiê pode ter ganho em termos de ofensiva, mas perdeu em termos argumentativos e de exposição do seu programa. Embora tenha sido o debate mais animado, não foi o mais esclarecedor.

E os comentadores pós-debate das tv's (SICN e RTPN), já por hábito predominantemente de direita, voltaram a sê-lo, o que se torna ainda mais ridículo sendo este um debate supostamente decisivo à esquerda, tal como bem relembram Bruno Sena Martins e  Daniel Oliveira.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Hitler colorido

Hitler colorido Hitler colorido? Claro que a minha proposta não é nada inspiradora. Colorido ou em P&B não há nada de encantador neste homem e sua imagem continua sendo assustadora. Mas, enfim, queiramos ou não, ele faz parte de História. Foi por estas e outras que a Life publicou imagens dele que só eram conhecidas em P&B. Das cerca de 2 mil fotos da coleção, a revista colocou em seu site 50 delas. As fotos coloridas são uma raridade nos arquivos da Segunda Guerra Mundial. Veja aqui.

Sucursal do Peão

clave do sul Estive afastado alguns dias por 2 motivos. O primeiro foi porque saí uns dias férias e aproveitei para ir à uma pescaria no Pantanal e, quando voltei, me deu na telha criar um blogue solo. Trata-se do Clave do Sul. No primeiro momento, pensei em tratar da política tupiniquim. Refleti a respeito. Mas quando pensei profundamente na coisa senti ânsia de vômito. Então desisti da ideia e resolvi torná-lo uma sucursal do Peão. Ele será municiado em boa parte com os textos publicados aqui, exceto quando o assunto merecer uma abordagem e linguagem específicas. Assim, convido a todos pra um café ou chá, pois ainda ando abstêmio dos alcoólicos. Detalhe: ele ainda está em construção e sempre estará até que eu desista da ideia.

A duplicidade de critérios em acção

Afinal a «asfixia democrática» que Portugal sofria pára à porta da Madeira. Para Manuela Ferreira Leite, a autora do epíteto, aquela Região Autónoma é um oásis num país asfixiado: «bastião inamovível» e «um bom governo do PSD». E não sofre de asfixia pois o povo votante é soberano e até há jornais críticos do executivo local, mas que nem sofrem retaliações...

Para lá das contradições insanáveis face ao padrão de crítica do governo socrático há ainda a considerar um paradoxo mais preocupante: o 'modelo de desenvolvimento' praticado pelo jardinismo do último trinténio é tudo menos aconselhável e supostamente deveria ser um exemplo a evitar para um partido que se diz defensor de menos Estado, controlo das contas, etc.. E, depois, não se vê como conciliar o actual discurso do PSD sobre a morigeração das obras públicas de envergadura com o jardinismo inauguracionista.

É verdade que todos os partidos políticos com algum lastro e dimensão têm os seus esqueletos no armário. Mas há esqueletos e esqueletos. E contradições e contradições.

PS: sobre a original via madeirense o Público publicou recentemente um interessante dossiê de balanço, que saiu num P2 que não consegui localizar mas que julgo ser de Julho passado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Beira revisitada - Castelo de Mendo

Da aldeia de Castelo de Mendo não tinha qualquer ideia prévia. Foi uma boa surpresa, uma pequena jóia paisagística e monumental. Os guias turísticos sublinham a localização num maciço granítico a 756 metros de altitude e o pelourinho mais alto da Beira, de sete metros de altura, como podem conferir aqui. Eu prefiro a igreja em ruínas. Uma frase de Raul Brandão surgiu-me como a legenda apropriada: «Sem tecto, entre ruínas.» Mas o sentido da frase seria o avesso do inscrito no livro incomparável que é Húmus. Para Raúl Brandão «sem tecto, entre ruínas» era a imagem angustiada da crise intelectual e política da I República. Num dia limpo de verão, respirávamos paz ao deambular pelas ruínas de Castelo de Mendo. Que importa não haver tecto se um azul suave tinge o céu? Que importa haver ruínas se a beleza destas não é ameaçada mas esculpida pelo tempo?

