Começa hoje, no Instituto Franco-Português, o ciclo de cinema dedicado ao Maio de 68. O filme de abertura é «Loin du Vietnam», do colectivo SLON. A acompanhar, como prato de jantar, temos «L'imagination prend le pouvoir». A restante programação pode ser consultada aqui.segunda-feira, 5 de maio de 2008
Maio de 68 em película
Começa hoje, no Instituto Franco-Português, o ciclo de cinema dedicado ao Maio de 68. O filme de abertura é «Loin du Vietnam», do colectivo SLON. A acompanhar, como prato de jantar, temos «L'imagination prend le pouvoir». A restante programação pode ser consultada aqui.
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Daniel Melo
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domingo, 4 de maio de 2008
Pequena provocação, au passage
O Maio de 68 foi um acontecimento que teve lugar em França, mais precisamente em Paris, mais precisamente no Quartier Latin, mais precisamente nas ruas ali à volta da Sorbonne. Durou um mês, mês e pouco. Foi espacialmente e temporalmente tão limitado e fala-se ainda hoje tanto. Será que é pelas grandes manifs? Fui procurar, e de facto a maior manif de sempre jamais realizada em França (diz que) foi em Maio de 68, a 30 de Maio mais precisamente. Hélas foi uma manif de direita, nos Champs Elysées, contra o estudantes que manifestavam no Quartier Latin (ver vídeo). Terá sido uma grande vitória política? Em Junho de 68, na sequência dos acontecimentos de Maio, de Gaulle convocou eleições que se saldaram por uma vitória clara da direita, subindo largamente a votação em relação às eleições anteriores. Terá sido uma vitória política a longo prazo? O único presidente francês de esquerda, depois de 68, foi François Mitterand, que não é propriamente o preferido dos soixantehuitards, enquanto que presidentes de direita foram cinco. Quanto aos governos o panorama não foi muito diferente. Terá sido o nascimento de um novo projecto político? Um não, uma data deles, a fragmentação da esquerda, sobretudo à esquerda do PSF, começou com o Maio de 68, com fenómenos tipo Arletre Laguiler e similares, e continua até hoje. Entre outras proezas conseguiram levar Le Pen à segunda volta das presidenciais de 2002 (curiosamente a Frente Nacional só é fundada em 1972). Terá sido o nascimento de uma nova consciência política? Talvez a daquela esquerda que não gosta do poder, que esperam fazer oposição até que os governos de direita (eleitos) ponham em prática uma política de esquerda. Até Sarkozy na campanha eleitoral do ano passado culpou a geração do Maio de 68 pelos males da França (espantoso, já que a dita geração nunca esteve no poder) e conseguiu ainda assim ganhar as eleições.
P.S. - Por favor não me digam que foi uma vitória moral, que se conseguiu chamar a atenção, que foi giro, etc...
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sexta-feira, 2 de maio de 2008
O 2 de Maio e Goya em tempos de guerra e guerilha
Nb:
É a construção europeia a duas velocidades
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Zèd
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I saw a man pursuing the horizon aka "Vanishing point"
I saw a man pursuing the horizon;
Round and round they sped.
I was disturbed at this;
I accosted the man.
"It is futile," I said,
"You can never -- "
"You lie," he cried,
And ran on.
*aka "vanishing point" não é do Stephen Crane. É da Vallera para a Filipa, a Clara, o Francisco, o opus night, a Pat, a Ju, a Raquel, o Rui e todos os outros que escrevem %$#=" (teses).
Bold meu.
