sábado, 12 de abril de 2008

...e assim foi criado o logotipo de Pequim 2008

sexta-feira, 11 de abril de 2008

ZP é reeleito com maioria simples

Ufa! Com 169 votos a favor (todos dos socialistas), 158 contra (154 do PP, 3 do ERC e um do UPD) e 23 abstenções (PNV, CiU, IU, ICV, BNG, CC y NaBai), Zapateiro foi reeleito para presidir o governo espanhol por mais 4 anos. O primeiro deputado a felicitar o socialista foi o líder de oposição, Mariano Rajoy (PP). Esta é a segunda vez nos 31 anos da democracia espanhola que se recorre à segunda volta para confirmar o nome do presidente de governo. A primeira vez foi em fevereiro de 1981 (depois da tentativa de golpe militar), quando Calvo Sotelo também não obteve votos necessários na primeira, mas conseguiu maioria absoluta na segunda volta. A Constituição espanhola determina que o candidato deverá obter a maioria absoluta da Câmara na primeira votação. Se não conseguir, deverá esperar por uma segunda 48 horas depois. E foi isso que aconteceu com Zapatero na última quarta-feira.

Paradoxos

Uma aluna no 9° ano em Portugal desrespeita de forma inaceitável a professora numa saula de aula e um colega põe um vídeo no YouTube. Meio mundo mobiliza-se para opinar, nos blogues e nos jornais, sobre a escola, o ensino, os jovens de hoje, etc...

Já há mais de uma semana um movimento de protesto dos alunos do ensino secundário em França mobiliza dezenas de milhares de estudantes, um movimento que parece por enquanto independente de partidos políticos. Os estudante reivindicam - imagine-se - melhores condições de ensino, e preocupam-se em particular - pasme-se - com a redução do número de professores. Isso mesmo, os alunos querem mais professores porque acham que isso melhora a qualidade do ensino. E eu que pensava que esta juventude não tinha respeito nenhum pelos professores. Nem em Portugal, nem em França, ninguém, nos media, parece estar a dar atenção a este movimento de estudantes, apesar a sua dimensão.

Foto roubada aqui.

Maio em Abril

O Colóquio Internacional «Maio '68. Política, Teoria, História» começa hoje e acaba amanhã. Decorre no Instituto Franco-Português (Lx.), numa parceria com o Diplô e o IHC-UNL.
O programa completo vem aqui, deixo-vos com a respectiva apresentação:
«Maio de 1968. Em Paris anuncia-se o início de uma luta prolongada. Quatro décadas depois, este colóquio internacional reúne um conjunto de reputados intelectuais cujas investigações permitiram voltar a olhar para 1968 nas suas mais variadas dimensões. Levando o debate mais além das repetidas alusões ao cariz geracional e estudantil da revolta, mapeando 1968 para lá das fronteiras da França, o colóquio confronta a importância de 1968 na emergência de novas subjectividades políticas, analisa a dimensão de luta de classes que atravessa o período e discute a persistência de Maio’68 nos conflitos políticos contemporâneos.»
Coordenadores:
Bruno Peixe (NÚMENA), Luís Trindade (IHC), José Neves (ICS-UL), Ricardo Noronha (IHC).

Nanni Moretti sobre as eleições italianas de 13 e 14 de Abril

Para quem consegue perceber o italiano, aqui têm o vídeo de uma entrevista de Nanni Moretti sobre as eleições legislativas de domingo e segunda que vem. Moretti apela ao voto no Partido Democrático — o novo partido de Centro-Esquerda herdeiro do governo de Prodi — e dirige-se aos indecisos da esquerda que hesitam em votar em Veltroni (o candidato a primeiro-ministro do PD). A entrevista vale a pena pela análise política e pela denúncia, bem conhecida em Moretti, dos impasses da ética política no espaço público em Itália.

Todas as sondagens dão a maioria à coligação "Popolo della Libertà" liderada (pela quinta vez consecutiva!) por Silvio Berlusconi. Mas o centro-esquerda tem vindo a subir nas intenções de voto e há uma possibilidade forte de que da maioria de direita saia um governo frágil. Resultados de uma lei eleitoral abstrusa, feita por Berlusconi, quando no governo, para impedir a esquerda de ganhar. Talvez venha agora a provar do seu próprio veneno...

Médicos catalães receitarão analgésico a base de cannabis

Apesar de haver indícios de que a cannabis era empregada no tratamento de doenças reumáticas em 2.700 a.C, foi somente no século 19 que ela se transformou em uma das substâncias que a Medicina recorreu como anticonvulsivo, analgésico ou antiemético. Entretanto, o surgimento de fármacos sintéticos, no século passado, e a pressão social e política conseguiram torná-la ilegal para qualquer fim.