Cameron Todd Willingham

Imagine-se o pior dos pesadelos possíveis, por exemplo: um homem não só vê a sua casa arder com as suas três filhas dentro, num incêndio acidental, sem poder salvá-las, como ainda por cima vê-se acusado de fogo posto e homicídio voluntário, para acabar condenado à morte e executado. Será possível? Se o homem for pobre e desempregado, sem dinheiro para advogados, se tiver no cadastro uns pequenos furtos quando era jovem, se tiver uma relação turbulenta e por vezes violenta com a mulher, e se tudo isto se passar no Texas, sim é possível. Foi o que aconteceu com Cameron Todd Willingham. A sua casa ardeu com as suas três filhas dentro nas vésperas de Natal de 1991, e foi executado em Fevereiro de 2004. O New Yorker faz no seu último número uma excelente reportagem sobre o caso de Willingham, em que se demonstra nomeadamente que as perícias que os polícias supostamente especialistas em fogo posto que investigaram o caso não tinham a mínima preparação técnica-científica para o fazer. Essas perícias foram a base fundamental da acusação (para além delas a acusação tinha apenas elementos circunstanciais também desmentidos, e o testemunho de um companheiro de cela nada credível a quem Willingham teria supostamente confessado o crime). A análise que os peritos fizeram dos indícios do incêndio baseou-se numa série de convicções pessoais e folclore que eram correntes entre os polícias "especialistas" em incêndios, mas que nada tinham de científicos. Vale a pena em especial ler a parte em que se fala os incêndio de Lime Street em Jacksonville Florida (pág 13 e 14), em que Gerald Wayne Lewis foi acusado de fogo posto num caso em tudo semelhante ao de Willingham; a acusação baseava-se nos mesmíssimos argumentos dos "especialistas". Numa tentativa de provar que a versão dos factos de Lewis era inconsistente, e que apenas um fogo posto poderia explicar os indícios encontrados nos escombros da casa ardida, a acusação decidiu reconstituir o incêndio numa casa vizinha à de Lewis, virtualmente idêntica, e que estava destinada a ser demolida. O resultado foi a abolição de Lewis, e a prova de que as tais crenças e folclore dos peritos de incêndios da polícia eram destituídos de qualquer base científica ou sequer racional (a esse respeito pode ainda ver-se o vídeo abaixo). Um pequeno pormenor: o incêndio de Lime Street deu-se mais de um ano antes do incêndio da casa de Willingham. Se é grave condenar um inocente com base em pseudo-ciência, mais grave ainda é se a condenação ocorre depois de se demonstrar que essa pseudo-ciência é caduca.
As dúvidas sobre o caso de Willingham ganharam a atenção da imprensa logo em 2004, o Chicago Tribune publicou então uma reportagem em que a julgamento era desacreditado. Desde então pelo menos nove (verdadeiros) especialistas em questões de incêndios reviram os indícios no caso de Willingham. Segundo estes, não é sequer uma questão dos indícios serem insuficientes para provar que Willingham era culpado, eles provam que ele era inocente. Em 2005 o estado do Texas constituiu uma comissão para analisar os erros no caso de Willingham; Craig Beyler, um dos especialistas em incêndios, elaborou para essa comissão um relatório que foi entregue recentemente. Segundo Beyler os investigadores no caso de Willingham não tinham bases científicas para concluir que o incêndio era fogo posto, ignoraram evidências que contradiziam as suas teorias, não tinham compreensão da dinâmica do fogo (em particular do fenómeno de "flashover"), basearam-se em folclore desacreditado, e nunca conseguiram eliminar a hipótese do fogo ser acidental. Ainda segundo Beyler a abordagem dos peritos parece negar qualquer racionalidade, sendo mais parecido misticismo e psiquismo; a investigação violou não apenas os padrões de investigação actuais, mas mesmo os da época (pag. 16).

Nota: Na foto Willingham com a sua filha mais velha, Amber.


domingo, 6 de setembro de 2009

Onde pára o Estado?


"Os vários capítulos deste livro resultaram de um convite (e, simultaneamente, de um desafio) para que cada autor discorresse sobre a função e o papel do Estado no contexto generalizado de profunda crise económica e social que se abateu sobre o mundo e sobre Portugal. Esta obra reúne um conjunto de pessoas que se tem dedicado à investigação em ciências sociais, por este facto os diferentes contributos apresentados não podem ser dissociados dos seus próprios trajectos científicos e de intervenção cívica. Mas também não podem ser separados dos seus percursos biográficos. As pessoas que escreveram para este volume pertencem a uma geração que cresceu num ambiente de democracia e de liberdade conquistadas em 25 de Abril de 1974".