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
Continuo a ler o Blasfémias na esperança de ver um dia João Miranda a justificar uma afirmação
E por falar em erro metodológico, João Miranda que é um excelente bloguer conhecido pela sua prosa clara, concisa, directa e objectiva comete sistematicamente um erro metodológico: omite sempre qualquer argumento que possa justificar as afirmações acertivas que faz amiúde. Assim é bem mais fácil ser claro conciso, directo e objectivo. Por exemplo seu acabasse aqui o post seria um post à João Miranda, mas não, vou dar dois exemplos:
A propósito da ministra da defesa espanhola que passa revista às tropas grávida, João Miranda acha que só pode tratar-se de usar a imagem de uma mulher como bibelot. E se alguém achar que se calhar a dita ministra até foi nomeada para o cargo por ser competente João Miranda diz que pode até ser mas continua a ser um bibelots. Mas porquê um bibelot? Porque sim! Quando se faz uma afirmação dessas deve ter-se uma boa razão, não? Sim, e João Miranda tem seguramente uma boa razão, mas se perdesse tempo a explicar deixaria de ser claro, directo, conciso e objectivo, e isso é que não pode ser. E ademais uma mulher só pode ser um bibelot, é tão Lapalaciano que nem é preciso justificar. É preciso explicar?
E volta à carga com o 25 de Abril, em resposta a este texto de Rui Tavares (por sinal das coisas mais hilariantes que li nos últimos tempos). Para João Miranda o 25 de Abril é tão responsável pela universalização das pensões, do sistema nacional de saúde, das férias pagas, como pelo aparecimento do iô-iô, do cubo mágico e das cassetes do Tomás Taveira. Umas e outras apareceram depois do 25 de Abril, e portanto umas são tão consequência do 25 de Abril como outras. O elo causal, a relação causa-efeito não dizem nada a João Miranda. Que tenha havido leis (como refere Rui Tavares) que tornaram tornado possíveis as férias pagas, ou as pensões, que se tenham feito reformas do serviço nacional de saúde, e já agora do sistema de ensino, não lhe diz nada. Que eu saiba não houve lei nenhuma que implementasse o iô-iô nem o cubo mágico, e muito menos foram direitos consagrados na Constituição de 1976. Leis e Constituição que não seriam possíveis sem o 25 de Abril (digo eu). João Miranda afirma apenas que o 25 de Abril não criou riqueza. Terá João Miranda algum estudo que permita afirmar uma coisa dessas? Não, mas isso não o impede de fugir para a frente. João Miranda afirma ainda, categoricamente, que no exemplo da mortalidade infantil essa já tinha começado a diminuir antes, portanto a evolução dos últimos 30 anos não tem nada a ver com o 25 de Abril, vem de trás. É óbvio (pelo menos para João Miranda) que sem o 25 de Abril a evolução teria sido exactamente a mesma. Porquê? Porque sim!
Aliás isto até desencadeou uma conversa curiosa entre umas vozes na minha cabeça*:
- Sabes?, o 25 de Abril não teve nada a ver com a descida da mortalidade infantil.
- Não? Então como é que se explica esta descida nos últimos 30 anos.
- É uma dinâmica que começou antes, em 1970 já se morria muito menos que em 1940.
- Quem é que disse isso?
- O João Miranda.
- Ah!, se é o João Miranda que diz, deve ser verdade.
- Mas pensando bem em 1910 já se morria muito menos do que em 1830, portanto a I República também não fez nada.
- E o mesmo é verdade para a alfabetização.
- E na realidade em 1830 estava tudo muito melhor que em 1650.
- Portanto os liberais também não nos trouxeram nada, já vinha de trás.
- E a bem dizer em 1650 estava-se muito melhor do que em 1500.
- Eu sempre achei que a Restauração tinha sido um desastre, não tinha trazido nada de bom.
- Mas em 1500 já se vivia muito melhor do que em 1390.
- Portanto não foi a chegada à Índia que nos veio trazer melhorias.
- Claro que não, já vinha de trás.
- Mas espera lá, voltando ao 25 de Abril, o 25 de Abril trouxe-nos melhorias, ou não?
- ... o João Miranda diz que não?
- E a democracia? E a universalização dos serviços públicos, que eram só para alguns? Isso só veio depois.
- Mas a dinâmica já vem de trás, mesmo sem 25 de Abril tudo isso teria acontecido.
- Ai é?
- Claro que é! A ala liberal, as conversas em família, e o caraças..., o regime estava em mudança, era inevitável.
- É verdade! Agora percebo! Até o próprio 25 de Abril teria acontecido naturalmente, mesmo que não tivesse havido 25 de Abril.