O uso terapêutico da cannabis só voltou a ganhar força no mundo em abril de 2005, quando o Sativex, primeiro remédio a base de maconha, começou a ser vendido no Canadá, que aprovou o seu uso com restrições. A aprovação foi para o tratamento auxiliar das dores provocadas pela esclerose múltipla. O medicamento foi criado pelo laboratório britânico GW Pharmaceuticals e é distribuído pela Bayer.

As autoridades médicas canadenses permitiram que a GW venda o Sativex como um analgésico sob prescrição médica, mas exigiram que a empresa faça estudos clínicos adicionais do medicamento para confirmar os resultados dos estudos iniciais com a droga até 2.010.

Assim, depois de vários testes clínicos conduzidos pelo Departamento de Saúde do Governo Autônomo da Catalunha, os médicos catalães poderão receitar o Sativex como analgésico aos doentes em estado grave ou crônicos que não consigam alívio com outros medicamentos tradicionais. Apesar da decisão, a venda do Sativex ainda não foi autorizada na Espanha.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Onde Vamos Morar

O Zé Maria e os Artistas Unidos vão estrear mais uma peça. É já amanhã e fica em cena até dia 11 de Maio.
No dia 22 de Abril o José Maria Vieira Mendes irá estar presente para conversar com o público. Eu lá estarei.

A dar barraca

Não sendo Lisboa uma cidade particularmente agradável, sempre melhora por alturas de Maio com a Feira do Livro (e a chegada dos caracóis nas esplanadas). Só que todos os anos, os lisboetas vivem o sobressalto da Feira poder não se realizar.
Desta vez, a discussão está centrada nas barracas (pavilhões para não ofender editores e livreiros): os grandes grupos querem escolher o design das barracas/pavilhões à sua vontade, os pequenos sentem-se complexados. Desconheço se o caso dos «megalómanos X complexados» que tem colocado a Câmara de Lisboa como psicóloga já está resolvido, mas este drama anual tem sempre um toque de ridículo e expõe os grupos profissionais em questão ao descrédito.
Por uma vez podiam estar de acordo e poupar a angústia aos lisboetas.
P.S. - A imagem é do cartaz do ano passado. No site a informação para este ano estará «brevemente disponível».

Madri faz ato de solidariedade aos sequestrados das Farc

A Casa da América de Madri cobriu hoje as janelas da sua fachada com as fotos de 10 reféns em poder das Farc. Este ato de solidariedade foi acompanhado por uma leitura pública de cartas dirigida aos quase 1.000 inocentes que se encontram prisioneiros e submetidos a condições sub-humanas na selva colombiana.

Bush comemora a queda do "Paraíso" com lágrimas de crocodilo

Há exatos 5 anos (9/4/2003), soldados norte-americanos derrubaram em Bagdá, na praça Al Firdus (por ironia do destino, Al Firdus significa o Paraíso), a estátua de Saddam Hussein. O evento se tornou o símbolo do fim do governo do ex-presidente iraquiano. “Emocionado”, George W. Bush comemora a data com as suas já conhecidas lágrimas de crocodilo.

Nb: Fotos da EFE

Daniel Sempre

Na matéria da atitude perante a participação nos jogos olímpicos, concordo muito com o que diz Daniel Cohn-Bendit que sempre me pareceu um político muito lúcido.
"Foutre le bordel" em Pequim, parece-me a postura mais proveitosa na perspectiva duma melhoria das condições de vida dos próprios chineses e dos habitantes do Tibet (e claro da Sousa Pires e irmãos de Vila Nova de Famalicão que iniciou o boicote para lutar contra a concorrência chinesa).
O boicote "simples" não serve para nada. Os outros boicotes (Moscovo e Los Angeles) não mudaram grande coisa. Mas a participação de atletas (alguns deles, apesar dos treinos e dos produtos que devem ingerir, devem ter uma opinião sobre a democracia e os direitos do homem), a presença de centenas de jornalistas, de turistas, etc. na China pode, sim, causar muitos calafrios à ditadura chinesa e quebrar um pouco o ambiente liberticida. Imagino que é de isso que os democratas chineses estão à espera.

E o discurso da autonomia do desporto perante a política, é uma treta. Escolher Pequim foi político. Pequim quis os jogos por razões políticas. E até cá no nosso burgo, o desporto é política. E há muito tempo. Lembra-o o selo que foi sobre o SLB campeão europeu. Lembra-o o uso do Eusébio pelo Estado Novo no tempo das guerras coloniais.

