quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Parlamento da Suíça veta racista Blocher

O ministro racista da Justiça e da Polícia da Suíça, Christoph Blocher, não conseguiu ontem, em primeira votação, reunir os votos necessários no Parlamento para ser reeleito como membro do governo. Os parlamentares elegem hoje os sete membros do Executivo suíço, com a dúvida sobre se Blocher poderá ostentar o cargo de ministro por mais quatro anos. Na primeira votação, a ultranacionalista União Democrática de Centro (UDC), partido de Blocher, obteve 111 votos dos 246 legisladores que integram o Parlamento. No plenário houve momentos de tensão quando a esquerda festejou com gritos o resultado. Espero que o Parlamento suíço tenha juízo e rejeite o nome deste xenófobo definitivamente. Já há muitos canalhas no poder espalhados mundo afora. Os suíços não precisam de mais um.

Adendo:

Ufa! Agora é definitivo. Depois de 15 anos no poder, o homem forte da direita ultranacionalista, Christoph Blocher , foi finalmente expulso do governo suíço. Os imigrantes agradecem. Bye, bye cão-raivoso! Mais informação aqui.

Um minuto de silêncio

Ike Turner (1931-2007), o pai do Rock & Roll

Concurso de tiros no pé III (ou a esquerda francesa num impasse)

Continuando o post anterior... Lionel Jospin, no seu "L'Impasse" também faz várias críticas bastante válidas, e equitativamente distriuídas. À direcção PSF critica não ter escolhido a sua candidata mais cedo. Efectivamente a escolha dos militantes foi provavelmente determinada mais pelas sondagens do que pelo debate interno. Se a escolha tivesse sido feita um ano antes, ou mais, os militantes não se teriam baseado em sondagens a uma tão longa distância das eleições, teria ficado mais espaço para o (verdadeiro) debate, e - acrescento eu - teria ficado mais tempo para a candidata preparar um projecto eleitoral sólido. A François Hollande critica não ter sido ele própio nem candidato, nem líder do PSF. Aquele que foi o secretário geral do PSF durante 10 anos deveria ser o líder e candidato natural do partido. François Hollande presidente é uma ideia que ninguém, nem o próprio, leva a sério. Constata-se afinal que Hollande foi conseguindo manter-se na sua posição com a estratégia da rolha: limitou-se a manter-se à tona, distribuindo cadeiras pelos elefantes para conseguir um equilíbrio de forças no PSF que agrade a todos. Criou uma situação que não serve a ninguém (acho que esta última frase é mais a minha opinião que a do Jospin). E finalmente a crítica mais certeira a Ségolène Royal é a de não ter apetência para o debate político. Apesar de ter um projecto político, o pacto presidencial, Royal foi tentando fazer campanha com soundbytes que na realidade não querem dizer nada. A "ordem justa" ou a "fórmula todos ganham" (formule gagnant-gagnant, no original) são sloogans que qualquer um à direita ou à esquerda poderia adoptar. Alguém proporia uma "ordem injusta"?, ou uma "fórmula uns-ganham-outros-perdem"? Sarkozy pelo contrário atira-nos com "trabalhar mais para ganhar mais", que encerra em si mesmo todo um projecto político, neo-liberal de direita obviamente. Sarkozy não tem sloogans, muito menos soundbytes, tem o que falta a Ségolène Royal: retórica. Sarkozy fez o que muitos à esquerda não fazem (embora alguns conseguiam até ganhar eleições), simplesmente tinha um projecto político, e defendeu-o com argumentos. Se a esquerda não entrar nesse terreno, dificilmente ganhará eleições.

Jospin dedica ainda algumas linhas a Sarkozy, certeiras, mas nada de novo. Igualmente para a esquerda da esquerda, denuncia - e bem - uma esquerda que não quer o poder, que se contenta com estar na oposição e não ter que governar para não ter que por à prova aquilo que defende (os Verdes, ou a LCR de Olivier Besancenot), ou uma esquerda que vive cristalizada no passado e que nunca será alternativa de poder (o Partido Comunista, ou a Lute Ouvrière). Mais uma vez certeiro, mais uma vez nada de novo.

Lamentavelmente, é preciso chegar ao último capítulo para Jospin entrar no debate ideológico, e naturalmente muito ao de leve. Pisca o olho à Social-Democracia, ao mesmo tempo que diz que em França dificilmente seria possível. E eu bem gostaria de saber qual é afinal a diferença entre socialismo e social-democracia. Fala também de uma aliança alargada à esquerda, e novamente mais do que razões ideológicas a sua motivação é simplesmente estratégica, e os seus argumentos são mais de ordem histórica. Evoca a sua própria experiência de primeiro-ministro e sobretudo o exemplo de Mitterand, e é verdade que desde o pós-guerra a esquerda francesa só conseguiu estar no poder com base em alianças. E nunca, ao longo de todo o livro Jospin faz propostas políticas concretas (embora por vezes se dedique ao auto-elogio do seu tempo de primeiro-ministro). Medidas que seriam pertinentes em economia, desenvolvimento, educação, solidariedade social, segurança, etc...: nada, zero, nunca são abordados. Aquilo que seria afinal realmente importante debater acaba por ser secundário ou simplesmente deixado de fora. Jospin acaba por dar razão aos que o criticam o livro por ser um mero ataque a Ségolène Royal. Discute pessoas, discute forma, mas conteúdo nem por isso.

Ségolène Royal por seu lado, conseguiu estar bem pior do que Jopin. A sua reacção ao livro de Jospin foi posar em Jeanne D'Arc, citar o Cristo na cruz e acusar os seus detractores de uma misoginia comparável ao racismo (ver aqui e aqui). Se Jospin se dedica a discutir a parte que menos interessa da questão política, Royal na política nem toca, torna a o debate numa não-discussão. Não responde sequer às críticas que lhe são feitas, que - concorde-se ou não com elas - são legítimas de de ordem política. Diga-se que nunca em momento algum Jopin critica a sua condição de mulher, pelo contrário, diz até que seria bom para a França uma presidente, nada no seu livro revela misoginia (a não ser que se lhe mova um processo de intenções baseado em algo que ele não diz). Royal acaba por dar razão a Jospin quando diz que ela não gosta do debate político. E a verdade é que o contributo de Ségolène Royal para o debate da esquerda depois das eleições foi nulo. Ainda não se lhe ouviu uma ideia, uma reflexão, um projecto político, nada. Por outro lado aparece na capa de revistas cor-de-rosa com frases do género (cito de cor) "Não tenho o direito de me deixar abater", mesmo a puxar a lagrimazinha. E lança agora um livro com o sugestivo título "Ma plus belle histoire, c'est vous" (A minha mais bela história, sois vós), mais uma vez a puxar ao sentimento. Hélas, estamos a falar de política, e em política um livro "mais bela história" no título é no mínimo bizarre. Consta que ataca tudo e todos, até os centros de sondagens, culpados da sua derrota. Esse livro não vou ler. A simpatia que tinha por Ségolène Royal foi-se toda... E estam(os) num impasse, para que lado se deve a esquerda francesa voltar?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Legendagem

Ir a uma exposição em que as legendas das peças são o que está melhor, não será bom sinal. E, de facto, não foi. Falo da exposição patente na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Olhares curzados sobre Arte e Islão. Mostra insignificante e de representatividade questionável, mas essa não será já uma característica de todas as exposições que por cá vão aparecendo?
A grande novidade aqui, pelo menos para mim, eram mesmo as legendas que remetiam directamente para o título Olhares cruzados..., ou seja, algumas peças tinham a explicação de uma historiadora da Arte (Inês Fialho Brandão), de um historiador (Rui Santos), de um arqueólogo (Cláudio Torres) e de um imã (Sheik David Munir), cada um, consoante os casos, com direito a um parágrafo de cor diferente.
Cruzadismo museológico muito interessante, já que diversas podem ser as leitura dos objectos artísticos, ou quotidianos, ou sagrados por detrás das vitrines.

