terça-feira, 13 de abril de 2010

«Génio louco» ou um cientista brilhante com convicções éticas?

A propósito do matemático russo Grigori Perelman, autor na berlinda por não ter logo aceite prémios vultuosos que distinguiam o seu contributo para a transformação da conjectura de Poincaré num teorema, passou a imagem dum dum «génio louco» em muitos media.
O último texto a apresentá-lo assim é um aprofundado trabalho de Ana Gerschenfeld. Por ser aprofundado, este texto permite entrever que as reservas do cientista têm a ver com a sua dificuldade em aceitar o atropelo de normas éticas no trabalho científico. Um outro cientista procurou, de modo incorrecto, ficar com parte dos louros daquele proeza científica e, como os restantes matemáticos não denunciaram a situação, Perelman ficou desiludido e resolveu afastar-se deles. A versão de Perelman foi revelada pelo próprio a uma jornalista que escreveu a biografia doutro grande matemático. Parece mais uma questão de ética no trabalho e na vida do que propriamente loucura.
O próprio diz achar esquisito que os prevaricadores passem por gente normal e aqueles que não aceitam atropelos a normas éticas sejam vistos como bichos-do-mato. É que ele até vai apanhar cogumelos no bosque! Pois é, so pode ser louco! Mas, espera aí; então e as pessoas que apanham cogumelos nos bosques para que todos nós os possamos comer também são loucas?
Que grande confusão...