Aqui fica uma parte do discurso do Cohn-Bendit

"Il faut foutre le bordel pendant les jeux olympiques à Pékin"
Discours en séance plénière à propos du comportement de l'UE face à la Chine
26. mars 2008
Le fait que les jeux olympiques aient lieu en Chine est indiscutablement un acte politique et nous ne devrions pas l'ignorer. C'est pourquoi Dany Cohn-Bendit demande de saisir cette occasion pour établir un grand débat sur la démocratie et la situation des droits de l'homme en Chine. Il invite le monde entier- que ce soit les sportifs, les politiques, les journalistes ou le grand public à "foutre le bordel", un désordre promulguant la liberté d'expression, de pensée et d'information, un premier pas vers un régime plus démocratique en Chine. Car c'est seulement en cette liberté que "courir, sauter et nager valent la peine."

Aqui fica o discurso do DCB

terça-feira, 8 de abril de 2008

Hiding in the light



roubado aqui.

Boicotar ou não boicotar?

Em 1968 atletas negros norte-americanos, do Olympic Project for Human Rights, quiseram boicotar os Jogos Olímpicos da cidade do México, em protesto contra a participação da África do Sul do Apartheid e em defesa dos direitos civis nos EUA. O Boicote não se concretizou. Em vez disso, Tommy Smith e John Carlos, membros do OPHM, receberam as suas medalhas com os pés descalços, um punho erguido calçado de uma luva negra e a cabeça baixa. Foi um dos actos de protesto de maior impacto que me consigo lembrar, fizeram mais pelas causas que defendiam do que qualquer boicote.
Imaginem o que seria se Pequim, este ano, fosse invadida por dezenas ou centenas de Tommys Smiths e Johns Carlos.

Emily

Um espectáculo de Gerardo Naumann na Culturgest.
Quinta 10, Sexta 11, Sábado 12 e Domingo 13 de Abril de 2008
21h30 (17h00 dia 13) · Tergom Studio · Duração 1h00 · 12 Euros (Jovens até aos 30 anos: 5 Euros. Preço único)

Olá, sou o Juan, diz o Juan. Esse lápis é do Pedro, diz o Carlos e aponta para um lápis. O que farias se fosses milionário?, pergunta Gabi. Fala-se assim? A Emilia fala assim. Na realidade, todos falam assim. Todo o espectáculo foi escrito a partir de cenas de livros de ensino de línguas. Como se fosse mais importante manter isso do que outra coisa. Como se fosse mais importante voltar a representar o que esses livros fazem, que é representar. E aí está Emilia que vai à escola e diz que quando for grande quer ser bailarina e cantora e um dia se muda para Londres. Ali chama-se Emily. Traduz-se o nome. E a personalidade? Emily cresce mais e mais como os actores quando estão a actuar. Um dia apaixona-se. O amor é um lugar comum ou um terramoto? A sua vida é trágica como em toda a representação. No final, Emily é uma senhora idosa que vai viver para o campo. Muuuu.
Gerardo Naumann

O espectáculo estreou em Lanús, subúrbio de Buenos Aires, na loja de cozinhas e casas de banho Imhotep em Abril de 2006. Integrou a programação do Festival Internacional de Buenos Aires 2007. Em Lisboa decorre na loja de cozinhas e mobiliário Tergom Studio.

Gerardo Naumann trabalha em Buenos Aires. Estudou filosofia e letras na UBA. Encenou e fez a dramaturgia de Cosas (2002, Festival del Rojas). Em 2003 fez a dramaturgia de ¡Sentate! El zoostituto com conceito e encenação de Stefan Kaegi (ciclo Biodrama, Complejo de Buenos Aires). Em 2006 recebeu duas bolsas para o desenvolvimento do guião de longametragem Uruguay. Participou no Theaterforum do Berlinerfestspiele 2007 (sobre teatro político). Deu aulas na Akademi for Scenekunst (Noruega). Está a realizar duas séries documentais em DVcam: Trabajo e Quemado. Publicou textos literários em várias revistas e participou em leituras com outros escritores. Dá um seminário de escrita de argumento na UBA e aulas particulares de dramaturgia e montagem.