- Mais, o 25 de Abril ACONTECEU de facto sem 25 de Abril. Se vires bem o Movimento das Forças Armadas e o Movimento dos capitães começaram a conspirar antes do 25 de Abril, prepararam e executaram o golpe de estado antes do 25 de Abril.
- Coisa que, aliás, jamais teria acontecido depois do 25 de Abril.
- Ora depois do 25 de Abril todos os passos que vinham sendo dados no sentido de fazer para a transição para um regime democrático foram abruptamente interrompidos.
- E o mesmo e passou com a Guerra d'África.
- Depois do 25 de Abril é que nunca mais se avançou na direcção da Democracia.
- É verdade...
-O 25 de Abril e a Democracia só foram possíveis graças ao antigo regime.
-Genial esse João Miranda.
*Não vos preocupeis, estou devidamente medicado.
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Zèd
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E porque hoje é dia do trabalhador
... aqui fica uma imagem apropriada, retirada daqui (tem lá outras tb. muito boas).
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Daniel Melo
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A segunda vez que vi Bilbao
Na primeira vez, a cidade estava literalmente encerrada e coberta de barraquinhas – era Agosto, chovia, e festejava-se o feriado regional cheio de orgulho basco, o que fazia com que Bilbao se enchesse de palavras de ordem de «Morte a quase tudo» (excepto à monarquia; aparentemente os únicos que podem continuar vivos pertencem à família real) e que hectolitros de belíssima sidra fossem consumidos por «neos» da maioria de estilos de tribos urbanas surgidas nos anos 60 e 70. Tudo emoldurado por um tradicional fogo de artifício que se reflectia, igualmente, no rio e no Guggenheim.Fiquei, ao mesmo tempo, com uma impressão confusa e com vontade de voltar. Uma cidade, capaz de transformar um arraial num statement, em que boinas e lenços rivalizavam com penteados rasta e piercings e com um paisagem tão difícil quanto um apertado vale, onde edifícios ao gosto burguês parisiense convivem com blocos «soviéticos» e com a mais contemporânea e arrojada arquitectura, tem de ser um sítio invulgar.
E é. Desta vez, Bilbao mostrou-se com sol, e tudo o que emana da cidade é força e vitalidade, evidência de que uma extravagante requalificação urbana pode resultar em cheio e que o Guggenheim por demasiado escultórico e orgânico que seja (é verdade que o edifício também podia ser um hotel ou uma discoteca, mas já abandonei qualquer visão elitista sobre o assunto), arrastou consigo a vida de uma cidade. Tê-la-ia engolido, não fosse a individualidade de Bilbao (que definitivamente já está no meu Top de cidades).
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Anónimo
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
Albert Hofmann (1906 – 2008)

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Sappo
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segunda-feira, 28 de abril de 2008
Ainda as imagens mentais (IV)
Primeiro tenho que reconhecer que o artigo de Gallant e colaboradores, de que temos estado a falar, não constitui uma demonstração formal da existência de imagens mentais. O artigo demonstra que, utilizando imagens de ressonância magnética e algoritmos apropriados, é possível modelizar com uma grau de aproximação muito apreciável os padrões de actividade cerebral quando o cérebro está a processar imagens que os olhos estão a ver. As imagens de ressonância magnética mostram apenas padrões de actividade cerebral. Fernando Belo prefere chamar-lhes, e bem, imagens cerebrais. No entanto, não sendo uma demonstração formal de que as imagens mentais existem, e menos ainda a visualização dessas imagens mentais. Se as imagens de ressonância, devidamente auxiliadas por um algoritmo, revelam ou não a existência de imagens mentais é uma questão de interpretação. Pela minha parte penso que os resultados são coerentes com a existência de imagens mentais. Se não o posso prová-lo, tampouco alguém o pode refutar formalmente, com base em observações empíricas. Estamos portanto no terreno do desconhecido, onde a especulação faz parte do processo de interpretação. É bom que se saiba, e que seja afirmado claramente, e as precauções necessárias devem ser tomadas. Isto é apenas uma opinião, ninguém tem que acreditar.