Os dualismos do Zé

O interessante post do Zé Neves sobre que perguntas faz a esquerda, tem por base a estipulação de uma série de dualismos de cariz cartesiano que, a meu ver, encaixotam as diferentes posições em categorias estanques de análise, como se os tempos que correm ainda funcionassem sob a alçada de uma engrenagem eminentemente moderna e industrial. Para o Zé, a relação entre as perguntas e as respostas resulta de uma operação (mental?) sequencial. A única diferença é que, entre as esquerdas, uma só faz as perguntas para as respostas que conhece, enquanto a outra (a sua) só põe aquelas perguntas às respostas que gostaria de vir a conhecer. Mas quer uma quer outra se regem pelo mesmos princípios que um certo filósofo francês sintetizou no postulado “eu penso, logo existo”, que poderia muito bem transmutar-se para uma formulação do tipo “eu pergunto, logo respondo” ou “eu pergunto, logo procuro a resposta”.
Penso que a esquerda tem de deixar para trás uma visão dicotómica de si e do mundo e arriscar-se de uma vez a transgredir os pressupostos inoperantes de uma modernidade há muito perdida. Considero que esses “novos” trilhos deverão ser traçados tendo por base uma interdependência (uma dialéctica?) - e não uma linear sequencialidade - entre reflexividade e acção. Foi neste sentido que escrevi o post da rua à prática política, no qual propus uma reflexão (um questionamento) a partir das experiências, protestos, rastos… da rua, capaz de potenciar-nos para um (ou vários) caminhos de acção, ou seja, para respostas em aberto que se vão reformulando e reconfigurando noutras perguntas. É este processo que eu designo de prática política. De facto, a esquerda necessita de uma praxis construída a partir de um cogitando que se vai fazendo existir ou, dito de outra forma, em perguntas que se vão fazendo resposta.

Baixar á fosa, exhumar a memoria. Impresións sobre unha visita ós traballos de localización e escavación dunha fosa da Guerra civil en Galicia



Foi un día cálido, de fin do verán, do pasado mes de setembro. O meu amigo Inácio García Couso, vicepresidente da “Asociación Anxel Casal” de Arzúa (A Coruña), e unha das persoas que con máis interese se ten adicado á recuperación da memoria das víctimas da represión franquista na comarca das “Terras de Arzúa” (uns 35 Km ó Leste de Santiago de Compostela) chamoume por teléfono. Na “costa do Amenal”, un lugar do concello de O Pino (entre Santiago e Arzúa) polo que pasabamos con certa frecuencia, varias persoas, axudadas polos arqueológos e os equipos técnicos da “Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica” (ARMH), tamén co apoio de varios psicólogos, estaban intentando localizar e escavar dúas fosas nas que xacían – dende o 20 de agosto de 1936 – os restos de cinco veciños do cercano concello de Boimorto (A Coruña), que en aquel lugar foran “paseados” (fusilados) por un grupo de falanxistas do seu mesmo lugar de orixe.
Xa levaban varios días traballando arreo e localizaran e escavaran unha das dúas fosas das que a viva memoria da comunidade do Amenal lles dera noticia. Apareceran, xusto no lugar onde os veciños lles suxeriran iniciar as catas, os esqueletes e as roupas, en bo estado de conservación, de dous corpos; e andaban, por aqueles días, á procura da fosa onde “descansaban” os restos dos outros tres homes. Un sentimento de desánimo agromaba por momentos aquela tarde entre arqueólogos, familiares das víctimas, veciños e colaboradores… pois xa fixeran múltiples prospeccións e escoitaran as opinións sobre a ubicación da fosa de moitos veciños de idade daquela aldea. Malia os esforzos, a campaña arqueolóxica deste verán finalizou - lamentablemente - sen que os entusiastas voluntarios deran coa segunda das fosas.
O peor non é tanto o feito en si mesmo, pois haberá, a vontade e a motivación dos voluntarios que alí traballaron é toda unha garantía, novos intentos de exhumación e novas campañas arqueolóxicas. O que máis doe, e non poder ter calmado o desacougo íntimo dos descendentes destas tres víctimas de Boimorto, que aínda non puideron pechar, setenta anos despois, o ciclo psicolóxico do “duelo” que sempre acompaña á perda dun ser querido; e que vían ademais, como a mala sorte lles impedía - a diferencia do que acontecía cos familiares das víctimas da primeira fosa – restaurar plenamente a dignidade dos seus país ou avós alí soterrados…
Se cadra, a composición xeolóxica do terreo - que pode ser cambiante en uns poucos metros - ou mesmo as intensas alteracións físicas sofridas por este espazo, que pasou, en setenta anos, de ser unha carballeira comunal a conformar varias plantacións de eucaliptos de propiedade privada, teñan algo que ver coa falta de éxito na localización desta segunda foxa… Agardamos que o volvan intentar nos vindeiros meses, pois hai certeza de que en aquel espazo boscoso foran executadas e soterradas cinco persoas.
Segundo relata Xosé Luis Rivas Cruz (“Mini”) no seu recente libro (2007): Boimorto. Memoria dun silencio, a mediados do mes de agosto de 1936, os falanxistas do concello coruñés de Boimorto, ó parecer instigados por un sacerdote da localidade coñecido como “Don Emilio”, decidiron levar a cabo unha acción exemplarizante (rasgo característico de calquera tipo de represión) destinada a amedrentar ó conxunto da poboación e a desactivar calquera manifestación individual ou familiar de resistencia, desafección ou mesmo de tibieza na actitude dos veciños ante o “glorioso alzamiento nacional” do 18 de xullo de 1936. Con este obxectivo chamaron – coa idea de detelos – a unha nómina de dezasete veciños, moitos dos cales foran concelleiros membros das sucesivas corporacións republicanas (1931 – 1936) e, en outros casos, destacados sindicalistas e/ou dirixentes do movimiento asociativo campesiño durante aqueles mesmos anos. Tres, temendo o peor, non se persoaron no lugar onde foran citados e fuxiron, e outros dous foron liberados nas horas seguintes pola influencia de terceiras persoas. Os doce restantes foron levados a Santiago e presentados ante a correspondente “autoridade” militar ou civil (o “Delegado gubernativo” de turno nomeado polos golpistas), quen suxeriu ós falanxistas de Boimorto que voltasen para a casa cos detidos ou que “fixesen o que eles quixesen”. Dito e feito. Quizais porque a sorte dos doce detidos xa estaba botada de antemán, ou tal vez porque os falanxistas de Boimorto non querían pasar a “vergoña” de voltar para o seu pobo coa ducia de detidos que conseguiran prender, incólumes, tomaron a decisión de fusilalos en dúas tandas. A seis nunha gabia ou cuneta de estrada na parroquia de Ortoño (concello de Ames), nos arredores de Santiago, e a outra media ducia na xa mencionada carballeira, coñecida polos veciños de O Amenal até entón como a “Agra da vila”, e que dende aquela foi rebautizada pola comunidade como “Chousa dos mortos”. Unha vez fusilados, os falanxistas foron buscar – nótese de novo a vontade de aleccionar á poboación mediante a inoculación do terror – a varios labregos da zona para obligarlles a cavar dúas fosas nas que soterrar ós seis veciños de Boimorto alí represaliados. Cando chegaron, atoparon cinco. Un, José Cabanas Vázquez, foi fusilado pero non morreu, conseguindo fuxir polo monte cunha perna ferida.
Foron os restos destes cinco asasinados os que varios veciños de Boimorto e de localidades da mesma comarca, axudados polos arqueólogos e técnicos da ARMH, tentaron localizar e exhumar o pasado mes de setembro. Non é un caso illado, nin tampouco se afasta demasiado, malia a dureza do relatado e dos traumas persoais, familiares e colectivos causados (manifestacións diferidas no tempo, e que chegan até hoxe mesmo, dos efectos psicolóxicos da represión franquista) do guión habitual de moitos outros episodios represivos vencellados á Guerra civil…
O que realmete me impactou desta experiencia, máis aló do relato dos feitos en si mesmos ou das reflexións que poidamos facer sobre as “virtudes cívicas” da recuperación da memoria das víctimas do franquismo, foi a observación da actitude da xente, dos veciños de O Amenal, ou dos descendentes e amigos das víctimas desprazados dende o propio Boimorto até a zona de localización das fosas. Predominaba a xente maior, anciáns sentados en cadeiras de plástico arredor da zona onde tiñan lugar os traballos de prospección arqueolóxica. Se cadra fillos, netos, sobriños, curmáns ou familiares en maior ou menor grao de algún dos represaliados. Amigos ou coñecidos das súas familias…
É moi probable que non houbese alí ningún ou case ningún coetáneo dos “paseados”. É a lóxica demoledora das leis da bioloxía… Moitos destes anciáns estaban acompañados polos seus netos adolescentes, que consumían canda os avós os derradeiros días das vacacións estivais. Non percibín alí nin rabia contida, nin rencor ou desexos de vinganza, nin desesperación… Só unha mestura dunha leve expectación ou curiosidade e, sobre todo, de tranquilidade. Unha paz derivada da certeza de que as cousas volvían, dunha vez por todas, a súa orde natural. Unha orde natural que fora alterada por unha violencia política ilexítima, nin codificada nin asumida nunca polas comunidades nas que se desencadeou e que a padeceron. Os mortos eran devoltos ós seus, os cales poderían por fin proporcionarlles descanso nos camposantos, no lugar que lles corresponde. Nada máis sagrado, na nosa cultura, de forte substrato campesiño, que os nosos defuntos e a súa paz e benestar no máis alá…
Os políticos, grupos e asociacións da nosa sociedade civil que se teñen manifestado con vehemencia en contra da recentemente aprobada “Lei da Memoria Histórica”, deberían achegarse alguna vez con respeto á exhumación dos restos dunha fosa de represaliados… e reparar nas reaccións emotivas das persoas que botan horás alí en espera dalgunha noticia sobre a localización física de tal ou cal parente. Á marxe doutras moitas virtudes cívicas e éticas, que revirten en benefico do asentamento social dos valores democráticos, a recuperación da memoria histórica en Galicia e en España, paga a pena sinxelamente polo alivio e conforto psicolóxico que concede – despois de sete décadas – ós familiares e descendentes das víctimas da violencia.