Com Marianela Impaglione, Rita Carou, Carolina Guareschi, Diego Jalfen, Eusebio Fava
Conceito, encenação e dramaturgia Gerardo Naumann (versões de diálogos/cenas de livros de ensino de línguas)
Assistência de encenação Natalia Barry
Espaço Gerardo Naumann e Catalina León
Movimento Leticia Mazur
Arte electrónica Martín Fernández
Espectáculo falado em castelhano (com legendas) e inglês
*texto da Culturgest

Sem vintém

E foi esta canção que, por momentos, me animou o dia.
P.S. - Uma vez no site da Ala dos Namorados, é preciso clicar em media.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Beijo na boca, um fenômeno também ecológico? Para os espanhóis, sim.

Segundo a Filematologia (como se pode ver, beijar é uma questão de ciência), o beijo na boca é uma injeção de energia, capaz de fortalecer o sistema imunológico e diminuir o estresse urbano do dia-a-dia, o que o torna extremamente saudável. Investigações realizadas nos EUA comprovaram, por exemplo, que casais que se beijam na boca ao amanhecer (depois de lavar a boca, é claro) têm mais êxito na carreira profissional, provocam menos acidentes e raramente vão ao médico. Em outras palavras, além de facilitar a mobilidade social, ele poderá contribuir com o Estado na economia com gastos com saúde pública (é bem melhor que pagar impostos, pois não?). O beijo na boca movimenta 12 músculos dos lábios e 17 da língua e transmite apenas 250 tipos de bactérias e vírus (que a ASAE não saiba disto). Sem pânico, pois ao falar pelo telemóvel ficamos expostos ao ataque de mais de mil bichinhos bem mais sanguinários e ninguém deixa de se comunicar por isso. Ou seja, além de fazer bem à saúde econômica do poder público, ele contribui para a saúde física e mental de seus praticantes mais fervorosos. Além desses benefícios, os espanhóis (ah, esses espanhóis que, ao contrário do que se pensa, não vivem só de touradas e do "El Baile del Chiki Chiki", hostias) descobriram também que o beijo na boca é ecologicamente correto, porque a energia que se consome é facilmente renovável. E para tato criaram a Festa do Beijo.

Veja aqui o vídeo da festa espanhola (Media Player).

domingo, 6 de abril de 2008

Labirinto de máscaras

No blog Provas de Contacto, João Lisboa escreveu um post fantástico sobre o mais recente filme de Todd Haynes, I'm Not There.

sábado, 5 de abril de 2008

Os Inúteis

Foi recentemente e em DVD que descobri I Vitelloni/Os Inúteis (parece que no Brasil o título é Os Boas Vidas) de Fellini. O filme data de 1953, do início da carreira do mestre italiano, que com ele ganhou um prémio no Festival de Veneza. Passa um pouco despercebido numa filmografia em que brilham obras primas: La Dolce Vita, Fellini 8 ½, Amarcord, etc. Mas é um grande filme, onde a memória do neo-realismo se mistura com o humor anárquico e a liberdade do olhar de Fellini.
Em Os Inúteis não há um argumento sólido ou tese visível – a narrativa vai construindo-se em volta de cinco personagens, das histórias e da inacção de cinco homens com trinta e tal anos, que vivem em casa dos pais, numa pequena vila italiana, e passam o tempo em festas, errâncias, seduções e quimeras. O líder do grupo, Fausto, engravida a namorada, é obrigado a casar e arranja um emprego medíocre que não tarda a perder. É uma história que não faz sentido nos dias de hoje. Ao mesmo tempo, a ideia de uma adolescência que se prolonga até ao absurdo, a inquietação, a dificuldade de levar uma vida a sério e satisfatória, parecem bem actuais. São os paradoxos da aldeia global, que tanto abre horizontes inconcebíveis numa pequena povoação dos anos 50, como recria condições de dependência e fragilidade social, psicológica, económica que não constavam dos sonhos modernos das cidades do futuro. I Vitelloni é um filme a redescobrir.

Os soldados não gostam de planícies VII

A Library of Congress está a desenvolver um projecto intitulado The Veterans History Project, cuja finalidade é recolher e arquivar todo o tipo de items (histórias, memórias, fotografias, cartas, diários, mapas, filmes, etc..) que se relacionem com veteranos de guerra americanos.
Para quando cá?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

40 acres e uma mula. 40 anos de um crime

Quando a escravatura foi abolida nos EUA foi prometido a cada escravo libertado, como compensação, 40 acres de terra e uma mula. A promessa chegou mesmo a ser posta em prática. Logo após o assassinato de Abraham Lincoln (1865) a medida foi revogada, e a terra retirada aos negros que já a tinham recebido. Não foi atribuída qualquer outra compensação aos antigos escravos.

Faz hoje quarenta anos que Martin Luther King Jr. foi assassinado (1968), em Memphis.