Nb. Extracto retirado da introdução: Os vários estados do Estado.

sábado, 5 de setembro de 2009

Portugal no seu labirinto

Um empate queirosiano obrigaria a invocar Fradique Mendes com uma pitada fatalista do género «O português não tem o impulso matador do seu vizinho ibérico». Mas não, é demasiado óbvio, rebobinemos. Deixemos o século XIX para outros escribas e fiquemo-nos despretensiosamente pelos tempos coevos.
Os tugas no seu labirinto. Ké ké isso, ó meu? Eu expilico, como diria Badaró.
O seleccionador português de futebol, Carlos Queirós, disse recentemente que os nativos têm um problema estrutural de finalização. Queria dizer que não sabemos rematar à baliza e marcar golos. Não subscrevendo o excesso essencialista, aceite-se que a formação de avançados-centro não é o forte dos tugas. Para tentar atenuar o problema, recrutou um português recém-naturalizado, o ex-brasileiro Liedson. O banzé que por aí se levantou, como se fosse um atentado à pátria.
Pois bem, aqui Queirós fez muito bem, parabéns (eu, que sou benfiquista, tenho orgulho em ter um jogador como Liedson nas quinas, tomara que outros fossem como ele). O problema veio a seguir.
Queirós enredou-se na teia do fado nacional: como temos muitos bons jogadores centro-campistas, toca de os enfiar lá todos. Resultado: jogou meia partida (ou mais) sem avançados-centro!!! Um alien piscaria os olhos de espanto, mas foi assim mesmo. Sucumbiu duplamente ao conservadorismo indígena: temeu colocar Liedson como titular, e, pior do que isso, abdicou de jogar com um avançado-centro desde início. Pequeno detalhe dispiciendo: os «patrícios» estavam obrigados a ganhar o jogo! Nuno Gomes lá ficou a ver o jogo do banco, quase até ao fim... Os restantes avançados (Danny, Hugo Almeida) estavam lesionados.
É verdade que a equipa portuguesa teve azar, foi a que mais procurou o golo e falhou muitas oportunidades. A selecção dinamarquesa pareceu inferior, mas jogou bem tacticamente e foi mais objectiva. O empate sabe a pouco, mas não nos podemos queixar. Também ajudámos à festa, com uma táctica, no mínimo, arriscada. Com a entrada dum avançado-centro lá marcámos um golo de consolação. Com a cabeça do «levezinho». Ao menos valeu isso. Isso, e o tinto açoriano que em boa hora arrebalhei.
Agora resta-nos um milagre, se é que ainda existem. E viva o Liedson!!!
Nb: cartoon de GoRRo, já publicado neste blogue há uns meses atrás, mas infelizmente ainda actual...

A Beira revisitada - Almeida

A primeira vez que vi Almeida foi em fotografias a preto e branco emolduradas e colocadas na parede de um consultório de dentista. É uma memória antiga e insólita, até porque tenho bons dentes e as minhas idas ao dentista são raras. Não a consigo localizar no tempo, mas lembro-me perfeitamente das imagens das imponentes muralhas de Almeida, dos olhos esbugalhados do dentista e da minha vontade de estar noutro sítio. Almeida é um tema tão legítimo como outro qualquer para um dentista decorar o consultório. Sou tentado a pensar que aquelas muralhas largas, sólidas e protectoras são imagens poéticas e reconfortantes para dentistas e pacientes.
Apesar do nome da povoação fortificada ser o mesmo de um dos meus apelidos, não tenho qualquer origem familiar conhecida em Almeida. Soube recentemente que o nome é de origem árabe, embora as opiniões divirjam sobre que origem é esta, em concreto. Para uns vem de Al Mêda, que significa mesa e portanto não é alheia à função de trincar e moer. Para outros vem de Talmeyda, palavra designando campo ou lugar de corrida de cavalos.Quem quiser saber mais sobre Almeida, pode consultar o site oficial, aqui. A 13 de Agosto passado integrou a candidatura das Fortificações Abaluartadas da Raia Luso-Espanhola a Património Mundial da UNESCO.


Caminhadas...

E acabadas que estão mais umas férias de Verão, aqui fica um pequeno apontamento sobre as delícias de caminhar e o grandioso South West Path. Caminhar ou rambling é um dos grandes passatempos britânicos. O direito a circular livremente em espaços naturais foi conquistado há muito tempo e hoje em dia o país tem uma rede fantástica de percursos a pé e de bicicleta.
Inspirados pelo trabalho maravilhoso de Richard Long e pelas caminhadas românticas de dois trovadores que cantam por este país fora, fizemo-nos, muito modestamente, à estrada.