Apetece-me evocar aqui - desviando-me brevemente da discussão - a descoberta científica que, na minha humilde opinião, mais implicações filosóficas tem: princípio da incerteza de Heisenberg. Demonstra esse princípio que o observador não pode ter a percepção do 'verdadeiro' objecto, mas apenas a percepção da sua interacção sobre esse objecto. O observador não é portanto neutro, e altera forçosamente o próprio objecto. O exemplo em questão não podemos ver grande coisa do cérebro humano, a não ser que o alteremos, por exemplo com contrastantes que depois podem ser detectados por ressonância. A nossa observação não é neutra, é o resultado duma manipulação. E as conclusões que tiramos são necessariamente o resultado duma interpretação. Mas convém ter o princípio da incerteza presente também no momento de definir o próprio conceito de imagem, e de imagem mental.
Quanto à questão 'há' num automóvel, e aquilo que o automóvel é estamos de acordo (e daí..., talvez haja umas nuances). Na minha visão materialista uma coisa e outra estejam tão intimamente ligados que talvez se confundam. Aquilo que o carro 'é' resulta daquilo que nele 'há', mas aquilo que 'há' num carro tem que se constituir num processo coerente para que se transforme naquilo que o carro 'é'. Não basta ter porcas e parafusos, cilindros e cambotas, gasolina e explosão, combustão e piloto. Todos estes elementos, montados aleatoriamente dificilmente darão um carro que verdadeiramente o 'seja'. Aquilo que 'há' tem que constituir de uma determinada forma, coerente, que permita um encadeamento preciso de acontecimentos, os processos, que leve ao funcionamento do automóvel. As componentes encaixam-se segundo um plano preciso. O mesmo se passa com o cérebro. Não há apenas neurónios e sinapses, neurotransmissores e impulsos iónicos, há-os organizados de como uma série de processos coerentes, ou se preferirem de um modo funcional. A diferença entre o cérebro e o automóvel é que este é uma criação da mente humana, é fácil partir das partes, aquilo que 'há' perceber como se organizam e funcionam, é fácil perceber a coerência dos seus processos uma vez que foi o homem quem os criou. Já quanto ao cérebro não conhecemos o plano, temos que partir da nossa percepção daquilo que ele 'é' para tentar perceber aquilo que nele 'há' para depois ainda tentar perceber como as suas partes se organizam numa entidade funcional, aquilo que ele 'é'. Isto num constante vai-e-vem entre uma coisa e outra, aprofundando o nosso conhecimento passo a passo. E isto que digo não muito diferente, parece-me, do que diz Fernando Belo (parágrafo 5 do seu post).
Voltanto à questão inicial, as imagens de ressonância magnética mostram a actividade cerebral não as imagens mentais. No entanto, na minha opinião, as imagens mentais existem, são o produto dos tais processos coerentes que constituem o funcionamento do cérebro, e estão subjacentes à actividade cerebral que é possível ver nas imagens de ressonância magnética.
Tomemos o exemplo dado Ana Matos Pires (quando se debateu esta questão no 5dias): os amputados continuam a sentir o membro que perderam. Sentem-no porque os terminais nervosos que antes transmitiam ao cérebro a sensação desse membro continuam a fazê-lo mesmo que o membro não esteja lá. Isto demonstra que no cérebro existe uma representação desse membro. Não é uma imagem, no sentido visual de uma imagem captada pelo sentido da visão, mas é uma representação resultante da propriocepção. O membro esse não existe mas a representação mental desse membro é bem real, como o atestam as dores que sentem os que foram amputados. A representação mental de um objecto percebido pelo sentido da visão funciona de modo análogo.
Fernando Belo dá-me aliás um excelente argumento quando diz que as únicas imagens mentais são os sonhos. Ora acontece que, tanto quanto sei (que reconheço, é pouco nesta matéria) o cérebro processa as imagens dos sonhos e outras quaisquer imagens - as que evocamos de memória por exemplo - da mesma maneira. Se umas são imagens mentais, então as outras também são.
