quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Promessas leva-as o vento

Outras ingenuidades

A ideia ingénua do Zèd traz-me outro pensamento ingénuo. A mim uma das coisas que mais me choca no que toca à desigualdade salarial em Portugal é que, ao que parece, os que mais beneficiam dessa desigualdade – os gestores, patrões e as várias "elites" profissionais – não merecem ganhar tanto. Eles não podem dizer como alguns grandes patrões no mundo que merecem o que eles usufruem porque criam riqueza, empregos, etc., etc.
Porque é que eu digo isso. Num dos últimos números do Público de 2007, havia um dadozinho que deve fazer pensar (e isso desde há pelos menos 40 anos). Os trabalhadores portugueses lá fora – e o Público referia-se aos Portugueses no Luxemburgo que são três vezes mais produtivos que os trabalhadores em Portugal – são muito mais produtivos que os que ficam em Portugal. Ao que se deve essa diferença brutal que permite pensar que o problema não está na mão-de-obra?
Pode-se pensar que aqueles que emigram são os mais empreendedores, os mais dinâmicos, os mais produtivos.
Talvez. Mas não me parece explicação suficiente.
É sobretudo porque em Portugal o aparelho produtivo (máquinas, etc.), a organização do trabalho, as relações de confiança (ou sobretudo de desconfiança) criadas nas empresas, os incentivos salariais e o management das carreiras são deficientes. E isso é a culpa de quem? Em grande parte, dos gestores, dos patrões, de todos aqueles que auferem vencimentos chorudos e às vezes são melhores pagos que os seus homólogos europeus.
Por isso, “chapeau” a esses privilegiados.

Mas isso só traz perguntas : o que pode fazer o Estado para atenuar as desigualdades, obrigar as empresas a melhoraram o aparelho produtivo, melhorar os vencimentos, criar confiança nas relações laborais, facilitar a mobilidade social (pelo ensino e pela formação profissional), promover a iniciativa dos trabalhadores (e a justa recompensa dessas iniciativas), incentivar os talentos e a inovação (e não manter o status quo e as posições adquiridas e protegidas pelo Estado), etc., etc.,

"Yes we can!"

Há quanto tempo não aparecia um político com o talento de orador de Obama? Seguramente que não é um talento que surge por geração expontânea, Obama deve ter passado largas horas a estudar os vídeos de grandes oradores. Martin Luther King de certeza, Kenedy, e mais uns quantos. Vale a pena ver com atenção e analisar os discursos no Iowa e em New Hampshire. Começa por dizer que conseguiu vitórias em que ninguém acreditaria, para dizer que essa vitória é a dos eleitores e não a dele, para depois dizer que para América não há impossíveis, é impossível não se encher de esperança. Em seguida avança com ideias políticas fortes, a saúde contra as seguradoras, a educação com aumento dos professores, a Guerra no Iraque e a retirada das tropas, acabar o "trabalho" com a Al-Qaeda no Afganistão, a defesa do ambiente contra as petrolíferas. Depois apela à união de modo absolutamente magistral, e aproveita para dizer (o que tem que ser dito) que o terrorismo não pode ser usado como arma de intimidação. A minha preferida é ter conseguido dizer "one people, one nation" sem dizer "under God". Vale a pena ver o discurso no New Hampshire, particularmente quando quase no fim chega à parte do "Yes we can!". Tudo é impecável, a colocação da voz, a entoação, a postura, a expressão facial. Absolutamente brilhante. Custa-me a acreditar que não venha a ser presidente dos EUA.

O Avarento ou a última festa




ASAE - a higienização da cultura

Sobre a ASAE já muito foi dito, algumas das coisas neste blogue, mas olha, apetece-me mesmo pegar de novo nela, que há muito não havia nada que me causasse tanto pânico como a actuação desta entidade.