É barato, é ecológico, as crianças absolutamente adoram andar quilómetros rodeadas de insectos, ovelhas, vacas, mar até perder de vista, aquele verde todo e a promessa de uns scones numa aldeia bem conservada com um castelo em ruínas. E, claro está, quando nos cruzamos com outros caminhantes, uma média de um ou dois por dia, trocamos saudações e dois dedos de conversa. Caminhar restabelece a nossa humanidade. Voltámos refeitos e com muitos souvenirs, sobretudo pedras, pedrinhas, fósseis, paus, pauzinhos, sementes... Para o ano queremos mais!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O censor toca sempre duas vezes

Foi a principal notícia do nocitiário português de ontem: o telejornal de maior audiência do país, o Jornal Nacional da TVI, foi suprimido pela respectiva administração, dominada pela espanhola Prisa. Em consequência, demitiu-se a sua responsável e apresentadora, a subdirectora de informação Manuela Moura Guedes, bem como a restante direcção de informação, chefias de redacção e pivots dos telejornais. Moura Guedes alertou então para o facto de assim ficarem sem conhecimento público 5 novas reportagens sobre o caso Freeport, caso em que foi envolvido o premiê.

Há quem queira ver nisto uma opção administrativa pela qualidade, e a felicite. O ponto, contudo, não é esse. Independentemente da polémica que o conteúdo e estilo desse telejornal suscitavam (e não me posso pronunciar muito, pois só vi partes dele, nunca tendo visionado um inteiro, ao contrário de muitos dos seus detractores, que não descolavam do ecrã à 6.ª à noite) e da falta ou não de qualidade que daí adviria, esta decisão abrupta é inaceitável por representar uma administração a interferir nos conteúdos informativos à revelia da linha editorial e da direcção de informação e pelo facto do serviço televisivo ser uma concessão pública, obrigado a respeitar um conjunto de regras. E, claro, sem esquecer o contexto da coisa.

E o contexto é o que se sabe: críticas directas e sucessivas feitas pelo governo actual, a começar pelo premiê em pleno congresso partidário (já em Fevereiro). Sócrates diz que nada fez para isto suceder, mas a formulação é imprecisa: directamente, acredita-se; agora indirectamente, toda a pressão pública que foi feita significa um incontornável condicionamento político da orientação empresarial e informativa. Num país como Portugal, onde política e negócios se confundem amiúde e o governo tem o poder de condicionar as estratégias empresariais, este nexo é ainda mais premente. E é previsível que os incómodos oficiais sejam tidos muito em conta pelos empresários apostados em manterem-se nas boas graças do poder do dia, ou, simplesmente, em não sofrerem retaliações (como hoje salienta Manuel Carvalho no editorial do Público).

Este é o ponto. E ele é tão evidente que são raros os que apoiaram publicamente a decisão (excepções: o ex-editor Paulo Simão, bastante crítico, e o ex-administrador  Miguel Pais do Amaral). Foram várias as instituições ligadas ao sector a contestar a decisão, em nome da liberdade de informação e da independência dos órgãos de informação: a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) e o Sindicato dos Jornalistas, mesmo que antes tivessem criticado a orientação desse mesmo telejornal.

O condicionamento político dos agentes económicos não é de agora, infelizmente este é apenas mais um afloramento. Basta recordar que o comentador político Marcelo Rebelo de Sousa também fora 'saneado' do mesmo canal há 5 anos atrás, desta feita por pressões dum governo de direita liderado por Pedro Santana Lopes (e sobre isso relembre-se o que disseram muitos socialistas e apoiantes na altura).

Sócrates e a sua entourage não têm razões para lamento auto-vitimador: simplesmente, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Adenda: os jornais divulgaram justificações desencontradas para tal decisão, incluindo a necessidade duma remodelação para reduzir despesas (isto numa estação líder de audiências, note-se); mas o certo é que ninguém até agora assumiu as responsabilidades, e já passaram 2 dias (vd. esta notícia actualizada). Para uma cronologia dos factos, vd. a versão impressa do Público de dia 4.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Que políticas sociais?