África, uma donzela que desperta as libidos ocultas

Não é o Velho Continente que está de olho na África. Cada qual a sua maneira, tem muito marmanjo por querendo seduzir (pra não usar uma expressão mais forte que poderá corar os mais castos) a donzela africana. O Velho Continente é do tipo Don Juan clássico. Convida-a pra jantares caríssimos à luz de vela, com bons vinhos, champanhes e boa música. Tem um bom papo intelectual. Orientado, é claro, pela filósofa da corte, Madame Opinião Pública, fala de tudo à mesa: democracia, direitos humanos, meio ambiente e etc... Mas fala, pois não está muito preocupado com esses pormenores. Fala porque a tal madame filósofa tem um certo poder no reinado. Apesar de todo esse glamour e jogo-de-sedução, a donzela africana não se importa muito e fica cada vez mais distante de sua cama. É um pretendente muito tagarela.

com o velho Dragão Vermelho (não sei o porque do vermelho, mas enfim, cores são cores) tudo é diferente. Não perde muito tempo com conversas ao da mesa, pois não precisa atender aos caprichos de uma tal Madame Opinião Pública. E vai às vias de fato rapidinho. Como precisa de matérias-primas para se alimentar e crescer, crescer, crescer, o velho Dragão Vermelho não tem qualquer pudor. Aceita tudo na boa, nãoqualquer palpite, fala pouco e não se intromete em assuntos familiares. Resultado: aumenta a olho-nu a sua influência e penetração.

Correndo por fora, vem o Brasil Varonil (mas nem tanto). fez muitas visitas à donzela africana, mas é tímido. A exemplo do velho Dragão, não é muito de falar de coisas como direitos humanos, democracia e outros assuntos "empata-fodas", como dizem o velhos tutores da donzela em questão. E o Brasil Varonil respeita muito a opinião dos mais velhos. Faz até festa pra eles. Em vez de falar, chora (não sei se donzelas gostam de chorões). Chora e pede perdão pelas maldades cometidas pelos seus antepassados. Chora pela miséria do mundo. Enfim, chora por tudo pra ver se convence a linda donzela africana ir além do toque de mãos e uns beijinhos na face. Mas como não consegue, pede socorro ao velho e bom Tio San. Sim, eu disse o velho e bom Tio San! Assim, quem sabe juntos, poderão explorar as zonas erógenas da doce donzela africana e fazer dela um imenso canavial ou milharal (ou ambos) pra produção dos tais biocombustíveis. Resta saber neste caso quem será o voyeur.

Novas livrarias, novos pólos culturais

Inaugurou ontem um "novo espaço cultural", a Livraria Círculo das Letras (R. Augusto Gil, 15b; ao Cp. Pequeno), abrindo com uma exposição de homenagem ao pintor Rogério Ribeiro e uma palestra de António Borges Coelho.
Hoje é a vez da Byblos (R. Carlos Alberto da Mota Pinto, 17; às Amoreiras), anunciada como a maior de Portugal, um espaço com 150 mil livros e sua localização por chip electrónico (junta-se à sua irmã portuense).
Entretanto, e só em Lisboa, abriram a Fabula Urbis (R. Augusto Rosa, 27, em Alfama), a Trama (R. São Filipe Néri, 25b; ao Lg. do Rato), a Pó dos Livros (Av. Marquês de Tomar, 89A), a Fábrica do Braço de Prata/ Ler Devagar & Eterno Retorno (R. Fábrica do Material de Guerra, 1; defronte aos CTT do Poço do Bispo) e a Letra de Livros (Calçada do Combro, 139; à Bica).
aqui falara do novo perfil destas livrarias: conciliar a oferta de livros com iniciativas culturais, desde lançamentos de livros, exposições, palestras, etc..
Além disso, todas apostam sobretudo em fundos de colecção, ou seja, livros que já não são novidade. Ou seja, a maioria! Prestam especial atenção ao ensaio, às ciências sociais e humanas, à poesia e ao teatro, rompendo com a fixação no best-seller, no livro-bibelot, na auto-ajuda e outros derivativos fast food. A alta rotação da edição portuguesa e a adesão automática das livrarias 'clássicas' ao modelo de venda ao quilo deu ainda mais alento a pessoas ousadas para se lançarem num modelo de espaço livreiro mais dinâmico, aberto e polivalente. A exemplo do que sucedeu com as bibliotecas públicas municipais na Europa, desde os anos 60.
Não há fome que não dê em fartura…

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Não às novas medidas de higiene alimentar da A.S.A.E.

A petição circula online aqui.
Segundo a ASAE, “a petição é um profundo disparate sem qualquer fundamento, uma invenção de alguém muito brincalhão".
A brincar, a brincar..

