quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Décadas globais

As listas do melhor e do pior de uma década valem o que valem. São uma forma tão boa como outra qualquer de organizarmos a nossa memória, de discutirmos hierarquias de valores e as perspectivas, ainda limitadas, sobre acontecimentos nacionais e internacionais. As listas da «primeira década do século XXI» têm um problema: ainda falta um ano para terminar a referida década. Se tem dúvidas pode consultar esta entrada da wikipédia. Não que a wikipédia seja um autoridade acima de qualquer suspeita, mas o problema é simples: ou o nosso calendário teve um «ano 0 a.c» e «ano 0 d.c.» ou o «0» do nosso calendário corresponde, vá lá, à meia noite entre 31 de Dezembro do ano 1 a.c e 1 de Janeiro do ano 1 d.c.. Como a segunda alternativa é a verdadeira, no final do ano 9 d.c. ainda faltava um ano para terminar a primeira década do século I d.c e no final de 2009 ainda falta um ano para terminar a primeira década do século XXI.
Os balanços das décadas e dos séculos são sempre exercícios arbitrários, pois os acontecimentos e tendências obviamente não se encaixam nos números redondos do calendário. O que não quer dizer que não possam ser exercícios interessantes e não existam «coincidências poéticas». A década passada, por exemplo, começou em 1991, o ano do fim da União Soviética e terminou em 2000, o ano em que o mundo suspirou de alívio por o «bug» do ano 2000 ser uma ameaça fantasma. Foi a década da «pax americana», também conhecida por «fim da História». A actual década começou em 2001, o ano do ataque às torres World Trade Center. Tem sido a década da crise. Primeiro de segurança internacional, depois financeira, económica, social e com sinais inquietantes de não se conseguir prevenir a tempo uma crise ambiental. Ah, como dava jeito que esta década acabasse já hoje e levasse com ela a crise…