Um dos aspectos centrais do debate televisivo Sócrates vs. Portas de ontem foi o das políticas sociais. Surpreendentemente, também aqui se saiu melhor o representante da direita, o que não ocorria nos debates parlamentares e atendendo a que esta é uma das áreas em que o PS deixou maior legado.

Para o desenlace ajudaram, em parte, as próprias limitações e contradições dessa mesma política social. Dou como exemplo, para mim paradigmático, a política relativa à paternidade (com ligação à da natalidade). O actual governo teve aqui um mau desempenho. Vejamos porquê.

É verdade que estendeu a licença parental com 83% do salário de 5 para 6 meses (desde que o pai goze também 30 dias ou 2 períodos quinzenais) e criou novos apoios (vd. Dinheiro & direitos, n.º 95, p. 28/9). É pouco ainda: noutros países europeus supera os 12 meses, para ambos os pais. Depois, lançou nesta campanha a promessa dum patético plano poupança sub-18, que aqui já critiquei, deixando de lado o essencial: dar mais tempo aos pais para estarem com os filhos (no 1.º ano de vida, pelo menos) e apostar seriamente na cobertura pública de infantários e creches, ainda em número muito insuficiente e alguns com falta de espaço, funcionários e condições. Esta era uma aposta já avançada no 2.º governo de Guterres, relembre-se. E, até agora, foi sempre deixada para trás.

Por fim, acabou com a jornada contínua na administração pública, a que podiam recorrer os pais com crianças até aos 12 anos à sua guarda. O contra-argumento de que, uma vez que as escolas agora têm todas horário alargado até às 17h30 (salvo erro) tal prerrogativa deixava de ter sentido, não colhe totalmente. Em primeiro, porque as creches podem não ter esse horário, e até ao ensino básico pode haver pais que deixem as crianças com outros familiares enquanto trabalham. Depois, para pais com várias crianças para educar, a situação piorou, pois têm menos tempo para estar com elas e acompanhá-las. Por fim, há muita gente que ganha mal na administração pública e recorre a outros trabalhos.

Por aqui já se começa a perceber melhor porque é que Portas pôde sair por cima. É que, nos últimos 14 anos, só 3 foram de sua co-responsabilidade em matéria de governação. Os restantes foram do PS de... Sócrates.

Nb: na imagem, menina nazarena segurando um coelho («La petite fille au lapin», foto de Jean Dieuzaide, Nazaré, Portugal, 1954).

A Beira revisitada - Trancoso

Trancoso na minha memória era uma vila no cume de uma montanha. Agora é uma bela «cidade amuralhada», cintilando na internet, como se pode ver aqui. Durante os meus primeiros verões, os meus pais, ou o meu tio iam, depois de almoçar na aldeia, beber «uma bica» a Trancoso. Era preciso atravessar um vale verdejante e vencer uma subida penosa e tortuosa, que sempre recordo no primeiro carro do meu pai – um diane – ou no Toyota do meu tio, num modelo que hoje nos parece primitivo. Voltar a Trancoso foi uma oportunidade de revisitar as muralhas, que cercam o «núcleo duro» da povoação, a igreja (na foto), a capela erguida em memória do casamento de D. Dinis, o majestoso jardim público feito não de flores, mas de frondosas árvores. E também de me surpreender com as inovações: a estátua ao Bandarra (como diria José Hermano Saraiva, foi aqui que nasceu o sonho do regresso de D. Sebastião), o novo e luxuoso hotel, o cinema, o «pavilhão multiusos».
Ao observar a feira de S. Bartolomeu senti o choque de uma evidência: não podemos viajar no espaço sem viajar no tempo. A feira de que me lembrava da minha infância na década de 70 era uma balbúrdia multiforme, repleta de cores, cheiros e ruídos que impregnava toda a povoação. Pessoas e animais circulavam por todo o lado e em toda a parte se vendiam cintos e sacholas, chocalhos e enxadas, botas e ancinhos, regadores e cartuxos, cabritos e queijos, capotes e t-shirts, além de um imenso etc. Agora a feira de S. Bartolomeu decorre num recinto fechado, no qual se paga para entrar a partir das 19 horas. À porta vêem-se seguranças com músculos que só podem ter sido treinados em ginásios. Lá dentro, numas tendas brancas com o tecto em cone, que também se podem encontrar em Monte Gordo, vendem-se artefactos africanos e outras coisas giras. Nos stands que expõem diversos produtos, os jovens vendedores a quem escasseiam os clientes no início da tarde, matam o tédio a pesquisar a internet usando computadores portáteis wireless. Os equipamentos agrícolas mais em destaque são pequenos tractores e outra maquinaria reluzente. No recanto que faz parede com o jardim estava montado um palco onde ensaiavam os «santos e pecadores», que iam actuar nessa noite.
Foi pena o castelo estar vedado ao público para obras. Será um monumento a redescobrir noutra ocasião.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Arrancou o debate televisivo de eleições parlamentares, o 2.º desta era democrática