Concurso de tiros no pé II (ou a esquerda francesa num impasse)

Este post arrisca-se a ser mais um exercício de flagelação da esquerda francesa. Já que li o livro "L'impasse" de Lionel Jospin - dir-se-ia que não mais que fazer - aproveito para escrever um post. O título do livro não podia ser mais feliz, a esquerda francesa está de facto num impasse, e parece caminhar alegremente para o desastre, consciente disso (que é o pior). Parece-me que o estado actual da esquerda francesa é um excelente balão de ensaio a que toda a esquerda europeia devia prestar atenção. Perante uma direita forte que está confortavelmente no poder, o futuro da esquerda francesa depende da capacidade de se questionar e - principalmente - de se reconstruir.
O impasse da esquerda é entre o PSF e a extrema-esquerda. O PSF entretém-se com danças de cadeiras, discute-se pessoas e não política, nunca se refez do desastre eleitoral de 2002, e a sua existência tem-se limitado a adiar a renovação (das ideias, mais do que das pessoas). A extrema-esquerda, fragmentada, não quer o poder, ou vive demasiado desligada da realidade para ser uma alternativa real de poder. Estando a direita, com Sarkozy, no poder para os próximos cinco anos, com presidente e maioria, é uma boa altura para a esquerda entrar num debate profundo, com tempo.

Lionel Jospin constata isso mesmo e publica o seu livro passadas as eleições presidenciais e legistativas, visando contribuir para o debate no PSF e na esquerda. Lionel Jospin, revela-se afinal ele próprio parte do impasse que denuncia. Depois de ler esta crítica esperava o pior, ainda assim decidi-me a ler o livro. Não foi tão mau quanto eu pensava, tenho sentimentos ambíguos relativamente à posição de Jospin. Jospin tendo perdido miseravelmente as eleições de 2002, "deixando" Le Pen passar à segunda volta, quando tinha tudo para ganhar, não aparece muito bem colocado para dar lições. No entanto tem direito à sua opinião, que deve ser julgada por si mesma e não pelos resultados eleitorais passados do seu autor. Mas a primeira crítica que posso fazer ao livro não é Jospin ter perdido as eleições, mas de nunca assumir as suas responsabilidades nessa derrota, não aprendeu nada com ela. Diz várias vezes que assume as suas responsabilidades, mas quando se trata de concretizar o único que erro que reconhece é ter substimado a dispersão dos votos à esquerda (como se essa dispersão de votos não tivesse nada que ver com a sua incapacidade de os atrair para si), e de resto a culpa é de todos os outros, sobretudo à esquerda. Outro erro do livro é o tempo dedicado a analizar a derrota de Ségolène Royal, um capítulo - dois, vá - sobre o assunto compreende-se, mas sete (!) em onze, 77 páginas em 132, é um pouco demais. Sobretudo quando não há um mínimo de debate ideológico, apenas e só críticas à estratégia de campanha de Ségolène Royal (muito embora várias dessas críticas sejam bastante válidas). Das críticas de Jospin com que não concordo deixo algumas. Jospin critica Royal por levar o debate para fora do partido socialista, em particular para a internet (com o seu site "Désirs d'avenir"); Jospin não percebeu o que é a democracia participativa e tem do partido uma visão que não desdenharia aos mais ortodoxos militantes do PCP. Jospin insurge-se contra o termo "elefantes" para designar os elefantes do PSF, desqualificando-o como falta de respeito; Jospin foge a abordar o verdadeiro problema, os elefantes existem, são os chefes de clã de um PSF divido em facções em que a única coisa que importa é o ego. Jospin diz que os elefantes até ajudaram Ségolène na campanha, e que é ela quem é ingrata quando os acusa de não a apoiarem e de a sabotarem; não sei se aqui Jospin peca por cegueira ou por desonestidade. O principal argumento de Jospin é que as condições eram favoráveis para uma vitória da esquerda porque a esquerda vinha de resultados eleitorais positivos e a direita que estava no poder era impopular; Jospin faz por ignorar que as eleições regionais e europeias são a feijões, minimiza o resultado do referendo à constituição europeia que dividiu internamente o PSF, e faz tábua rasa do talento de Sarkozy (reconheça-se) que conseguiu aparecer como o unificador da direita ao mesmo tempo que se demarcou da governação de Chirac, embora fosse seu ministro. As condições não eram de todo favoráveis à esquerda.

Continua...

Movido à overdose de anti-inflamatórios e analgésicos, Led Zeppelin renasce em Londres

Movidos a muitos anti-inflamatórios, analgésicos e outras drogas pesadas geriátricas, o Led Zeppelin renasceu ontem em Londres depois de 27 anos . Juntos, os "meninos" do heavy blues-rock somam 183 anos de idade. Vejamos então: o vocalista Robert Plant tem 59, o guitarrista Jimmy Page, 63 e o baixista John Paul Jones, 61 - já que o baterista Jason Bonham, filho do quarto membro original da banda, John Bonham (morto em 1980, motivo que decretou o fim da banda) não conta.

Blogofrase da semana

«Quando conseguir ser português saio logo daqui» (imigrante africano ao Público), in Os tempos que correm.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Ay, Carmela! e a dramaturgia de Sinisterra

O Instituto Cervantes de São Paulo e a Velha Companhia de Teatro realizarão, nos dias 10, 11 e 12 deste mês, uma série de palestras sobre teatro com o dramaturgo José Sanchis Sinisterra (Valência, 1940), uma das figuras mais expressivas do teatro espanhol. Como diretor, montou obras de Cervantes, Lope de Rueda, Molière, Racine, Shakespeare, Tchecov, entre outros. Ele é autor de mais de 30 textos teatrais e algumas de suas obras mais representativas são: La noche de Molly Blomm; Ay, Carmela!, El Canto de la Rana, Valeria y los Pájaros, Bienvenida, El Cerco de Leningrado e etc. Veja abaixo o programa, com entrada franca.

Debate sobre dramaturgia contemporânea - Centro Cultural SP
Mediação: Sebastião Milaré.
Dias 11 e 12, às 20 horas .
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso

Bate-papo sobre a criação do texto Ay, Carmela! - Espaço Parlapatões.
Dias 10 e 12, às 18 horas.
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158 - Centro

Sessão extra do espetáculo Ay, Carmela! - Espaço Parlapatões.
Produzido pela Velha Companhia, com a presencia do autor.
Dias 10 e 12, às 21 horas.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Prenda de Natal para o Zèd, with LUV

É verdade, Zèd, afim de escapares a hérnias futuras por esse exercício esforçoso (mas louvável) que é o transporte de garrafitas, reservei-te uma prendoca laroca aqui! Agora só falta saber qual é a tua cor preferida para a torneirita...
Como no começo custa sempre um bocadito a adaptação às novas tecnologias, eles tiveram o cuidado de inserir uma demonstração video: ora ide lá ver.
Simple et pratique, comme toutes les inventions! C'est formidable. À nous, le nouveau monde du vin! Tchim, tchim!!

O mistério do Robert Mugabe

Agora que os presidentes da África do Sul e do Senegal afirmaram que não assinam os acordos de parceria económica Europa/África (o presidente senegalês volta a casa antes mesmo do término da Cimeira UE/África), vem ao de cima a negativa de muitos países africanos que apenas a imprensa séria há muito noticiava.
Portanto, neste momento, tudo indica que apenas o lado folclórico da Cimeira consegue reunir consenso, o que é o mesmo que dizer, Kadafi e Mugabe. Mas, sobre este último paira uma dúvida insistente e angustiante:

Aquela sombra que o senhor exibe entre o lábio superior e a base do nariz será um projecto de bigodinho na vertical? (esses homens pequenos homens e seus bigodinhos…).
Ou será um terrível sinal de nascença que o marcará para sempre e ao Zimbabwe também?