No fundamental onde eu acho que estou em desacordo com Fernando Belo é na ideia de que o conceito de mente seja o herdeiro do conceito de alma. A alma, no sentido religioso, é uma entidade metafísica superior ao corpo, e que lhe sobrevive. A mente é o resultado do funcionamento dos processos "superiores" do cérebro (consciência, abstracção, etc...), há mente enquanto houver um cérebro com os seus processos superiores em funcionamento. A mente é bem material está alojada no corpo, mais precisamente no cérebro, e não lhe pode, por maioria de razão, sobreviver. Não estou certo que este minha posição seja uma defesa do "dualismo cérebro / mente" mas quanto às reservas de Fernando Belo sobre "irredutibilidade metodológica entre o acesso ao neuronal com a aparelhagem laboratorial e o acesso a esta estruturação psíquica, por via do discurso (ou da introspecção)" tendo a considerar todas as limitações das aparelhagens laboratoriais não como limitações fundamentais e inultrapassáveis, mas apenas como circunstanciais. Naturalmente que esses aparelhos nos dão uma imagem limitada, como o nosso conhecimento será sempre limitado e incompleto. Novas máquinas e novas técnicas permitir-nos-ão de ver um pouco melhor, e o nosso conhecimento do cérebro avançará um pouco mais, sempre parcial e incompleto mas um pouco melhor. Não me parece irredutível, e pelo contrário a via do discurso e da introspecção avançará a par das aparelhagens laboratoriais.
Ou dito de outro modo, onde eu estou em desacordo com Fernando Belo é na oposição entre o real e o mental, ideia de que o "ser-no-mundo" esteja nos "antípodas do mental" (parágrafo 4 do mesmo post). Do ponto de vista da actividade cerebral um e outro são processados do mesmo modo, utilizando as mesmas redes neuronais. O mental é tanto uma representação do real (o "ser-no-mundo"), tal como uma representação de outros reais possíveis.
P.S. - Num post anterior deixei uma provocação a João Galamba, que entretanto respondeu (por sinal com bastante mais elegância do que a minha provocação) na caixa dos comentários. Aproveito, porque é o direito de resposta, e sobretudo porque é mais uma interessante contribuição para o debate, e transcrevo aqui o comentário de João Galamba (com quem estou obviamente em desacordo):
Peço desculpa mas só vi este post agora. Eu não digo apenas "porque não". Se ler os meus posts com atenção e, sobretudo, os comentários vai ver que a minha posição é de outra natureza.
A mente é caracterizada por intencionalidade, o que faz com que ela não possa ser tratada como um objecto. A intencionalidade significa que ela é constituída por relações normativas de significado (algo totalmente diferente de relações causais) com o mundo que lhe é exterior, o que faz com que o paradigma interior-exterior deixe se ser uma dicotomia.
O problema da ciência é que ela pressupõe a noção de objecto (sem o qual não há ciência), e isso distorce a natureza da mente. Antes de se estudar o que quer que seja é necessário clarificar a ontologia subjacente ao nosso estudo. Ora isto é coisa que a ciência não faz nem pode fazer, pela simples razão que ela própria necessariamente pressupõe uma ontologia.
A discussão é longa, mas acredite que se há coisa que eu não faço é dogmaticamente dizer que não.
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Zèd
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domingo, 27 de abril de 2008
É a bondade do mercado a funcionar
Adenda sob a forma de pergunta ingénua:
A subida dos preços dos alimentos estará relacionada com a subida do preço do petróleo? E a subida do preço do petróleo terá alguma coisa a ver com a guerra no Iraque?