Um pânico (também mas não só) muito egoísta e quotidiano: da mercearia onde me aviava que fecha, alegando-se, entre outras coisas, o terror por uma inspecção da ASAE e a impossibilidade financeira de responder a todas as exigências impostas aos comerciantes, aos "so very clean" novos carrinhos de assar castanhas, todos iguais e em perfeito aço inoxidável.

Não é que não se deva zelar pela higiene e prevenir intoxicações alimentares, mas parece que estamos a seguir um caminho que corre sérios riscos de, levado à letra, extinguir algumas das melhores coisas deste país - pense-se na amada Ginginha do Rossio, veja-se o post do Daniel sobre o medronho e considere-se que a ASAE (ou a ASAE ao fiscalizar a aplicação de normativas comunitárias, como não se cansa de frisar) impõe que seja possível identificar a proveniência de todos os produtos alimentares e facilmente se percebe que muitas das coisas que as nossas delícias fazem estão ameaçadas de extinção.

A couve que o senhor Manel põe à venda na feira vinda directamente da sua horta passa a ser ilegal! Ora sebo. E isto parece particularmente preocupante por traduzir uma tendência para o refúgio no cumprimento cego das normas - tão mais fácil já que não é preciso pensar, basta executar - e numa higienização da cultura, ameçadora das manifestações populares da mesma, por inerência impossíveis de sistematizar, prever, categorizar, regulamentar.

Formatação e diversidade, espontaneidade e regulamentação, tendências das organizações humanas entre as quais é necessário encontrar equilíbrio, num exercício de bom-senso que parece não ser apanágio de alguns dirigentes em Portugal - para mal dos nossos pecados, nomeadamente o da gula.

Pergunta que se impõe

Aterragem de emergência

Acabo de ler, estupefacta, no Público em linha:
"O estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) sobre o novo aeroporto está concluído e será entregue ao Governo até sexta-feira, mas o Ministério das Obras Públicas não decidiu ainda se o documento será tornado público."
A hipótese de não divulgar um estudo feito por uma entidade pública, pago com dinheiros públicos, sobre um assunto de interesse público é perfeitamente absurda. Onde ficam os princípios democráticos da transparência e da prestação de contas? Se estão a levantar voo, convém que voltem à terra.
Imagem retirada daqui.

Primárias 'unblogged'


Para acompanhar quase em directo (mas com o distanciamento adequado) as primárias americanas destaco dois blogues: Goodnight Moon de João Caetano (parabéns pelo novo poiso) que já passou aqui pelo Peão; e Eleições Americanas de 2008 de Nuno Gouveia, um blogue especialmente concebido para este grande evento e que até vai dar tese de mestrado.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Uma ideia ingénua para o debate à esquerda (II)

Tendo em conta que:
1) As desigualdades salariais são tão gritantes que até preocupam o Presidente da República (insuspeito esquerdista).
2) É normal, e desejável, o Estado legislar aspectos importantes das relações laborais (como o horário de trabalho, salário mínimo, etc...)
Ocorre-me a pergunta: Não deveria uma das prioridades de um programa político de esquerda (particularmente do programa de governo dos partidos de esquerda no poder) a regulamentação da desigualdade salarial? Que tal uma lei do tipo "o assalariado mais bem pago de uma empresa não pode ganhar mais do que - número arbitrário - quatro vezes o ordenado do mais mal pago"?

Ora bolas


- Ó pai para que servem estas bolinhas? – Perguntou enquanto apontava para os seus testículos. - São essas bolinhas que produzem… - E de repente interrompeu-me. - Já sei, são elas que fazem as sementinhas que fazem os bebés!
- É isso mesmo, e chamam-se espermatozóides. Os teus ainda não os produzem, mas daqui a uns poucos anos já terão muitos. Serão milhares e milhões e continuarão a aumentar até a uma certa idade. Sorriu e depois perguntou:
- Então, isso quer dizer que tu já só tens as bolinhas… as tuas bolas já não têm ‘espematessóides’?