Europa-África: desconhecimento mútuo

Decorreu em Lisboa, durante o fim-de-semana, a Cimeira União Europa-África, organizada pela presidência portuguesa da UE. No topo da agenda estão em discussão acordos de parceria económica, embora também se discutam questões de segurança, direitos humanos, mobilidade, educação, ciência e tecnologia. À margem da cimeira oficial, foi organizada uma cimeira alternativa que denunciou os malefícios dos acordos comerciais, a falta de atenção aos direitos humanos (o conflito no Darfur, as ditaduras na Etiópia e no Zimbabwe) e os entraves à imigração.
Convinha igualmente promover o conhecimento histórico mútuo para uma melhor compreensão dos problemas actuais e para a definição de estratégias efectivas de cooperação, em pé de igualdade.
Ontem, António Pinto Ribeiro escrevia no Público que a imagem global que a Europa tem de África é marcada por 3 preconceitos: a ideia de uma homogeneidade/ausência de diversidade; a ideia de que o "continente negro" é apenas "natureza"; a ideia de que os africanos não se conseguem relacionar com a contemporaneidade.
Hoje, de manhã, Manuel João Ramos lembrou no Rádio Clube que em Portugal há um enorme desconhecimento de uma grande parte de África, de tal maneira que ontem muitos representantes à cimeira não comeram porque, à refeição, lhes foi apresentada carne de porco.
Este desconhecimento não é unilateral; tem dois sentidos. As academias dos países europeus e africanos têm especial responsabilidade de inverter esta situação.
Quatro centros de estudos africanos de universidades portuguesas deram recentemente um importante passo nesse sentido: criaram a Biblioteca Central de Estudos Africanos, numa ala da Biblioteca do ISCTE (Lisboa), com uma colecção generalista e multidisciplinar sobre África, constituída por 15 mil volumes.
Na próxima sexta-feira, às 17.30h, na Culturgest teremos ainda oportunidade de ouvir "A África perante o futuro: que recursos, que capital?", conferência proferida pelo historiador francês de origem congolesa, Elikia M’Bokolo. Seguidamente será lançado o seu livro África Negra – História e Civilizações, do Século XIX aos nossos dias. A apresentação estará a cargo de Alfredo Margarido.

O Chinon?

Pensava eu estar numa pausa na minha pesquisa de vinhos franceses, quando se deu a mais improvável das circunstâncias: uma amiga americana com quem jantava num restaurante do médio oriente deu-me a conhecer um vinho francês. Finda a tarefa de escolher o que comer - dum ménu com especialidades que têm tanto de apetitoso quanto a sua pronunciação tem de inverosívil (para a nossa parca capacidade fonética ocidental) - o empregado de mesa pergunta se queremos um vinho para acompanhar. A minha amiga pega na carta dos vinhos e dá uma olhada. E ela "Então que tal um Chinon?", e eu de mim para mim em pensamento "O quê?, os chinocas, como se não bastassem os texteis, agora também fazem vinho? Já chega os australianos...", e eu para ela "Chi-quê?", e ela outra vez para mim "Chinon, é um vinho do Val de la Loire", e eu para ela "Isso é aquela região onde há muitos Castelos não é?", e ela - cheia de paciência - para mim "Sim, mas também fazem um vinho ligeiro que é bastante bom", e eu para ela "Pode ser". OK, não me lembro dos detalhes do diálogo, talvez haja algumas imprecisões, mais isso agora não interessa nada. Bebemos então o Chinon a acompanhar as especialidades com tempero de menta similares, e a mélange não resultou nada mal. Deitei-me logo a analisar o Chinon na minha escala de classificação Bordeaux vs Bourgogne, e a coisa deu mais para o Bourgogne. Entretanto fui procurando um pouco mais de conhecimento empírico sobre o assunto e um par de garrafas mais tarde encontrei um Chinon Domaine du Beauséjour, de 2004, que me serviu de garrafa tipo para este post. O Chinon é um vinho não muito encorpado, pelo contrário, de paladar ligeiro, assim a dar mesmo para os frutos silvestres (normalmente isso dos frutos silvestres é tanga, mas se há um vinho em que senti realmente o aroma de frutos silvestres* é o Chinon). O Chinon é feito predominantemente com uvas da cepa Cabernet Franc, e no caso do Domaine du Beauséjour é 100% desta casta. É um vinho não muito alcoólico, 12-12,5% nos dias que correm não é muito. Curiosamente, para um vinho "levezito" tem uma cor a atirar para o escurito (eu nunca percebi muito bem a importância da cor do vinho em si mesma, o paladar é que importa, mas como é sempre referido eu não vou furgir à regra - mas para mim desde que não seja esbranquiçado, o que inclui o cor-de-rosa, está tudo bem). Pessoalmente acho que é um vinho que vai muito bem em refeições que não são do tipo enfarta-brutos, um peixe no forno, bacalhau, ou refeições ricas em legumes. Também vai muito bem com queijos.

*Não é de excluir a possibilidade de, ao fim de tanta tentativa, o meu paladar estar finalmente a desenvolver alguma sensibilidade aos aromas mais subtis.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Para 'desnaturalizar' o pensamento neoliberal



Com o intuito em não barricar ainda mais este debate (em curso?), penso que seria interessante recentrá-lo para uma questão que é essencial e que parece ser relativamente secundarizada pela esquerda mais libertária’. Refiro-me ao pensamento neoliberal que se vai naturalizando cada vez mais nos discursos e práticas políticas. É necessário desnaturalizar essa lógica: quebrar o seu raciocínio binário e exclusivista de modo a romper com a sua aparente inevitabilidade. Das várias dicotomias propagandeadas, a que opõe Estado ao Mercado talvez seja a mais marcante. Quando certa esquerda envereda pela senda da destituição abrupta do Estado parece que se esquece que existe mercado e um discurso muito poderoso que sustenta a universalidade da sua desregulação. Encetar uma luta absoluta contra o Estado sem construir um contraponto, uma alternativa viável ao pensamento neoliberal, demonstra, quanto a mim, uma tremenda irresponsabilidade. A actual forma do Estado se organizar tem de sofrer uma enorme transformação, é verdade, mas esta não passa pela sua destruição.


Uma outra dualidade que é importante questionar diz respeito à que opõe sistematicamente os trabalhadores que estão (ainda) 'integrados' no sistema laboral e os excluídos (os que estão fora deste). É comum ler-se e ouvir-se uma retórica que estabelece uma relação linear (de causa-efeito) entre a perda de direitos (considerados exagerados) por parte dos primeiros para que os segundos se possam integrar melhor. Esta visão é particularmente eficaz na medida em que pretende, até certo ponto, ofuscar a noção de que a sociedade pós-capitalista se encontra estratificada em classes. Face à composição vertical da pirâmide social (característica das sociedades industriais), sugere-se que, actualmente, as desigualdades mais determinantes se geram horizontalmente, ou seja, no seio dos grupos ‘despossuídos’ de meios de produção: os trabalhadores por conta de outrem. Quanto a mim, essa interdependência é artificial e está por demonstrar. Não é líquido que redução dos direitos dos supostamente integrados se transfira no incremento de apoio social e cívico aos que estão fora do sistema económico. E sobretudo não é nada líquido que seja esta dicotomia a origem da exclusão e da assimetria social. Pelo contrário, parece-me (é uma mera intuição) que em muitos casos a redução de direitos em certos sectores do trabalho assalariado não implica um aumento minimamente relevante dos níveis de integração das camadas populacionais mais desprotegidas.