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Zèd
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sábado, 26 de abril de 2008
My Blueberry Nights
My Blueberry Nights de Wong Kar-Wai, o filme que abriu o Indie Lisboa, na passada quinta-feira, no cinema São Jorge, soube a pouco mas abriu o apetite para um festival que se espera suculento e não pára de crescer. Soube a pouco porque, apesar do filme de Wong Kar-Wai ser tecnicamente independente – foi rodado nos Estados Unidos «fora de Hollywood», com dinheiro europeu e asiático – a história romântica com happy end dá-lhe um sabor mainstream. E, acima de tudo, porque fica aquém da última obra-prima do realizador de Hong-Kong, In the Mood for Love. O filme ressente-se da ausência do genial director de fotografia que costuma trabalhar com Wong Kar-Wai e Norah Jones não tem uma centelha da presença de Maggie Cheung.Ainda assim, é um prazer ver um realizador ser fiel ao seu estilo ao mesmo tempo que pesquisa um novo território e uma nova língua – é o seu primeiro filme em inglês. Interessante é a forma como combina o road movie tão típico da América com temas que lhe são caros – a lenta depuração dos sentimentos pelo tempo e pela memória. Em vez da viagem de busca da «nova fronteira», em que o horizonte, por definição, é inalcançável, temos a viagem circular, cujo sentido só pode ser dado pelo regresso ao ponto de partida. Outra variação de uma história muitas vezes contada é que seja a personagem feminina a partir e a masculina – interpretada por Jude Law – a permanecer num bar de Nova Iorque, à espera da mulher por quem se apaixonou.
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João Miguel Almeida
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
Uma pequena coisa, mas muito séria, que nos une
Como anunciei aqui, organizei este mês na minha universidade, uma "soirée" de festa dedicada ao 25 de Abril, com leituras de textos, música e vídeo.
Na realidade, foi uma co-organização com o Departamento de Italiano, para celebrarmos em conjunto os dois 25 de Abril. Como sabem, o 25 de Abril de 1945 é a data que marca o fim definitivo da ocupação nazi e do regime fascista em Itália. Assim, ambas as Repúblicas actuais de Portugal e Itália têm nesta data primaveril o seu momento fundador. Uma coisa pequena, mas absolutamente séria, que une os dois países. Penso que é importante dizer isto depois do resultado das eleições italianas (Berlusconi nunca comemorou o 25 de Abril sendo primeiro-ministro e anunciou, antes das eleições, intenções de reescrever os manuais escolares no que toca à data). E também à vista das tentativas quotidianas para, em Portugal, pôr a memória da democracia a andar para um país ausente.
Aqui fica, em estreia absoluta na blogosfera tuga, o vídeo que realizámos em conjunto (os leitores de italiano Giovanni Ambrosio, Andrea Masetti e eu próprio) e que exibimos no passado dia 10. Ficou com alguns problemas técnicos, decorrentes do adiantado da hora a que foi finalizado. Mas foi feito com entusiasmo, isso vos garanto, porque nem sempre a academia dá ocasiões para partilhas. Desta vez deu. A data merece.
Vejam o filme, vale a pena.
(com um agradecimento aos autores dos filmes e documentários que, involuntariamente, para ele também contribuíram)
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andre
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17:58
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Lisboa efervescente
É verdade, a cidade branca está cheia de genica, agora que se abeira a quadra mais libertária do ano.Nb: imagem de cartoon único do famoso cartoonista francês Siné, que se destacou no Maio de 68 com a sua revista L'enragé, mostrando um soldado português muito bem enfeitado :P
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Daniel Melo
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Hillary Clinton, a maior aliada do republicano John McCain

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Sappo
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Labels: Barack Obama, Hillary Clinton, John McCain, Primárias americanas
Se há alguma coisa que é verdade, acho, é que nunca escapamos à nossa cultura, nunca escapamos à nossas história.
Lilian Thuram par Claire Denis
Colocado por quaibranly
Ainda no rescaldo da morte de Aimé Césaire, e dos posts sobre a negritude, deixo este vídeo de uma entrevista a Lilian Thuram (esqueçam quaisquer preconceitos que possam ter sobre a capacidade intelectual dos jogadores de futebol), é excelente. O título do post é a tradução da primeira frase de Thuram vídeo.
E lembro-me agora que me esqueci de assinalar o aniversário da morte (a 7 de Abril) de Toussaint Louverture, líder da revolta da então Saint Domingue contra o re-estabelecimento da escravatura por Napoleão. Primeira (das muitas) derrota militar de Napoleão que conduziu ao primeiro país negro a tornar-se independente do colonizador europeu, o Haiti. Louverture não viveu para ver a sua vitória.
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Zèd
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