Em 2008, um banho turco para todos

Com um grande atraso - passei duas semanas em peregrinação - cá deixo os meus votos de um feliz ano de 2008 a todos os peões e leitores do peão. Não vejo melhor maneira de esconjurar os perigos que o futuro nos reserva do que começar o ano com um bom banho turco. Foi o que eu fiz. Falo de um banho turco a sério, num Hamman de Istanbul, às mãos implacáveis de um turco verdadeiro, de grande bigode e grande barriga, que ora te envia uma alguidarada de água quente pela cabeça abaixo, ora te dá instruções severas em inglês, a ti que és um pobre turista, ainda para mais portuga: "Sit!", "Change!" (que é como quem diz "vira-te ao contrário!"). E te dobra os músculos todos como se fosses um boneco, e te esfrega o crâneo vigorosamente com sabão, e no fim te diz: "Relax!".

Faz mesmo bem. Fiquei destressado para o ano todo. Recomendo a todos, e em particular ao Nicolas Sarkozy.

A quem anda aos papéis por não saber se inalou, ou lá o qué

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A ler

Emigrar para a Grécia, no Linha dos Nodos.

Há blogues lindos

Neste início de ano atarefado de mais para ser verdade, vou-me descontraíndo no Sapal, blogue de duas meninas giras. A Ju escreve sobre assuntos vários de forma sofisticada e inteligente. A Fili escreve sobre a vida e sobre cinema com uma paixão e ternura tão grandes que transbordam em cada frase, cada palavra, cada imagem. E quem escreve inteligentemente assim até faz doer cá dentro.
Ando a ver seguidamente muitos filmes do Sirk..

Maus finais, piores princípios

O ano acabou mal. No dia 30 de Dezembro, em Madrid, com uma sinistra manifestação do que a Igreja Católica tem de pior e da causa que tristemente resolveu adoptar: a da defesa da família. Mote que mais não serve que julgar, condenar e excluir todos aqueles que escolham não ter uma família numerosa, que não arrastem um casamento quando ele já não faz sentido, que decidam refazer a sua vida após um divórcio, que não sejam heterosexuais, que vivam a sua sexualidade de uma forma activa antes do casamento. Ou seja, quase todos nós, fora da multidão que se reuniu na Plaza Colón e que foi abençoada por video conferência por Bento XVI. E esta será mesmo a questão que a Igreja católica tem para apresentar, pelo menos até que o Papa suba ao céu em corpo, espírito e sapatos Prada.
O ano começou pior ainda. No dia 1 de Janeiro, em Portugal, com a lei anti-tabaco. O Público de ontem ainda tentou ajudar ao oferecer um esquálido roteiro de locais com zonas de fumadores e que nos faz chegar a uma infeliz conclusão: aqueles que se movem em círculos privilegiados, que por exemplo, jantem no Gambrinus e que passem um idílico fim de semana na Quinta das Lágrimas continuarão tranquilamente a fumar, ao passo que aqueles que dependam do café de bairro e do restaurante popular, mais não têm do que o passeio para exercer o seu vício. É verdade que o cancro de pulmão dos primeiros não fará o Estado dispender um cêntimo que seja, já que será devidamente tratado no Hospital da Luz ou até mesmo em Londres, ao passo que o dos segundos custará não se sabe quanto no Hospitais Civis. Sendo assim, os segundos, ou seja, novamente, quase todos nós só continuarão a enriquecer as multinacionais farmacêuticas por passarem tanto tempo ao ar livre no Inverno, o que, também, em tudo servirá os interesses do Estado.
Maus anos, estes, para quase todos nós.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco (1925-2008), o libertino andarilho