Não questiono a necessidade de reajustes (alguns significativos) no equilíbrio entre direitos e obrigações de alguns estratos profissionais, nomeadamente no interior da administração pública (por exemplo, as mudanças de ordem demográfica implicam necessariamente reconfigurações no que concerne ao prolongamento do tempo da vida activa, etc.). O que questiono é o abuso político e ideológico que se faz de uma relação de causa - efeito que está por demonstrar. Penso que um dos princípios orientadores dessa tal narrativa, que falávamos nuns posts atrás, passa pela desnaturalização da oposição entre ‘instalados’ vs ‘excluídos’. As verdadeiras razões que acentuam as desigualdades sociais encontram-se muito mais a montante. São razões intrínsecas à lógica de funcionamento do próprio sistema capitalista globalizado...

O regresso de Supersocas!!!

Ele está de volta, amiguinhos!!
Supersocas regressa para salvar a Europa e África... Ou será, antes, para salvar o mundo da Europa e de África? Ou para salvar África da Europa?
Veja tudo aqui e ajude o nosso herói na luta contra os mauzões deste e doutros mundos (o blogosférico, por ex.).
Simplesmente imperdível!!!
V
PS: deixem também a petizada ajudar nesta luta final!

Está comprovado: excesso de milhas aéreas produz efeitos no cérebro

"Portugal é o país mais africano da UE"

José Sócrates/ Presidência portuguesa da UE

Os meus cinco filmes

Em nome do pai, o primeiro (e único) filme que me fez chorar.
Rapariga com brinco de pérola, por causa da interpretação quase muda da Scarlett Johansson.
Kiriku uma belissima animação para crianças, mas que os adultos também adoram.
E todos os do Almodóvar que couberem aqui.

Passo ao DjImbecil

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A narrativa a partir da rua

Em jeito de adenda a este post do Renato, com o qual concordo sem alterar um vírgula, dou uma achega à questão da "narrativa a partir da rua". Se bem percebo do post do Renato essa narrativa inclui, mas não se limita, a manifestações, greves e acções de protesto. Entendo essa narrativa de um modo muito mais amplo, englobando tudo o que a sociedade civil pode fazer "enquanto elemento (re)organizador dos sistemas sociais económicos" (para utilizar as palavras do Renato).
Dito isto, eu sou um gajo que até gosta de Manifs. Quanto maiores melhor. Acho que Manifs, Greves e acções de protesto podem ser muito úteis ao(s) combate(s) da esquerda, conquanto - pequeno pormenor - sejam em defesa de uma causa justa. Mais ainda, como acredito na democracia, acho que os movimentos de protesto na rua são úteis se, e apenas se, tiverem influência sobre a opinião pública. Sobretudo se, por último, influenciarem positivamente o sentido de voto dos eleitores. Não concordo que o protesto possa ser um fim em si mesmo, nem que seja O meio de atingir os objectivos da transformação política, social, económica que a esquerda defende. Que é, se bem percebo (e que me desculpe se interpretei mal) o que defende Rick Dangerous. Como saber então quando e como protestar? Obviamente com sentido crítico, auto-crítico (coisa que bastantes vezes falta à esquerda, mas mais ainda à direita). É preciso avaliar se as causas são realmente justas, em coerência com os princípios da esquerda, e - com um pouco de pragmatismo - avaliar que impacto o protesto vai ter na opinião pública. Acredito que quase sempre as duas coisas andam juntas, porque afinal o cidadão tem um sentido de justiça.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Da rua à prática política

As investidas da direita contra o Estado social visam um só objectivo: substituir o Estado pelo mercado. Como se entre estas duas instâncias não existisse mais nada. No entender do discurso económico dominante (infelizmente, parece que deixou de haver discurso económico de esquerda), tanto o Estado, como o mercado são constituídos, basicamente, por factores de racionalidade. Nesta óptica, a racionalidade do mercado gira fundamentalmente em torno da maximização de ganhos e da minimização de custos, enquanto a racionalidade do Estado é, do seu ponto de vista, essencialmente reprodutiva, no sentido da manutenção dos interesses instituídos.
Por outro lado, fora destas instituições parece que domina a irracionalidade. Para estes iluminados, a sociedade civil é um logro e uma inutilidade. Quando se manifesta move-se segundo as batutas manipuladoras de algumas organizações que lhe são exteriores, como é o caso dos partidos ou dos sindicatos. Por este motivo, sempre que a rua ganha aos parlamentos ou às bolsas, é porque foi instrumentalizada. Nunca reconhecem racionalidade à rua, encaram-na, na maior parte das vezes, como um bando de alienados cuja motivação é simplesmente insondável e, por isso, muito pouco racional.
Face a esta visão, conservadora no que diz respeito ao Estado e liberal no que concerne ao mercado, é necessário encetar um contraponto… Uma outra narrativa que conte uma história diferente sobre a natureza da sociedade civil e da sua importância enquanto elemento (re)organizador dos sistemas sociais económicos. Uma narrativa que a partir da rua construa novos horizontes ao Estado, ao mercado e também à democracia. As movimentações de protesto representam um ponto de partida que não culminam com o recuo, meramente circunstancial, do Estado (ou do mercado). O protesto gera consciência e esta, por sua via, deverá gerar discurso e acção.
Muito bem, provavelmente até aqui as várias esquerdas estarão de acordo. O problema é quando na rua surgem diferentes narrativas que, em certa medida, parece colidirem ou, pelo menos, são aparentemente inconciliáveis. Por exemplo, veja-se o caso francês, nas últimas semanas tivemos simultaneamente uma greve dos sindicatos e trabalhadores, e o ressurgimento dos protestos nos subúrbios das maiores cidades. Em traços muito redutores podemos dizer que os primeiros protestam contra a perda de alguns direitos legitimamente instituídos e que os segundos clamam contra a sua contínua marginalização no acesso a determinados direitos básicos. Face a este desequilíbrio a direita (e alguma esquerda?) não tem dúvidas na resposta a dar: corte-se nalguns direitos dos primeiros para que os segundos possam aceder a um pouco mais. Basicamente a ideia é: nivelar por baixo.
E qual é a proposta da esquerda? Anunciar a ineficácia do Estado, da democracia e propor a realização de uma greve geral? Quanto a mim, essa já não pode ser a receita (se é que alguma vez foi?). O pior que pode acontecer à esquerda é que a rua se divida e se barrique na defesa de interesses particulares e supostamente antagónicos. Transformar o Estado e a democracia como os inimigos a abater é um erro crasso por parte da esquerda. É, basicamente, dar uma margem ainda maior para que o poder económico e financeiro transnacional se reproduza e continue a acumular. Face a isto é preciso encontrar uma outra narrativa, uma racionalidade que agregue na mesma reinvidicação o acentuar contínuo da precarização ao ciclo vicioso da marginalização. É necessário propor alguma coisa, um caminho… algo de concreto: uma prática política.
Nota: este post é uma versão aumentada de um outro publicado aqui.

Quero bis

Os filmes que vi e quero voltar a vê-los.
Não necessariamente nesta ordem.

Bird (Bird)
Clint Eastwood trouxe pra tela uma das minhas
maiores
paixões musicais: Charlie Parker.

Dr. Strangelove (Dr. Fantástico)
Stanley Kubrick me deixou zonzo de tanto rir.

Cet Obscur Objet Du Désir (Esse Obscuro Objeto do Desejo)
Porque foi o último filme de Buñuel.

Hable Con Ella (Fale com ela)
Almodóvar muda de estilo, mas não perde
a
sensibilidade. A cena do homem que vai
encolhendo, encolhendo
até entrar na vagina
da
mulher é um momento de pura poesia.