É isso mesmo, parece estranho mas é assim: o frente-a-frente televisivo de hoje entre os dirigentes partidários José Sócrates e Paulo Portas corresponde apenas à 2.ª edição na história da democracia portuguesa, enquanto relativo a eleições parlamentares em regime constitucional em que há duelos entre todos os candidatos com assento parlamentar. A anterior foi em 1999, e dela ficou de fora o Bloco de Esquerda, pois ainda não tinha representação parlamentar.
O debate foi interessante, conseguindo romper com as amarras de regras e regrinhas minuciosamente negociadas anteriormente pelos representantes partidários, impostas pelo partido ainda no poder. Parece-me que ganhou Portas, aos pontos, pois foi mais assertivo e directo. Do debate falarei noutro post.
Os comentadores encartados da SIC foram unânimes em considerar que este não era, porém, um debate crucial para o ainda premiê, por não estar em perigo a ponderação crítica do seu desempenho por uma parte relevante do eleitorado que antes votara no PS, apontando os debates decisivos como sendo os entre Sócrates e Louçã e entre Sócrates e Ferreira Leite.
Para informação útil, deixo aqui o calendário dos restantes debates, todos neste mês, e respectivas tv's transmissoras:
– Louçã-Jerónimo (5.ª, 3, SIC); Sócrates-Jerónimo (sáb., 5, TVI); Louçã-Ferreira Leite (dom., 6, TVI); Portas-Jerónimo (2.ª, 7, SIC); Louçã-Sócrates (3.ª, 8, RTP); Ferreira Leite-Jerónimo (4.ª, 9, TVI); Portas-Ferreira Leite (5.ª, 10, RTP); Louçã-Portas (6.ª, 11, RTP); Ferreira Leite-Sócrates (sáb., 12, SIC).

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Abaixo o abandalhamento dos super-heróis!

Soube-se hoje que uma famosa empresa de entretenimento para crianças adquiriu os direitos sobre um portefólio muito especial, o dos super-heróis da Marvel.

Eu, que pensava que este Olimpo se reduzia a um lote especial duns 20 fantásticos, fiquei a saber que afinal o Olimpo Marvel tinha espaço para 5 mil cromos. 5 mil?!

Isto quer dizer que praticamente qualquer um de nós pode ser super-herói... Não é capaz de ser demais?

E, depois, este detalhe: o que é que a Disney vai fazer com este cardápio interminável, digno duma daquelas enciclopédias que ocupam meia biblioteca? Um jardim de estatuetas, como o Joe Berardo fez algures no Bombarral? E demorará quantos dias a percorrer?

Que exagero, abandalharam o heroísmo. Mesmo que fosse de papel, merecia outra sorte.

A Beira revisitada - Barroco da Pena

A parte mais interessante das minhas férias foi uma incursão pela Beira Alta, onde passei grande parte dos verões da minha infância e adolescência. É verdade que o mundo é composto de mudança e nunca voltamos iguais ou a sítios iguais, mas este regresso foi uma surpreendente redescoberta. Quem diria que a aldeiazinha de nome abstruso – Sobral Pichorro – à qual os meus avós maternos voltaram para gozar os últimos anos de vida é agora um ponto assinalado nos roteiros turísticos e uma escala nas viagens dos internautas? Se alguém tiver dúvidas pode consultar este texto sobre o património arqueológico da aldeia ou ler este poste e este.
Quem diria que o «barroco da pena», um amontoado de blocos graníticos que eu escalei, «por aventura», aos 13 anos, tem vestígios de povoamento que remontam ao calcolítico? Só tenho pena que o popular «barroco» tenha sido substituído na placa metálica das direcções por «fraga». Fragas há muitas e uma pesquisa rápida no Google levou-me logo a outra «fraga da Pena», com cascata. Prefiro a expressão «barroco da pena», que equilibra uma palavra com uma conotação de peso, de grandiosidade, excesso, e outra que soa a leveza, pequenez, simplicidade.