Não sei nada. Duvido de tudo. Desci ao fundo dos fundos, lá onde se confunde a lama com o sangue, as fezes, o pus, o vómito; fui até às entranhas da Besta e não me arrependo. Nada sei do futuro, e o passado quase esqueci. Li muito e foi pior. Conheci gente estranha nesta viagem. Pobre gente [...] Mas um bebé! uma rapariga com o filho ao colo! os bambinos em volta! são os bichos mais exigentes e precisados de tudo. E há que lhes dar tudo. Eis, senhores, porque saúdo a manhã e faço gosto em a ver inda uma vez, eis porque a pardalada me incita. E no riso do meu Paulocas uma leve ironia contente me desperta, babada em leite e ternura. Somos puros. Sabemos e cumprimos. Bem-aventurados somos e vós, também,
Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis, se as praticardes.
(Comunidade, 1964)

Descubro que o êxito e o fracasso são uma e a mesma cadeia e em tudo. O êxito para cima, o fracasso para baixo, e quando digo baixo digo baixo: sujidões, dívidas, vergonhas, podridão, loucura. Mas o que toma tudo igual é que ambas as cadeias se encontram, nada a fazer, meus caros, daqui a cem anos ninguém se lembra.

Acabara de falar dele ali atrás e eis que parte, aos 82 anos.
Dele li, num misto de maravilhamento e desconforto, Comunidade e O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor. Maravilhamento, pelo seu desassombro, num estilo único, conciso, desconcertante, mordaz. Desconforto, por saber que muitas das piores misérias que descrevia haviam sido vividas pelo autor, causadas pela perseguição dos algozes da ditadura e suas polícias, a recriminação pela sociedade hipócrita e convencional que denunciou, as más condições de vida, a sua errância por vezes auto-mortificante.
Dele li, também com proveito, as crónicas que sairam no Público há uns anos atrás, atentas aos outros, às virtudes sérias e postiças. E, também, várias entrevistas, sempre imprevisíveis e cáusticas. Lufadas de ar fresco.
Auto-intitulou-se neo-abjeccionista para gozar o afã taxonómico dos convencionalistas falhos de imaginação.
Viveu a literatura por dentro, editou, criticou e polemizou como poucos por cá.
Até sempre, Pacheco.
*
PS: mais informação sobre Luiz Pacheco no Público e aqui, onde estão disponíveis várias hiperligações e entrevistas, incluindo uma pelo seu biógrafo e amigo João Pedro George, que recolheu as suas últimas entrevistas em O crocodilo que voa, uma edição para breve, pela Tinta da China.

Natal andarilho

Hoje é dia de cantar de porta em porta e de pedir aos Reis, ganha-se o vinho e as rabanadas e não se esqueçam do salpicão:

Ó que casinhas tão altas
Forradas de papelão,
Levante-se, minha senhora,
Dê-nos um salpicão.


É dia de andarilho e de não perder o caminho. Vamos que a fome aperta e tamanha secura a garganta já não aguenta:

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza
Já nos cansa esta lonjura

Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

Se alguém te recusa uma malga de vinho, nem que seja do muito velho ou ainda do quase novo, manda-lhe dar uma volta e que feche de vez a porta:

Se não nos quer dar os reis,
Não nos esteja a demorar
Somos de muito longe,
Temos muito que andar.


*Nb: Extractos de quadras populares.

Call Girl

Os filmes de António-Pedro Vasconcelos valem sempre a pena ser vistos e Call Girl não é excepção. O realizador/argumentista capta muito bem uma essência portuguesa, e, se é verdade, que o filme apresenta um ritmo e uma trama mais americanizada, também é certo que só podia ser português na sua ambiguidade entre as repartições, em que as personagens vivem (e o que pode haver de mais português que uma repartição?) e as pulsões que sentem, sempre de um glamour meio canhestro.
Call Girl é igualmente uma revisitação de O lugar do morto (1984), com o jornalismo substituído pela política e uma Lisboa mais modernaça, mas pela mesma estrada do Guincho desfilam a femme fatale e o seu tolo apaixonado (se Soraia Chaves e Ana Zanatti estão exactamente à mesma altura do conceito é que já é outro assunto…), num enredo policial bem conseguido e entrecortado por excelentes tiradas.
O elenco muito bem escolhido, conta excelentes pequenas aparições: a de Raul Solnado, como velho comunista de uma perspicácia alienada, a de Virgílio Castelo numa impecável personificação de José Sócrates, o político dos nossos tempos e a do próprio realizador à la Hitchcock.
As falhas do filme residem, como de costume, no som, pelo que por vezes, se torna complicado perceber o que as personagem dizem e na direcção artística que insiste em espalhar os mesmo livros das Selecções do Reader’s Digest por cenários diferentes, em caracterizar restaurantes populares com cartazes do Benfica e ambientes «cosmopolitas» com posters de Nova Iorque.
Há muito tempo que não sentia o público interagir tanto com um filme, a reagir às graças, a tentar identificar os locais das filmagens, a apreciar o trabalho dos actores e, também, a emitir expressões de choque perante cenas muito vagamente homossexuais, já depois de terem visto, sem qualquer interjeição, várias fantasias sexuais e ouvido um infindável número de palavrões… e não é, afinal, um filme sobre uma certa essência portuguesa?