Apocalypse Now (Apocalypse Now)
O melhor filme de guerra que assisti.
E também por Copolla incluir na trilha
sonora o The Doors (The End), uma
das minhas bandas de rock preferidas.

Ah, e Vidas Secas, um filme de Nelson Pereira dos
Santos, baseado na obra de Graciliano Ramos.
O melhor tupiniquim.

Putzz, e a obra completa de Chaplin.

Agora passo a peteca para a Iolanda.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Escolhas particulares

Na adolescência: westerns, o ciclo de Humphrey Bogart (numas férias da Páscoa), alguns com Marlon Brando, Gata em telhado de zinco quente, Os amigos de Alex.
Hoje: Um dia inesquecível (Ettore Scola); Paris Texas (Win Wenders); Disponível para Amar (Kar-wai Wong); Uma história de violência (David Cronenberg); A vida dos outros (Florian Henckel von Donnersmarck).
Amanhã: who knows?
Segue para o Manolo [Em tempo: Central do Brasil e Volver;)]

Será o debate exequível?

Concordo com o Rentato, não gosto de barricadas, menos ainda de barricadas dentro da esquerda. Barricadas e debate não combinam muito bem. No debate entre o Hugo Mendes e o Zé Neves (que foi um debate que endureceu a dada altura, mas vou deixar isso de lado) notou-se bem uma barricada que frequentemente se ergue entre o centro-esquerda e a esquerda da esquerda: a questão da exequibilidade (realismo, pragmatismo, o que quiserem chamar-lhe) das políticas. É uma barricada que me parece útil e exequível desmontar, e de ambos os lados há telhados de vidro. O Hugo Mendes usou a imagem da bolha para uma parte da esquerda. Vivem numa bolha, desligados da realidade, porque as suas propostas políticas não são passíveis de serem postas em prática, o que torna o seu discurso político estéril. Resumindo o argumento do Hugo com as suas próprias palavras (tiradas de um comentário que deixou a um post do Renato):

"Pensar de forma clara significa, entre muitas outras coisas, perceber que as pessoas do mundo lá fora, pouco politizadas, mas que são cidadãos como nós, para além das pessoas que votam, não querem saber da democracia enquanto "movimento constituinte". No limite, isso são chavões (...) SE não houver propostas concretas e exequíveis que traduzam esse discurso para políticas públicas específicas."

O Zé Neves contrapõe (num comentário a um post no O de Conduta)

Eu não apresento propostas políticas "exequíveis" SE com exequíveis se pretende definir aquilo que seja realista aplicar no quadro político institucional actual. Eu apresento propostas políticas "exequíveis" se baseadas em princípios e em princípios cuja "exequibilidade" tem como primeiro critério não o que seja "sensato" do ponto de vista das "políticas públicas" - e isto não quer dizer que não é possível que o sejam - mas sim aquilo que seja desejável do ponto de vista dos tais "cidadãos despolitizados". A política para mim começa aqui: em tomar partido em nome de princípios - nem tanto morais mas sim ideológicos - que se formam e reformam democraticamente no contexto de formação de um poder constituinte de uns contra o poder de outros.

Chamem-me esquizofrénico se quiserem, mas à partida concordo com os dois. Como não concordar com o Zé Neves? Naturalmente que antes de qualquer política vêm os princípios, morais, e, sobretudo, ideológicos. Mas no entanto o que diz o Zé Neves é insuficiente. A ideologia diz-nos QUAIS são os objectivos a atingir, mas não nos diz necessariamente COMO os vamos atingir, muito menos SE conseguiremos atingi-los. Nesse aspecto a sua posição é até algo cândida, como se simplesmente querer algo fosse suficiente para atingi-lo. Ora, para nos lixar o esquema, há sempre a realidade, que como todos sabemos é uma chata. Acontece que, e é aqui que eu estou de acordo com o Hugo, é preciso saber quais as políticas que vamos pôr em prática e, principalmente, se vão efectivamente dar os resultados desejados. Um exemplo concreto: para reduzir o desemprego um possibilidade - que geralmente agrada à esquerda - é reduzir os horários de trabalho para criar mais empregos. A questão é saber se reduzir os horários de trabalho vai realmente criar mais emprego (e podia dar como exemplo a reforma aos 50 anos, ou coisa do género). Para responder a estas perguntas é preciso recorrer à economia, à ciência política, às ciências sociais, e tudo o que possa ajudar a encontrar respostas. Mas é preciso sobretudo, para lá da ideologia - diria mesmo independetemente da ideologia -, saber se as propostas políticas terão os efeitos desejados. Recusar isto é recusar a realidade. Não é César quem quer, é César quem pode.

Agora onde eu não posso estar de acordo com a imagem da "bolha" é não sua utilização de modo genérico, num debate em que se discutem princípios, a esquerda, a democracia. Num debate específico, sobre um tema em particular, se um grupo (ou pessoa) se mostrar desligado da realidade, é normal utilizar esse argumento, é aí que se deve fazê-lo. No entanto, mesmo que demasiadas vezes uma parte da esquerda tenha propostas irrealistas, não exequíveis, usar a "bolha" como um rótulo torna-se numa espécie de falácia genética. Uma coisa do género: "Ah!, e tal... Tu és de extrema-esquerda e não sei que mais, logo as tuas propostas não são exequíveis, e coiso. Nem vale a pena saber que propostas são essas."

Debate?

Parece que há uma espécie de debate entre a esquerda, bem, eu não lhe chamaria propriamente debate de ideias quando o objectivo parece ser o de construrir novas (ou "velhas") barricadas. Não alinho em rotulações simplistas e, sobretudo, não me interessa discutir tendo por base uma visão bipolar da História e da Esquerda. O debate para ser sério tem de partir de alguma honestidade intelectual em admitir que nem tudo é linear. Acho piada que se avance com o único argumento da tradição histórica quando faltam todos os outros. Entendo que a esquerda deve apontar para novos rumos, deixo aqui o esboço para alguns (são coisas que fui escrevendo noutros blogues): 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A democracia musculada (duas interpretações)

Tinha prometido no final deste post uma cronologia dos acontecimentos na minha universidade, mas fui não fazendo, não fazendo, até a coisa se diluir um bocado no meu espírito. E também na realidade: desde a semana passada a vida em Rennes 2 voltou à normalidade, por meio de uma nova espécie de "democracia musculada": a maioria, que já se tinha manifestado em referendo, entrou nas partes ocupadas da universidade por uma minoria, e foi-se reapropriando delas, sem violência, ao longo de vários dias. Se tiverem curiosidade, podem ler os inúmeros comunicados da presidência da instituição, que dão uma ideia do que foi acontecendo, a partir, claro, de um ponto de vista específico. Desde que o bloqueio terminou, passou a ser possível um debate crítico na universidade sobre a nova lei.

Entretanto, ontem o nosso Sarkozy foi a Argel e fez um belo discurso pós-colonial, cheio de trabalho da memória, reparação das injustiças e o diabo a sete. É o mesmo que na semana passada, e a propósito dos tumultos em Villiers-le-Bel, voltou a usar a retórica dos "voyous" (vadios, marginais), como já tinha usado a da "racaille" (escória) quando era ministro das polícias.

(O que critico aqui, como já tinha feito o Zèd ali em baixo, não é a perseguição dos responsáveis pelos crimes cometidos; é o facto de essa ser sempre a única resposta para um problema que vai continuar depois das expeditas prisões e condenações; e é o facto de a linguagem insultuosa de Sarkozy se dirigir implicitamente, como toda a gente sabe, a toda uma parte da população. Enquanto não há culpados apurados pela justiça, enquanto os inquéritos ao conjunto dos incidentes não estão feitos, o presidente-crs vai lançando insultos que se dirigem não só aos autores de crimes mas a toda a população lumpen, etnicamente discriminada, dos subúrbios)

Ontem foi pós-colonial o nosso Sarkozas! Quando nos últimos anos tem vivido de alimentar o ranço neocolonial.