sábado, 5 de janeiro de 2008

Seymour Benzer (1921-2007)

Morreu a 30 de Novembro passado Seymour Benzer, um dos maiores cientistas do séc. XX. Apesar da sua formação universitária, e mesmo o doutoramento, serem na área da Física, os seus trabalhos mais notáveis foram na Biologia Molecular primeiro, e nas Neurociências depois. Um Físico tornar-se um grande biólogo parece-me que só é possível nos países anglo-saxónicos, e por mais evidências que haja em contrário (Benzer não é um caso raro) é um fenómenos que os académicos na maior parte da Europa (França e Portugal incluidos) nunca vão compreender. Benzer foi muito bem sucedido enquanto físico, contribuiu para o desenvolvimento dos primeiros transistores, mas ainda assim achou que a Biologia era mais interessante (é compreensível...) e começou a trabalhar com vírus. Esse seu trabalho determinou que um gene não é indivisível, mas que é constituido por unidades mais pequenas. Verificou-se mais tarde que essas unidades mais pequenas correspondem aos nucleótidos ou bases que compõem o ADN. Na continuação do seu trabalho chegou também ao conceito de cistrão que conduziu ao conceito de gene tal como o conhecemos hoje. Foi um enorme passo na transição da Genética Clássica para a Genética Molecular, em que o gene deixou de ser uma entidade abstracta para passar a ter uma existência concreta. Nos anos sessenta decidiu mudar novamente de área, e decidiu estudar o comportamento através de uma abordagem genética. Largou os Vírus e adoptou a mosca do vinagre Drosophila como modelo experimental. Fez inúmeras descobertas importantíssimas, nomeadamente na descoberta das bases genéticas e moleculares da neurofisiologia, ou dos comportamentos circadianos (o ritmo diurno/noturno). Embora fosse um defensor da ideia que o comportamento tem uma importante componente genética, um assunto sempre controverso e mais ainda na época em que começou a estudá-lo, Benzer nunca entrou em polémicas (contrariamente a James Watson, como sabemos). A sua resposta a essas controvérsias era um lapidar "Let the Science speak for itself" ("Deixem a Ciência falar por si"). Seymour Benzer continou a trabalhar, e a ser produtivo, até ao fim da vida, no seu laboratório na Caltech (California Institute of Technology), em Pasadena, Califórnia. Publicou 36 artigos nos últimos dez anos, mais do que em qualquer década anterior. Seymour Benzer nunca ganhou o prémio Nobel (o que é uma enorme falha no currículo da Academia Sueca).

Fontes: RETROSPECTIVE:Seymour Benzer (1921-2007), publicado pelos seus antigos colaboradores Yuh-Nung Jan e Lily Jan na revista Science, e obituário por Utpal Banerjee e S. Lawrence Zipursky publicado na revista Cell (ambos apenas para assinantes).

Olímpio Ferreira

Só soube ontem ao ler no Público o texto de Jorge Silva Melo. Também fez o meu livro e eu nem tive tempo para lhe falar disso.