Qual será o verdadeiro Sarkozy? O de Argel ou o amigo das interpelações de rua a jovens negros ou com cara de magrebinos? Ou será ele esquizofrénico? Ou seremos nós os esquizofrénicos por não o sabermos/podermos combater?


PS: A propósito, sobre o assunto da discriminação em França, de etnias e de classe, recomendo um livro muito bom, muito justo e ponderado, muito explicativo (não justificativo, é para compreender mesmo...). De Robert Castel, saído há pouco, "La discrimination positive". É este aqui

“No”: um recado direto para Morales, Correa e Lula

Ao contrário do que muita gente imagina, a vitória do “não” na Venezuela tem mais consequências no campo externo do que interno. Internamente, Hugo Chaves continuará com os seus superpoderes, pois as mudanças pretendidas no referendo, que afetariam apenas 69 dos 350 artigos da Constituição, foram aprovadas pela Assembléia Nacional venezuelana (controlada há muito tempo por partidários chavistas), que deu a ele, em janeiro último, poderes amplos para governar por meio de decretos. Essa lei o autoriza a ditar decretos com força de lei em 11 áreas durante um período de 18 meses, mas poderá facilmente ser renovada pelo Legislativo em qualquer momento.

Com relação aos Estados Unidos, nada muda agora. Os dois países continuarão mantendo as suas relações de interdependência. Ou seja, Hugo Chaves precisa vender aproximadamente 50% de seu petróleo (número que chegou bater a casa dos 80%) para os ianques e os ianques não podem prescindir desse petróleo para tocar os seus carrões beberrões. O que mudará talvez será apenas o comportamento pessoal do “el diablo” Bush, que nesta altura deverá estar saltitando feito um anuro entorpecido pelos labirintos da satânica White House.

no contexto latino-americano, onde Cháves tenta exportar o seu modelo político, a derrota do “sim” representa um balde de água fria em muitas cabeças afoitas. São os casos específicos do Equador e da Bolívia, que deverão interpretar a derrota chavista como um sinal de alerta. Mesmo porque Rafael Correa (Equador) governa com minoria parlamentar, cuja maior diversão é destituir presidentes eleitos, e Evo Morales (Bolívia) tem apenas 1/3 do país sob o seu controle.

No Brasil, a derrota de Hugo Chávez foi um recado direto ao PT que defende mudanças na Constituição para viabilizar um terceiro mandato de Lula. Apesar de o presidente brasileiro se colocar publicamente contrário a esta alternativa, tem se empenhado muito pouco ou quase nada em conter os ânimos de seus correligionários petistas alardeadores da "re-releição". Ao contrário: faz vistas grossas e deixa rolar por toda Terra Brasilis esse imenso balão-de-ensaio. Se ele tinha alguma dúvida, acho que o eleitor venezuelano o esclareceu.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Olha, olha, se calhar o anónimo afinal era o Pedro Arroja...

Eu gostava de responder este post do Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo (a que cheguei através deste post do Arrastão), mas não gosto de me repetir muito. Basta fazer um link para o que escrevi em resposta a um comentador anónimo deste post do Womenage A Trois. O que é engraçado é o post do Pedro Arroja parecer-se tanto com a conversa do dito anónimo. Será coincidência?

"Na realidade, no dia em que os nossos antepassados tivessem aceite a homossexualidade como regra geral do comportamento humano teria sido o dia em que a sua cultura - ou, mais geralmente, a humanidade - teria iniciado o caminho para a sua própria extinção." Arroja dixit

Ao Pedro Arroja (e ao anónimo), vale a pena relembrar que essa ideia de que a homossexualidade leva à extinção é - do ponto de vista Darwiniano - ERRADA!!! Expliquei porquê no tal post. De evolução o Pedro Arroja percebe muito pouco, e de racional o seu post não tem nada.

Haverá algum resquício de totalidade na esquerda?

"O primeiro progresso de um espírito impressionado com a sua singularidade consiste em reconhecer que partilha essa mesma singularidade com todos os homens e que a realidade humana, na sua totalidade, sofre com essa distância relativa a si própria e ao mundo".
Albert Camus, O Homem Revoltado

Hugo Chávez: por ahora no pudimos

Foi apertado. No referendo realizado ontem,
o ''não'' teve 50,7% dos votos e o ''sim'' 49,29%.
Mais informações no El Universal e no Diario 2001.

Não sou capaz...

de dizer só cinco filmes preferidos, Renato. Acho mesmo uma violência... como é possível ter apenas cinco filmes preferidos, cinco livros preferidos, cinco músicas preferidas? É pouco, absurdamente pouco. O mundo está cheio de coisas magníficas. Escolher cinco parece-me mal... mas para não quebrar a cadeia, coloco aqui os filmes que tenho no meu perfil... são mais de cinco, mas acho que não faz mal. Sem nenhuma ordem...

Magnólia - P.T. Anderson
Citizen Cane - Orson Wells
Jules et Jim - François Truffaut
Henry the Fool - Hal Hartley
The Birds - Alfred Hitchcock
Play Time - Jacques Tati
Los Lunes al Sol - Fernando Léon de Aranoa
Los Amantes del Circulo Polar - Julio Medem
Todo sobre mi Madre - Pedro Almodóvar
Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios - Pedro Almodóvar
Italian for Beginners - Lone Scherfig
Hapiness - Todd Solondz
Dogville - Lars Von Trier
Les Réseaux Sauvages - Andre Techiné
Le Genou de Claire - Eric Rohmer
Bleu - K. Kieslowski
Le Soleil Trompeur - Nikita Mikhalkov
O Sacrifício - Andrei Tarkovski
Le Vent nos Emportera - Abbas Kiarostami
Naked - Mike Leigh
Un Affaire de Femmes - Claude Chabrol
Palombela Rossa, Aprile, Caro Diario - Nani Moretti
La Haine - Mathieu Kassovitz
Pulp Fiction, Reservoir Dogs - Quentin Tarantino
Annie Hall, Manhatan - Woody Allen

e... bom, é melhor parar por aqui... passo à Cláudia Castelo a cadeia.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Grafitti com vida... (impressões madrilenas II)

Como a malta do grupo excursionista era muito 'pudorenta', tivémos que desenrrascar um cromo lá do bairro para interagir com a arte da rua. Manias... Ora digam lá se não ficou melhor o muralito animado.
Nb: o grafitto fica algures, próximo da madrilena Gran Via, e mais não digo.

Advento

«Homem, se queres dizer a essência da eternidade,
Primeiro deves privar-te por completo da linguagem (...)»

Angelus Silesius (1624-1667)

La mort c'est une chose impossible

Morreu na quarta-feira, com 53 anos, o músico francês Fred Chichin, guitarrista e compositor dos magníficos, dos poderosos, dos mortais Les Rita Mitsouko. Fica aqui o clip de "Même si", canção do último disco, "Variety", com Fred na guitarra e a voz de Catherine Ringer.

sábado, 1 de dezembro de 2007

A ler (sobre o conflito nas banlieues)

Dia Mundial de Luta Contra a Sida (Aids)

O laço vermelho é símbolo de solidariedade na luta contra a Sida e foi criado (1991) pelo Visual Aids, grupo de profissionais de arte , de New York, que queriam homenagear amigos que haviam morrido ou estavam morrendo de Sida.